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Primeiro Hotel Social do Distrito Federal ultrapassa a marca de 30 mil acolhimentos em cinco meses

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O espaço reforça o enfrentamento da situação de rua, com foco na reinserção social e construção de autonomia dos acolhidos

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Agência Brasília* | Edição: Ígor Silveira

Desde a inauguração, em julho de 2025, o Hotel Social já acolheu 30.793 mil pessoas em situação de rua, segundo dados da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF), responsável pelo equipamento. A unidade oferece 200 vagas pernoite para homens, mulheres, crianças e idosos, além de espaço para receber os animais de estimação das pessoas acolhidas.

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Em funcionamento das 19h às 8h, os visitantes contam com um ambiente confortável, camas para dormir, espaço para guardar pertences, tomar banho e duas refeições: jantar e café da manhã. A biblioteca comunitária inaugurada em novembro destaca os espaços de interação e convívio social que contribuem para a autonomia e a construção de vínculos. A unidade está localizada no Setor de Armazenagem e Abastecimento Norte (SAAN).

“O Hotel Social representa o fortalecimento da Política Distrital para a População em Situação de Rua. Um espaço pensado para acolher e garantir a dignidade assegurada por lei a essas pessoas. O equipamento é a principal porta de entrada para políticas públicas de longa duração voltadas a quem vive em extrema vulnerabilidade. Ultrapassar a marca de 30 mil atendimentos confirma a importância desse espaço e a confiança dessas pessoas depositada em nosso governo”, afirmou o secretário-chefe da Casa Civil do DF, Gustavo Rocha.

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A secretária de Desenvolvimento Social, Ana Paula Marra, enalteceu a atuação da unidade inédita no DF e a importância dela no processo de saída das ruas dos acolhidos nos pernoites.

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Em funcionamento das 19h às 8h, os visitantes contam com um ambiente confortável, camas para dormir, espaço para guardar pertences, tomar banho e duas refeições: jantar e café da manhã | Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília

“O Hotel Social tem cumprido o papel de ser mais uma porta de entrada para garantir a dignidade das pessoas em situação de rua e transformar suas vidas. De lá, pessoas já conseguiram emprego, outras foram acolhidas em uma de nossas casas de acolhimento, outras foram encaminhadas para comunidades terapêuticas… Ou seja, o Hotel Social também tem nos ajudado a entender melhor esse público tão heterogêneo no sentido de termos soluções diferentes para os variados problemas que apresentam”, pontuou Ana Paula.

 

Pets

Desde sua criação, o abrigo conta com um canil para receber os pets dos acolhidos, e nos primeiros cinco meses em funcionamento, já recebeu mais de 500 pets das pessoas em situação de rua. O espaço foi pensado para atender as demandas dos acolhidos que utilizam o serviço e precisam acomodar seus animais de estimação em segurança enquanto descansam.

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Os cidadãos que desejarem ajudar e contribuir para o funcionamento do Hotel Social podem participar realizando doações de livros, roupas e itens de higiene, entregues diretamente no local, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.

*Com informações da Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal (Sedes-DF)

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Policiais

Entidades estimulam domésticas a denunciar assédio eleitoral

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Violação cresce às vésperas do dia da eleição
Luiz Claudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil

A empregada doméstica Leandra Lacerda, 52 anos, recorda que precisou conviver com pressões de patrões durante períodos eleitorais. As mensagens chegaram em diferentes fases de sua trajetória profissional de formas, inclusive, escancaradas.

“Eu trabalhava numa residência. E a empregadora gritava comigo (para votar em um candidato)”, afirma.

Não foram raras as vezes em que isso ocorreu. Ela, que começou a trabalhar ainda criança, aos 11 anos de idade, já completa quatro décadas de serviços na casa de outras pessoas.

“Uma vez, uma pessoa lamentou que eu era uma pena, tipo uma sindicalista (por defender direitos da categoria)”.

Leandra se acostumou a ouvir imposições e a não se conformar com essas e outras violações. “Chegou para mim muito assédio eleitoral por parte dos patrões nesses últimos três períodos de votação”, garante. 

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Atualmente, ela é secretária de comunicação da Federação Nacional de Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad). Resolveu se tornar dirigente da entidade para estimular outras profissionais a denunciarem violações de toda ordem. 

“Não passaremos pano”

Na última semana, a federação iniciou a campanha “Não passaremos pano”, em parceria com a Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos, para levar visibilidade às diferentes formas de violência contra trabalhadoras domésticas brasileiras, inclusive o assédio eleitoral

“A ideia é falar que não devemos aceitar desrespeito com a gente”, disse Leandra. Ela considera que o trabalho doméstico ocorre em um espaço de solidão e de invisibilidade.

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“Sofremos todos os tipos de violações de direitos dentro de uma residência. Assédio sexual, moral, patrimonial e eleitoral”, diz a dirigente, que vive na cidade de Chapecó (SC).

Como reconhecer o assédio

Segundo o coordenador nacional de promoção da igualdade de oportunidades e eliminação da discriminação no trabalho (Coordigualdade), o procurador Igor Sousa Gonçalves, o assédio eleitoral ocorre quando o empregador se vale da autoridade para constranger, intimidar e influenciar as escolhas políticas. Inclusive, ameaçar de demissão ou até oferecer alguma vantagem.

“O empregador exige até o título de eleitor e informações sobre a zona eleitoral onde essa pessoa vai votar”, exemplificou o procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) em entrevista à Agência Brasil.

Igor Gonçalves lembra que denúncias podem ser feitas diretamente ao Ministério Público do Trabalho pela internet ou nas procuradorias do trabalho presencialmente em todo o país.

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“É importante que essas trabalhadoras domésticas guardem mensagens, áudios e outros registros. Podem solicitar também o sigilo da identidade”. Nesse sentido, podem optar por trazer informações genéricas caso não queiram ser identificadas.

Vulnerabilidade

A organização não governamental (ONG) que realiza a campanha “Não passaremos pano”, a Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos, parte do princípio de que não existe democracia plena quando uma trabalhadora doméstica precisa escolher entre sua liberdade política e a manutenção do emprego. 

“No trabalho doméstico remunerado, o assédio eleitoral é especialmente grave porque ocorre dentro dos lares, com maior dificuldade de fiscalização e em relações marcadas por profundas desigualdades de classe, gênero e raça”, pontua a diretora da entidade, Jéssica Miranda.

Ela destaca que o poder de contratar uma trabalhadora não dá a ninguém o direito de controlar suas escolhas políticas. “O voto é livre e secreto. A democracia também precisa ser respeitada dentro das casas onde essas mulheres trabalham”, ressalta. 

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“Eu não me dei conta”

Jéssica se baseia em histórias como a da doméstica maranhense Maria das Graças dos Santos, de 64 anos. Antes do trabalho doméstico, viveu na roça e quebrava coco babaçu desde os 10 anos de idade.

Entidades estimulam domésticas a denunciarem assédio eleitoral. Na foto a doméstica maranhense Maria das Graças dos Santos, de 64 anos. Foto: Maria das Graças/ Arquivo Pessoal
A maranhense Maria das Graças dos Santos, 64 anos, diz que recebeu pressões para votar em candidatos de famílias para as quais trabalhou – Foto Maria das Graças Santos/ Arquivo Pessoal

Ela, que teve cinco filhos, diz que recebeu pressões diversas para votar em candidatos próximos a famílias para as quais trabalhou. “Na época, não me dei por conta [da gravidade da situação]”.

Hoje, a diretora faz questão de falar para trabalhadoras mais jovens que o voto deve ser feito de forma livre. “Cada um de nós tem que exercer a democracia. Esse é um grande problema atual. Tem trabalhadora que vota por se sentir pressionada. Tem o medo de perder o emprego”.

Ambiente de risco

O procurador Igor Sousa Gonçalves garante que o MPT tem ferramentas de investigação e pode adotar medidas para proteger essa trabalhadora e buscar a responsabilização dos envolvidos. “As trabalhadoras domésticas, de modo geral, estão particularmente vulneráveis porque trabalham dentro da residência do empregador em um ambiente de isolamento, proximidade pessoal e dependência econômica”.

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Segundo ele, a Lei 9.029, de 1995, resguarda trabalhadores das diferentes formas de discriminação. Até a noite dessa quinta-feira (22), havia cerca de 1,7 mil denúncias de assédio eleitoral. Para Gonçalves, as denúncias desse tipo de violação tendem a aumentar até domingo (25), dia da eleição.

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