Saúde
Sangramentos e dores persistentes podem ser sinais de cânceres ginecológicos
No Setembro em Flor, oncologista aponta sinais que não devem ser ignorados e reforça a importância da vacinação e dos exames preventivos
Alterações no ciclo menstrual, dor pélvica persistente, aumento do volume abdominal e mudanças urinárias ou intestinais podem parecer problemas comuns, mas também estão entre os sinais associados aos cânceres ginecológicos. A orientação é não banalizar mudanças persistentes no organismo.
Promovido pelo Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), o Setembro em Flor 2026 tem como tema “O Futuro é Agora” e reforça a prevenção, o diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento.
No Brasil, o câncer do colo do útero permanece entre os de maior impacto na saúde feminina. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 19.310 novos casos por ano no triênio 2026–2028. Para o coordenador da Oncologia do Hospital Anchieta Taguatinga, Caio Neves, os números reforçam a importância de observar alterações que fogem do padrão habitual de cada mulher.
“Qualquer sangramento vaginal fora do padrão merece investigação. Sangramento após a relação sexual, entre as menstruações ou depois da menopausa, assim como dor pélvica persistente e distensão abdominal, são sinais que precisam ser avaliados”, orienta.
Quando os sinais são discretos
Nem todos os tumores ginecológicos apresentam manifestações claras no início. O câncer de ovário, por exemplo, pode provocar sintomas vagos, como distensão e dor abdominal, alterações intestinais ou urinárias, perda de apetite e cansaço. Além disso, não há atualmente um método de rastreamento eficaz recomendado para mulheres assintomáticas da população geral.
Segundo o médico, esses sintomas não significam necessariamente câncer. No entanto, alterações persistentes ou diferentes do habitual devem ser investigadas, em vez de serem atribuídas apenas à idade, à menopausa, a infecções ou a alterações hormonais.
Vacinação e prevenção
A infecção persistente por tipos oncogênicos do HPV está associada a quase todos os casos de câncer do colo do útero. O vírus também está relacionado a tumores de vulva e vagina, ampliando a importância da vacinação.
O especialista explica que a imunização é uma ferramenta de prevenção do câncer, mas não substitui o rastreamento. As duas estratégias são complementares e têm papéis diferentes no cuidado com a saúde da mulher.
Novas possibilidades de tratamento
Imunoterapia, terapias-alvo, avaliação molecular dos tumores e técnicas cirúrgicas menos invasivas têm ampliado as possibilidades de tratamento. No câncer de ovário, por exemplo, alterações em genes como BRCA podem ajudar a definir estratégias específicas, enquanto biomarcadores também têm ganhado importância no câncer de endométrio.
“Hoje temos mais ferramentas para tratar, controlar e, em muitos casos, curar esses tumores. Mas o maior ganho continua sendo chegar ao diagnóstico no momento certo”, pontua Caio Neves.
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Saúde
IgesDF seleciona mulheres para pesquisa clínica sobre tratamento da acne moderada
Estudo realizado no Hospital de Base busca voluntárias de 14 a 45 anos e integra as iniciativas do Instituto para ampliar a produção científica e investigar novas possibilidades terapêuticas
Por Jurana Lopes
Mais do que uma questão estética, a acne pode deixar marcas que vão além da pele. Manchas, cicatrizes e impactos na autoestima e na qualidade de vida estão entre as possíveis consequências dessa doença inflamatória, que continua mobilizando pesquisadores em busca de novas opções de tratamento.
No Distrito Federal, mulheres de 14 a 45 anos com diagnóstico de acne moderada podem se candidatar a uma pesquisa clínica realizada no Centro de Pesquisa da Diretoria de Inovação, Ensino e Pesquisa (Diep), no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF).
O estudo avalia uma nova opção terapêutica para a acne moderada. O recrutamento começou em outubro e permanecerá aberto até que seja atingido o número de participantes previsto no protocolo do estudo.
“A acne é uma doença inflamatória muito comum. É importante entendermos que seu impacto vai além das espinhas. Ela pode deixar manchas e cicatrizes e interferir diretamente na autoestima e na qualidade de vida. Com a pesquisa, queremos avaliar novas possibilidades de tratamento e contribuir para o avanço da medicina”, explica Laís Dutra, dermatologista do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) e investigadora responsável pelo estudo.
Como funciona a participação
O primeiro passo para as interessadas é passar por uma triagem conduzida por uma enfermeira da equipe de pesquisa. Nessa etapa, são avaliadas as condições iniciais da candidata e sua possível adequação aos critérios de inclusão estabelecidos no protocolo.
As mulheres que atenderem aos requisitos poderão seguir para as etapas seguintes, com avaliação e acompanhamento especializados. Durante o estudo, as participantes contarão com assistência de dermatologista e ginecologista, além do suporte dos demais profissionais da equipe multidisciplinar.
Todo o acompanhamento será realizado no Centro de Pesquisa da Diep, no Hospital de Base, e terá duração estimada de três a seis meses, conforme o protocolo e as etapas previstas para cada participante.
“Essas mulheres serão avaliadas e acompanhadas por uma equipe multidisciplinar. Começamos com a triagem e, atendidos os critérios da pesquisa, seguimos com todo o acompanhamento necessário. É um processo estruturado para que a participante seja assistida durante as diferentes etapas do estudo”, destaca Laís Dutra.
Questões relacionadas à saúde da mulher também poderão ser avaliadas individualmente. Conforme previsto no protocolo, podem ser solicitados exames e avaliação ginecológica, inclusive para verificar os cuidados contraceptivos necessários durante a participação.

Fatores hormonais também podem estar relacionados ao aparecimento ou à piora da acne em algumas mulheres e, por isso, podem ser considerados na avaliação clínica.
Estudo está em fase avançada
O estudo está na fase 3 do desenvolvimento clínico da medicação e utiliza o modelo duplo-cego. Nesse tipo de pesquisa, nem a participante nem a médica investigadora sabem, durante o acompanhamento, a qual grupo de tratamento a voluntária foi destinada. Esse procedimento ajuda a reduzir possíveis interferências na avaliação dos resultados.
“O objetivo é avaliar a resposta ao tratamento considerando tanto a percepção da participante quanto a avaliação médica. Estudos como esse são importantes para conhecermos melhor novas medicações antes que possam chegar ao mercado e se tornar mais uma opção de tratamento”, ressalta Laís Dutra.
Durante o acompanhamento, produtos para os cuidados com a pele previstos no protocolo, como sabonete, protetor solar e hidratante, serão disponibilizados às participantes. As mulheres selecionadas também receberão ajuda de custo, conforme as regras estabelecidas pelo estudo.

Pesquisa que aproxima ciência e assistência
A pesquisa científica é uma das frentes de atuação do IgesDF e busca transformar questões observadas nos serviços de saúde em conhecimento capaz de contribuir para o aprimoramento da assistência.
Nesse trabalho, a Gerência de Pesquisa (Gerpe), vinculada à Diep, atua na estruturação, no acompanhamento e na coordenação de projetos. A área também promove a integração entre pesquisadores, serviços de saúde e instituições parceiras, favorecendo a participação do Instituto em estudos multicêntricos, redes de pesquisa e iniciativas de cooperação científica nacionais e internacionais.
Entre 2025 e 2026, 169 projetos de pesquisa foram aprovados pelo Conselho Científico do IgesDF. Desse total, 57 têm o próprio Instituto como instituição proponente. Entre esses projetos, 49 pesquisadores são colaboradores do IgesDF.
Além dos projetos aprovados pelo Conselho, o Instituto conta atualmente com 30 pesquisas clínicas patrocinadas em andamento ou em fase de regulação. Desenvolvidas em parceria com instituições nacionais e internacionais, essas iniciativas ampliam a participação do IgesDF em estudos multicêntricos e redes de colaboração científica.
Para a gerente de Pesquisa da Diep, Ana Carolina Lagôa, os números demonstram o avanço da instituição tanto na condução de estudos próprios quanto na participação em pesquisas clínicas patrocinadas.
“Esse cenário mostra que o IgesDF vem avançando em diferentes frentes da pesquisa científica. Ao mesmo tempo em que fortalecemos a produção conduzida pelos nossos próprios profissionais, ampliamos a participação em pesquisas clínicas patrocinadas e a articulação com instituições nacionais e internacionais. Essa integração aproxima nossos serviços de grandes redes de pesquisa e cria oportunidades para que conhecimento, inovação e assistência caminhem juntos”, destaca Ana Carolina.
O crescimento também se reflete na produção científica. No mesmo período, foram registradas aproximadamente 100 publicações vinculadas a pesquisadores do IgesDF.
Para incentivar a divulgação dos resultados, a Gerpe mantém um programa de fomento à publicação científica, que oferece apoio financeiro para trabalhos submetidos a periódicos que cobram taxas de publicação. A iniciativa busca ampliar o alcance do conhecimento produzido pelos profissionais e fortalecer a presença do Instituto no cenário científico nacional e internacional.
“Não basta desenvolver a pesquisa. É importante que o conhecimento produzido circule, seja compartilhado e possa contribuir com outros pesquisadores e serviços de saúde. O apoio à publicação e a articulação com instituições parceiras ajudam a ampliar o alcance desse conhecimento e a inserir cada vez mais o IgesDF em redes de colaboração científica”, explica Ana Carolina.

Quem pode participar?
Podem procurar a equipe de pesquisa mulheres de 14 a 45 anos com diagnóstico de acne moderada que tenham interesse em conhecer o estudo e verificar se atendem aos critérios de participação.
O contato inicial não garante a inclusão na pesquisa. A seleção depende da avaliação individual e do cumprimento dos requisitos previstos no protocolo.
“Queremos que as mulheres interessadas procurem nossa equipe, conheçam a pesquisa e tirem todas as dúvidas. A partir da avaliação inicial, conseguiremos verificar quem atende aos critérios para participar”, reforça a dermatologista Laís Dutra.
A seleção começou em outubro e continuará até que seja alcançado o número de participantes previsto no estudo ou o laboratório patrocinador encerre a seleção.
Se interessou? Entre em contato
As interessadas em conhecer a pesquisa e verificar a possibilidade de participação podem entrar em contato com a equipe de Pesquisa Clínica do IgesDF pelo telefone e WhatsApp (61) 3550-8837 ou pelo e-mail pesquisaclinica@igesdf.org.br
Ao aproximar pesquisa, assistência e inovação, o IgesDF fortalece a produção científica e amplia as oportunidades de participação de seus profissionais em estudos que buscam novas possibilidades de cuidado para a população.
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