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Cultura

FGV ARTE Inaugura nova exposição – Eu chorei rios: Arte dos povos originários da América

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A FGV Arte inaugura, no dia 6 de maio de 2026, na sede da Fundação Getulio Vargas, Zona Sul do Rio de Janeiro, a exposição Eu chorei rios: arte dos povos originários da América, com curadoria de Glicéria Tupinambá Paulo Herkenhoff. Este é o oitavo projeto expositivo realizado pela instituição, desde a sua inauguração em 2023.

A mostra apresenta um conjunto amplo e heterogêneo de produções que operam como formas de pensamento, conectando imagem, matéria e narrativa. Pinturas, fotografias, esculturas, objetos, mantos, instalações e artefatos históricos compõem um panorama plural de linguagens e cosmologias, reunindo criações de diversos povos originários da América Latina. Ao confrontar leituras universalizantes, o projeto inscreve essas produções no campo expandido da arte contemporânea, em diálogo direto com disputas territoriais, institucionais e epistemológicas do presente.

 

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Eu chorei rios se constrói também como desdobramento da exposição Adiar o fim do mundo, apresentada em 2025 na FGV Arte e orientada pelas reflexões de Ailton Krenak, deslocando o foco do diagnóstico da crise para a afirmação de práticas e presenças que persistem e transformam mundos. Para Herkenhoff, “se antes a questão do antropoceno era colocada em xeque como narrativa dominante, aqui ela se expande em múltiplas formas de existência que recusam a separação entre natureza e cultura, sujeito e território, reconfigurando a arte como espaço de continuidade, contraposição e invenção”.

A participação de Glicéria Tupinambá na curadoria introduz uma inflexão decisiva, ao trazer para o centro da exposição aquilo que ela define como nhe’ẽ se, o “desejo de fala”: “A gente chega na arte com esse desejo de falar, de falar de um lugar que nunca foi ouvido, sempre foi silenciado”, observa a curadora. “Os povos indígenas sempre fizeram arte, mas não tinham o direito de dizer o que aquilo era.” A atuação de Glicéria

integra arte, pesquisa e ação comunitária, atravessando a mostra com uma perspectiva que amplia o campo de leitura das obras e desloca seus próprios fundamentos.

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Nesse contexto, a presença de artistas como Daiara Tukano, Yaka Edilene Sales Huni Kuin, Lastenia Canayo Rita Pinheiro Sales Kaxinawá evidencia o papel central das mulheres nas cosmologias indígenas e na produção artística. Seus trabalhos operam como enunciações de mundo, articulando grafismos, narrativas, cantos e sistemas de conhecimento que atravessam gerações, ao mesmo tempo em que tensionam leituras historicamente marginalizantes.

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A exposição se organiza como um campo de visibilidade em disputa, em que diferentes temporalidades e regimes de representação se confrontam. Obras contemporâneas convivem com peças históricas, artefatos, registros fotográficos e produções audiovisuais, evidenciando tanto a persistência quanto os conflitos em torno das imagens indígenas. Nesse conjunto, destacam-se trabalhos de Ailton KrenakClaudia Andujar, Denilson Baniwa, Djanira, Gustavo Caboco, Keyla Sobral, Lygia Pape Mestre Valentim.

A noção de território atravessa o projeto não apenas como tema: pinturas, mantos, objetos, vídeos e intervenções espaciais configuram a exposição como um espaço de demarcação simbólica, em que a arte atua como prática de inscrição e reivindicação. “Os cantos, as histórias, o que a gente vive no corpo: é isso que preserva a memória”, afirma Glicéria. “A nossa cultura não está só na materialidade. Ela é cantada, celebrada, dançada, e passa de geração em geração.”

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A mostra se expande para além do espaço expositivo, ocupando a fachada e a esplanada da FGV com intervenções que ampliam a experiência do público. Entre elas, a pintura de Xadalu Tupã Jekupé, um jardim circular concebido especialmente para a ocasião e a presença de obras que ativam o espaço externo como campo sensorial. A instalação de Jaider Esbell atua como um gesto de acolhimento, introduzindo o visitante em uma dimensão cosmológica da exposição. “É uma imersão. O corpo entra nesse espaço e começa a experimentar essas diferentes camadas”, observa a curadora.

Também presente na mostra como artista, Glicéria Tupinambá desenvolve um dos eixos centrais a partir do Manto Tupinambá, apresentado tanto como obra quanto em uma ação na abertura. Distanciando-se da ideia de performance como linguagem formal, ela propõe uma ativação que convida o público à experiência. “O que eu faço é convidar as pessoas a sentirem. Rezar não dói, cantar não dói, dançar não dói. É uma forma de tirar o manto da vitrine e colocá-lo em movimento no corpo e no mundo.” Ao deslocar o manto de sua condição museológica, o gesto reinsere essa forma em um circuito vivo, abrindo novas possibilidades de percepção e relação.

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Eu chorei rios contribui para reconfigurar os próprios termos de visibilidade das produções indígenas. “A gente não está impondo nada aqui. A intenção é um processo de diálogo, de construção, de fazer o outro entender como a gente vê o mundo.” Nesse sentido, a exposição se inscreve como um gesto de escuta e posicionamento institucional, no qual a arte se apresenta como meio de pensar, sustentar e demarcar mundos possíveis.

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A FGV Arte reafirma seu compromisso com a formação de público e a democratização do acesso à arte e à cultura por meio de um programa educativo e acadêmico estruturado. Ao longo da exposição, a instituição receberá mais de 100 escolas e cerca de 5 mil estudantes da rede pública de ensino em visitas mediadas, promovendo experiências qualificadas de aproximação com a arte. Em diálogo com essa frente, o programa acadêmico se organiza como um eixo complementar de reflexão e produção de conhecimento, reunindo atividades formativas e iniciativas voltadas ao aprofundamento crítico dos temas propostos pela exposição.

 

SOBRE A FGV ARTE

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Localizada na sede da FGV, em Botafogo, no Rio de Janeiro, a FGV Arte é um espaço voltado para a valorização, a experimentação artística e os debates contemporâneos em torno da arte e da cultura, buscando incentivar o diálogo com setores criativos e heterogêneos da sociedade, dividindo-se em três eixos principais: exposições, publicações e atividades educacionais – acadêmicas e práticas. Tem como curador chefe, o crítico Paulo Herkenhoff.

 

SERVIÇO:

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“Eu chorei rios: arte dos povos originários da América”

Curadoria: Glicéria Tupinambá e Paulo Herkenhoff

Abertura: 06 de maio de 2026,das 19h às 21h Encerramento: 20 de setembro de 2026

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Local: FGV Arte | Esplanada da Fundação GetúlioVargas End: Praia de Botafogo, nº 186 – Botafogo

Rio de Janeiro | RJ Tel: (21) 3799-5537

Website: Link Instagram: @fgv.arte

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Horários de funcionamento:

De terça a sexta, das 10h às 20h Sábados e domingos, das 10h às 18h

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Entrada gratuita| Classificação livre

 

CRÉDITOS:

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Fotos: Divulgação

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Cultura

Temporada de Páscoa da OBACH amplia circulação e leva Bach a diferentes regiões do DF após estreia histórica BANER

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Após concerto que reuniu mais de 2 mil pessoas no Santuário Dom Bosco, orquestra leva experiência imersiva com música barroca a Sobradinho II e Ceilândia, ampliando o acesso à música de concerto

 

 

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Após reunir mais de 2 mil pessoas no concerto realizado em 12 de abril, no Santuário Dom Bosco, a Orquestra Brasileira de Arte, Cultura e História (OBACH) dá continuidade à sua temporada de Páscoa. Depois do Plano Piloto, chegou a vez de outras regiões administrativas se encantarem com a força e a beleza da música barroca, em uma experiência que une arte, espiritualidade e acesso democrático à cultura. Em 26 de abril, a apresentação será na Paróquia São Mateus, em Sobradinho II, e, em 3 de maio, na Paróquia da Ressurreição, em Ceilândia Norte. A série leva ao público trechos da célebre Paixão Segundo São Mateus, de Johann Sebastian Bach, em concertos com entrada solidária, reafirmando o compromisso da OBACH em ampliar o alcance da música de concerto e formar novas plateias.

A obra apresentada nesta temporada é considerada uma das mais grandiosas da música sacra ocidental. Composta no século XVIII, a peça retrata os últimos momentos da vida de Cristo a partir do Evangelho de Mateus, combinando coro, solistas e orquestra em uma estrutura de grande densidade dramática e espiritual: um marco da música barroca que atravessa séculos pela sua força expressiva. A orquestra se apresentará com a participação de convidados especiais: Além da regência e preparação musical do maestro Rafael Abreu, engrandecem a cena as sopranos Janette Dornelas e Luciana Tavares; a contralto Andréia Maluaz; o tenor Jean Nardotto; e os barítonos Gustavo Freccio e Paulo Santos.

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À frente da OBACH está a maestrina e violinista Kathia Pinheiro, fundadora da orquestra ao lado do maestro Airan D’Souza. Dona de uma das trajetórias mais sólidas da música de concerto em Brasília, integrou por 36 anos a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro, da qual também foi spalla e membro fundadora. Ela construiu uma carreira marcada pela excelência técnica e intensa vivência artística no Brasil e no exterior. Hoje, à frente da OBACH, traduz essa bagagem em um projeto que tem como essência aproximar a música das pessoas.

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Me aposentei da OSTNCS, mas nunca da música. A OBACH nasce desse desejo de continuar tocando e, principalmente, de levar a música para onde as pessoas estão. A gente acredita que a música de concerto não pertence apenas aos grandes teatros — ela pertence a todos. Quando ela chega, ela toca, emociona e transforma”, afirma Kathia.

Essa proposta ganha força na forma como a orquestra se apresenta. Mais do que executar um repertório, a orquestra propõe uma experiência imersiva, que convida o público a atravessar o tempo. Os músicos se vestem com figurinos de época, perucas e elementos cênicos que recriam o ambiente histórico da música barroca, criando uma atmosfera sensorial que valoriza a experiência e a percepção do público.

Ao longo das apresentações, o maestro Rafael Abreu conduz não apenas a execução musical, mas estabelece um diálogo com o público, compartilhando informações, curiosidades e contextos sobre as obras e os compositores. Esse cuidado transforma o concerto em um momento também formativo, que aproxima, acolhe e convida ao entendimento sobre a música erudita com naturalidade.

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A performance de estreia da temporada foi marcada por forte adesão do público e impacto artístico, com o espaço completamente lotado. O cenário evidencia o interesse da população por esse tipo de experiência e reforça a potência da música de concerto quando apresentada de forma acessível e sensível.

A OBACH em cena

A OBACH nasceu a partir de músicos ligados à Toccata Produções, com a proposta de resgatar a música erudita em sua forma mais próxima das práticas originais, por meio da performance historicamente orientada. Após um período de pausa, a orquestra vive, desde 2025, um momento de retomada e expansão, reafirmando sua presença na cena cultural do Distrito Federal.

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A orquestra reúne músicos de reconhecida trajetória na capital, com destaque para a própria Kathia Pinheiro como spalla, acompanhada por Liliana Gayoso (concertina), Vera Tomé e Tatyana Kowalezuk nos primeiros violinos; Cássio Chiesa (concertino), Ana Faria e Paulo César nos segundos violinos; Wallace Cristóvão e Victor Bueno nas violas; Renato Amaral e Pamela Vasconcelos nos violoncelos; além de Rui Xavier e Alexandre Antunes nos contrabaixos.

A produção dos ensaios e concertos é assinada por Márcio Braga, com sonorização, montagem e operação de João Simões e Felipe Simões. A realização é da Toccata Produções Artísticas.

Serviço:

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OBACH — Concerto de Páscoa

Paixão Segundo São Matheu, de Johan Sebastian Bach

26 de abril — Paróquia São Mateus

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QMS 14, lotes 3/5 — Setor de Mansões, Sobradinho II

03 de maio — Paróquia da Ressurreição

EQNN 5/7, Área Especial — Ceilândia Norte

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Entrada solidária — 1kg de alimento não perecível.

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