Educação
Jovens buscam mais informação eleitoral
Na Educação, estudantes da Escola Gracinha assumem a organização de debate eleitoral e transformam conceitos em experiência prática
O interesse dos jovens pela política também se reflete na busca por informação durante a corrida eleitoral. Segundo pesquisa BTG/Nexus, 82% dos eleitores de 16 a 24 anos recorrem a portais e páginas de notícias na internet para acompanhar a campanha, ante 61% na média geral. Nas escolas, esse contato é ampliado por atividades que aproximam os estudantes das diferentes etapas de uma eleição. Na Escola Gracinha, na zona sul de São Paulo, alunos da 2ª série do Ensino Médio organizam um debate com seis candidatos a deputado estadual e federal no dia 3 de setembro, das 10h às 13h, no Teatro Maria Dudé, aberto ao público.
“Desde o início, nossa escolha foi que os estudantes não fossem apenas espectadores, mas os organizadores do debate. A atividade faz parte de um percurso de letramento político desenvolvido ao longo do ano, que busca aproximar o estudo da política de experiências concretas”, afirma o professor Paulo Crispim Alves de Souza, responsável pelo itinerário de Ciências Humanas.
Os próprios alunos participaram da definição das três duplas de candidatos, buscando contemplar diferentes campos políticos. Também escolheram os temas, estruturaram os blocos e estabeleceram os tempos de pergunta, resposta, réplica e tréplica. A organização foi dividida em comissões responsáveis por mediação, pesquisa, comunicação, parte técnica, plateia e logística.
Participarão Guto Zacarias, Carlos Bezerra Jr. e Natália Boulos, candidatos a deputado federal, e Renato Batista, Mônica Rosenberg e Ediane Maria, candidatos a deputado estadual. Todos terão os mesmos tempos de fala e formatos de participação, além de receber previamente as mesmas informações sobre o funcionamento do encontro.
Não serão permitidas interrupções, ataques pessoais ou manifestações da plateia que impeçam ou constranjam as falas. Cada dupla de candidatos terá, ainda, dois estudantes responsáveis pelo contato com a assessoria, pela recepção e pelo acompanhamento no dia do evento.
“Garantir pluralidade não significa eliminar as diferenças, mas criar regras comuns para que essas diferenças possam aparecer e ser debatidas democraticamente”, explica Paulo. Para o professor, a preparação permite que conceitos como pluralidade, isonomia e respeito às regras deixem de ser apenas conteúdos discutidos em sala e passem a orientar decisões dos próprios alunos.
Da teoria à experiência
O debate integra um trabalho iniciado com o estudo de conceitos e autores da Ciência Política. No primeiro semestre, os estudantes fizeram saídas de campo para conhecer o funcionamento do Poder Legislativo nas esferas municipal, estadual e federal.
Outra etapa foi a elaboração coletiva de propostas de projetos de lei. Depois de discutir diferentes temas, os alunos selecionaram uma proposta para participar do Parlamento Jovem, iniciativa da Câmara Municipal de São Paulo. A atividade permitiu que eles discutissem problemas da sociedade e acompanhassem um dos caminhos pelos quais demandas podem se transformar em propostas políticas.
Já o debate eleitoral amplia essa experiência ao colocá-los diante de pessoas que disputam espaços de representação. “Essa sequência ajuda a tornar a política mais concreta e compreensível e permite que os estudantes percebam que as instituições democráticas são espaços de participação, disputa de ideias, construção de regras e tomada de decisões”, afirma o professor.
Ao assumir a organização do encontro, os alunos precisam pesquisar, formular perguntas, trabalhar coletivamente, ouvir posições diferentes e tomar decisões que serão aplicadas igualmente aos participantes. “A proposta é de que esse exercício contribua para uma compreensão da política que vá além do voto”, finaliza
Serviço – Debate eleitoral – Escola Gracinha
Data: 3 de setembro de 2026
Horário: das 10h às 13h
Local: Teatro Maria Dudé – Rua Virgílio Várzea, 98, Itaim Bibi, São Paulo
Entrada: aberta ao público
Sobre a Escola Gracinha
A Escola Gracinha é mantida pela Associação Pela Família, uma organização sem fins lucrativos, que alia tradição e inovação para formar estudantes críticos, criativos e conscientes. Da Educação Infantil ao Ensino Médio, valoriza o protagonismo, a colaboração e os aprendizados significativos, em uma comunidade acolhedora e comprometida com a construção de um mundo mais justo e sustentável.
Curiosidades
Estudantes de escolas públicas querem ensino e aprendizagem melhores
Melhorias relacionadas ao ensino e à aprendizagem são a principal expectativa de pelo menos um quarto dos estudantes brasileiros do ensino médio em relação aos governos que se iniciam em 2027. A qualidade do ensino, para esse grupo, está diretamente relacionada à atuação do professor.
O levantamento ouviu 5.296 alunos do ensino médio e do ensino fundamental 2 (6° ao 9° ano), nas cinco regiões do país. Segundo eles, tais mudanças devem contemplar:
- aulas diferentes;
- dinâmicas em salas de aula;
- capacitação de professores;
- menos falta dos professores.
A pesquisa O que os estudantes pensam sobre a Educação? foi encomendada ao Instituto DataFolha pelas fundações Itaú, Lemann, Telefônica Vivo e pelos institutos Natura, Sonho Grande, Unibanco e Todos Pela Educação.
Entre os temas abordados nas perguntas, então o processo de aprendizagem, a atuação dos professores, educação profissional, uso de tecnologia, educação em tempo integral.
Desempenho dos professores
Dados do estudo indicam que a percepção dos estudantes entre 12 e 21 anos sobre a forma como os professores explicam os conteúdos está associada à avaliação que fazem da escola.
Entre os que dizem que os professores explicam bem os conteúdos, 75% avaliam a escola como boa ou ótima. Entre aqueles que afirmam que os professores não explicam bem, esse percentual cai para 48%.
O diretor de Políticas Públicas do Todos Pela Educação, Gabriel Corrêa, afirma que os estudantes colocam as oportunidades de aprendizagem no topo de suas expectativas sobre o que é uma boa escola.
“É um dado que ajuda a reforçar onde deve estar a prioridade absoluta da política pública nos próximos anos: na aprendizagem.”
Segundo ele, o momento de eleições e o início de novos mandatos trazem oportunidade de revisão de estratégias e de repactuação de compromissos.
“[Nesse contexto], o país precisa acelerar muito o ritmo de crescimento dos indicadores de qualidade educacional.”
Ainda em relação aos professores, no fundamental 2, 78% avaliam que os professores estão motivados para dar aulas, enquanto no ensino médio esse número cai para 69%.
A ausência de professores parece ser um problema mais comum também no ensino médio, onde 66% concordam totalmente ou em parte que “há disciplinas que ficam um tempo sem ter professor”. No fundamental 2, 61% afirmam o mesmo.
Ensino técnico
Mais de 90% consideram importante ter a oportunidade de fazer um curso técnico ou profissionalizante durante essa etapa da educação.
O dado contrasta com o alcance atual da Educação Profissional e Tecnológica: de acordo com o Censo Escolar 2025, cerca de 20% dos estudantes do Ensino Médio estão matriculados na educação profissional.
Tecnologia
A tecnologia é percebida como presente na rotina escolar: 70% dos estudantes afirmam que os professores usam tecnologia nas aulas pelo menos uma vez por semana.
A inteligência artificial aparece entre as ferramentas: 71% dizem usar IA com frequência ou às vezes para estudar. Ao mesmo tempo, quase um em cada três estudantes discorda de que seus professores estejam bem preparados para usar tecnologia em sala de aula.
Tempo integral
Entre os estudantes que estudam em tempo integral, 74% avaliam a escola como boa ou ótima, ante 68% dos estudantes do ensino regular. A diferença aparece nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.
Entre os benefícios estão mais tempo para aprender, participação em atividades esportivas, artísticas e culturais, preparação para o futuro e mais tempo de estudo para vestibular e para o Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem.
Entre os estudantes do ensino médio que afirmam que não estão no tempo integral, 20% dizem trabalhar ou exercer atividade para garantir remuneração.
Para Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social, a pesquisa revela que os estudantes têm consciência sobre o que é importante para a escola.
Quando a aprendizagem aparece como prioridade e a formação técnica, a tecnologia, o tempo integral e a possibilidade de escolha ganham relevância, há um recado claro para as políticas públicas, de acordo com a especialista.
“Ouvir os jovens é fundamental para construir respostas mais conectadas à realidade das escolas e garantir condições para que cada estudante e futuro profissional avance em sua trajetória com qualidade, equidade e perspectivas concretas para o futuro.”
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