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Saúde

Pacientes do HSol vivem momento de alegria fora do hospital

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Ação de humanização do IgesDF leva grupo ao Circo Real Português e reforça o impacto do cuidado emocional na recuperação

 

 

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Por algumas horas, o ambiente hospitalar deu lugar ao riso, ao encantamento e à leveza. No último sábado (21), pacientes do Hospital Cidade do Sol (HSol), em internação de longa permanência, participaram de atividade fora da unidade, no Circo Real Português, instalado no Taguaparque.
A iniciativa, conduzida pelo programa Humanizar do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), em parceria com a Gerência do hospital, foi pensada para ir além da assistência clínica. A proposta foi proporcionar um momento de alegria capaz de resgatar sentimentos, memórias e perspectivas muitas vezes impactadas pelo tempo prolongado de internação.
Selecionados por estarem clinicamente estáveis, os participantes, todos com mais de 30 anos e em situação de internação prolongada, incluindo casos de internação social, estiveram na atividade acompanhados por familiares e profissionais de saúde. A experiência contou ainda com o apoio do Circo Real Português e do transporte da TCB.
Para a gerente-geral de Humanização e Experiência do Paciente do IgesDF, Anusha Soares, a proposta reforça um olhar mais amplo sobre a assistência.
“Nosso objetivo é fazer com que essas pessoas voltem a sentir a vida para além do hospital. É proporcionar um momento de alegria, conforto e bem-estar, mas, principalmente, de reconexão com o mundo lá fora”, afirma.
A gerente de Humanização e Experiência do Paciente, Stéphanie Sakayo, destaca que vivências como essa têm impacto direto no processo de recuperação.
“Momentos de lazer ajudam a reduzir o estresse, a ansiedade e a sensação de isolamento. Eles resgatam a identidade para além da doença e promovem qualidade de vida. Isso fortalece emocionalmente e pode refletir de forma positiva na evolução clínica”, explica.
Segundo ela, experiências positivas estimulam a liberação de neurotransmissores ligados ao prazer e à felicidade, como serotonina e dopamina, contribuindo para a saúde mental e emocional.
A gerente do Hospital Cidade do Sol, Júlia Gurgel, ressalta que a iniciativa também fortalece o trabalho desenvolvido dentro da unidade.
“Quando a gente proporciona esse tipo de experiência, a gente amplia o cuidado. A pessoa volta diferente, mais leve, mais motivada. E isso impacta diretamente na forma como ela enfrenta o tratamento e na relação com a equipe”, afirma.
Emoção, risos e reencontro com a vida
A reação começou ainda no trajeto. Muitos demonstraram surpresa e emoção ao perceber que, depois de tanto tempo, estavam novamente em um ambiente externo.
No circo, a interação com os artistas e, principalmente, as apresentações dos palhaços arrancaram risos espontâneos e marcaram o momento.
O clima entre participantes, acompanhantes e equipe era de leveza e conexão, um contraste com a rotina hospitalar e um lembrete de que o cuidado também passa pelo afeto.
A paciente Stéphanie Louise Dea, internada desde janeiro, descreveu o convite como um momento inesperado.
“Recebi com muita surpresa e alegria. Não imaginava que teria a oportunidade de sair do hospital para viver um momento como esse. Significa esperança. É uma chance de lembrar que existe vida além do hospital e que vou continuar vivendo momentos felizes e de superação”, conta.
O marido da paciente, John Ferreira Silva, designer gráfico autônomo, que a acompanhou, resume o sentimento de forma simples. “Foi muito bom para ela. Deu uma animada, sabe? Isso ajuda demais.”
A iniciativa integra uma agenda contínua voltada ao cuidado humanizado no IgesDF, que já inclui experiências como idas ao cinema, teatro e shows, sempre com resultados positivos e impacto no bem-estar.
Para o presidente do Instituto, Cleber Monteiro, esse tipo de ação reforça o compromisso com um cuidado mais completo. “A saúde vai além do tratamento técnico. Quando olhamos para o paciente em sua totalidade, incluindo os aspectos emocional e social, promovemos um cuidado mais digno, humano e efetivo”, ressalta.
A expectativa é que propostas como essa sejam ampliadas e fortalecidas, podendo inspirar outras unidades.
Entre risos, aplausos e olhares emocionados, ficou evidente que o cuidado também se constrói em gestos que acolhem, conectam e resgatam a esperança. “Cuidar também é isso: criar momentos que façam sentido, que tragam leveza e que ajudem o paciente a seguir em frente”, resume Anusha.
 
Sobre o Humanizar
O Humanizar é uma iniciativa do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), voltada à promoção do cuidado integral e à valorização da experiência do paciente nas unidades de saúde.
Idealizado pela primeira-dama do Distrito Federal, Mayara Noronha Rocha, o programa desenvolve ações que vão além da assistência técnica, com foco no bem-estar emocional, social e psicológico de pacientes, acompanhantes e profissionais.
Entre as iniciativas, estão atividades culturais, ações de acolhimento e projetos que buscam tornar o ambiente hospitalar mais leve, humanizado e conectado às necessidades individuais.
A proposta é fortalecer vínculos, promover dignidade e reforçar que o cuidado em saúde também passa pela empatia, pelo afeto e pela construção de experiências positivas ao longo da recuperação.
Créditos:
Texto por: Pollyana Cabral
Fotos por: Divulgação/IgesDF
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Entretenimento

Festa junina da Psiquiatria do Base promove acolhimento, integração e ajuda a reduzir estigmas

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Celebração reuniu pacientes, familiares e colaboradores do hospital em um momento de convivência, alegria e fortalecimento de vínculos
Por Giovanna Inoue
“Olha a chuva! É mentira!” O coro típico das festas juninas ecoou pela ala de Psiquiatria do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) nesta sexta-feira (26). O dia ensolarado e o clima agradável ajudaram a criar o cenário ideal para um arraiá marcado por canjica, bolos, música, dança e, principalmente, acolhimento, humanização e muitos sorrisos.
Organizada pela equipe de Psiquiatria em parceria com o Serviço Auxiliar de Voluntários (SAV), a celebração proporcionou um momento de convivência entre pacientes, familiares, profissionais de saúde e colaboradores do hospital.
O chefe do Núcleo de Saúde Mental do HBDF, Sérgio Cabral Filho, explica que atividades lúdicas e encontros coletivos contribuem significativamente para o tratamento dos pacientes.
“É como se eles pudessem esquecer, por um momento, que estão internados. Muitas vezes, oportunidades como essa representam um primeiro passo para uma recuperação bem-sucedida”, afirma.
Para a presidente do SAV, Vandelícia Dias, além da diversão, a festa busca proporcionar uma sensação de normalidade aos pacientes.
“É um momento em que eles podem se sentir iguais a todo mundo, sem o estigma associado ao transtorno mental. Trouxemos roupas típicas para que pudessem se arrumar, deixar um pouco de lado a roupa hospitalar e usar acessórios. É uma oportunidade para todos se sentirem felizes”, comemora
Cuidado integrado
Durante o arraiá, os pacientes dançaram quadrilha, brincaram com estalinhos e aproveitaram música ao vivo em um ambiente leve e descontraído. O psicólogo Igor Santiago destaca que experiências de socialização são fundamentais para a saúde mental.
“Apesar de necessária, a internação provoca um rompimento na rotina e no convívio social dos pacientes. Esse tipo de celebração cria oportunidades de interação, permitindo que todos conversem e construam vínculos como pessoas, e não apenas como profissionais e pacientes”, explica.
As festas juninas também despertam lembranças afetivas para muitas pessoas. Segundo a assistente social Lara Nunes Limberger, o evento foi planejado para transmitir acolhimento e cuidado em cada detalhe.
“A alimentação tem um papel muito importante. Geralmente, as dietas deles seguem orientações específicas, mas hoje puderam experimentar diferentes comidas típicas e isso os deixa muito felizes”, comenta.
O paciente Mário Silva*, internado na unidade, conta que aguardava ansiosamente pela comemoração.
“Já comi salgado, canjica e várias outras coisas. A decoração está linda, a música está ótima e a dança foi muito divertida. Estou muito satisfeito, foi maravilhoso”, celebra.
Atenção em todos os detalhes
Toda a festa foi realizada de forma colaborativa. Os alimentos foram preparados pelos próprios colaboradores e por familiares dos pacientes, que também foram convidados para participar do evento.
A decoração recebeu atenção especial. Oficinas terapêuticas foram promovidas com antecedência para que os pacientes ajudassem a confeccionar bandeirinhas com papéis coloridos. Um cenário representando uma igreja antiga e cactos foi produzido manualmente, enquanto os ramos de milho que ornamentaram o caminho até a festa foram plantados e colhidos pelos próprios pacientes na horta cultivada por eles.
Para Vandelícia, a participação na montagem da festa alegra os pacientes. “Eles passaram dias ajudando a preparar tudo e estavam ansiosos para ver o resultado final. Agora podem perceber que o esforço de cada um deixou a nossa festa ainda mais bonita”, ressalta.
Festa para todos
O arraiá da Psiquiatria foi aberto a todos que desejavam participar. Familiares compareceram para prestigiar a celebração, aproveitar as comidas típicas e dançar quadrilha ao lado dos pacientes.
Simone Brandão, mãe de uma paciente internada, relata que a iniciativa trouxe benefícios visíveis para a filha.
“Isso está fazendo muito bem para ela. A equipe de Psiquiatria e os voluntários estão fazendo de tudo para integrar todos. É um momento de união, paz e amor. É muito gratificante ver isso acontecendo”, agradece.
Para os organizadores, manter a festa aberta à participação de colaboradores e familiares também ajuda a desconstruir preconceitos relacionados aos serviços de saúde mental.
“É uma oportunidade para que as pessoas entendam que a realidade é muito diferente daquela mostrada em filmes e novelas. Aqui é um lugar de acolhimento”, destaca Vandelícia.
“É muito importante que todos percebam que não precisam ter medo e que podem conviver e confraternizar normalmente com os nossos pacientes”, conclui Sérgio.
*Nome fictício para preservar a identidade do paciente.
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