Saúde
GSH Banco de Sangue de Brasília faz apelo urgente a doadores dos tipos O+ e O-
O GSH Banco de Sangue de Brasília emite um alerta urgente: os estoques de sangue dos tipos O positivo e O negativo atingiram um nível criticamente baixo e pede o apoio imediato da população para reverter essa situação.
“Estamos em um momento delicado. Após feriados prolongados, é comum observarmos uma queda significativa nas doações, enquanto a demanda hospitalar permanece alta. Precisamos da solidariedade dos doadores, especialmente daqueles com sangue O+ e O-”, destaca Marcela Zilves Colonese, gerente de captação regional do GSH Banco de Sangue.
Por que esses tipos sanguíneos são essenciais?
O sangue O negativo é considerado o “doador universal”, pois pode ser transfundido em pacientes de qualquer tipo sanguíneo em situações de risco, quando não há tempo para testes de compatibilidade. Ele é indispensável em casos de acidentes graves, cirurgias de urgência, complicações obstétricas e no tratamento de doenças crônicas, como o câncer.
Além disso, o Ministério da Saúde recomenda seu uso prioritário em recém-nascidos com até quatro meses de idade, tornando sua disponibilidade ainda mais fundamental.
Já o tipo O positivo é importante por ser o mais comum na população e atender a muitos pacientes. Ele pode ser transfundido com segurança em pessoas com fator Rh positivo, a maioria dos brasileiros, e é amplamente utilizado em atendimentos de urgência, cirurgias de grande porte e tratamentos contínuos, como os de pacientes oncológicos e pessoas com doenças hematológicas. Por essa alta demanda, seus estoques têm grande rotatividade e precisam de reposição constante.
Todos os tipos sanguíneos são bem-vindos
Embora o apelo seja direcionado principalmente aos doadores dos tipos O negativo e O positivo, todos os tipos sanguíneos são bem-vindos. A redução nas doações, especialmente no período pós-feriado, pode impactar diretamente o atendimento a centenas de pacientes que dependem diariamente das transfusões. O GSH Banco de Sangue reforça que doar sangue é um gesto simples, rápido e seguro, e que cada doação pode salvar até quatro vidas.
Para doar, basta comparecer à unidade, que funciona de segunda a sábado, das 7h às 12h30, no SGAS 915 – Asa Sul – 2º subsolo do Centro Clínico Advance I (próximo ao DF Star). O local oferece estacionamento gratuito no Multipark DF Star.
Confira a lista completa dos pré-requisitos para doação de sangue:
• Apresentar um documento oficial com foto (RG, CNH etc.) em bom estado de conservação;
• Ter idade entre 16 e 69 anos desde que a primeira doação seja realizada até os 60 anos (menores de idade precisam de autorização e presença do responsável legal no momento da doação);
• Não é permitido realizar doação acompanhado de menores de 12 anos (exceto se o menor estiver acompanhado de dois adultos, sendo necessário o revezamento dos mesmos enquanto acontece a doação);
• Estar em boas condições de saúde, se sentindo bem, sem qualquer sintoma;
• Pesar a partir de 50 kg e ter dormido ao menos 6h na última noite;
• Não ter feito uso de bebida alcoólica nas últimas 12 horas;
• Não é necessário estar em jejum, evitar alimentos gordurosos;
• Se fez tatuagem e/ou piercing, aguardar 12 meses. Exceto para região genital e boca (12 meses após a retirada);
• Em caso de diabetes, deverá estar controlada e não fazer uso de insulina;
• Se passou por endoscopia ou procedimento endoscópico, aguardar 6 meses;
• Não ter tido Doença de Chagas e Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST);
• Candidatos que apresentaram sintomas de gripe e/ou resfriado devem aguardar 7 dias após cessarem os sintomas e o uso das medicações;
• Aguardar 48h para doar caso tenha tomado a vacina da gripe, desde que não esteja com nenhum sintoma.
Serviço:
GSH Banco de Sangue de Brasília
Endereço: SGAS 915 – Asa Sul – 2º subsolo do Centro Clínico Advance I (próximo ao DF Star)
Telefones: (61) 3011-7531 e (61) 9632 3648
Atendimento: de segunda a sábado, das 7h às 12h30
Estacionamento gratuito para doadores no Multipark DFStar.
Saúde
Diagnóstico tardio de doenças ginecológicas afeta qualidade de vida e pode comprometer saúde das mulheres
Endometriose atinge cerca de 190 milhões de mulheres no mundo; sintomas normalizados de cólicas menstruais dificultam a identificação precoce da doença
A dor intensa durante a menstruação, o desconforto nas relações sexuais e as alterações abdominais estão entre os sintomas que podem indicar doenças ginecológicas. Apesar dos impactos na rotina, manifestações como essas nem sempre recebem a devida atenção, o que pode dificultar a investigação de condições como endometriose e o câncer de ovário em mulheres. O diagnóstico tardio pode prolongar o sofrimento das pacientes, comprometer a qualidade de vida e, no caso de doenças malignas, reduzir as possibilidades de tratamento em estágios iniciais.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 190 milhões de mulheres em idade reprodutiva convivem com a endometriose em todo o mundo, o equivalente a cerca de 10% dessa população. A doença crônica pode provocar dores intensas, alterações menstruais e dificuldades para engravidar.

A professora associada do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e diretora do Laboratório de Reprodução Assistida, Paula Andrea Navarro, explica sobre o que é endometriose e como ela se manifesta no corpo feminino.
“A endometriose é uma doença caracterizada pela presença de endométrio, que é o revestimento interno da cavidade do útero, fora da cavidade uterina, sendo uma doença crônica. Ela é considerada não só uma doença ginecológica, mas uma doença sistêmica. Os mecanismos pelos quais a endometriose acontece não são completamente esclarecidos, parte dos pacientes, acredita-se que é por refluência de sangue durante a menstruação pelas trompas uterinas.”
Paula exemplifica, ainda, que a endometriose pode ocorrer de forma diversa em cada paciente, sendo importante atentar aos sintomas. “A endometriose é uma doença enigmática com manifestações particulares em cada paciente. Não necessariamente a quantidade de focos se relaciona com a intensidade dos sintomas. Os principais sintomas são a dor da menstruação (dismenorreia), existe a possibilidade de dor durante a relação sexual e sintomas intestinais durante o período menstrual”, relata.
Histórico familiar e diagnóstico
A doença também pode estar associada a questões genéticas, ou seja, uma mulher que possui família com histórico da patologia deve manter a atenção aos sintomas para obter seu diagnóstico de forma precoce. “Pacientes mulheres que têm familiares com a doença têm mais chances de ter endometriose do que quem não tem histórico familiar”, afirma a professora.

Julio Cesar Rosa e Silva, professor associado do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e secretário da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE), explica os exames que devem ser realizados em pacientes com suspeita da patologia. “Muitas vezes o exame ginecológico nos faz suspeitar da doença mas, hoje, o diagnóstico é feito com exames de imagem, ultrassonografia transvaginal ou ressonância magnética da pélvis.”
A identificação tardia pode prolongar os períodos de dor e dificultar o controle dos sintomas. Dependendo da localização e da extensão das lesões, a doença pode afetar a rotina de trabalho e de estudos, o sono, as relações afetivas e a saúde emocional. “A endometriose é uma doença que realmente tem um atraso diagnóstico bastante significativo. Em média, o diagnóstico pode demorar de cinco a dez anos desde o início dos sintomas. Um dos fatores é pela sociedade acreditar que ter cólica menstrual é um sintoma normal”, diz o professor.
Fertilidade e conscientização
A patologia está relacionada com dificuldade de fertilidade em parte das pacientes, embora nem todas as mulheres com a doença apresentem esse problema. “Com o passar dos anos e a presença do processo inflamatório constante, isso vai gerando processos aderenciais e acabam com que o diagnóstico tardio comprometa a fertilidade da mulher, pois acabam distorcendo toda a anatomia pélvica e comprometendo a qualidade do óvulo e a capacidade do embrião se implantar dentro do útero”, afirma o professor.
Por ser uma condição crônica, a endometriose não possui cura definitiva estabelecida. Entretanto, existem tratamentos para controlar a dor e outros sintomas, incluindo medicamentos hormonais, analgésicos e, em situações específicas, procedimentos cirúrgicos. A conscientização dos profissionais de saúde pode contribuir com a qualidade de vida das mulheres. “Nós precisamos também conscientizar as equipes de saúde, muitas vezes a própria equipe de saúde não está atenta e aberta a sentir e ouvir os sintomas da paciente, isso acaba postergando o diagnóstico, comprometendo significativamente sua qualidade de vida.” finaliza Rosa e Silva.
Estagiária sob supervisão de Gabriel Soares
Fonte matéria: Jornal da USP
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