O endividamento das famílias brasileiras alcançou 82% em julho de 2026, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O levantamento mostra ainda que esse é o maior patamar já registrado pelo 6º mês seguido. No mesmo mesmo período de 2025, esse índice era de 78,5%. A pesquisa aponta ainda que, em média, 29,5% dos orçamentos das famílias estão comprometidos com dívidas, cenário que reforça a importância de decisões de consumo baseadas em planejamento e compatibilidade com a renda.
Nesse contexto, o consórcio pode ser uma alternativa para as pessoas que pretendem adquirir um bem ou contratar um serviço. A modalidade permite realizar a aquisição de maneira programada, com previsibilidade das parcelas e sem a incidência de juros. Por meio da formação de grupos de pessoas que contribuem mensalmente para um fundo comum, o participante pode ser contemplado por sorteio ou lance nas assembleias, conforme as regras.
A procura pela modalidade vem acompanhando esse movimento de maior atenção ao planejamento financeiro. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), as vendas de cotas chegaram a 2,82 milhões de novas cotas no primeiro semestre de 2026, crescimento de 14,6% em relação a 2025. No mesmo período, o número de participantes ativos alcançou 13,36 milhões, expansão de 12,6% em relação a junho do ano anterior.
Para José Climério Silva Souza, diretor executivo do Consórcio Nacional Bancorbrás, a modalidade pode contribuir para organizar a aquisição de um bem dentro da capacidade financeira de cada família. “O consórcio permite estabelecer um objetivo e transformá-lo em um projeto, sem a cobrança de juros. Isso favorece uma decisão de compra mais planejada e pode contribuir para a formação de patrimônio sem comprometer de forma excessiva o orçamento”, afirma.
O dirigente ainda acrescenta que a ausência de juros não significa inexistência de custos, uma vez que a prestação que se paga mensalmente contempla, além do fundo comum, a taxa de administração, o fundo de reserva e algum seguro, quando contratado. “É importante que o consumidor avalie o valor da parcela, o prazo, os custos previstos em contrato e sua capacidade de pagamento, antes de aderir ao grupo”, reforça.
A modalidade pode ser utilizada para diferentes objetivos, incluindo a aquisição de imóveis, veículos ou serviços. Além do sorteio ou lance, o consorciado ainda pode realizar o “lance embutido”, que consiste em abater da carta de crédito parte do valor ofertado. Os créditos e parcelas são reajustados anualmente com base em índice definido em contrato, assegurando o poder de compra dos consorciados que ainda aguardam contemplação.
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