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CLDF homenageia mulheres que enfrentam a violência doméstica e o feminicídio

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Solenidade teve como objetivo valorizar personalidades que dedicam suas trajetórias a apoiar mulheres em situação de vulnerabilidade e a reconstruir suas vidas

Sessão solene “Por Elas – Mulheres que Inspiram e Transformam”, realizada no Auditório da Câmara Legislativa do DF em 23 de setembro de 20026.Mesa: Deputado Eduardo Pedrosa (União Brasil) e Jessica Rodrigues da Silva, Idealizadora do movimento BrutasFoto: Sara Marques/ Agência CLDF

 

A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) fez, na noite da última quarta-feira (23), sessão solene com o tema “Por Elas: Mulheres que Inspiram e Transformam”. De iniciativa do deputado distrital Eduardo Pedrosa (União), a homenagem prestou reverência a ativistas e profissionais que atuam na linha de frente da prevenção, do acolhimento e do enfrentamento à violência doméstica e ao feminicídio no Distrito Federal.

A solenidade teve como objetivo valorizar personalidades que dedicam suas trajetórias a apoiar mulheres em situação de vulnerabilidade e a reconstruir suas vidas. A urgência do fortalecimento dessas redes de apoio é respaldada por estatísticas do Distrito Federal. Em 2025, a capital registrou 28 feminicídios, 133 tentativas de feminicídio e mais de 11 mil ocorrências de violência doméstica, segundo dados apresentados pelo deputado durante o evento. Além disso, dados do Instituto DataSenado e do Observatório da Mulher contra a Violência indicam que 78% das moradoras de Brasília afirmam conhecer pouco ou nada sobre medidas protetivas.

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Em seu discurso de abertura, o deputado Eduardo Pedrosa ressaltou a importância da legislação e defendeu que o combate ao feminicídio exige a sinergia entre o poder público e a sociedade civil. O parlamentar lembrou sua atuação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Feminicídio da CLDF, encerrada em 2021. Ele também destacou a autoria de leis distritais de proteção à mulher, como a Lei Distrital nº 6.872/2021, que instituiu o Programa de Policiamento de Prevenção Orientada à Violência Doméstica e Familiar (PROVID), e a Lei Distrital nº 6.638/2020, que assegura o sigilo das informações de servidoras sob medidas protetivas.

Durante a solenidade, Jéssica Rodrigues da Silva, ativista e sobrevivente de uma tentativa de feminicídio, teve sua trajetória destacada. Jéssica é idealizadora do projeto “Brutas – Movimento Feminino Contra o Feminicídio”, iniciativa voltada à conscientização, ao fortalecimento emocional e ao resgate da autoestima de vítimas de violência. Apenas no último ano, as ações e eventos promovidos pelo movimento alcançaram diretamente mais de 15 mil mulheres.

 

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Jéssica enfatizou que o feminicídio é um crime evitável quando há denúncia e acompanhamento adequado antes da agressão. A ativista ressaltou que a transformação social exige uma rede unida entre as mulheres e a participação ativa dos homens em defesa do público feminino. Na solenidade, também esteve em pauta um novo projeto de lei elaborado em parceria entre o deputado e a ativista, focado em direcionar a mulher, ao sair da delegacia com a medida protetiva, para um acompanhamento contínuo e gestão de risco. O evento contou ainda com a participação de Leidiane Pereira, sobrevivente de violência doméstica em 2024 e integrante do movimento Brutas, que discursou em nome das coordenadoras do projeto em agradecimento à liderança de Jéssica.

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Ao final da sessão, foram entregues moções de louvor a diversas mulheres advogadas, psicólogas, jornalistas, promotoras de Justiça e voluntárias que atuam no acolhimento e na defesa dos direitos das mulheres no DF. As honrarias foram propostas pelo deputado Eduardo Pedrosa e assinadas pelo presidente da Casa, deputado Wellington Luiz. A íntegra da sessão solene está disponível no canal da TV Câmara Distrital no YouTube.

Eder Wen – Agência CLDF

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Brasil registra 354 casos de violência política em menos de dois anos, aponta pesquisa

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O Brasil registrou 354 episódios de violência política entre 28 de outubro de 2026 e 15 de agosto de 2026, segundo a quarta edição da pesquisa Violência Política e Eleitoral no Brasil, realizada pelas organizações Terra de Direitos e Justiça Global. O levantamento, divulgado na quarta-feira (30/09/2026), aponta uma média de uma ocorrência a cada 44 horas, inclusive durante período sem eleições.

De acordo com o estudo, 2025 concentrou 225 casos, embora tenha sido um ano sem disputa eleitoral. Os dados referentes ao primeiro turno das eleições de 2026, realizado no período de 16/08/2026 a 04/10/2026, ainda serão divulgados pelas organizações.

A pesquisa integra uma série iniciada em 2016 e utiliza monitoramento diário da cobertura jornalística nacional e regional, além do cruzamento de informações com registros oficiais e denúncias públicas. No período pré-eleitoral anterior, entre 01/11/2022 e 15/08/2024, haviam sido identificados 299 episódios.

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Municípios concentram maior parte dos registros

Segundo o levantamento, 63% dos casos ocorreram no âmbito municipal, envolvendo principalmente vereadores e prefeitos. Em 96,3% dos episódios, as vítimas já exerciam mandatos ou ocupavam cargos públicos.

A concentração municipal também aparece nos registros classificados como de intenção letal. Conforme a pesquisa, 24 dos 28 episódios com intenção letal atingiram agentes políticos locais. Entre os casos estão 10 dos 11 assassinatos e 14 dos 17 atentados registrados no período analisado.

Os vereadores responderam por 49,6% das vítimas, com 176 episódios. Dos 11 assassinatos identificados, dez tiveram como vítimas políticos municipais. O levantamento não registrou assassinatos de políticos da esfera federal no intervalo analisado.

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Ameaças são principal tipo de violência

A ameaça foi o tipo de violência política mais frequente, com 193 registros. Na sequência aparecem ofensas, com 71 casos; agressões físicas, com 51; atentados, com 17; assassinatos, com 11; criminalização, com seis; e invasões, com cinco.

A pesquisa também identificou 64 episódios, equivalentes a 18,1% do total, nos quais o autor da violência possuía mandato eletivo ou cargo público. Quando são considerados também policiais e outros agentes estatais, os episódios atribuídos a representantes do próprio Estado chegaram a 29,9% dos casos.

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No ambiente parlamentar, 52 episódios ocorreram em locais de trabalho, como plenários e sessões de comissões. Já o ambiente virtual concentrou 152 casos, ou 42,8% do total, e em 48% dessas ocorrências não foi possível identificar a autoria do ataque.

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Mulheres representam 50,6% das vítimas

Um dos principais recortes do estudo envolve a violência contra mulheres. Embora elas ocupem aproximadamente 18% das cadeiras legislativas do país, segundo dados citados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), representaram 50,6% das vítimas no período analisado.

A distribuição varia de acordo com o tipo de violência. Homens foram vítimas em 77,2% dos casos de violência física, que incluem agressões, atentados e assassinatos. Já as mulheres representaram 58,3% das vítimas de violência simbólica, categoria que inclui ameaças e ofensas.

O levantamento registrou ainda 31 ameaças de violência sexual e 67 episódios com conteúdo de conotação sexual ou comentários sobre corpo e aparência, todos com mulheres como vítimas. Entre as mulheres atingidas, 64 eram pretas, enquanto 11 das vítimas pretas eram mulheres trans ou travestis. Também foram identificadas quatro mulheres indígenas e uma mulher amarela entre as vítimas.

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Partidos e perfil racial aparecem no levantamento

A pesquisa também analisou a distribuição dos episódios segundo os partidos das vítimas. Conforme os dados divulgados, representantes do PT e do Psol somaram 30,23% das vítimas.

Entre os vereadores eleitos em 2024 pelo Psol, 23 dos 80 eleitos foram vítimas de algum episódio de violência política durante o período analisado, segundo o levantamento. O estudo também registrou 26 episódios envolvendo representantes do PT, 17 do PP, 15 do PL e 14 do União Brasil.

Os pesquisadores também identificaram diferenças no recorte racial entre homens e mulheres. Entre as mulheres vítimas, 64 de 179 eram pretas, enquanto, entre os homens, a proporção de vítimas pretas foi de aproximadamente um em cada nove.

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Apuração dos casos e índice de punição

Outro eixo analisado pela pesquisa é a resposta institucional aos episódios registrados. Dos 354 casos, 300 foram denunciados, correspondendo a 84,5% do total.

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Entretanto, segundo o levantamento, somente 46 episódios, ou 13%, tinham apuração judicial ou policial em andamento. Apenas nove casos, equivalentes a 2,5%, haviam resultado em punição efetiva dos autores até o momento considerado pela pesquisa.

As organizações responsáveis pelo estudo defendem o aprimoramento de mecanismos de prevenção, proteção, investigação e responsabilização para que as medidas de enfrentamento à violência política não fiquem restritas aos períodos eleitorais.

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Crime organizado aparece em 26 episódios

O levantamento identificou 26 episódios, cerca de 7% do total, com indícios de participação de facções criminosas ou grupos ligados ao crime organizado.

O Ceará concentrou 12 desses casos, seguido pelo Rio de Janeiro, com quatro, e São Paulo, com três. Segundo a análise apresentada pelas organizações, os registros indicam situações relacionadas ao controle territorial e não apenas a conflitos de caráter pessoal.

Um dos casos mencionados ocorreu em Mossoró (RN), onde um assessor foi morto e um vereador sofreu um atentado no mesmo local e momento. O episódio foi incluído no conjunto de registros associados à participação de grupos criminosos.

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Série histórica acompanha violência política desde 2016

A quarta edição dá continuidade ao monitoramento iniciado em 2016. De acordo com a Terra de Direitos, a série histórica havia contabilizado 1.583 episódios até a terceira edição, referente ao período encerrado em outubro de 2024; a nova pesquisa acrescenta os registros do período posterior até agosto de 2026.

A edição mais recente considera especificamente o intervalo entre o fim das eleições municipais de 2024 e o início da campanha eleitoral de 2026. Por isso, os números do primeiro turno de 2026 ainda não integram os 354 casos apresentados em setembro.

Os dados apresentados pela Terra de Direitos e pela Justiça Global apontam, portanto, que a violência política foi registrada também durante períodos sem votação. A pesquisa identifica agentes políticos municipais como o principal grupo atingido, além de apontar diferenças relacionadas a gênero, raça, ambiente de ocorrência e formas de violência.

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*Com informações da Sputnik News.

FONTE:

jornalgrandebahia.com.br

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