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Esporte

Quem é Lais Souza, ex-atleta tetraplégica e comentarista da Olimpíada de Paris

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A nova contratada da CazéTV, uma das emissoras oficiais dos Jogos Olímpicos de Paris 2024, é Lais Souza. Natural de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, a ex-atleta tem no currículo participações em três Olimpíadas, três Mundiais e uma Copa do Mundo de Ginástica Artística.

A estreia de Lais aconteceu neste sábado, 27, com o classificatório masculino. No domingo, 28 é a vez do time feminino entrar na disputa. A modalidade é considerada uma das principais chances de medalha para o Brasil, principalmente a categoria feminina, que tem como destaque Rebeca Andrade.

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“Nunca pensei em ser comentarista, mas a Cazé TV me deu a oportunidade e eu gostei da ideia. Trabalhei nos Jogos Pan-Americanos e foi muito gostoso, com uma transmissão descontraída, que é a minha cara. Me fez reviver os momentos de quando eu era atleta, de não perder nada do que está rolando, isso faz parte de quem eu sou”, destaca Lais.

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Aos 35 anos de idade, Lais participou de sua primeira Olimpíadas aos 15 anos, em Atenas, na Grécia. “A Lais de 15 anos estava empolgada, feliz de ir para as Olimpíadas, mas não tinha a noção real do que estava acontecendo. Hoje, tenho uma consciência maior do peso de uma medalha, de um patrocínio, da população valorizando o atleta”, comenta.

E completa: “As Olimpíadas me motivam muito. Eu gosto de ver os atletas, o que tem de novo, o que está acontecendo, ver a cultura de cada país, quais atletas têm chances de conquistar medalhas. Mas o que eu mais gosto é o que os atletas deixam, o legado humano, a força, de vontade e física, e, é claro, as memórias de quando eu estava lá entre as melhores atletas do mundo”.

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Quem é Lais Souza

Lais Souza começou a carreira com 4 anos de idade e, aos 12 anos, foi convocada para a Seleção Brasileira de Ginástica Artística. Ao longo da carreira, participou das principais competições esportivas da modalidade e acumulou prêmios coletivos e individuais.

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Dentro do esporte sofreu com lesões, passou por 17 cirurgias e, ainda assim, alcançou o 4º lugar do mundial de ginastica artística. Em 2014, depois de ser convidada para o Ski Aéreo e se classificar para mais uma Olimpíadas, Lais sofreu uma grave lesão uma semana antes da competição.

Após um trágico acidente, a atleta teve uma torção na coluna cervical e ficou tetraplégica. Desde então, passou por grandes superações e atualmente conecta e inspira pessoas através de suas palestras.

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“Fico feliz pelo carinho que as pessoas têm comigo. Todo mundo tem sua história de superação, a diferença é que a minha ficou um pouco mais popular. Me sinto orgulhosa. Quero entregar todo meu conhecimento, me divertir e aprender com as pessoas que estarão ali”, finaliza.

Fonte: IstoÉ
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Cultura

Ex-jogadoras da seleção de futebol incentivam alunas em escolas do Rio

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Brasil sediará Copa do Mundo feminina em 2027
Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil

Na escola municipal Juan Antonio Samaranch, em Santa Teresa, região central do Rio de Janeiro, o campo de futebol estava ocupado apenas por garotas, na tarde da última quarta-feira (21). Eram quatro times disputando um minitorneio, sob olhares de ex-jogadoras da seleção brasileira. Meninos, só na arquibancada.

A atividade fez parte da abertura do programa Pioneiras nas Escolas, que leva craques de décadas passadas para escolas da rede pública de ensino da cidade.

Antes da disputa no campo, mais de 100 alunas lotaram um auditório para ouvir, fazer perguntas e tirar fotos com as ex-jogadoras Marisa Pires, Maria Lúcia Lima e Marilza Martins. Ou como elas ficaram conhecidas: Caju, Fia e Pelezinha.

Além de ouvir histórias de motivação e curiosidades, as alunas ficaram sabendo de dificuldades, como o machismo e preconceito enfrentados pelas ex-jogadoras, que alcançaram o feito de vestir a camisa amarelinha da seleção poucos anos depois de o esporte deixar de ser proibido para mulheres.

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De 1941 a 1979, o futebol era vetado às garotas, com base no Decreto-Lei 3.199, que restringia a participação de mulheres em esportes considerados incompatíveis com sua natureza.

Proibição que surpreende a estudante Nicoly Melo, de 12 anos. “Por que não podiam?”, perguntou ela, sem parecer acreditar.

Liberado em 1979, o esporte foi regulamentado apenas em 1983. A primeira seleção brasileira só viria a disputar uma competição experimental em 1988, na China.

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A primeira Copa do Mundo feminina aconteceu três anos depois, também na China. Nas Olimpíadas, o esporte disputado pelas mulheres estreou em 1996, em Atlanta, nos Estados Unidos.

 

Rio de Janeiro (RJ), 21/10/2026 – Ex-jogadoras da seleção brasileira feminina de futebol Marisa, Fia e Pelé participam de atividades com alunas da rede pública de ensino na Escola Municipal Juan Antônio Samaranch, com o projeto Pioneiras nas Escolas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
 Ex-jogadoras da seleção brasileira feminina participam de atividades com alunas da rede pública de ensino na Escola Municipal Juan Antônio Samaranch, com o projeto Pioneiras nas Escolas. – Fernando Frazão/Agência Brasil

Preconceito

Fia, hoje com 62 anos, contou que havia muito machismo na época e que enfrentava o preconceito confiando na própria habilidade.

“Sempre joguei com menino. Tinha talento. Não queria saber de machismo”, relatou às alunas a ex-atleta.

Fia ficou cinco anos na seleção, foi tricampeã continental e disputou a primeira Copa e a primeira olimpíada.

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Rio de Janeiro (RJ), 21/10/2026 – Ex-jogadoras da seleção brasileira feminina de futebol Marisa, Fia e Pelé participam de atividades com alunas da rede pública de ensino na Escola Municipal Juan Antônio Samaranch, com o projeto Pioneiras nas Escolas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
 Ex-jogadoras da seleção brasileira feminina de futebol Marisa, Fia e Pelé participam de atividades com alunas da rede pública de ensino – Fernando Frazão/Agência Brasil

A ex-zagueira Caju, de 60 anos, ficou na seleção de 1988 a 1999, com um retrospecto de 43 jogos e 34 vitórias. Respondendo a uma das alunas sobre os “maiores absurdos que ouviu”, ela relembrou que recebeu provocações machistas enquanto estava em campo. “Vários torcedores diziam que mulher não servia para jogar futebol”, reproduziu.

“Aquelas palavras mexiam com nosso ego, e a gente queria, mais e mais, mostrar que mulher sabe jogar futebol”, completou a atual árbitra de partidas.

O Pioneiras nas Escolas é coordenado pela também ex-jogadora da seleção Duda Luizelli, que vestiu ainda a camisa do Internacional, de Porto Alegre, e de Milan e Verona, times da Itália.

Para ela, o projeto mostra que mulheres devem acreditar em suas capacidades, sempre com foco nos estudos.

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“O estudo é muito importante porque, mesmo quem for ser atleta, jogadora de futebol, de vôlei, de basquete, terá uma carreira muito curta. Com 38, 39 anos, acabou a nossa carreira e nós temos que dar uma continuidade”, disse a bicampeã sul-americana.

Educação e esporte

 

Rio de Janeiro (RJ), 21/10/2026 – Ex-jogadoras da seleção brasileira feminina de futebol Marisa, Fia e Pelé participam de atividades com alunas da rede pública de ensino na Escola Municipal Juan Antônio Samaranch, com o projeto Pioneiras nas Escolas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Ex-jogadoras da seleção brasileira feminina de futebol Marisa, Fia e Pelé participam de atividades com alunas da rede pública de ensino na Escola Municipal Juan Antônio Samaranch – Fernando Frazão/Agência Brasil

A Secretaria Municipal de Educação (SME) do Rio de Janeiro é parceira do projeto. Desde 2012, a escola Juan Antonio Samaranch é classificada pela prefeitura como Ginásio Experimental Olímpico (GEO), no qual o ensino integral é permeado por incentivo a práticas esportivas.

A escola tem cerca de 600 estudantes de 11 a 15 anos. Além de professores, a unidade conta com treinadores de 19 modalidades esportivas. Segundo a prefeitura, o projeto iniciado durante a preparação da Rio 2016 é um legado olímpico. Atualmente o Rio tem 12 GEOs.

A coordenadora de Projetos Integradores da SME, Caroline Guedes, destaca que o Pioneiras nas Escolas tem relação com a preparação do Rio de Janeiro para ser uma das oito cidades-sedes da Copa do Mundo feminina, que ocorrerá entre junho e julho de 2027.

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“É muito importante que a gente já esteja se preparando para esse momento e, mais do que isso, se preparando dentro do nosso primeiro ginásio olímpico, que é muito importante para nossa rede”.

Aluna do 9º ano, Letícia Pereira, de 15 anos, diz que é “um privilégio” receber as ex-jogadoras na própria escola.

Ela considera que a experiência, em uma escola já marcada pelo incentivo ao esporte, é “meio caminho andado para as alunas por mostrar que o esporte também dá futuro, sim”.

A estudante afirmou que será presença garantida em jogos da Copa no ano que vem: “Meu pai me leva lá, eu fico lá torcendo”, disse à Agência Brasil.

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