Saúde
3 EM CADA 4 PROFESSORES SOFREM VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA E SE AFASTAM DA SALA DE AULA
Os professores brasileiros pedem socorro. Os desafios em sala de aula aumentam diariamente, sobretudo, com a crescente onda de violência em que três a cada quatro docentes de Minas Gerais e São Paulo sofram com a violência psicológica, segundo a pesquisa “Desafios e Boas práticas para promoção de Saúde mental nas Escolas”, feita pela Universidade Federal de São Paulo e a Fundación Mapfre.
O problema é alarmante, apesar de não ser novo. No geral, 62% dos entrevistados são mineiros e os outros 38%, paulistas, expostos, não apenas à violência psicológica, como também, à física, nem sempre praticada apenas pelos alunos, como também, por pais insatisfeitos.
A PHD em neurociências, psicopedagoga e professora, Ângela Mathylde Soares, afirma que a situação impede que os docentes continuem atuando nas escolas, obrigando os mesmos a se afastarem das salas para cuidar da saúde mental e, consequentemente, do corpo, pois quando a mente não está saudável, o organismo sofre. Uma pesquisa da Universidade de Campinas (Unicamp) apontou a seriedade do quadro, identificando que até 72% dos docentes participantes já lidaram com sinais de esgotamento ou colapso mental.
Um levantamento da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), com base em dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mostra que, em 2025, 65.123 afastamentos de educadores ocorreram por questões mentais, destacando os transtornos de ansiedade, depressão e burnout, conhecido por ser incapacitante.
O crescimento da violência contra os professores também é reflexo da qualidade da saúde mental dos brasileiros, uma vez que o país foi considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o mais ansioso do mundo, com aproximadamente 9,3% da população sofrendo deste mal. O índice corresponde a mais que o dobro da média mundial (3,4%).
O Brasil também sofre com elevadas taxas de depressão, doença considerada o mal do século. Ainda segundo a OMS, o país é o mais depressivo na América Latina, ocupando o 5° lugar no ranking global, segundo as estimativas, cerca de 5,8 a 10% da população sofrem com a patologia.
Para Ângela, é inevitável não pensar que as situações de violência em sala são decorrentes de um problema nacional, acumulando ainda a falta de valorização da profissão, que não tem o devido reconhecimento social.
A melhor forma de cuidar da saúde mental não se dá com ataques a indivíduos para descontar a raiva, insatisfação e frustração e, sim, através da procura por atendimento psicológico, com profissionais preparados para escutar e orientar a busca por melhor qualidade de vida e conforto mental.
CRÉDITOS:
Foto: Divulgação
Politica
Exposição fotográfica “Cicatrizes” alerta sobre o câncer de mama
Organizada pela Recomeçar – Associação de Mulheres Mastectomizadas de Brasília, será aberta nesta quarta-feira (7) e permanecerá até o final do mês na CLDF
Resultantes do processo de reparação tecidual, cicatrizes são marcas na pele que, além de um mecanismo fisiológico, carregam histórias. Após a mastectomia – cirurgia para a remoção total ou parcial de uma ou de ambas as mamas –, por exemplo, mulheres e homens passam a conviver com esses sinais. E é justamente para tratar desse tema, que a exposição fotográfica “Cicatrizes”, organizada pela Recomeçar – Associação de Mulheres Mastectomizadas de Brasília será aberta nesta quarta-feira (7), às 15h, na Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Desde 2013, durante o Outubro Rosa, a entidade promove mostras com o objetivo de chamar a atenção para a importância do diagnóstico precoce e da prevenção, a partir de recomendações do Ministério da Saúde. Os temas variam: no ano passado, a exposição foi nomeada “A Jornada”, com imagens e depoimentos que lembraram os eventos anteriores.
Em 2026, “Cicatrizes” reúne fotos de 11 mulheres e um homem que enfrentaram a doença e quer enfatizar as marcas visíveis e, também, aquelas “invisíveis” que acompanham a trajetória dos retratados. São pessoas de várias idades e que contam diferentes histórias. Entre os homens, a incidência do câncer de mama é rara, embora exija conscientização.
Reconstrução mamária
Vítima de um câncer de mama muito agressivo em 2007, que foi tratado, Joana Jeker passou dois anos a espera de uma cirurgia de reconstrução mamária. Esta experiência a fez atuar como articuladora em favor das mulheres mastectomizadas. O movimento resultou na Lei Distrital nº 4.761/2012, tornando obrigatória a cirurgia plástica reparadora da mama em casos de mutilação decorrente do tratamento de câncer.
Em agosto de 2011, ela fundou a Recomeçar – Associação de Mulheres Mastectomizadas de Brasília, que busca “ajudar as mulheres a reconstruírem não apenas suas mamas, mas também suas vidas, por meio de um atendimento rápido, gratuito e digno”. Além das exposições, a entidade realiza diversas atividades. Este mês, haverá ainda uma mostra no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, um estande de conscientização será montado na Rodoviária do Plano Piloto (do dia 7 a 16) e ocorrerão ações educativas na Ceilândia.
Marco Túlio Alencar – Agência CLDF
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