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Cultura

Águas de Oxalá realiza sua segunda edição e reafirma a força dos rituais de lavagem como expressão essencial da cultura brasileira

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Projeto destaca tradição centenária das religiões de matriz africana e reforça o combate à intolerância religiosa por meio de oficinas e rituais de lavagem abertos à comunidade

Em sua segunda edição, o projeto Águas de Oxalá retorna para reafirmar a potência simbólica, espiritual e cultural dos rituais de lavagem, manifestações profundamente enraizadas na formação social e cultural do Brasil. Após passar pelo Complexo Cultural de Samambaia e pela Chácara do Pai Jorge, no Setor Pôr do Sol, a iniciativa segue promovendo oficinas, vivências e celebrações que valorizam os saberes ancestrais das tradições afro-brasileiras. Entre os dias 9 e 13 de junho, a programação ocupa o Museu Candanga (Museu Candango), no Núcleo Bandeirante, com atividades formativas e o encerramento marcado pela tradicional Lavagem Cultural e Festival de Acarajé. O projeto será concluído posteriormente na Associação Papo de Mãe, em Samambaia, em data a ser confirmada, reunindo comunidade, tradição e fé em torno de um dos mais significativos legados das culturas afro-brasileiras.

Idealizado e conduzido por Mãe Francys Baiana do Acarajé, ou Doné Francys de Oyá, o Águas de Oxalá se consolida como uma iniciativa que vai além da celebração religiosa: é também um espaço de afirmação cultural, resistência e diálogo. Em um contexto em que ainda se registram episódios de intolerância religiosa no país, o projeto se posiciona como um ato público de valorização, respeito e reconhecimento das tradições de matriz africana, fundamentais para a construção da identidade brasileira.

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O projeto tem duas frentes principais: os rituais de lavagens e as oficinas abertas à comunidade mediante inscrição feita nos locais da oficina ou através do link. Com duração de 20 horas cada, as oficinas, oferecidas a grupos de 20 pessoas, abordarão o ritual da Lavagem, discorrendo sobre significado, história, indumentárias, musicalidade e culinária que fazem parte dessa tradição. Com as aulas realizadas durante a semana, os alunos são convidados a participar das lavagens no fim de semana, junto com a comunidade, guiados pelos orixás principais desta celebração: OxaláIemanjá e Oxum.

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Mais do que um ritual, as lavagens representam um gesto coletivo de purificação, renovação e encontro. Realizadas como cortejos de fé e devoção, reúnem elementos do candomblé e do catolicismo em uma expressão viva do sincretismo religioso brasileiro: herança direta da história de resistência dos povos africanos escravizados e de seus descendentes no país.

Realizar a segunda edição do Águas de Oxalá é motivo de muita alegria e também de responsabilidade. Seguimos firmes nesse caminho de levar conhecimento, respeito e visibilidade às nossas tradições. Cada lavagem é um chamado à paz, mas também um posicionamento: nossas culturas seguem vivas, presentes e são parte indissociável da história do Brasil. Não há como falar de identidade brasileira sem reconhecer a força dos povos de matriz africana. Nosso projeto é um abraço coletivo contra a intolerância e a favor do respeito”, afirma Mãe Francys.

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Os rituais terão duração média de três horas e serão conduzidos como celebrações abertas ao público. Vestidos de branco, participantes e lideranças religiosas se reúnem em cortejo ao som de atabaques e cânticos afro-religiosos, realizando a lavagem simbólica dos espaços com água de cheiro e ervas sagradas. O gesto representa a limpeza espiritual, o afastamento de energias negativas e a renovação dos caminhos, em uma experiência coletiva de fé e pertencimento.

A tradição das lavagens tem origem nos rituais de purificação das religiões afrodescendentes e ganhou forma no Brasil a partir do sincretismo religioso, especialmente na icônica Lavagem do Bonfim, na Bahia. Ao longo do tempo, essas manifestações se consolidaram como patrimônio cultural e espiritual, mantendo viva a memória, os saberes e as práticas ancestrais que atravessam gerações.

Realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC-DF), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec-DF), Águas de Oxalá segue ampliando seu alcance e desenvolvendo sua missão, a de promover o respeito, combater o racismo religioso e reafirmar que essas tradições não são apenas manifestações culturais: são pilares da formação do Brasil.

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Sobre Mãe Francys Baiana do Acarajé ou Doné Francys de Oyá

A liderança que conduz este projeto é uma autoridade reconhecida em todo Distrito Federal como representante de expressões afro descendentes e possui uma longa trajetória de organização e realização de ações culturais dessa natureza. Mãe Francys está à frente da Associação Papo de Mãe – Kwe Oyá Sogy atua na religiosidade há 16 anos. O Candomblé é uma religião afro-brasileira com várias tradições e nações diferentes, como Ketu, Angola, Jeje, entre outras. Cada uma delas pode ter práticas específicas relacionadas à lavagem religiosa e outros rituais. A lavagem religiosa é fundamental no Candomblé para manter a pureza espiritual, honrar os orixás e fortalecer a conexão entre os praticantes e o divino.

Glossário:

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Orixá: divindades de povos africanos incorporadas por muitas religiões brasileiras de matriz africana. São associados a forças da natureza, ancestrais divinizados ou energias divinas.

Oxum: a orixá das águas, principalmente, as águas calmas e, devido a isso, essa divindade está muito ligada às emoções. Sua cor é o amarelo e ouro que demonstra toda a riqueza e abundância que Oxum traz consigo. Conhecida também pelas variações Osum, Oshun e Ochun, a deusa representa a feminilidade e a sensibilidade

Oxalá: Originário da mitologia iorubá, Oxalá é cultuado como o maior e mais respeitado de todos os Orixás do panteão africano, não por ser hierarquicamente superior, e sim por ser o mais velho, representando a ancestralidade. É associado à criação do mundo e da espécie humana.

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Iemanjá: É considerada a mãe de todos os adultos e a mãe dos orixás e a rainha das águas.

SERVIÇO

Águas de Oxalá – 2ª Edição

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Oficinas Formativas
9 a 12 de junho de 2026
Das 14h às 18h

Lavagem Cultural e Festival de Acarajé
13 de junho de 2026 (sábado)

Das 9h às 12h
Museu Vivo da Memória Candanga (Museu Candango)

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CRÉDITOS:

Matéria: Manoela Pires

Fotos: Divulgação/Donna Mídia Comunicação

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Cultura

Inscrições abertas para oficina gratuita de teatro musical em Taguatinga

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Iniciativa oferece a estudantes a partir de 14 anos a chance de subir ao palco em um espetáculo musical inédito voltado à educação antirracista, com inscrições abertas a partir de 14 de julho

Estão abertas, de 14 a 28 de julho de 2026, as inscrições para a Oficina Ópera Suburbana, de teatro musical, canto e expressão corporal. As atividades são gratuitas e voltadas a jovens a partir de 14 anos, preferencialmente pretos e residentes de Taguatinga. São 20 vagas. Inscrições pelo link.

A oficina acontece no Centro Cultural Recita (Setor Hoteleiro CSA 1, Taguatinga Centro), com início em 30 de julho de 2026. Os encontros seguem por cinco meses, às quintas-feiras, das 14h às 17h, e aos sábados, das 9h às 12h, até novembro. Não é necessário ter experiência prévia em teatro ou música, o processo seletivo busca interesse, compromisso e vontade de aprender.

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Ao final do processo, os participantes vão montar e apresentar o espetáculo musical “Ópera Suburbana”, com cinco apresentações em Taguatinga. Quatro delas serão exclusivas para estudantes de escolas públicas do Ensino Fundamental II e Ensino Médio, a partir de 12 anos, acompanhadas de um programa educativo com material didático, palestras e debates.

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Sobre a oficina

A montagem usa estéticas afro-brasileiras para tratar o racismo estrutural e promover práticas antirracistas, com foco em desenvolver consciência crítica entre os participantes e gerar impacto educativo, especialmente entre estudantes de escolas públicas. Os encontros trabalham técnicas de teatro musical, como canto, dança, interpretação dramática, expressão corporal e vocal, além de elementos de dramaturgia e encenação.

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O projeto também propõe discussões sobre representatividade e valorização das expressões artísticas de pessoas pretas, na perspectiva de reconhecer a cultura afro-brasileira como parte da formação da identidade nacional.

Equipe

A direção é de Ricardo César, com 35 anos de carreira e mestrado em teatro educativo, com pesquisa voltada ao teatro negro e às suas possibilidades de uso na descolonização. A preparação vocal é do artista Martin Filho

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A iniciativa conta com recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal.

 

Serviço
Oficina Ópera Suburbana     
Inscrições: de 14 a 28 de julho de 2026, pelo link: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdVsfoB7hdUobC6jWLPKrqE00vmR5opzlWnDWpJSrCGOPE2LQ/viewform
Vagas: gratuitas e limitadas
Local: Centro Cultural Recita (Setor Hoteleiro CSA 1 – Taguatinga Centro)
Informações: @operasuburbana

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