Cultura
Projeto Quintal de Memórias finaliza temporada sobre histórias das mulheres que ergueram Brasília
Realizado pelo Coletivo Entrevazios, projeto reúne a ação formativa Barraca de Memórias e o espetáculo-instalação “Carrego O Que Posso, Faço Quintal Onde Dá” em uma temporada gratuita em Planaltina
Há uma Brasília que não cabe nas fotografias oficiais nem nas placas comemorativas. Ela mora nos quintais, nas cozinhas, nas mãos calejadas das mulheres que ergueram a capital ao mesmo tempo em que erguiam filhos, casas e madrugadas. É essa Brasília íntima, feminina e cotidiana que ganha cena em Quintal de Memórias, projeto do Coletivo Entrevazios que articula uma ação formativa e um espetáculo-instalação em torno de um mesmo gesto: escutar, com paciência, as histórias que costumam ficar à margem.
A temporada acontece até 12 de junho em Planaltina. Ao longo da semana, a Barraca de Memórias abre encontros formativos para grupos, propondo rodas de escuta e criação a partir das memórias dos territórios. As atividades finalizam sempre com apresentação aberta ao público do espetáculo “Carrego O Que Posso, Faço Quintal Onde Dá”.
O espetáculo
Dirigido por Sandra Vargas, referência nacional no teatro de objetos e fundadora do Grupo Sobrevento, “Carrego O Que Posso, Faço Quintal Onde Dá” é uma imersão sensível na memória de mulheres que participaram da construção de Brasília, mas cujas histórias permaneceram à margem. Bacias, panelas, roupas de bebê e ferros de brasa atravessam a cena como dispositivos narrativos, dando voz às trajetórias reais de mulheres idosas moradoras das regiões mais antigas do DF. Após cada sessão, o público é convidado a percorrer a instalação cênica e ver de perto os objetos disparadores das memórias, um encontro silencioso entre presença e afeto.
“A cada apresentação, a história de uma mulher se desdobra na de muitas outras. Ouvi tantas vezes: ‘Você acabou de contar a minha história’. Entre abraços acolhedores, sorrisos partilhados e lágrimas emocionadas, escutamos as vozes das mulheres migrantes. Queremos seguir abrindo esse quintal, onde a história de uma é, na verdade, a de muitas mulheres”, afirma Maysa Carvalho, atriz e coordenadora geral do projeto.
Barraca de Memórias
Construído a partir de entrevistas com mulheres que viveram o nascimento da capital, o espetáculo revela uma Brasília que não aparece nos livros de história, mas pulsa nas casas, nos quintais e nas lembranças. A pesquisa e a delicadeza do teatro de objetos encontram, no projeto Quintal de Memórias, uma extensão formativa: a Barraca de Memórias propõe encontros nos quais a escuta vira matéria de criação, aproximando o público dos modos como uma cidade também se constrói por dentro pelos objetos, pelos gestos, pelas vozes que insistem em permanecer.
“Este espetáculo traz uma Brasília que poucos conhecem. Traz a mãe ou a avó que sabemos estar em tantas casas, lutando para existir. E por que usamos objetos? Porque eles nos fazem falar daquilo que parece não ter importância neste mundo tão concreto. Trazemos a humanidade escondida num cotidiano que não está nos grandes museus nem nos livros de História, mas que está em nossas casas e parece ser o que faz mais sentido nas nossas vidas”, explica Sandra Vargas, diretora do espetáculo.
A apresentação aberta ao público conta com recursos de acessibilidade: a sessão de 10 de junho, em Planaltina, terá audiodescrição. O projeto Quintal de Memórias é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal.
Sobre o Coletivo Entrevazios
Criado em 2014, o grupo vem propondo reflexões e diálogos contínuos sobre Brasília e suas poéticas, investigando as intersecções da cidade, arte, memória e os corpos que a atravessam. Os desdobramentos artísticos do Coletivo incluem trabalhos como: o Livro de Artista ENTREVAZIOS (2014); a intervenção urbana O Estrangeiro (2015); a exposição instalativa De Ver Cidade – Brasília numa caixa de brincar (2019 e 2025); a intervenção poética de teatro de animação Lourença (2021); o minidocumentário Barraca de Memórias (2023); a exposição Percursos Inventados (2023); o espetáculo Carrego O Que Posso, Faço Quintal Onde Dá (2024 a 2026); as visitas teatralizadas com Cidade Espetáculo – Aventura nos Três Poderes (2024 e 2025) e a exposição Memória Migrante – Mostra Acervo Poético (2025).
SERVIÇO
Projeto Quintal de Memórias
Planaltina (DF)
Período: 8 a 12 de junho de 2026
Atividades formativas: (Barraca de Memórias) ao longo da semana para grupos agendados
Espetáculo: 10 de junho (quarta-feira), às 9h, aberto ao público (audiodescrição)
Local: Complexo Cultural de Planaltina
Acesso: gratuito
Informações: @entrevazios
Fotos e vídeos: https://drive.google.com/drive/folders/1VZvgDBbak29P5ZlmO9UrPsqqzUSxiMzC?usp=sharing
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CRÉDITOS:
Fotos: Divulgação
Matéria: Baú Comunicação Integrada
Cultura
8 dicas para evitar que a maquiagem de Halloween vire um pesadelo ocular
Adereços, fantasias criativas e lentes coloridas podem ser usadas sem medo, desde que com os cuidados certos antes e depois da festa, alerta oftalmologista
O Halloween, celebrado em 31 de outubro, vem conquistando cada vez mais espaço no Brasil. Neste ano, o mercado nacional prevê um crescimento de 30% nas vendas do comércio. A data, antes restrita a escolas bilíngues e festas temáticas, hoje inspira fantasias criativas, maquiagens elaboradas e o uso de lentes coloridas que transformam o olhar. Mas o que muitos esquecem é que, por trás do brilho, das tintas e do visual assustador, há riscos reais para a saúde ocular.
“Produtos de maquiagem muito coloridos ou de qualidade duvidosa podem conter pigmentos e componentes que irritam a pele e as mucosas, podendo causar alergias ou desconforto quando usados na região dos olhos.”, explica a Dra. Michelle Farah, oftalmologista do H.Olhos. Segundo ela, o mesmo cuidado vale para as lentes de contato decorativas, que exigem prescrição e higienização adequadas.
“As pessoas acham que as lentes coloridas são acessórios simples, mas elas entram em contato direto com uma das estruturas mais sensíveis do corpo humano: a córnea. Qualquer irregularidade pode causar dor e infecção”, alerta a especialista.
A seguir, a Dra. Michelle Farah compartilha recomendações práticas para curtir o Dia das Bruxas com segurança — sem deixar o olhar virar uma história de terror:
1. Faça um teste antes da festa
Antes de aplicar qualquer produto novo próximo aos olhos, teste uma pequena quantidade no antebraço ou atrás da orelha. “Esse cuidado permite identificar precocemente possíveis alergias a pigmentos ou conservantes presentes nos cosméticos.”, explica Dra. Michelle.
2. Escolha produtos de qualidade
Evite maquiagens e tintas sem registro na Anvisa. Prefira cosméticos hipoalergênicos ou testados dermatologicamente. “Produtos de procedência duvidosa podem conter metais pesados e substâncias irritantes”, reforça a oftalmologista.
3. Atenção ao glitter e pigmentos soltos
“O brilho é bonito, mas deve ser usado com cuidado. Partículas de glitter podem entrar nos olhos e causar arranhões na córnea, por isso é importante escolher versões cosméticas em gel ou líquidas, com partículas encapsuladas, e evitar aplicá-las nas pálpebras internas”, orienta a Dra. Michelle.
4. Evite maquiagem dentro da linha d’água
Lápis e delineadores aplicados na parte interna dos olhos podem bloquear as glândulas responsáveis pela lubrificação ocular. “Isso aumenta o ressecamento e o risco de irritação”, explica.
5. Lentes de fantasia só com prescrição
“Lentes coloridas precisam de avaliação médica, como qualquer lente corretiva”, destaca a especialista. O uso inadequado pode gerar úlceras de córnea e até perda de visão. A compra deve ser feita apenas em estabelecimentos certificados.
6. Higiene é fundamental
Lave bem as mãos antes de manusear lentes ou aplicar maquiagem. “Nunca durma com lentes de contato ou maquiagem nos olhos. O acúmulo de resíduos favorece infecções”, alerta a Dra. Michelle.
7. Não compartilhe maquiagem nem acessórios
Evite emprestar pincéis, delineadores ou lentes para outras pessoas. “O compartilhamento pode ser uma das causas de conjuntivite e irritações oculares”, explica.
8. Sinais de alerta pedem atendimento imediato
Se houver vermelhidão persistente, dor, visão turva ou lacrimejamento, procure um oftalmologista. “Esses sinais podem indicar infecções que, se não tratadas, evoluem rapidamente”, orienta a médica.
Para a Dra. Michelle Farah, o segredo é aproveitar o Halloween com responsabilidade e atenção aos detalhes. “A diversão é sempre bem-vinda, desde que acompanhada de cuidado. Se houver qualquer desconforto nos olhos, o melhor é suspender o uso de maquiagem ou lentes e procurar um oftalmologista. Assim, o susto fica só na fantasia — e não na saúde ocular”, finaliza a Dra. Michelle Farah, oftalmologista do H.Olhos.
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