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Cultura

Ponto de Cultura Vovó Maria Conga fortalece formação cultural em Planaltina

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Benzimentos, capoeira para a primeira infância, dança charme e comunicação digital integram ações gratuitas que aproximam gerações, preservam tradições e criam possibilidades de autonomia no Vale do Amanhecer

Há conhecimentos que sobrevivem porque passam de geração em geração. E há novas ferramentas que podem abrir caminhos para o presente e o futuro. No Ponto de Cultura Terreiro da Vovó Maria Conga – Santuário de Maria, no Vale do Amanhecer, em Planaltina (DF), essas duas dimensões se encontraram em um projeto que reuniu benzimentos e plantas medicinais, capoeira para crianças, dança charme e formação em social media, fotografia e produção de vídeos pelo celular.

Realizadas por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), as ações fortaleceram um trabalho que o Ponto de Cultura já desenvolve no território, voltado à preservação de conhecimentos tradicionais, formação cultural, convivência comunitária e criação de oportunidades de autonomia e geração de renda. O projeto destinou 82 vagas a quatro frentes de formação: 20 para benzimentos, 20 para comunicação digital, 30 para dança charme e 12 para crianças de 2 a 7 anos, na capoeira.

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Segundo Mestra Mãe Maria do Cerrado, que está à frente do espaço e também atua como documentarista de patrimônio material e imaterial, registrando histórias ligadas à construção de Brasília, um dos efeitos mais perceptíveis foi a aproximação da comunidade. Pessoas que já conheciam o trabalho passaram a participar mais, enquanto novos públicos chegaram e encontraram no local um espaço de convivência, aprendizado e valorização cultural.

“A cultura é, realmente, viva, quando é compartilhada, praticada e reconhecida pelas pessoas”, afirma. Para ela, o projeto também ampliou o reconhecimento do Ponto de Cultura como um espaço coletivo, onde a cultura se manifesta não apenas em apresentações, mas na oralidade, na música, na dança, na culinária, nos saberes do Cerrado e nas tradições de terreiro.Saberes Sagrados

Na oficina Sagradas Mulheres Bentas, conduzida pelas mestras benzedeiras e raizeiras Josefa Francisco Gomes Ataides e Mãe Maria do Cerrado, a oralidade foi o principal meio de transmissão de conhecimentos sobre benzimentos, plantas medicinais e práticas herdadas entre gerações. Um dos desdobramentos previstos é a incorporação de novos benzedores e benzedeiras à Roda de Benzimentos do Cerrado, iniciativa que o Ponto de Cultura já realiza de forma itinerante em diferentes espaços do Distrito Federal.

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A transmissão da cultura afro-brasileira também chegou à primeira infância. Com o Mestre Ferrugem, crianças de 2 a 7 anos tiveram contato com movimentos, musicalidade, instrumentos, cantigas e a roda de capoeira por meio de atividades lúdicas.

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Já a oficina de dança charme, conduzida por Luciana Mota Ferreira, trabalhou musicalidade, expressão corporal e construção coletiva de coreografias, além de estimular a formação de grupos que possam continuar vinculados ao Ponto de Cultura.

No outro extremo dessa ponte entre tradição e contemporaneidade, Vanessa Neres conduziu a formação em social media, fotografia e filmagem pelo celular. Os participantes aprenderam produção de conteúdo, planejamento de redes sociais, fotografia e vídeo, com perspectiva de utilização desses conhecimentos no mercado de trabalho, no empreendedorismo e na construção de portfólios próprios.

Durante o projeto, oficinas, encontros e momentos de troca ampliaram a rede de participação e pertencimento em torno da instituição. “Para nós, o resultado mais bonito é ver o Ponto de Cultura pulsando. É ver as pessoas chegando, participando, trazendo seus saberes, seus talentos e suas histórias”, manifesta Maria do Cerrado.

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Público

Aberto a todos, a iniciativa se esforçou para alcançar, sobretudo, mulheres em situação de vulnerabilidade social, pessoas trans, negras e com deficiência, estudantes da rede pública, jovens desempregados, pessoas com 60 anos ou mais, pessoas em situação de rua, imigrantes, integrantes da comunidade LGBTQIA+, povos de terreiro e povo cigano. A acessibilidade também é um dos princípios e esteve incorporada desde a realização das oficinas até a comunicação do projeto, com espaços acessíveis, materiais em braile e recursos de Libras. Pessoas com deficiência também integram a equipe em funções de coordenação e execução.

Do Ponto de Cultura para o território

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O projeto também levou o que foi produzido nas formações para momentos de compartilhamento com a comunidade. A programação incluiu a Roda de Benzimentos do Cerrado, com mestres e mestras da região; a Batalha Charmosa, dedicada às performances e coreografias de dança charme; e os Festejos Sagrados da Vovó Maria Conga, reunindo diferentes expressões trabalhadas durante o projeto.

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As ações dialogam com uma região onde, segundo o diagnóstico apresentado pelo próprio Ponto de Cultura, a população convive com vulnerabilidades sociais e carência de espaços culturais e formativos. Nesse contexto, a instituição busca aproximar cultura, formação e participação comunitária.

De acordo com Maria do Cerrado, a experiência também revelou a demanda existente por espaços de formação e convivência e fortaleceu a capacidade de mobilização da instituição. Como elabora, o recurso público ganha significado justamente quando seus efeitos chegam à vida cotidiana: “O investimento na cultura chegou até o território e se transformou em encontro, participação, aprendizado, autoestima, memória e fortalecimento comunitário.”

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O encerramento do projeto, portanto, não representa o fim desse movimento. O próprio plano de trabalho prevê estratégias para a continuidade das oficinas, a ampliação da Roda de Benzimentos e a manutenção dos vínculos e parcerias construídos durante as atividades.

Sobre o Ponto de Cultura Terreiro da Vovó Maria Conga – Santuário de Maria

Localizado no Vale do Amanhecer, em Planaltina (DF), e certificado como Ponto de Cultura desde 2025, o espaço, fundado em 1970, desenvolve ações ligadas à preservação e transmissão de saberes ancestrais, formação cultural, inclusão e fortalecimento comunitário. Sua trajetória reúne iniciativas de medicina tradicional, benzimentos, alimentação de terreiro, memória, audiovisual, sustentabilidade e formação de diferentes públicos. Entre as ações já realizadas estão projetos apoiados pelo FAC e pela Lei Paulo Gustavo, além de iniciativas desenvolvidas pela própria entidade e por meio de parcerias.

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Serviço:

Para conhecer e participar das atividades gratuitas:

Ponto de Cultura Terreiro da Vovó Maria Conga – Santuário de Maria

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Endereço: Sítio Agrovale, Fazenda Santa Fé, Gleba 02, Área Rural de Planaltina

Site: pontodeculturavovoconga.com.br

Facebook: Terreiro da Vovó Maria Conga – Casa de Benzimento

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Cultura

Ex-jogadoras da seleção de futebol incentivam alunas em escolas do Rio

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Brasil sediará Copa do Mundo feminina em 2027
Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil

Na escola municipal Juan Antonio Samaranch, em Santa Teresa, região central do Rio de Janeiro, o campo de futebol estava ocupado apenas por garotas, na tarde da última quarta-feira (21). Eram quatro times disputando um minitorneio, sob olhares de ex-jogadoras da seleção brasileira. Meninos, só na arquibancada.

A atividade fez parte da abertura do programa Pioneiras nas Escolas, que leva craques de décadas passadas para escolas da rede pública de ensino da cidade.

Antes da disputa no campo, mais de 100 alunas lotaram um auditório para ouvir, fazer perguntas e tirar fotos com as ex-jogadoras Marisa Pires, Maria Lúcia Lima e Marilza Martins. Ou como elas ficaram conhecidas: Caju, Fia e Pelezinha.

Além de ouvir histórias de motivação e curiosidades, as alunas ficaram sabendo de dificuldades, como o machismo e preconceito enfrentados pelas ex-jogadoras, que alcançaram o feito de vestir a camisa amarelinha da seleção poucos anos depois de o esporte deixar de ser proibido para mulheres.

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De 1941 a 1979, o futebol era vetado às garotas, com base no Decreto-Lei 3.199, que restringia a participação de mulheres em esportes considerados incompatíveis com sua natureza.

Proibição que surpreende a estudante Nicoly Melo, de 12 anos. “Por que não podiam?”, perguntou ela, sem parecer acreditar.

Liberado em 1979, o esporte foi regulamentado apenas em 1983. A primeira seleção brasileira só viria a disputar uma competição experimental em 1988, na China.

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A primeira Copa do Mundo feminina aconteceu três anos depois, também na China. Nas Olimpíadas, o esporte disputado pelas mulheres estreou em 1996, em Atlanta, nos Estados Unidos.

 

Rio de Janeiro (RJ), 21/10/2026 – Ex-jogadoras da seleção brasileira feminina de futebol Marisa, Fia e Pelé participam de atividades com alunas da rede pública de ensino na Escola Municipal Juan Antônio Samaranch, com o projeto Pioneiras nas Escolas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
 Ex-jogadoras da seleção brasileira feminina participam de atividades com alunas da rede pública de ensino na Escola Municipal Juan Antônio Samaranch, com o projeto Pioneiras nas Escolas. – Fernando Frazão/Agência Brasil

Preconceito

Fia, hoje com 62 anos, contou que havia muito machismo na época e que enfrentava o preconceito confiando na própria habilidade.

“Sempre joguei com menino. Tinha talento. Não queria saber de machismo”, relatou às alunas a ex-atleta.

Fia ficou cinco anos na seleção, foi tricampeã continental e disputou a primeira Copa e a primeira olimpíada.

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Rio de Janeiro (RJ), 21/10/2026 – Ex-jogadoras da seleção brasileira feminina de futebol Marisa, Fia e Pelé participam de atividades com alunas da rede pública de ensino na Escola Municipal Juan Antônio Samaranch, com o projeto Pioneiras nas Escolas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
 Ex-jogadoras da seleção brasileira feminina de futebol Marisa, Fia e Pelé participam de atividades com alunas da rede pública de ensino – Fernando Frazão/Agência Brasil

A ex-zagueira Caju, de 60 anos, ficou na seleção de 1988 a 1999, com um retrospecto de 43 jogos e 34 vitórias. Respondendo a uma das alunas sobre os “maiores absurdos que ouviu”, ela relembrou que recebeu provocações machistas enquanto estava em campo. “Vários torcedores diziam que mulher não servia para jogar futebol”, reproduziu.

“Aquelas palavras mexiam com nosso ego, e a gente queria, mais e mais, mostrar que mulher sabe jogar futebol”, completou a atual árbitra de partidas.

O Pioneiras nas Escolas é coordenado pela também ex-jogadora da seleção Duda Luizelli, que vestiu ainda a camisa do Internacional, de Porto Alegre, e de Milan e Verona, times da Itália.

Para ela, o projeto mostra que mulheres devem acreditar em suas capacidades, sempre com foco nos estudos.

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“O estudo é muito importante porque, mesmo quem for ser atleta, jogadora de futebol, de vôlei, de basquete, terá uma carreira muito curta. Com 38, 39 anos, acabou a nossa carreira e nós temos que dar uma continuidade”, disse a bicampeã sul-americana.

Educação e esporte

 

Rio de Janeiro (RJ), 21/10/2026 – Ex-jogadoras da seleção brasileira feminina de futebol Marisa, Fia e Pelé participam de atividades com alunas da rede pública de ensino na Escola Municipal Juan Antônio Samaranch, com o projeto Pioneiras nas Escolas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Ex-jogadoras da seleção brasileira feminina de futebol Marisa, Fia e Pelé participam de atividades com alunas da rede pública de ensino na Escola Municipal Juan Antônio Samaranch – Fernando Frazão/Agência Brasil

A Secretaria Municipal de Educação (SME) do Rio de Janeiro é parceira do projeto. Desde 2012, a escola Juan Antonio Samaranch é classificada pela prefeitura como Ginásio Experimental Olímpico (GEO), no qual o ensino integral é permeado por incentivo a práticas esportivas.

A escola tem cerca de 600 estudantes de 11 a 15 anos. Além de professores, a unidade conta com treinadores de 19 modalidades esportivas. Segundo a prefeitura, o projeto iniciado durante a preparação da Rio 2016 é um legado olímpico. Atualmente o Rio tem 12 GEOs.

A coordenadora de Projetos Integradores da SME, Caroline Guedes, destaca que o Pioneiras nas Escolas tem relação com a preparação do Rio de Janeiro para ser uma das oito cidades-sedes da Copa do Mundo feminina, que ocorrerá entre junho e julho de 2027.

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“É muito importante que a gente já esteja se preparando para esse momento e, mais do que isso, se preparando dentro do nosso primeiro ginásio olímpico, que é muito importante para nossa rede”.

Aluna do 9º ano, Letícia Pereira, de 15 anos, diz que é “um privilégio” receber as ex-jogadoras na própria escola.

Ela considera que a experiência, em uma escola já marcada pelo incentivo ao esporte, é “meio caminho andado para as alunas por mostrar que o esporte também dá futuro, sim”.

A estudante afirmou que será presença garantida em jogos da Copa no ano que vem: “Meu pai me leva lá, eu fico lá torcendo”, disse à Agência Brasil.

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