Social
Projeto social do DF que muda vidas chega ao Recanto das Emas
Destinada a mulheres de baixa renda, a capacitação abre as inscrições nesta quinta-feira (27/08)
Responsável por mudar a vida de centenas de mulheres, a 3ª edição deste ano do projeto social Flores do Cerrado está prestes a aterrissar no Recanto das Emas, Distrito Federal.
Igual à última edição, realizada em Samambaia, o curso vai oferecer formação em Corte e Costura e Bordado gratuitamente, na Associação Vida Kardec, no Recanto.
Para se ter uma ideia, só entre 2023 e 2024, o projeto atendeu em torno de 300 mulheres, em diferentes regiões administrativas, como Samambaia, Estrutural e Taguatinga.
Ao todo, o projeto também disponibilizará 20 vagas gratuitas nesta edição.
De graça, as inscrições abrem hoje (27/08), às 12h, e encerram dia 04/09.
A etapa de inscrição será divulgada pelas redes sociais do projeto, no @floresdocerrado.df. As interessadas deverão acompanhar o processo via Instagram e acessar a ficha cadastral para preenchê-la.
O Flores do Cerrado tem como essência a inclusão social, formando profissionalmente mulheres em situação de vulnerabilidade social do Distrito Federal.
De acordo com o idealizador do projeto, Fábio Barrera, a iniciativa busca promover autonomia financeira, empreendedorismo, fortalecimento da autoestima e geração de renda por meio da economia criativa e do artesanato.
E foram exatamente esses resultados que a 2ª edição do projeto deste ano alcançou, revelando superações de mulheres imponentes e que fazem a diferença, como é o caso das alunas Andressa e Edinalda.
Transformação de vida
O projeto nasce justamente para superar desafios enfrentados diariamente por mulheres das regiões periféricas do Distrito Federal.
Entre eles, se sobressaem o desemprego; baixa escolaridade; violência doméstica; dificuldade de acesso à qualificação profissional; baixa geração de renda; e também a dificuldade de conciliar maternidade e capacitação.
Um exemplo de mudança de vida é a história da filha da Patrícia Lopes, 42 anos, a Andressa.
Patrícia descobriu o projeto através do Instagram. E decidiu inscrever a filha porque achou a iniciativa linda e muito social.
A filha de Patrícia é diagnosticada com condições distintas de saúde mental e neurodesenvolvimento, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA); o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH); e o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG).
Para a mãe da Andressa, o projeto está fazendo bastante diferença no comportamento da jovem. “Depois que ela começou com o projeto, está muito mais calma; não teve nenhuma crise. E também não precisou tomar remédio SOS”, revela.
A família está bastante feliz que Andressa está sendo ajudada e, através das aulas, também está ajudando outras pessoas.
“Gostei muito do fato de a Andressa fazer o kit maternidade para ajudar outras pessoas com necessidades; e também de ela fazer a entrega do material em grupo. Isso irá ajudá-la na parte de socialização, pois ela tem muita dificuldade de interagir com outras pessoas”, explica.
Quanto ao comportamento de Andressa, Patrícia afirma, com muita gratidão, que a filha está mais calma, feliz, dormindo melhor, o que refletiu até no ambiente escolar, onde também não teve mais crise.
Já a dona de casa Edivalda Gonçalves, de 51 anos, foi impactada pelo projeto a partir do acompanhamento dos posts do Instagram do Flores do Cerrado, que sempre mostram a evolução das alunas nas aulas.
“Quando passei a seguir a página do projeto, eu via alegria nas alunas, professoras e auxiliares. Então foi isso que me chamou atenção… Sem contar o carinho que existe nesse projeto para com o próximo”, destacou.
De acordo com a aluna, o principal motivo que a fez entrar nas aulas foi o de ter ao menos uma noção básica de costura, até um simples colocar da linha na agulha da máquina.
“O projeto me despertou. Além de cuidar dos outros, eu também preciso e posso cuidar de mim; ter um tempo pra mim. Aprendendo com o Flores, me sinto mais leve, mais feliz; com menos peso nas minhas costas”, reiterou.
Para Edinalva, a sensação maior é de acolhimento e destaca a educação de todas as alunas do projeto. “Elas são de uma educação, um amor, um cuidado com cada uma de nós; que nos prende na sala! Sabe aquela hora que está chegando o horário de ir para casa, e a gente pensa: mas já? É uma paz tão grande, um lugar tão bom de estar que poderia até durar mais tempo”, enfatiza.
“Já consegui colocar linha na máquina, encher bobina, colocar agulha, fazer bainha, bolsa, trocador de fralda, toalhinha de boca, fazer cortes e estamos aprendendo a fazer um macarrão com zíper para bebê… Meu nível de satisfação não poderia ser menos que 10, pode ser bem mais até”, finalizou.
Cursos
As participantes terão acesso a dois módulos de formação do curso: Corte e Costura e Bordado.
Corte e Costura (60 horas): técnicas de corte, costura, modelagem, customização de peças, desenho básico de moda e conceitos de upcycling.
Bordado (20 horas): ensino dos principais pontos de bordado, personalização de peças e aplicação do artesanato como alternativa de geração de renda.
A carga horária total é de 80 horas, com aulas presenciais ministradas por profissionais especializados.
As aulas iniciam em 08/09 e seguem até 05/10/2026, das 14h às 18h, de segunda a sexta-feira.
Podem participar dos cursos mulheres que:
– Tenham entre 18 e 45 anos;
– Residam preferencialmente no Recanto das Emas;
– Tenham Ensino Fundamental, mesmo que incompleto;
– Desejem se qualificar para empreender ou ingressar no mercado de trabalho.
Politica
Consulta pública sobre políticas de igualdade racial termina hoje
O prazo para envio de contribuições da sociedade civil para a construção do 2º Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Planapir) termina nesta sexta-feira (16).
As sugestões podem ser enviadas por meio da consulta pública disponível na Plataforma Participa + Brasil, do governo federal.
A consulta pública é aberta para representantes de organizações da temática da igualdade racial, movimentos de mulheres negras, quilombolas, povos tradicionais de matriz africana e de terreiro e sociedade em geral.
A ideia é que a escuta da sociedade exponha as necessidades e experiências para construção de políticas mais próximas à realidade enfrentada no país.
De acordo com o Ministério da Igualdade Racial (MIR), a participação social tem o objetivo de enviar propostas que orientem a atuação do Estado brasileiro no enfrentamento do racismo estrutural, na reparação histórica, na redução das desigualdades, na promoção de justiça racial e econômica e na efetivação de direitos.
A consulta popular ocorre após a realização da 5ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (5ª Conapir), realizada em setembro de 2025.
Com o tema Igualdade e Democracia: Reparação e Justiça Racial, a conferência mobilizou cerca de 15 mil pessoas em todas as etapas locais, estaduais, temáticas e na nacional.
Como contribuir
Os interessados podem apresentar contribuições diretamente nos objetivos estratégicos do 2º Planapir, que estão organizados em 16 eixos temáticos:
- Eixo 1: Trabalho e Inclusão Produtiva
- Eixo 2: Educação
- Eixo 3: Saúde Integral e Enfrentamento ao Racismo no SUS
- Eixo 4: Desenvolvimento Social, Assistência Social e Segurança Alimentar
- Eixo 5: Cultura, Memória e Reparação Simbólica
- Eixo 6: Justiça, Segurança Pública e Defesa de Direitos
- Eixo 7: Comunidades Quilombolas
- Eixo 8: Povos de Terreiro e de Matriz Africana
- Eixo 9: Povos Ciganos
- Eixo 10: Mulheres Negras
- Eixo 11: Crianças, Adolescentes e Juventude Negra
- Eixo 12: População LGBTQIAPN+ negra
- Eixo 13: Justiça Climática e Enfrentamento ao Racismo Ambiental
- Eixo 14: Comunicação Antirracista, Justiça Digital
- Eixo 15: Política Internacional
- Eixo 16: Fortalecimento do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial – Sinapir e Conselhos de Promoção da Igualdade Racial
Veja as formas de contribuir nesta consulta pública:
- Aprimorar a redação: sugerir uma forma mais acessível, precisa ou abrangente de escrever o objetivo;
- Incluir elementos: propor a inclusão de temas, públicos, territórios, direitos ou resultados que ampliem o alcance do objetivo;
- Alterar o conteúdo: propor mudanças na abrangência ou na orientação do objetivo, de acordo com as transformações que considera prioritárias;
- Sugerir reorganizações ou exclusões: indicar trechos que possam ser reunidos, reformulados ou retirados para aprimorar o objetivo;
- Propor um novo objetivo estratégico: apresentar uma proposta que contemple outras questões relevantes para o eixo.
A orientação é que, sempre que possível, o cidadão deve descrever sua proposta e explicar como ela pode contribuir para a promoção da igualdade racial.
Em caso de dúvida ou de necessidade de mais informações, sobre esta consulta pública, o cidadão pode entrar em contato por e-mail: consultaplanapir@igualdaderacial.gov.br
Análise e consolidação
Após o período de coleta de contribuições da consulta pública, as propostas recebidas serão organizadas e analisadas no processo de consolidação do 2º Planapir.
A análise subsidiará as decisões sobre ajustes de redação, ampliação ou reorganização dos objetivos e inclusão ou aprofundamento de temas na versão final do Plano.
2º Planapir
A participação da sociedade contribui para definir e construir as transformações e prioridades que orientarão a política nacional de promoção da igualdade racial nos próximos anos.
O 2º Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial pretende estabelecer compromissos concretos do Estado brasileiro para o enfrentamento ao racismo, com ações articuladas entre diferentes áreas, metas, indicadores, recursos e mecanismos de monitoramento e avaliação.
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