Saúde
Obesidade na adolescência aumenta risco de câncer colorretal precoce
Estudo alemão revela ainda que distúrbios metabólicos como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, hiperlipidemia e síndrome metabólica têm impacto sobre a doença em jovens.
O câncer colorretal é o segundo tumor mais comum em homens e mulheres, principalmente a partir dos 50 anos. Na última década, sua incidência cresceu 35%. Em 2016, eram 34.2801 casos. Em 2026, deverão ser 53.810 mil2.
Recentemente, houve um aumento de casos entre os jovens. Um estudo alemão3, publicado em janeiro no European Journal of Epidemiology, sugeriu que os distúrbios metabólicos estejam por trás desse avanço. Os pesquisadores constataram, por exemplo, que a obesidade no final da adolescência, aos 20 e aos 30 anos resultou em um risco 1,45 vezes maior de câncer colorretal precoce.
Ao rever 38 estudos, os pesquisadores da Universidade de Freiburg, na Alemanha, analisaram ainda associações desse tumor com o diabetes tipo 2, a hipertensão arterial, a síndrome metabólica e a hiperlipidemia (níveis elevados de gordura no sangue). O diabetes tipo 2 aumentou o risco de tumor em homens entre 20 e 49 anos. Associações positivas adicionais foram relatadas para hiperlipidemia e hipertensão arterial em homens de 20 a 39 anos.
| Adolescentes obesos têm 1,45 mais riscos de ter câncer colorretal precoce |
A médica especializada em câncer gastrointestinal Mariana Bruno Siqueira, da Oncologia D’Or, classifica o aumento do câncer colorretal em pacientes jovens como um grande problema social e econômico. “Mesmo quando o diagnóstico é precoce, o paciente tem de passar por cirurgia e ficar afastado alguns dias do trabalho. Em muitos casos precisará passar por quimioterapia também, além de poder apresentar sequelas do tratamento.”, afirma a especialista.
A doença
O câncer colorretal é uma doença heterogênea e multifatorial, que se desenvolve em geral a partir de mutações genéticas em lesões benignas, como pólipos. Os fatores de risco são a obesidade, o sedentarismo, o tabagismo, a ingestão de bebidas alcoólicas e a alimentação rica em carnes vermelhas, gordura e produtos ultraprocessados e pobre em frutas, verduras e legumes.
Na visão da oncologista Mariana Bruno Siqueira, o crescimento da incidência desta neoplasia se deve à falta de controle dos fatores de risco e ao aumento dos exames de rastreamento, como a colonoscopia. Em 2025, só o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou 14.589.338 colonoscopias, superando em 26% as 11.527.712 contabilizadas em 20164. Nesse período, a população cresceu 3,3%, passando de 206 milhões5 para 213,4 milhões de pessoas6.
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Nos últimos três anos, o rastreamento se intensificou, em parte, pela repercussão do enfrentamento da doença pela cantora Preta Gil, que conscientizou a população sobre a importância dos exames de rotina. “Foi algo semelhante ao que vem ocorrendo nos últimos anos com o câncer de mama”, pondera a oncologista. “Quando várias personalidades passaram a falar abertamente sobre a doença, os exames de mamografia aumentaram”, complementa.
A especialista considera “inestimável” o impacto do câncer colorretal no paciente jovem. O tratamento por quimioterapia para o tumor intestinal e a radioterapia para o câncer no reto podem comprometer a fertilidade.
A quimioterapia também pode deixar sequelas permanentes, como a neuropatia. Essa dormência nas mãos e nos pés pode impedir que profissionais que precisam desenvolver movimentos manuais muito refinados — como cirurgiões, dentistas e artesãos — precisem suspender suas atividades laborativas e, em alguns casos, até se aposentar precocemente. “E precisamos lembrar que muitas pessoas com 50 anos são provedoras não só dos filhos, como também dos pais”, observa a oncologista.
Tratamento
A boa notícia é que o arsenal terapêutico contra o câncer colorretal evoluiu muito nos últimos anos. A cirurgia robótica e minimamente invasiva garantiu maior precisão na ressecção do tumor de reto e reduziu complicações e o tempo de recuperação. Estudos vêm demonstrando que pacientes com este tumor não necessariamente necessitem de radioterapia — procedimento que pode representar grande impacto sobre a qualidade de vida dos pacientes.
Os testes de DNA do tumor circulante têm permitido aos médicos identificar os pacientes com maior risco de recidiva. São exames de sangue que buscam fragmentos do DNA que se soltam dos tumores e entram na corrente sanguínea. Esse teste também é usado para investigar se o paciente com o tumor ressecado em estágio 2 precisa ser submetido à quimioterapia.
O tratamento da doença metastática teve grande avanço com foco na medicina personalizada. A administração da imunoterapia em tumores com alta instabilidade de microssatélite, que representam até 15% dos casos de câncer colorretal, apresentou bons resultados. Já a terapia-alvo voltada para tumores com a mutação do gene BRAF dobrou a sobrevida dos pacientes.
Um estudo apresentado no Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), em 2025, comprovou que a atividade física em pacientes oncológicos operados teve um impacto no aumento de cura, semelhante ou praticamente igual ao resultado obtido com a quimioterapia. “Graças a esse trabalho, a atividade física passou a fazer parte da prescrição de muitos médicos para seus pacientes”, conclui a médica.
Referências
- Estimativa 2016: incidência de câncer no Brasil / Instituto Nacional de Câncer. José Alencar Gomes da Silva – Rio de Janeiro: INCA, 2015.
- Estimativa 2026: incidência de câncer no Brasil / Instituto Nacional de Câncer – Rio de Janeiro: INCA, 2026.
- Hilbert, J., Topfstedt, F., Matuschik, L. et al. O câncer colorretal de início precoce está associado a distúrbios metabólicos: uma revisão sistemática e meta-análise. Eur J Epidemiol (2026).
- Datasus. Disponível em: Link
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Disponível em: Link.
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Disponível em: Link
Sobre a Oncologia D’Or
A Oncologia D’Or opera uma rede com mais de 60 clínicas em 12 estados brasileiros e no Distrito Federal. Seu corpo clínico é formado por mais de 500 especialistas em oncologia, radioterapia e hematologia, que, junto às equipes multiprofissionais, entregam um cuidado integral, personalizado e de excelência ao paciente.
Em estreita integração com grande parte dos mais de 79 hospitais da Rede D’Or, a instituição proporciona uma experiência assistencial abrangente, combinando terapias avançadas e os modelos mais modernos de medicina integrada, assegurando agilidade, eficiência e segurança em todas as etapas do tratamento oncológico, desde o diagnóstico até a recuperação.
Saúde
Exame inovador para triagem do câncer de pele, Nevo ganha primeira operação em escala com o Sabin
Criado por healthtech brasileira, tecnologia que usa imagens e IA para detectar manchas suspeitas foi premiada duas vezes pela Escola de Saúde Pública de Harvard
Um dos cânceres mais comuns em países tropicais como o Brasil, os tumores de pele geralmente têm baixa letalidade, mas precisam ser detectados precocemente para aumentar as chances de cura. As pintas na pele podem ser um fator de risco, mas muitas vezes as pessoas não procuram um médico logo que elas surgem.
Pensando nisso, o cofundador e CEO da AI Pathology, Willian Boelcke, decidiu criar uma ferramenta para facilitar a detecção precoce após perder o pai para o câncer de pele, transformando a dor em um propósito para democratizar o acesso à saúde. O resultado foi o Nevo, tecnologia desenvolvida pela AI Pathology que utiliza inteligência artificial para analisar imagens de pintas e manchas na pele e identificar possíveis sinais de alerta.
Depois de um teste com trabalhadores rurais no interior de Goiás e com algumas grandes empresas que ofereceram a solução para seus próprios colaboradores, o Nevo ganha agora escala para ampliar o acesso ao exame em parceria com o Sabin Diagnóstico e Saúde, principal marca do ecossistema do Grupo Sabin.
A healthtech de Boelcke e a empresa de Brasília, que foi fundada 42 anos atrás, desenvolveram uma jornada mais integrada para o Nevo, um teste de triagem que avalia as imagens das pintas na pele por meio da inteligência artificial proprietária. O produto levou a AI Pathology a receber, em 2024, o Social Impact Fellowship Fund (SIFF), do Harvard Innovation Labs, e o reconhecimento no Health Systems Innovation Hackathon, do Harvard Health Systems Innovation Lab, além de integrar um programa de incubação no InovaHC, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
“Para nós, aqui no Sabin, inovação nasce quando se buscam soluções para problemas reais na saúde. Foi essa visão que nos aproximou do AI Pathology quando conhecemos o Nevo, que facilita muito a jornada de quem tem lesões que podem levar a um câncer de pele”, afirma o diretor-técnico do Grupo Sabin, Rafael Jácomo.
Para a AI Pathology, a parceria com o Sabin representa um passo avançado para a ampliação do acesso à saúde. “A experiência junto ao Sabin representa para a AI Pathology a porta de entrada no varejo diagnóstico de alto volume, permitindo validar a fluidez operacional em larga escala e avaliar a adesão dos pacientes à linha de cuidado”, destaca Willian Boelcke, CEO da empresa.
Inicialmente disponível para os clientes do Sabin em Brasília pelo e-commerce da empresa, o modelo permite a avaliação de até cinco lesões, limite estabelecido para assegurar agilidade no atendimento e foco rigoroso nas pintas ou manchas de maior relevância diagnóstica.
Após a aquisição do serviço, uma equipe especialmente treinada vai ao endereço fornecido pelo cliente com o equipamento para a coleta das imagens. Por meio de um smartphone e uma lente de magnificação e iluminação por luz polarizada, o coletor captura estruturas que podem não ser visíveis a olho nu, permitindo uma análise mais detalhada das lesões.
As imagens são então avaliadas pela inteligência artificial do Nevo. Sempre que a tecnologia identifica um achado suspeito, a jornada ativa automaticamente um gatilho para uma teleconsulta com um dermatologista, que orientará o paciente sobre os próximos passos, como a procura por um especialista e os cuidados com a lesão.
Grupo Sabin | Com 42 anos de atuação, o Grupo Sabin é referência em saúde, destaque na gestão de pessoas e liderança feminina, dedicado às melhores práticas sustentáveis e atuante nas comunidades, o Grupo Sabin nasceu em Brasília (DF), fruto da coragem e determinação de duas empreendedoras, Janete Vaz e Sandra Soares Costa, em 1984. Hoje conta com 7.500 colaboradores unidos pelo propósito de inspirar pessoas a cuidar de pessoas. O grupo também está presente em 14 estados e no Distrito Federal oferecendo serviços de saúde com excelência, inovação e responsabilidade socioambiental às 78 cidades em que está presente com 366 unidades distribuídas de norte a sul do país.
O ecossistema de saúde do Grupo Sabin integra portfólio de negócios que contempla análises clínicas, diagnósticos por imagem, anatomia patológica, genômica, imunização e check-up executivo. Além disso, contempla também serviços de atenção primária contribuindo para a gestão de saúde de grupos populacionais por meio de programas e linhas de cuidados coordenados, pela Amparo Saúde e plataforma integradora de serviços de saúde – Rita Saúde – solução digital que conta com diversos parceiros como farmácias, médicos e outros profissionais, promovendo acesso à saúde com qualidade e eficiência.
Sobre a AI Pathology
A AI Pathology é uma startup brasileira que une Inteligência Artificial (IA) e medicina para o rastreamento precoce de doenças dermatológicas e democratização do acesso ao diagnóstico via triagem de lesões cutâneas, com até 95% de assertividade. A empresa é reconhecida pela seleção para a incubação na Escola de Saúde Pública de Harvard, pela Harvard innovation lab e pelo apoio de centros como Inova HC e In.mack entre outros.
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