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Social

Recomeçar:  vida de refugiadas e migrantes

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Quatro mulheres deixam seus países de origem, a família, a profissão, a cultura e escolhem o Brasil como destino. O Correio conta algumas histórias de quem precisou recalcular a rota e recomeçar.

Reportagens

Mulheres migrantes e refugiadas reconstroem a vida no Brasil

Mulheres migrantes e refugiadas reconstroem a vida no Brasil

Guerras, conflitos sociais e a fome são alguns dos motivos apontados pelas mulheres que deixaram seus países para buscar, em solo brasileiro, um novo lar

Manise Savah deixou o Haiti em 2010, após um grande terremoto

Manise Savah deixou o Haiti em 2010, após um grande terremoto

A viagem até o destino final foi longa, ela precisou passar pelas fronteiras do Peru e Equador até chegar ao Acre

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Aos 67 anos, a venezuelana Hilda Guzman refugiou-se no Brasil em 2019

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A Venezuela enfrentava graves problemas econômicos e humanitários: hiperinflação, desemprego, aumento da pobreza e fome

Jennifer Vanegas chegou ao Brasil em 2023, acompanhada pela esposa

Jennifer Vanegas chegou ao Brasil em 2023, acompanhada pela esposa

Antes de desembarcar no Brasil, o casal venezuelano viveu na Argentina, onde tentou empreender

Nádia Duvert deixou o Haiti em 2010 em busca de vida melhor

Nádia Duvert deixou o Haiti em 2010 em busca de vida melhor

O primeiro destino do casal foi a Venezuela, onde ficaram por três anos. Após o agravamento dos conflitos na região, cruzou a fronteira e veio para o Brasil

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Brasil possui legislação específica para tratar de refugiados

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A Lei de Refúgio brasileira assegura a essa população todas as garantias de cidadania brasileira durante a sua acolhida no país

Economia brasileira movimenta os deslocamentos internacionais

Economia brasileira movimenta os deslocamentos internacionais

Em nove anos, entre 2013 e 2022, o número de trabalhadores formais que são refugiados e migrantes passou de 92 mil pessoas para mais de 223 mil

Brasil tem tradição na recepção de migrantes e refugiados

Brasil tem tradição na recepção de migrantes e refugiados

Desde o século 19, o país recebe imigrantes de diversos países. italianos, alemães, japoneses e holandeses vieram a trabalho com a promessa de um país próspero

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Mudar de vida. Conseguir um emprego. Fugir da miséria, da fome e da violência. Enfrentar a saudade, adaptar-se a uma nova cultura, aprender outro idioma. São muitas as razões e os desafios que fazem com que existam 710 mil pessoas com necessidade de proteção internacional acolhidas no Brasil. Os refugiados e migrantes representam a maior fatia dessa estatística que, agora, ganha protagonismo feminino. Os dados foram enviados ao Correio pela Agência da ONU para Refugiados (Acnur).

Os últimos seis anos no Brasil foram marcados por um “processo de feminização” dos deslocamentos internacionais impulsionado por venezuelanas e haitianas. A conclusão está no relatório OBMigra 10 anos: pesquisa, dados e contribuições para políticas públicas, de 2023. A pesquisa mostra que as solicitações de refúgio feitas por mulheres aumentaram de 10%, em 2013, para 45%, em 2022. E os pedidos de residência permanente no país, feitos por migrantes mulheres, também registraram acréscimo no período — de 34% para 43%.

Diferença entre migração e refúgio
Diferença entre migração e refúgio(foto: Valdo Virgo/C.B./D.A. Press)

 

Por trás das estatísticas, há pessoas que buscam melhores condições de vida ou mesmo fogem de confrontos políticos e sociais. São vidas que estão em reconstrução.

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Durante um mês, o Correio acompanhou o cotidiano de mulheres refugiadas e migrantes em Brasília. Elas participaram do projeto Empoderando Refugiadas, que busca proporcionar autonomia financeira a essas mulheres, por meio da qualificação profissional, e ainda trabalhar a autoestima. A iniciativa é promovida também em Curitiba e em Boa Vista pela Agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para Refugiados (Acnur), pela ONU Mulheres e pelo Pacto Global da ONU no Brasil. Em Brasília, o programa é implementado pelo Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados (SJMR).

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A sala de aula é um verdadeiro intercâmbio de culturas. Mulheres de países como Venezuela, Haiti, Cuba, Costa do Marfim e Paquistão estudavam técnicas de atendimento e vendas, e curso técnico oferecido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Por diferentes caminhos, todas chegaram ao Brasil com o imperativo de recomeçar e encontrar oportunidades no país.

“Basicamente, (saí])pela ditadura que há no meu país. Está tudo mal. Não há comida, ou seja, nada. E tudo que tem é extremamente caro. Então, jamais vai poder ter algum empreendimento, nem trabalhar, nem nada. Ou você entra no governo e começa a trabalhar com eles, ou, sinceramente, você tem que ir embora”, desabafa a venezuelana Jennifer Navegas, 44 anos, sobre o motivo de ter deixado o seu país de origem, em 2016. Ela viveu na Argentina até o ano passado, quando foi atraída pela melhor estabilidade econômica das terras tupiniquins.

Aumento de mulheres refugiadas e migrantes

Inicialmente, as migrações e pedidos de refúgios no Brasil eram protagonizados por homens. De acordo com dados do relatório do OBMigra, em 2013, apenas 10,5% das solicitações de residência no Brasil eram de mulheres. Em 2022, esse percentual saltou para 40% — as venezuelanas superam essa média e chegam a 46%.

Uma série histórica de dados reunidos pelo observatório mostra que há um crescimento constante de mulheres migrantes e refugiadas no Brasil. Enquanto em 2011, apenas 20 mil mulheres realizavam deslocamento internacional, em 2022, o número chegou a 120 mil. Considerando o recorde, os últimos cinco anos foram os mais intensos, com um aumento de 200% — em 2017, eram menos de 40 mil mulheres em deslocamento internacional.

O crescimento da participação feminina nesse processo reflete também no mercado de trabalho. Em 2022, a OBMigra identificou que 15,6 mil migrantes e refugiadas ocupavam cargos de trabalho formal — esse foi o recorde de empregabilidade de mulheres no país até o momento. Os outros três anos em que esse valor foi significativo são 2019, com 6,9 mil; 2020, com 7,2 mil; e 2021, 7,4 mil.

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A desigualdade entre homens e mulheres na esfera laboral também é uma realidade para migrantes e refugiadas.

Venezuelanas

Uma pesquisa divulgada em dezembro de 2022, pela ONU Mulheres, Acnur e UNFPA aponta que, enquanto apenas 2,4% dos homens venezuelanos que permanecem em Roraima possuem ensino superior completo, entre as mulheres este índice é de 10,2%. Mesmo assim, elas têm menos da metade das chances que os homens possuem de irem para outros estados do Brasil para trabalhar — no chamado processo de interiorização com Vaga de Emprego Sinalizada (VES), exclusiva para venezuelanos. O percentual de desemprego das mulheres venezuelanas é de 34%, enquanto o dos homens é de 28%.

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Ainda segundo a pesquisa, 54% das mulheres venezuelanas permanecem nos abrigos de Roraima. A conclusão é que os homens saem para trabalhar em outros locais, enquanto as mulheres permanecem nas moradias para cuidar da família e da casa.

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Empoderando Refugiadas

Para tentar mudar essa realidade, entidades da ONU desenvolveram o projeto Empoderando Refugiadas, que tem a intenção de inserir as mulheres migrantes e refugiadas no mercado de trabalho. A iniciativa aborda a autoestima feminina e oferece qualificação profissional técnica.

Criado em 2015, o projeto já era realizado em Boa Vista e Curitiba. Desde então, mais de 400 mulheres foram empregadas por meio da iniciativa.

“Claro que o nosso foco é a empregabilidade, mas o maior legado do projeto é o processo de autonomia dessa mulher, de ela entender que é capaz. Essa injeção de autoestima para mostrar que ela consegue, que ela que tem caminhos e que o Brasil é acolhedor”, explica a coordenadora do projeto, Yana Lima, que integra o Pacto Global da ONU no Brasil.

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No ano passado, Brasília entrou na rota dos locais que oferecem cursos de qualificação profissional a migrantes e refugiadas. Na capital federal, a implementação da ideia é feita pelo Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados. Ao todo, 26 mulheres e refugiadas se formaram na primeira turma. Neste especial, o Correio conta a história de quatro delas.

Veja vídeo de refugiadas e migrantes

 Sobre o Projeto

O projeto Recomeçar é uma forma de reconhecer a força de quem precisa deixar a cultura, a família, o idioma e o país. Seja por perseguições políticas, de gênero, raça, violação de direitos humanos, ou mesmo pela busca de uma melhor condição econômica, o refúgio e a migração são processos complexos que envolve uma grande perda para um recomeço. As pessoas de outros países que chegam ao Brasil fazem da nossa sociedade mais diversa, com mais cores, sotaques e sabores.

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O Correio passou um mês, entre novembro e dezembro de 2023, acompanhando migrantes e refugiadas nas aulas do curso “Empoderando Refugiadas”, em Brasília. A iniciativa objetiva qualificar essas mulheres para o mercado de trabalho brasileiro e recuperar a autoestima que pode ser afetada com tantas mudanças.

Quatro refugiadas e migrantes contaram porque vieram para o Brasil, os desafios enfrentados, do que sentem saudade e como está sendo a adaptação aqui. Ao longo das semanas foi possível ver elas cada vez mais confiantes de seus propósitos profissionais e de vida. Longe do conhecido, a saudade é grande, mas o desejo de alcançar os sonhos e promover uma vida melhor aos familiares é maior ainda.

Fonte: Correio Brasiliense

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Politica

Movimento Vovó Vota defende consciência cidadã contra abstenção

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Brasil tem cerca de 16 milhões de idosos com mais de 70 anos
Luiz Cláudio Ferreira, Luciano Nascimento, Guilherme Jerônimo e Ana Cristina Campos

Na paisagem rural da comunidade maranhense de Ludovico, cidade de Lago do Junco a 300 quilômetros de São Luís, a quebradeira de coco babaçu Maria Alaídes Alves de Souza, de 71 anos, caminhou 600 metros para votar no primeiro turno das eleições, em 4 de outubro.

Para conscientizar outras idosas sobre a importância de votar, no entanto, ela percorre distâncias bem maiores. Na prática, ela faz uma busca ativa para que outras trabalhadoras e avós, como ela, não deixem de exercer o direito ao voto. 

O Brasil tem hoje cerca de 16 milhões de idosos com mais de 70 anos, o que corresponde a 10,6% dos eleitores. Essa população tem voto facultativo desde a promulgação da Constituição de 1988 e histórico de alta abstenção.

Na comunidade em que Maria Alaídes vive, são 150 famílias, mas ela se preocupa com outras cinco comunidades da região: São José, Mata dos Reis, Marajá Alto Alegre, Estirão e Pau Seco.

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“A gente busca motivar explicando que é muito importante a pessoa registrar o seu voto. Ninguém pode desanimar”, conta Maria, que tem sete filhos e sete netos.

Como liderança de um movimento interestadual de quebradeiras de coco, ela defende que é pela participação popular que se conquistam direitos e políticas públicas.

21/10/2026 - Voto das vovós: idosas defendem consciência cidadã contra abstenção. Na foto a eleitora Maria Alaídes Alvas de Souza. Foto: Maria Alaídes Alvas de Souza/ Arquivo Pessoal
A quebradeira de coco Maria Alaídes participa do movimento Voto 70+ – Maria Alaídes Alvas de Souza/ Arquivo pessoal

“O voto para mim é orgulho. Voto pela manutenção de direitos e pela democracia”.

Entre as prioridades dela está o enfrentamento das mudanças climáticas, que impactam diretamente as atividades das quebradeiras.

A estimativa é de que existam mais de 300 mil trabalhadoras nos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins. 

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Participação popular

Mulheres entusiasmadas com as eleições como Maria Alaídes, mesmo em uma faixa etária em que o voto não é obrigatório, fazem jus à histórica luta pelo sufrágio feminino.

A abstenção de pessoas com mais de 70 anos caiu quase 10 pontos percentuais no primeiro turno das eleições, segundo levantamento do Movimento Voto 70+.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o percentual de eleitores nessa faixa etária que não foram votar passou de 58,8% em 2022 para 49,1% no primeiro turno de 2026.  

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No intuito de que essa abstenção caia ainda mais no próximo domingo (25), o movimento apartidário promove a campanha Vovó Vota, que propõe aproximar netas e avós durante as eleições.

Uma das mensagens é que, mesmo que a pessoa não tenha votado no primeiro turno, pode participar no segundo, sem nenhuma restrição.

Agora, eu vou

Na cidade de Orizona, a 130 quilômetros de Goiânia, Maria Albino Costa, de 85 anos, não votou no primeiro turno porque achou difícil ir às urnas com tantos números para anotar ou lembrar. No último dia 4, o eleitor escolheu deputados, senadores, governadores e presidente.

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“Mas dessa vez, é só para o cargo de presidente. Então, eu vou desta vez. Minha filha e minha neta vão me levar. Preciso garantir nossos direitos. Eu faço questão agora.”

21/10/2026 - Voto das vovós: idosas defendem consciência cidadã contra abstenção. Na foto a eleitora Maria Albino Costa com sua família. Foto: Maria Albino Costa/ Arquivo Pessoal
Maria Albino Costa não votou no primeiro turno, mas vai comparecer às urnas no próximo domingo (25) – Maria Albino Costa/ Arquivo Pessoal

A aposentada já morou na roça, foi merendeira e empregada doméstica, e diz que não gosta de faltar na eleição porque passou muito tempo sem votar durante a ditadura (1964-1985). Ela também quer ser exemplo para os sete filhos, 22 netos, seis bisnetos e um tataraneto.

A filha, a professora Sandra Oliveira, de 48 anos, foi a primeira da família a cursar o ensino superior, e conta que sente muito orgulho da trajetória da mãe. Tanto que costuma citá-la em suas aulas na área rural e na região urbana onde já ouviu manifestações machistas de alunos contra o voto feminino:

“Eu conto histórias de minha mãe e de outras mulheres que não tiveram direitos. A gente precisa garantir nosso espaço”.

Tive medo

21/10/2026 - Voto das vovós: idosas defendem consciência cidadã contra abstenção. Na foto a eleitora Maria José. Foto: Maria José/ Arquivo Pessoal
A professora aposentada Maria José Cantarelli já baixou o e-título – Maria José/ Arquivo Pessoal

A professora aposentada Maria José Cantarelli, de 80 anos, que mora em Olinda (PE), também não votou no primeiro turno. Aliás, há 12 anos deixou de participar das eleições.

No entanto, ela conversou em casa com os filhos e com a neta, e chegou à conclusão de que o momento exige abrir uma exceção. Ela se ressente do clima de acirramento emocional nas ruas.

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“Há ofensas e agressões que fazem com que a gente tenha medo. Existe muita violência nas ruas e os ânimos estão muito acirrados”, lembra.

Ela guardou o título eleitoral no armário e não encontrou mais. No entanto, já baixou o aplicativo e-título para votar no dia 25.

Maria José disse que guardou, durante toda a vida, os comprovantes eleitorais e que vai voltar a tê-los na carteira. A neta, que também é Maria, tem 19 anos e ficou feliz com a decisão da avó.

Voto por direitos

Inspirações para essas avós não faltam, como na casa de Francisca Barroso Monteiro, de 84 anos, que hoje mora na cidade maranhense de Nova Iorque (a 560 quilômetros de São Luís-MA).

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Ela diz que o direito à cidadania possibilitou que ela lutasse para que os 10 filhos frequentassem a escola.

“Eu sempre dizia ao meu esposo que eles iam estudar. Eu não estudei porque não tive oportunidade. Mas meus filhos, sim. Por isso é muito importante votar”.

Ela espera que a eleição garanta representantes que não deixem faltar remédio ou alimentos para crianças ou idosos.

Dificuldades

No Rio de Janeiro, Prazeres Maria da Silva Antunes, de 72 anos, espera que não passe pela dor de cabeça que teve no primeiro turno, quando enfrentou filas longas: “demorou um tempo para começarem a chamar os mais idosos”.

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Também não foi fácil para a aposentada paulista Beatriz Cintra Labaki, de 79 anos, em São Paulo. Ela precisou subir escadas em seu local de votação.

Uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determina que pessoas idosas tenham atendimento prioritário nos locais de votação, sem necessidade de aguardar na fila comum.

Além disso, devem ser garantidas medidas de acessibilidade que assegurem autonomia e segurança durante o processo de votação.

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Beatriz contou com a ajuda do filho para chegar à sala de aula e à urna. Para escolher seus candidatos, levou em conta a postura em relação aos temas de saúde e educação.

“Não adianta ser eleito e ficar sentado lá. Tem de ser atuante e gostar de trabalhar com a população”.

Memórias

Rio de Janeiro (RJ), 19/10/2026 – Retrato de Suely Mendonça, aposentada de 79 anos que vai exercer o voto nas Eleições de 2026. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Suely Mendonça tem orgulho em participar das eleições – Fernando Frazão/Agência Brasil

No dia 25, as pessoas idosas também levarão a memória da importância de votar. Inclusive porque não puderam escolher o presidente por mais de duas décadas.

A aposentada carioca Suely Mendonça, de 79 anos, diz que se emociona ao caminhar até a seção de votação:

“É o momento em que estou me sentindo mais participante da vida do país. Sempre estudei na rede pública, do ensino básico ao ensino superior. Teve o golpe militar e eu estava estudando”.

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Ela recorda que os professores não podiam mencionar as letras de música e que os filmes e as peças de teatro eram censuradas.

“Eu participei das Diretas Já, o pontapé inicial da redemocratização. Eu nunca associei meu voto a um partido. Eu escolhia o candidato pelos compromissos assumidos com a gente e os que tinha lutado contra o regime ditatorial”.

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