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Politica

Paula Belmonte alerta para falhas ambientais em vistoria a abatedouro

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Em visita técnica, presidente da CPI do Rio Melchior encontrou maquinário sucateado, vazamentos, e inconsistências sobre impermeabilização do solo e no deságue da água no rio

Brasília, 22 de agosto de 2025 – A presidente da CPI do Rio Melchior na Câmara Legislativa do Distrito Federal, deputada Paula Belmonte (Cidadaniq), demonstrou preocupação com as condições de equipamentos, manutenção e cuidados com o manejo da água pelo Abatedouro da Seara Alimentos, em Samambaia, durante visita técnica realizada no local nesta sexta-feira (23).

“Todos os maquinários estão vazando, a gente não sabe como é a impermeabilização do solo”, disse Paula, ao longo da vistoria no local, sempre ressaltando o olhar que a CPI tem aos danos ambientais que vêm sendo provocados na região, entre Ceilândia e Samambaia. “Isso nos traz muita preocupação. Eu não consegui identificar uma impermeabilização com cuidado, vejo um processo muito rudimentar”.

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Denúncias

A ida ao abatedouro da Seara foi motivada por denúncias recebidas pela CPI do Melchior que mostram água avermelhada, em tom de sangue, sendo despejadas no rio, o que também havia sido verificado em sobrevoo realizado pelos integrantes da CPI pela região.

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Nesta sexta-feira, contudo, a coloração da água estava normal. Segundo técnicos da empresa, a mudança da coloração foi ‘normalizada’ devido a um ajuste no PH da água. Paula, porém, ressaltou por diversas vezes que o tema será analisado com propriedade: “Nós vamos entender o que aconteceu para que essa água ficasse daquela cor e o que tinha dentro daquela água”.

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A deputada também cobrou os órgãos de controle e exigiu que eles estejam atentos e mantenham inspeções mais constantes no local. “Nós temos agências reguladoras que precisam estar acompanhando mensalmente para que o meio ambiente não seja prejudicado”, cobrou Paula.

Representantes do “Movimento Salve o Rio Melchior” agradeceram a deputada “por sua coragem e determinação em trazer transparência” para a situação do Rio Melchior. Paula destacou que, como presidente da CPI, seu compromisso é fazer um debate propositivo em torno do tema.

Os trabalhos da CPI do Rio Melchior têm avançado de forma consistente desde o primeiro semestre, demonstrando que o nível de poluição do local é altamente prejudicial para a população local. Especialistas apontam altas concentrações de mercúrio nas águas do rio, conforme detalhado por professores da Universidade de Brasília em audiência pública ao colegiado em maio.

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Fonte: Ascom Paula Belmonte

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Policiais

Com alta da violência política no Brasil, mulheres são maiores vítimas

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Levantamento foi realizado por organizações de direitos humanos
Luiz Cláudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil

As ameaças de morte e de violência sexual denunciadas, nesta quinta (8), pela deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) ilustram o cenário de violência política pelo qual passa o Brasil durante a campanha eleitoral de 2026. 

Segundo levantamento divulgado pelas organizações de direitos humanos Terra de Direitos e Justiça Global, houve 134 casos de violência política durante a campanha até o primeiro turno das eleições, no último domingo (4), o que representou um caso a cada nove horas.  Ao todo, 70 tiveram mulheres como vítimas (52,2%).  

Dos 102 episódios dirigidos apenas a pessoas candidatas, 60 tiveram mulheres como vítimas (58,8%). Embora representem cerca de um terço das candidaturas, as mulheres foram alvos em mais da metade dos episódios de violência. 

Segundo a coordenadora de Incidência Política da Terra de Direitos, Gisele Barbieri, a violência política de gênero desqualifica e intimida mulheres, e mostra como o cenário é muito preocupante para a democracia brasileira.

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O ambiente digital tem sido, segundo ela, um terreno de agressões sistemáticas. Segundo a especialista, a falta de regulação das redes sociais é um elemento que dificulta o enfrentamento dessas violências. Apesar disso, a maior parte dos casos (71) ocorreu nas ruas.

“É necessário uma força-tarefa do Estado para dar respostas mais rápidas contra essas violências”, avaliou a pesquisadora em entrevista à Agência Brasil.

O número de 134 casos foi mapeado durante os 50 dias das campanhas eleitorais do 1º turno, iniciadas em 16 de agosto e encerradas no último domingo (4).

Subnotificação

Gisele Barbieri explica que a pesquisa mapeia principalmente registros que chegam ao conhecimento público, o que leva a uma estimativa que o número de 134 seja menor do que o real. Principalmente porque nem todos os casos de violências são denunciados.

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Para ela, mulheres, por exemplo, podem se sentir ainda mais expostas se não há respostas ou providências das autoridades policiais. “Existe essa subnotificação. Os casos muitas vezes não chegam à opinião pública por causa do medo”.

Ela defende que existam providências e punições com agilidade para que tenham caráter pedagógico em função do impacto desse tipo de violência para a democracia.

Em crescimento

A pesquisadora mostra que o número representa um aumento dos casos em relação ao primeiro turno de 2022, quando foram registrados 121 casos. Esta 4ª edição da pesquisa levantou que a violência política foi cinco vezes mais frequente do que no período sem disputa eleitoral (que teve uma média de uma ocorrência a cada 44 horas).

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A coordenadora da Terra de Direitos considera inadmissível a naturalização de episódios violentos, que funcionam para intimidar propostas dos representantes políticos.

“Esse cenário de hostilidade, além de intimidar, gera rupturas profundas no nosso sistema democrático exigindo do Estado uma resposta firme e proporcional à gravidade da situação”, destaca Gisele Barbieri.

Dos episódios registrados no período, 54 (40,3%) atingiram pessoas que disputavam ou exerciam cargos federais. Outros 48 casos (35,8%) tiveram como alvo pessoas que disputavam ou exerciam cargos estaduais.

A ameaça foi o tipo de violência política mais recorrente (64 casos). Na sequência, aparecem 33 episódios de ofensa e 19 de agressão física. Também foram registrados 11 atentados, cinco casos de criminalização e dois assassinatos. As duas mortes foram de agentes relacionados à esfera municipal, de um vereador e um de secretário municipal.

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Misoginia

Entre os 70 episódios contra mulheres, foram apontados:

  • Machismo ou misoginia em 45 casos
  • Racismo em nove
  • Transfobia em cinco.

Entre os 32 episódios de violência física (agressões, atentados e assassinatos) as mulheres foram vítimas em 21,9% dos casos. Já entre os 97 episódios de violência simbólica, que incluem ameaças e ofensas, as mulheres foram vítimas em 61,9% (60 casos).

Os dois assassinatos e dez dos 11 atentados tiveram homens como vítimas. Já as sete ameaças de violência sexual tiveram mulheres como vítimas exclusivamente. 

Racismo

Pessoas negras representaram 44,8% (60) de todas as vítimas de violência política no primeiro turno. Entre as mulheres vítimas, 19 das 70 eram mulheres pretas, mais de uma em cada quatro. 

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“Enquanto os homens são atacados por sua atuação política, mulheres, pessoas negras e pessoas trans enfrentam também o racismo, o machismo e a transfobia que estruturam a sociedade brasileira”, disse a coordenadora da Justiça Global, Glaucia Marinho.

Outros dados da pesquisa referem-se aos responsáveis pelas violências: em 26 episódios (19,4% do total de 134), o autor identificado era um agente público. Pelo menos 14 eram parlamentares ou governantes e sete eram agentes de segurança.

Ainda segundo o levantamento, nenhum dos 134 episódios registrados teve punição até o encerramento da coleta de dados. Durante a campanha, em pelo menos oito casos houve medidas de urgência, como remoção de vídeos, suspensão de perfis e concessão de medidas protetivas.

Para a equipe pesquisadora, essas medidas chegam a interromper a violência, mas não representam a responsabilização dos autores.

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As unidades federativas com maior número de ocorrência de casos são os estados de São Paulo (16), Rio Grande do Norte (13), Minas Gerais (12) e Rio Grande do Sul (10).

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