Cultura
Projeto promove vivências formativas em Planaltina-DF e Novo Gama-GO, com evento de encerramento na Fundação Cultural Palmares, em Brasília
Presentes hoje em restaurantes, festivais e diferentes espaços da gastronomia brasileira, muitos dos saberes da cozinha afro-brasileira nasceram e foram preservados nos quintais, nas cozinhas comunitárias e nos terreiros, ambientes nos quais alimento, espiritualidade, memória e vida coletiva sempre caminharam juntos. É desse caldo de histórias, práticas e conhecimentos ancestrais que surge Sabores e Saberes – O Tabuleiro da Baiana, projeto da Fundação Cultural Palmares, realizado pelos institutos Lente Cultural e Kitanda Cultura de Terreiro.
Em sua segunda edição, o projeto realiza, entre agosto e setembro de 2026, dois ciclos formativos em territórios tradicionais de matriz africana e um encontro público de encerramento. A programação passará pelo Ponto de Cultura Terreiro da Vovó Maria Conga, em Planaltina, no Distrito Federal, nos dias 22 e 23 de agosto; pela Casa de Oyá, em Novo Gama, Goiás, em 5 e 6 de setembro; e será concluída em 8 de setembro, na sede da Fundação Cultural Palmares, em Brasília, com a participação da chef e Makota Solange Borges. Ao longo desse percurso, lideranças religiosas, pesquisadoras, cozinheiras, produtoras culturais e representantes das comunidades se reunirão em oficinas, vivências práticas, rodas de conversa e refeições coletivas. As inscrições podem ser feitas, gratuitamente, através de preenchimento de formulário link.
Mais do que realizar encontros pontuais, Sabores e Saberes – O Tabuleiro da Baiana busca fomentar a preservação, a difusão e o reconhecimento da culinária afro-brasileira como patrimônio cultural. Entre os seus objetivos está o de fortalecer a identidade, a autonomia, o empreendedorismo criativo e a soberania alimentar e nutricional das comunidades tradicionais de matriz africana.
Para a produtora cultural e presidente do Instituto Lente Cultural, Carol Peres, “A salvaguarda dos saberes tradicionais não é apenas uma revisão do nosso passado, mas uma ferramenta indispensável para pensarmos o futuro da cultura no Brasil. Quando reconhecemos e fortalecemos a culinária de matriz africana, estamos valorizando tecnologias ancestrais que unem sustentabilidade, memória e economia criativa. O papel das instituições culturais é justamente criar as pontes e garantir as condições para que esses territórios de resistência continuem sendo os verdadeiros protagonistas da difusão e preservação do nosso patrimônio imaterial”.
A iniciativa parte do entendimento de que a culinária de terreiro não se resume ao preparo de alimentos. Ela carrega conhecimentos transmitidos entre gerações, modos próprios de cultivo, conservação e aproveitamento dos ingredientes, relações com a natureza, práticas de cuidado e formas de organização comunitária.
Ao aproximar patrimônio cultural, segurança alimentar, sustentabilidade e economia criativa, o projeto transforma a herança ancestral em instrumento de fortalecimento dos territórios e de resposta a desafios contemporâneos. A iniciativa também dialoga com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente aqueles relacionados à fome zero e à agricultura sustentável, à igualdade de gênero, ao trabalho decente e à geração de renda, à redução das desigualdades, à preservação das comunidades e ao consumo e à produção responsáveis.
“O Tabuleiro da Baiana transcende o ato de nutrir; trata-se de uma sofisticada tecnologia ancestral e a materialização do legado das mulheres negras. Como liderança de uma comunidade tradicional Angola Kongo, vejo que essa prática é um pilar para o desenvolvimento sustentável das nossas comunidades. O Tabuleiro é um instrumento vivo de manutenção dos saberes tradicionais, estruturando a nossa proteção social e atuando como um vetor essencial na promoção da segurança alimentar e nutricional. Fruto da inteligência das zungueiras, quitandeiras e ganhaderias, que no Brasil colonial serviu de manobra contra-colonial para subsistência das pessoas negras, legado que perdura na contemporaneidade”, ressalta Tata Luazi Luango, coordenador artístico do projeto.
Primeira vivência acontece no Terreiro da Vovó Maria Conga – Polo I
A primeira etapa será realizada nos dias 22 e 23 de agosto, das 9h às 17h, no Ponto de Cultura Terreiro da Vovó Maria Conga, em Planaltina. Durante os dois dias, os participantes poderão conhecer os espaços do terreiro, visitar a horta comunitária, acompanhar o preparo de receitas tradicionais e compartilhar os pratos produzidos nas atividades.
A programação começa com a vivência Terreiro Cerratense, conduzida por Mãe Maria do Cerrado, gestora do Terreiro da Vovó Maria Conga. A atividade apresenta a culinária tradicional de terreiro a partir dos ingredientes, das práticas e dos conhecimentos ligados ao Cerrado. Além da visita ao espaço, os participantes acompanharão o preparo de um prato típico da culinária cerratense, finalizando o encontro com um almoço coletivo.
Mãe Maria do Cerrado também estará à frente da vivência Senzala Gastronômica, dedicada aos saberes transmitidos pelas Pretas e pelos Pretos Velhos. A proposta é abordar a presença da memória, da espiritualidade e da ancestralidade na alimentação, passando pela visita à horta do terreiro, pelo preparo de um prato tradicional da culinária quilombola e pelo compartilhamento da refeição.
A educadora Ekejie Cleide Morais, da Favela Gastronômica, conduzirá a oficina Cozinhas Comunitárias. A atividade será voltada às práticas de segurança alimentar e nutricional, com orientações sobre aproveitamento integral dos alimentos, armazenamento, distribuição e organização das cozinhas populares e comunitárias. Cleide compartilhará experiências construídas em iniciativas que utilizam a alimentação como instrumento de acolhimento, autonomia e fortalecimento coletivo.
Já a afro produtora Ekejie Jackeline Silva apresentará a oficina Afro Paladar, nome do livro e do documentário desenvolvidos por ela. A partir dessas experiências, a facilitadora abordará técnicas de registro e documentação do patrimônio gastronômico afro-brasileiro, além de orientar os participantes na construção de um livro de receitas tradicionais.
Todas as atividades culminam em momentos de convivência à mesa. Os participantes poderão degustar os pratos preparados durante as oficinas, reforçando a ideia de que cozinhar, compartilhar e comer também são formas de preservar memórias, transmitir conhecimentos e fortalecer vínculos comunitários.
Mais do que ensinar receitas, o projeto pretende mostrar como a culinária tradicional constitui um importante instrumento de preservação da identidade afro-brasileira, de fortalecimento comunitário e de geração de oportunidades econômicas para mulheres negras e comunidades tradicionais.
Para facilitar o acesso dos participantes, haverá transporte gratuito com saída da Rodoviária do Plano Piloto, mediante inscrição prévia
Projeto segue para Novo Gama – Polo II
A segunda vivência acontecerá nos dias 5 e 6 de setembro, na Casa de Oyá, em Novo Gama. A etapa seguirá a metodologia adotada em Planaltina, incorporando conteúdos relacionados à agroecologia, à sustentabilidade, à preservação ambiental e à geração de renda nos territórios tradicionais.
A programação contará com atividades conduzidas pela Yalorixá Jussara Morais, pela agroecologista Muzenza Imoxicongo Raíssa Felipe, por Ekejie Cleide Morais e por Ekejie Jackeline Silva. Os detalhes dessa segunda vivência serão divulgados posteriormente.
O encerramento será realizado em 8 de setembro, na Fundação Cultural Palmares, em Brasília, com apresentação dos resultados do projeto e aula-show da chef e Makota Solange Borges, idealizadora do projeto Culinária de Terreiro e do Festival do Dendê. A programação também contará com lançamento de livro, mesa de debate, apresentações culturais e degustação de pratos preparados especialmente para a ocasião.
SERVIÇO
Sabores e Saberes – O Tabuleiro da Baiana
Participação: gratuita
Inscrições: link
Vivência Formativa – Polo I
Datas: 22 e 23 de agosto de 2026, sábado e domingo
Horário geral: das 9h às 17h
Local: Ponto de Cultura Terreiro da Vovó Maria Conga – Planaltina (DF) Mapa
Transporte: ônibus gratuito e exclusivo saindo do estacionamento do SESI Lab
Terreiro Cerratense
Facilitadora: Mãe Maria do Cerrado
Carga horária: 4 horas
Cozinhas Comunitárias
Facilitadora: Ekejie Cleide Morais – Favela Gastronômica
Carga horária: 4 horas
Senzala Gastronômica
Facilitadora: Mãe Maria do Cerrado
Carga horária: 4 horas
Afro Paladar
Facilitadora: Ekejie Jackeline Silva
Carga horária: 4 horas
Vivência Formativa – Polo II
Datas: 5 e 6 de setembro de 2026, sábado e domingo
Horário geral: Das 9h às 17h
Local: Casa de Oyá – Novo Gama (GO) Mapa
Transporte: ônibus gratuito e exclusivo saindo do estacionamento do SESI Lab (Plano Piloto-DF)
Tabuleiro da Baiana
Facilitadora: Yalorixá Jussara Morais
Carga horária: 4 horas
Cozinhas Comunitárias
Facilitadora: Ekejie Cleide Morais – Favela Gastronômica
Carga horária: 4 horas
Terreiro Sustentável
Facilitadora: Muzenza Imoxicongo – Agroecologista Raíssa Felipe
Carga horária: 4 horas
Afro Paladar
Facilitadora: Ekejie Jackeline Silva
Carga horária: 4 horas
Encerramento
Data: 8 de setembro de 2026, terça-feira
Horário: A partir das 14h
Local: Fundação Cultural Palmares – Brasília (DF)
Para mais informações, acessar o instragram: https://www.instagram.com/saboresesaberesdeterreiro/
Cultura
Estradar, projeto musical de Joana Duah, estreia na Casa Thomas Jefferson, em Brasília
Em show de 10 de outubro, cantora resgata joias do repertório de grandes nomes da música brasileira e mostra em primeira mão show que sairá em mini turnê pelo país
A cantora e compositora Joana Duah estreia em Brasília, em 10 de outubro, o projeto musical “Estradar”. Joana subirá ao palco da Casa Thomas Jefferson na companhia do violonista Lula Galvão, um dos mais importantes instrumentistas brasileiros da atualidade e com quem estabelece um dos principais diálogos musicais do projeto. Completam a formação Thanise Silva (flauta), Paula Zimbres (baixo), Rodrigo Bezerra (guitarra), Lene Black e Felipe Fiúza (percussão).
“Estradar” nasce de um verbo inventado pela própria Joana. “Mais do que percorrer uma estrada, a palavra traduz a ideia de contemplar o caminho e compreender a paisagem como território em movimento, atravessado por belezas, mas também por abismos”, explica a artista. Ela constrói um percurso por diferentes Brasis, aproximando celebração e inconformismo, delicadeza e tensão, contemplação e indignação. “São canções que fazem uma leitura bastante contemporânea do país”, completa.
Classificado em 1º lugar no edital do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC – DF), de 2025, na categoria Circulação, “Estradar” caminha por um repertório repleto de compositores fundamentais da música brasileira, mas não, necessariamente, de sucessos imediatamente reconhecidos pelo público. Marcam presença Chico Buarque, Gilberto Gil, Edu Lobo, Sérgio Ricardo, Sérgio Santos, Joyce, Moraes Moreira e Filó Machado, em sintonia com autores contemporâneos como Douglas Germano, Iara Ferreira, Mauro Aguiar e Chico Oliveira. “Quis fugir da trilha mais óbvia e revelando outras faces desses artistas, estabelecendo pontes entre diferentes gerações da música brasileira”, pontua.
De Brasília, “Estradar” segue para o Rio de Janeiro, onde apresenta show em 11 de novembro na Casa do Choro, e retorna à capital para grande apresentação no Clube do Choro, em 3 de dezembro. A mini turnê ainda contempla outros dois shows no Sudeste, com datas e locais a confirmar.
Entre caminhos e encontros
Brasiliense, Joana Duah construiu uma trajetória marcada pelo diálogo entre a música brasileira, o jazz e a world music. Formada em Artes e Performance Musical pela New School University, em Nova York, e mestre em Música pela Unicamp, levou seu trabalho a festivais e palcos de diferentes partes do mundo, com apresentações em cidades como Dubai, Tel Aviv, Buenos Aires, Lima, Roma, São Paulo, Nova York e Brasília. Nesse percurso, dividiu o palco com nomes como Guinga, João Bosco, Dominguinhos, João Donato, Rosa Passos, Roberto Menescal e Nelson Sargento.
Nos anos 1990, foi vocalista e compositora da Maskavo Roots, período em que participou de turnês ao lado de Jorge Ben Jor, Chico Science, Skank e Pato Fu. Em carreira solo, lançou Dá Licença (2010) e, em 2020, Bicho Encantador, com Salomão Soares e Guegué Medeiros
SERVIÇO
Show Estradar
Data: 10 de outubro
Horário: 20h
Casa Thomas Jefferson – Via W5 Sul, Asa Sul, Brasília – DF
Classificação: Livre
Ingressos Via Sympla: R$25
Instagram: @joanaduahvoz
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