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Policiais

Spray de pimenta e arma na cabeça: policiais candidatos acumulam medidas protetivas por violência contra a mulher

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Ex-namoradas e companheiras registraram boletins de ocorrência contra candidatos que levantam as bandeiras da família e da segurança pública na campanha

Aviso de gatilho: este texto contém relatos de violência cometida por policiais.

Spray de pimenta no rosto, enforcamento por mata-leão, sexo forçado e arma de fogo apontada para a cabeça. Essas cenas constam em boletins de ocorrência apresentados contra policiais que disputam voto nestas eleições. São candidatos fardados que, na propaganda, abraçam pautas como a defesa da família e a segurança pública. Na vida íntima, porém, foram alvos de medidas protetivas após a denúncia de ex-namoradas e companheiras.

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As histórias contadas aqui foram identificadas cruzando os CPFs que constam na base de candidatos que declararam a ocupação de policial civil ou militar ao Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, com os registros de casos de violência contra a mulher vinculados aos documentos dos policiais e disponibilizados na plataforma jurídica Jusbrasil.

Esses casos são uma amostra de um problema em escalada no país: os feminicídios no Brasil bateram recorde em 2025, totalizando 1.571 vítimas — um aumento de 4% na comparação com o ano anterior, segundo a edição mais recente do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. De acordo com o levantamento, feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, para cada caso de mulher assassinada por violência doméstica ou de gênero, há mais de 500 registros de ameaças e outros 182 de agressões.

O agravamento do problema fez com que a violência contra a mulher se tornasse pauta eleitoral nesta campanha, encontrando espaço até no discurso de candidatos de direita — tradicionalmente avessos a discussões relacionadas a gênero.

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Quem deveria ajudar a enfrentar o problema, porém, muitas vezes aparece nas manchetes em outro papel: só na última semana, pelo menos dois policiais foram presos no estado de São Paulo por feminicídio: um em Cajamar e outro em Jaú.

Para Carolina Ricardo, advogada e diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, a proteção mútua entre policiais dentro das corporações ajuda a explicar a falta de punição, que é um dos desafios no combate à violência contra a mulher promovida por policiais.

‘Eles contam com força e poder hierárquico dentro das suas próprias instituições para poder, de alguma forma, dificultar o trâmite [das investigações]’.

“Os policiais, em geral, sabem manusear questões de violência, sabem manusear uma arma, sabem manusear a cena do crime, porque vivenciam isso cotidianamente”, lembra a advogada. “Eles contam com força e poder hierárquico dentro das suas próprias instituições para poder, de alguma forma, dificultar o trâmite [das investigações] e estão em instituições que ainda contam com presença baixíssima de mulheres, especialmente em cargos de liderança”, enfatiza.

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Desde 2019, a Lei Maria da Penha prevê a apreensão imediata de arma de fogo sob posse do agressor em casos de violência doméstica. Para a diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, a medida ainda é pouco implementada, sobretudo nos casos em que os autores são agentes de segurança.

“A arma de fogo não precisa ser de fato disparada para ser uma ameaça”, diz Carolina Ricardo, lembrando que sua simples presença no ambiente já é suficiente para intimidar a vítima. “É uma ferramenta muito mais emblemática do ponto de vista da violência”, considera.

O Intercept procurou os advogados que representam os três policiais citados aqui, por email e por WhatsApp, para pedir posicionamento, mas não recebeu retorno até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.

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Spray de pimenta e mata-leão

Evangélico e autointitulado defensor dos direitos dos animais, segundo sua descrição no Instagram, Anthony Couto disputa uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Democrata do Distrito Federal. O candidato, que acumula cerca de 100 mil seguidores, é também criador e garoto-propaganda de uma mentoria para interessados em prestar concursos para a Polícia Militar. O que ele não divulga é que perdeu o cargo que ocupava na corporação após ser acusado pela ex-namorada de agressão.

De acordo com inquérito ao qual o Intercept teve acesso, Couto foi alvo de um processo administrativo instaurado pela Corregedoria da Polícia Militar do Distrito Federal depois que sua ex-companheira denunciou ter sofrido agressões durante o período em que mantiveram um relacionamento.

O relato, que consta no boletim de ocorrência, inclui ameaças de morte — inclusive com arma de fogo —, uso de spray de pimenta e agressões físicas. Couto também não teria aceitado o término da relação, e os episódios de violência teriam se estendido até pelo menos três meses depois do fim do namoro. A ex-namorada disse, em depoimento à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher, que hesitou em denunciar seu agressor por ele ser policial militar.

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De acordo com o boletim de ocorrência, em agosto de 2020, o policial teria dado um tapa no rosto da sua então namorada durante uma discussão. Ao ouvir que seria denunciado pela agressão, Couto teria apontado a arma em direção à cabeça dela e a ameaçado de morte.

Menos de um mês depois, o policial teria ido até a casa dela, subindo até seu apartamento após passar pela portaria sem autorização. A mulher fingiu que não estava, mas quando resolveu sair de casa, encontrou o policial, que tinha se escondido. Os dois discutiram e, segundo o relato, Couto teria disparado spray de pimenta no rosto da ex alegando que ela estava “muito nervosa”.

Ao comunicar o desejo de terminar o relacionamento, quatro dias depois do ataque com spray de pimenta, a ex-namorada teria sido trancada no quarto pelo policial. Alegando que a ensinaria a “respeitar um homem”, o policial teria dado um mata-leão na vítima. Ainda de acordo com a denúncia, Couto teria exigido uma ida ao motel para aceitar o término.

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O policial ainda teria voltado à casa da ex mais uma vez depois desse episódio, ocasião na qual a Polícia Militar foi chamada, mas chegou ao local quando o candidato já havia partido.

Em razão da denúncia, a PM aplicou uma medida administrativa, limitando o porte de arma de Couto ao seu horário de expediente. Em setembro de 2020, o  Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, o TJDFT, reforçou a restrição, entendendo que o porte de arma agravava “o risco de ofensa à integridade física” da denunciante. A decisão impôs ainda medidas protetivas em favor da vítima e de seus familiares.

Ainda assim, em dezembro do mesmo ano, a Polícia Civil registrou uma nova ocorrência contra Couto. Segundo a ex-namorada, o policial a teria difamado nas redes sociais e a intimidado em uma casa de shows. O inquérito acabou arquivado porque a vítima não formalizou a queixa de crime contra a honra, e o Ministério Público considerou não haver provas suficientes do descumprimento das medidas protetivas. As restrições contra o candidato, porém, seguiram em vigor.

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Além das denúncias por violência contra mulher, Couto foi alvo de uma ação por difamação contra uma policial militar em 2019, que fez com que ele fosse condenado na esfera militar a quatro meses e 15 dias de detenção em regime semiaberto.

Mesmo com a condenação, Anthony Couto está disputando as eleições deste ano. Em agosto, o Ministério Público Eleitoral questionou a regularidade da candidatura do ex-policial ao Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal e pediu a impugnação do registro, devido à suspensão dos seus direitos políticos na condenação por difamação. A Justiça acatou o pedido, mas o policial está recorrendo da decisão.

Atualmente, o ex-policial recorre do processo administrativo que resultou em sua expulsão da corporação. No último mês de março, ele pediu que seu recurso contra a decisão do comandante-geral da Polícia Militar do DF de não o reintegrar ao posto fosse analisado pelo governador da unidade federativa, direito que foi reconhecido pela 6ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal em maio. O caso segue aberto.

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Coação sexual, chantagem e ameaças

Francisco Kleyton Ralph Silva, conhecido como Cabo Ralph, concorre ao cargo de deputado estadual pelo Cidadania no Rio Grande do Norte. Ele se apresenta como homem do povo, policial militar, pai e cristão em defesa da família. Em dezembro de 2025, porém, o candidato foi acusado de violência doméstica por sua ex-companheira, com quem teve uma filha.

Em um boletim de ocorrência, a mulher relatou ter vivido um relacionamento conturbado e acusou o policial de coação sexual, chantagem após forçá-la a gravar vídeos íntimos e agressão física. O documento também cita ameaças com arma de fogo. Por causa da denúncia, o policial foi alvo de medidas protetivas, que seguem em vigor.

Segundo o relato, a vítima e o policial mantiveram um namoro por quatro anos e chegaram a morar juntos. Em entrevista ao Intercept, a ex de Silva — cuja identidade será preservada — relatou ter vivido um relacionamento conflituoso, marcado por episódios de ciúmes e discussões constantes.

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Ela narra ter sido coagida a ter relações sexuais com o policial. Em um dos episódios, o candidato teria apontado uma arma contra ela e a ameaçado de morte por ela ter recusado. A vítima contou que, na época, não falou sobre o caso para ninguém, por vergonha. Ela conta ter terminado o namoro depois de descobrir traições. Porém, após o término, o policial teria ameaçado divulgar vídeos íntimos caso ela se recusasse a reatar.

‘[Ele falava:] ‘você não pode me deixar, não, porque eu sou policial. Se tu me deixar, eu posso mandar fazer coisa com você e ninguém vai saber que fui eu”.

“[Ele falava:] ‘Tu não pode me deixar, ou eu espalho os teus vídeos. Outra coisa, você não pode me deixar, não, porque eu sou policial. Se tu me deixar, eu posso mandar fazer coisa com você e ninguém vai saber que fui eu. Você saiu de uma loja, acontece um latrocínio…’”, narra a vítima, reportando ameaças que diz ter ouvido de Silva.

Quando pediu a separação, porém, ela não sabia que estava grávida, motivo pelo qual acabou cedendo e retomando o relacionamento — após muita insistência e promessas de que o policial tinha mudado. As agressões, porém, teriam continuado e, após o parto, o policial teria ameaçado tomar a criança da mãe.

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“O meu psicológico está muito abalado. Eu saio só para trabalhar, mas fico pensando que, a cada esquina, pode ter uma criatura para fazer mal comigo a mando dele”, desabafou.

Após o registro do boletim de ocorrência, em dezembro passado, a Justiça concedeu medida protetiva para a vítima e determinou que o policial deveria participar de um grupo reflexivo e receber atendimento psicossocial.

No entanto, a Polícia Civil do Ceará — estado onde Silva está lotado, apesar de concorrer nas urnas pelo Rio Grande do Norte — decidiu encerrar o inquérito sem indiciar o candidato, alegando que não existiam provas materiais ou testemunhais suficientes de que houve agressão, apesar de a delegada reconhecer que o investigado é “extremamente ciumento, controlador e possessivo”. O caso, porém, não foi encerrado. O Ministério Público já avisou que solicitará a realização de diligências complementares e pediu à Justiça a prorrogação das medidas protetivas em favor da ex-companheira.

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Além do caso de violência contra mulher, Cabo Ralph também foi indiciado por porte ilegal de arma — caso em que fez acordo com o Ministério Público do Rio Grande do Norte — e chegou a ser investigado em pelo menos dois inquéritos por suspeita de homicídio, dos quais um foi arquivado sem resultar em processo. O outro segue em andamento..

Quatro vezes denunciado por violência

José Rômulo Silva Santos disputa as eleições de 2026 pelo PSDB e busca uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia. Esta é a quarta vez que o policial militar participa de uma eleição. Além de disputas, o candidato também acumula denúncias: ele foi acusado pelo Ministério Público de porte ilegal de arma de fogo e foi alvo de quatro medidas protetivas por violência contra três mulheres diferentes entre 2014 e 2025.

O Intercept teve acesso a uma dessas investigações — um caso de ameaça no âmbito da Lei Maria da Penha. Em fevereiro de 2024, a então companheira de Santos registrou um boletim de ocorrência em que acusava o policial de agressão física e de ter apontado a arma em sua direção e a impedido de pedir socorro. A vítima também disse ter sido perseguida em seu ambiente de trabalho, o que fez com que fosse demitida. De acordo com o depoimento dela, essa não teria sido a primeira queixa contra o policial apresentada por ela, com quem o candidato manteria um relacionamento extraconjugal havia seis anos.

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No ano anterior, em outubro de 2023, a mulher já havia ido à unidade em que o policial estava lotado e denunciado ter sofrido agressões físicas e verbais. No entanto, segundo o depoimento, ela acabou desistindo de dar continuidade à denúncia na Corregedoria da Polícia Militar da Bahia para não prejudicar a formação de Santos, que se tornaria tenente.

Com a nova denúncia, o Tribunal de Justiça da Bahia concedeu medidas protetivas em favor da companheira e determinou a apreensão imediata da arma do policial e a suspensão do porte. A decisão foi expedida em 5 de fevereiro de 2024 e cumprida pela Polícia Militar da Bahia.

A mulher, porém, acabou por abrir mão da proteção pouco mais de um mês depois. Em sua manifestação, o Ministério Público afirmou que a denunciante não tinha mais interesse em dar seguimento ao processo porque “não pensou nos prejuízos que acarretaria” para o policial, e o caso foi arquivado. Um ano depois, em 2025, o policial voltou a ser alvo de medidas protetivas após nova denúncia da mesma mulher. O Intercept não teve acesso ao novo registro, que está sob sigilo.

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FONTE:

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intercept.com.br

Isabella Mota e Vinícius Madureira

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Cultura

Ataques a símbolos religiosos reacendem debate sobre intolerância

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No primeiro semestre, foram registradas mais de 1,2 mil denúncias
Eliane Gonçalves – Repórter da Radioagência Nacional*

“Se reabrir, todos morrem”. Era assim que começava o cartaz colado em uma loja de artigos religiosos católicos no centro de Fortaleza na noite em que o lugar foi alvo de um atentado com coquetel molotov. O ataque aconteceu na madrugada de 9 de setembro. Naquela mesma noite, outros dois estabelecimentos católicos e um da umbanda também tiveram as fachadas incendiadas na capital cearense. 

Os atentados estão sendo investigados pela Polícia Civil, mas no dia seguinte, o Padre Josileudo Queiroz, da Igreja de São José Operário de Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza, usou as redes sociais para classificar o que aconteceu.

“Nós vivemos num país onde devemos entender que o país é laico, ou seja, não tem uma religião oficial. Não é ateu, porque há muitas religiões, há muitas expressões de fé. Isso que aconteceu aqui em Fortaleza e que acontece no Brasil afora se chama crime de intolerância religiosa”.

Os ataques em Fortaleza estão longe de serem os únicos contra símbolos católicos. Um dia antes do ataque no Ceará, em Londrina (PR), a cabeça de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, que ficava em frente a uma loja de artigos religiosos, foi arrancada. Dois dias depois, em Salvador, o alvo foi a imagem de Nossa Senhora das Graças que foi quebrada. No dia 22, também em Salvador, a imagem da primeira santa brasileira, a Santa Dulce dos Pobres, foi destruída.

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Na última quarta-feira (30), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal (PF) investigue uma aparente disseminação de ataques a imagens religiosas católicas pelo país.

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Todos os casos de intolerância ocorreram antes da discussão sobre o título de padroeira do Brasil a Nossa Senhora Aparecida entrar na disputa eleitoral.

Denúncias de intolerância religiosa

Segundo os dados do Disque 100, só no primeiro semestre de 2026, entre janeiro e junho, foram registradas 1.252 denúncias com pelo menos uma violação relacionada à liberdade de crença ou intolerância religiosa. 

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Os católicos não são os principais alvos.

Os praticantes do candomblé e da umbanda são historicamente as principais vítimas da intolerância religiosa, segundo o censo do IBGE, apesar de representarem cerca de 1% da população brasileira.  Entre janeiro e junho deste ano, foram registradas 270 denúncias, um aumento de mais de 40% comparado com o mesmo período de 2025, quando foram 192 notificações.

Entre os católicos, as denúncias também cresceram no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado. Os registros passaram de 15 para 34, crescimento superior a 100%.

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Durante a Semana Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, que ocorreu em janeiro no Rio de Janeiro, o secretário-geral da ACT Alliance (Action by Churches Together), Rudelmar Faria, disse que a exclusão pela religião tem sido uma estratégia política não só no Brasil.

“Nós estamos num momento global em que a religião é instrumentalizada para excluir, porque as religiões hoje, esse movimento da confluência de fundamentalismos, buscam justamente excluir grupos. E são grupos que não são cristãos, brancos, ricos e mais do que a sua própria igreja financeiramente, apoiar um grupo de políticos que tem o poder para tomar decisões e criar leis que são excludentes”, afirmou, citando que os mais afetados são mulheres, população LGBTI+, povos indígenas e jovens negros de baixa renda.

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“É o que existe não só aqui no Brasil, na América Latina, na América Central”, acrescentou. A ACT Alliance é uma coligação mundial de igrejas e organizações baseadas na fé que atua em 140 países.

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Na última semana, a campanha eleitoral no Brasil foi tomada por postagens envolvendo Nossa Senhora Aparecida. A polêmica teve início quando viralizaram nas redes sociais postagens que atribuíam ao candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) a intenção de retirar de Nossa Senhora o título de padroeira do Brasil. O candidato recorreu à Justiça Eleitoral e ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que as mensagens fossem retiradas do ar, o que levou a uma série de decisões judiciais dos ministros que determinavam, em um momento, a retirada dos posts e, em outro, a liberação das mensagens. As justificativas eram disseminação de notícia falsa sobre o candidato e a preservação do direito à liberdade de expressão, respectivamente.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formou maioria de votos para manter as postagens fora do ar.

Punição

O defensor público do Ceará, Igor Barreto, explica qual a punição prevista para quem comete crime de intolerância religiosa.

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“O mais importante seja ressaltar o fato de que esses crimes são todos insuscitíveis de fiança, de indulto, são crimes imprescritíveis, eles podem ser processados a qualquer momento”.

No Brasil, a pena para o crime de intolerância religiosa (prática, indução, incitação) varia de um a 5 anos de reclusão e multa.

* Com a colaboração de Márcia Vieira, da Rádio Universitária FM de Fortaleza

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