Politica
Brasil e Índia selam novos acordos em segurança, energia e transformação digital
Primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, o presidente Lula e a primeira-dama brasileira, Janja Lula da Silva. Foto: Ricardo Stuckert/Secom-PR
Encontro entre Lula e primeiro-ministro indiano fortalece parceria estratégica e amplia cooperação em temas prioritários para o Sul Global
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, nesta terça-feira, 8 de julho, em Brasília, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. O encontro marca um novo momento na parceria estratégica e reforça a disposição mútua em ampliar a cooperação em áreas fundamentais para o desenvolvimento sustentável, a paz internacional e o fortalecimento do Sul Global.
Durante a cerimônia, Lula destacou a importância da parceria entre os países, e reforçou que a cooperação pode ser decisiva no enfrentamento de desafios globais. “Como membros do G20 e do BRICS, atuamos em defesa do multilateralismo e de uma governança global mais inclusiva. Somos aliados naturais na resposta à fome, à pobreza e à mudança do clima”, afirmou.
O presidente brasileiro destacou ainda a afinidade entre Brasil e Índia, ressaltando a importância de uma relação sólida entre nações que compartilham características semelhantes. “É muito importante que as pessoas compreendam que um país megadiverso como o Brasil tem a obrigação de ter uma relação política, cultural, uma relação econômica e comercial com outro país megadiverso”, afirmou. Segundo Lula, a riqueza natural, a pluralidade cultural e a diversidade social de ambos os países são bases para uma cooperação ampla.
Lula também pontuou que os dois países exercem papéis de destaque no cenário internacional e que o fortalecimento de iniciativas conjuntas em áreas estratégicas é um passo natural. “Dois países superlativos como a Índia e o Brasil não podem permanecer distantes. A solidez das nossas democracias, a diversidade das nossas culturas e a pujança das nossas economias nos atraem”, disse.
MERCOSUL – O presidente defendeu ainda a ampliação do Acordo MERCOSUL-Índia para reduzir barreiras comerciais e destacou o potencial do intercâmbio entre as duas economias. “Hoje, apenas 14% das exportações brasileiras para a Índia estão cobertas pelo acordo. Temos muito a avançar”, disse Lula, que também celebrou o desejo mútuo de aprofundar o contato entre as duas nações, facilitando o turismo, os negócios e o intercâmbio cultural.
Ao lado do presidente brasileiro, o primeiro-ministro Modi agradeceu pela recepção e destacou a admiração do povo indiano pelo Brasil. “Este é um momento de orgulho para mim e para 1,4 bilhão de indianos. Cada encontro com o presidente Lula me inspira a trabalhar pela prosperidade dos nossos povos”, declarou.
TRANSIÇÃO ENERGÉTICA – Os dois países também se comprometeram a liderar a transição energética justa e a ampliar a cooperação no campo da bioenergia. “Já somos parceiros na Aliança Global para Biocombustíveis. A Índia é o mercado de bioenergia que mais cresce no mundo. Podemos ser os motores de um novo modelo de desenvolvimento baseado em energias limpas”, afirmou Lula.
Na área de inovação, o presidente propôs a criação de um centro de excelência conjunto em transformação digital, com base na experiência indiana em infraestrutura digital pública e aberta. Também foi manifestado o interesse em fortalecer a parceria em saúde, incluindo o desenvolvimento e produção de vacinas e medicamentos. A cooperação espacial, que já resultou no lançamento do satélite Amazônia 1 com apoio indiano, foi mencionada como símbolo do potencial conjunto em ciência e tecnologia.
ALIANÇA GLOBAL – Lula também agradeceu Modi pelo apoio da Índia à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e ressaltou a contribuição histórica indiana na pecuária brasileira: “90% do rebanho zebuíno do Brasil é resultado de 60 anos de cooperação e melhoramento genético”.
ACORDOS – A reunião bilateral teve como base cinco pilares prioritários: defesa e segurança; segurança alimentar e nutricional; transição energética e mudança climática; transformação digital e tecnologias emergentes; e parcerias industriais em setores como aeronáutica, farmacêutico, petróleo e gás e minerais críticos. Foram assinados seis instrumentos de cooperação nas áreas de segurança pública, energia, agricultura, inovação digital e propriedade intelectual.
Entre os atos firmados, destacam-se o acordo de cooperação no combate ao terrorismo e ao crime organizado transnacional; o memorando de entendimento na área de energia renovável, com foco em transmissão de energia; e o memorando para compartilhamento de soluções digitais em larga escala, voltadas à transformação digital.
CONDECORAÇÃO – Durante a cerimônia, o primeiro-ministro Modi foi condecorado com o colar da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, a mais alta honraria brasileira concedida a personalidades estrangeiras. A comenda é reservada àqueles que prestaram relevantes serviços ao Brasil ou se destacaram por méritos e virtudes cívicas. “Nossa amizade deve ser tão vibrante quanto o Carnaval brasileiro, com o mesmo entusiasmo que temos pelo futebol e a mesma conexão de corações que encontramos no samba”, afirmou.
BALANÇA COMERCIAL – Desde 2006, Brasil e Índia mantêm parceria estratégica e compartilham posições convergentes em temas centrais da agenda multilateral. A Índia é atualmente o décimo maior parceiro comercial do Brasil. Em 2024, o comércio bilateral totalizou US$ 12 bilhões, com crescimento de 24% nos cinco primeiros meses de 2025. As exportações brasileiras chegaram a US$ 5,26 bilhões, com destaque para açúcar, petróleo bruto, óleos e aviões. As importações somam US$ 6,8 bilhões, fazendo da Índia a sexta maior origem de importações para o Brasil.
Dentre os investimentos indianos em nosso país destacam-se aqueles no setor de transmissão de energia, defensivos agrícolas e fabricação de veículos pesados. No sentido contrário, destacam-se investimentos brasileiros em setores como motores elétricos, terminais bancários e componentes de veículos pesados.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
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Curiosidades
Incêndios avançam sobre o oeste do Pará e deixam ar insalubre
Com 922 focos ativos, o Pará é o estado com mais ocorrências de incêndios florestais no país, de acordo com a plataforma Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No vizinho Amazonas, atualmente estão ativos 90 focos, após o estado ter registrado mais de mil pontos de fogo este mês. 
Enquanto a qualidade do ar em Manaus, na manhã desta segunda-feira (19), permanece classificada como insalubre, com índice de 153, segundo a plataforma IQAir; a cidade de Santarém, no oeste do Pará, registra o índice de 260, considerado muito insalubre.
A estação na cidade do Pará registrou concentração de 185 microgramas por metro cúbico de material particulado fino, um tipo de poluição inalável e muito prejudicial à saúde. O limite usado atualmente pela legislação brasileira é uma média de 32 microgramas por metro cúbico ao longo de um dia.
No domingo (18), o ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, informou que a força-tarefa que atua no enfrentamento aos incêndios florestais na região foi reforçada com a instalação de um Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, em Manaus, e a adaptação de mais 5 aviões para combate ao fogo, somando 16 aeronaves que atuam na região.
Nesta terça-feira (20), também está prevista a implantação de uma base da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) para reforçar a assistência à população atingida pela poluição.
Também foram disponibilizados pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) R$ 14 milhões ao Governo do Amazonas para ações relacionadas à situação de emergência.
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