Politica
Rede pública do DF acolhe pacientes de todas as partes do Brasil
A cada dez crianças nascidas na capital federal, três são de famílias que chegam de outros estados. Cenário se repete em internações, tratamentos especializados e ocupação de UTIs
O que a Brenda de Moura, 25, mais quer é ter o seu pequeno brasiliense nos braços. A auxiliar de cozinha, moradora de Unaí (MG), está internada desde domingo (1º) no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib). Com uma gestação de alto risco, realizar o parto onde mora se tornou inviável. Assim, foi transferida para a unidade da Secretaria de Saúde (SES-DF), que oferece atendimento especializado. “Aqui fui tão bem tratada. O atendimento é muito bom e tem todas as condições que preciso”, elogia a paciente.
Moradora de Unaí (MG), Brenda de Moura foi transferida para o Hmib, após sua gestação ser classificada como de alto risco. Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde-DF
A história da Brenda se repete diariamente nos hospitais do DF. A cada dez bebês que nasceram nas unidades da SES-DF em 2024, três eram de famílias residentes de 16 estados brasileiros, do Acre a Santa Catarina. No total, foram 31,5 mil partos, sendo mais de 9,5 mil de outras unidades da federação. O destaque fica para Goiás, com quase 9,4 mil crianças nascidas como brasilienses.
Essa realidade se aplica a outros casos. Das mais de 238 mil internações em hospitais da SES-DF no ano passado, um total de 20,96% (50 mil) foram de pacientes de outras áreas do País. O índice também fica próximo (18,65%) no que se refere às diárias de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs): quase 29 mil do total de 155,2 mil foram utilizadas para pacientes de 24 estados diferentes, sendo os maiores números correspondentes a Goiás (46,5 mil) e Minas Gerais (1,8 mil).
Cleonice Rodrigues veio de Manaus para visitar a filha em Brasília, mas um acidente doméstico a fez ficar internada no Hospital Regional de Planaltina. Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde-DF
Só no período de doenças sazonais respiratórias, que anualmente intensifica os atendimentos nas alas pediátricas, 28% das internações são de pacientes de fora do DF. Tratamentos especializados, como cirurgia oncológica, insuficiência renal crônica ou de doenças cerebrovasculares também têm elevados percentuais de internações de pessoas que vêm de longe em busca do serviço, ficando, respectivamente, em 14,09%, 18,38% e 13,83%, conforme os dados de 2024 – todos do portal InfoSaúde.
Fora do roteiro
Às vezes, a busca pelo atendimento é uma surpresa. Moradora de Manaus (AM), a Cleonice Rodrigues veio para Brasília comemorar seus 78 anos de vida. Uma queda no banheiro da casa da filha, contudo, fez os planos da viagem mudarem. Internada no Hospital Regional de Planaltina (HRPl), ela se prepara para a cirurgia ortopédica. “Essa situação me impede de ir embora. Ninguém quer passar muito tempo no hospital. Pelo menos tive um alívio e consegui fazer quase todos os exames po aqui”, conta.
Já o motoboy Adriano Soares dos Santos, também internado no HRPl após um acidente de trânsito, é um morador de Planaltina de Goiás já acostumado a contar com os serviços de saúde da capital federal. “O atendimento é bom. Sempre que preciso, é para o DF que venho. Faz parte da minha vida”, diz. Na realidade, Adriano é brasiliense: 22 anos atrás, ele nasceu em um dos hospitais da SES-DF. “Eu sou candango!”, anuncia.
Morador de Planaltina de Goiás, Adriano Soares dos Santos nasceu em Brasília e, sempre que tem necessidade de um hospital, procura as unidades do DF. “Faz parte da minha vida”, diz. Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde-DF
Planejamento e diálogo
O Sistema Único de Saúde (SUS) garante assistência a qualquer cidadão, independentemente do local. Moradores do DF, por exemplo, podem ser acolhidos em qualquer estado. “O SUS é universal e temos que atender a todos que chegam aqui”, explica o secretário de Saúde, Juracy Lacerda.
O gestor, porém, ressalta a importância de um planejamento realista. No caso do câncer, por exemplo, a projeção do Instituto Nacional de Câncer (Inca) é de 7 mil novos casos anuais entre a população do DF. Mas, se a capital federal tiver a responsabilidade de cuidar de moradores da região do Entorno, será necessário um planejamento para 9 mil ocorrências ao ano.
Secretário de Saúde destaca a importância do diálogo com gestores de outros estados para um planejamento realista das demandas de saúde. Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde-DF
“Para unirmos força, é fundamental que tenhamos diálogo com os outros secretários e com o Ministério da Saúde. O caminho é o diálogo”, reforça Lacerda. Conversas que, hoje, o titular da SES-DF já mantém com seus pares de Goiás e Minas Gerais, estados de onde chegam a maior parte dos pacientes fora do planejamento. A título de exemplo, em 2024, mais de 47% das internações de cidadãos moradores dos 33 municípios da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (Ride-DF) ocorreram nos hospitais da SES-DF.
“A meta é definir responsabilidades entre as partes, encontrando soluções perenes para o atendimento da população do DF e dos municípios vizinhos”, complementa o secretário.
Para mais informações, contate-nos pelo e-mail: entrevista.saudedf@saude.df.gov.br
Secretaria de Saúde do Distrito Federal | Assessoria de Comunicação
Politica
Eleições 2026: nenhum eleitor pode ser preso a partir desta terça
A partir desta terça-feira (20), cinco dias antes do segundo turno das eleições, nenhum eleitor pode ser preso ou detido por qualquer autoridade, com exceção de prisões em flagrante delito, prisões realizadas em razão de sentença criminal condenatória por crime inafiançável e desrespeito a salvo-conduto expedido pela Justiça Eleitoral. 
A medida está prevista no artigo 236 do Código Eleitoral e tem como objetivo evitar que prisões ou detenções impeçam a participação de eleitores no pleito.
A legislação prevê ainda que, caso ocorra alguma prisão nesse período, a pessoa detida deverá ser imediatamente apresentada ao juiz competente. Se a autoridade judicial constatar que a detenção é ilegal, deverá determinar a soltura e responsabilizar quem a realizou.
A regra também foi aplicada no primeiro turno das eleições, realizado no último dia 4.
Candidatos
Desde 10 de outubro, 15 dias antes da votação, candidatos que disputam o segundo turno também não podem ser presos ou detidos, exceto em flagrante delito. A mesma garantia se estende a mesários e fiscais de partido durante o exercício de suas funções, nos termos da legislação eleitoral.
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