Saúde
Atendimento pré-natal de alto risco na Policlínica do Paranoá completa um ano
Serviço especializado surgiu a partir de plano de aperfeiçoamento do cuidado às gestantes; desde a inauguração, nenhum óbito fetal foi registrado
“Nota 10 é pouco!” Assim a dona de casa Poliene do Nascimento, de 40 anos, avalia o atendimento da equipe multiprofissional do Centro de Atenção Materno-Infantil (Cami) da Policlínica do Paranoá, no Hospital da Região Leste (HRL). É lá que a filha dela, Navina Vitória, nascida com 35 semanas de gestação, está sendo tratada.
A unidade ambulatorial oferece acompanhamento pré-natal de alto risco à população de São Sebastião, Paranoá, Itapoã e Jardim Botânico. Neste mês, completa um ano de funcionamento. Desde a sua inauguração, em junho de 2025, foram 267 gestantes atendidas.
Durante o acompanhamento pré-natal, Poliene construiu um sentimento de segurança por meio do apoio dos profissionais de saúde da unidade. “Eles conversam bastante com a gente, explicam as coisas com paciência, nos ajudam a descontrair e aliviar as preocupações”, detalha. “Antes, eu nunca fui atendida assim, com esse clima de amizade”.
“Temos um cuidado grande com essas mães. Buscamos sempre manter contato próximo e garantir que elas recebam toda a assistência de que precisam durante nosso acompanhamento”
Andreia de Barros, técnica de enfermagem do ambulatório do HRL
Acompanhamento
O vínculo entre profissionais e usuários é parte da estratégia de cuidado, explica a técnica de enfermagem Andreia de Barros, que atua há 24 anos no ambulatório do HRL: “Temos um cuidado grande com essas mães. Elas chegam com comorbidades, com medos e preocupações. Buscamos sempre manter contato próximo e garantir que elas recebam toda a assistência de que precisam durante nosso acompanhamento”.
O Cami na Policlínica do Paranoá surgiu a partir de um plano de aperfeiçoamento do cuidado às gestantes de alto risco da Região de Saúde Leste. A proposta era contribuir para que pacientes desse grupo chegassem mais estáveis aos centros obstétricos, reduzindo as intercorrências durante o parto e melhorando o estado de saúde dos recém-nascidos. Desde a inauguração, o centro não registrou nenhum caso de óbito fetal.
As gestantes que fazem acompanhamento pré-natal nas unidades básicas de saúde (UBSs) da Região de Saúde Leste têm a primeira consulta agendada por meio dos sistemas de regulação, quando há indicação. O centro funciona às segundas-feiras e às quartas. Em média, por semana, são atendidas 40 mulheres.
Como a assistência é personalizada, a quantidade de consultas e a periodicidade dos encontros leva em consideração a idade gestacional e o grau de comorbidade de cada paciente.
*Com informações da Secretaria de Saúde
Saúde
Uso de canetas emagrecedoras pode favorecer problema no ouvido: especialista explica sintomas e tratamento da tuba patente
Condição está relacionada à perda de peso acelerada, que reduz estruturas responsáveis pelo funcionamento adequado da tuba auditiva e provoca desconforto e alterações na percepção dos sons
Crédito: Imagem de stefamerpik no Magnific
Em busca do emagrecimento rápido, muitas pessoas têm recorrido às chamadas canetas emagrecedoras. Embora os benefícios desses medicamentos sejam conhecidos quando utilizados com indicação médica, poucos sabem que a perda acelerada de peso também pode favorecer o surgimento de um problema no ouvido chamado tuba patente. A condição ocorre quando a tuba auditiva, estrutura responsável por conectar a orelha média à parte nasal da faringe, permanece aberta por tempo prolongado, provocando sintomas que interferem diretamente na qualidade de vida.
Segundo a Dra. Kátia Virginia, otorrinolaringologista do Hospital de Olhos de Pernambuco (HOPE), a tuba auditiva normalmente permanece fechada durante quase todo o tempo, abrindo apenas em situações específicas. “A tuba auditiva é um canal que liga a orelha média à parte nasal da faringe. Ela permanece fechada na maior parte do tempo e só se abre durante a deglutição, o bocejo e a mastigação. Quando esse mecanismo falha e ela permanece aberta de forma anormal, ocorre a chamada tuba patente”, explica.
A especialista destaca que os sintomas costumam ser bastante incômodos e, muitas vezes, confundem o paciente. “A principal manifestação é a autofonia, quando a pessoa passa a ouvir a própria voz de forma muito intensa. Também é comum perceber a própria respiração, sons da mastigação, da deglutição, além da sensação de ouvido tampado, pressão ou plenitude na orelha. Esses sintomas podem ser contínuos ou variar ao longo do dia e acabam provocando bastante desconforto e até ansiedade.”
Entre os fatores que favorecem o aparecimento da condição, a perda rápida de peso é considerada a principal causa. Isso acontece porque a redução do tecido de gordura localizado ao redor da tuba auditiva diminui o suporte necessário para que ela permaneça fechada em repouso.
“Existe um coxim adiposo (tecido de gordura) chamado coxim de Ostmann, que ajuda a manter a tuba fechada. Quando ocorre um emagrecimento muito rápido, esse tecido diminui, reduzindo o suporte da cartilagem da tuba e favorecendo que ela permaneça aberta por mais tempo”, afirma a médica.
É justamente por esse mecanismo que o uso das canetas emagrecedoras pode estar relacionado ao problema. Segundo a otorrinolaringologista, a medicação não age diretamente sobre a tuba auditiva.
“As canetas emagrecedoras, como os agonistas do receptor de GLP-1, promovem uma perda de peso significativa em pouco tempo. O medicamento não causa diretamente a tuba patente, mas o emagrecimento acelerado provocado por ele pode favorecer esse quadro por reduzir o tecido de gordura responsável por ajudar no fechamento da tuba”, esclarece.
Além da perda de peso, outros fatores também podem contribuir para o desenvolvimento da doença. “Gravidez, desidratação, alterações neuromusculares, radioterapia na região da cabeça e pescoço, alterações anatômicas, algumas doenças sistêmicas e o uso prolongado de diuréticos e descongestionantes nasais também podem estar associados ao surgimento da tuba patente. Em alguns casos, inclusive, não conseguimos identificar uma causa específica”, ressalta.
Por apresentar sintomas semelhantes aos de outras doenças do ouvido, o diagnóstico exige avaliação especializada. “A tuba patente pode ser confundida com problemas que realmente provocam perda auditiva, como obstrução da tuba auditiva, doença de Menière, otosclerose, perda auditiva súbita, otites médias e até alterações da articulação temporomandibular. A diferença é que, na maioria das vezes, a audiometria do paciente com tuba patente permanece normal”, explica.
A confirmação do diagnóstico é feita principalmente pela história clínica e pelo exame físico. “O relato de autofonia, da percepção da própria respiração e dos sintomas que melhoram quando o paciente se deita são pistas importantes. Durante o exame, podemos observar a movimentação da membrana timpânica sincronizada com a respiração. Também utilizamos exames como audiometria, impedanciometria e nasofibroscopia para complementar a avaliação e descartar outras doenças”, detalha.
O tratamento depende da intensidade dos sintomas e da causa identificada. Em muitos casos, medidas conservadoras já proporcionam melhora significativa.
“Quando a perda de peso é o fator desencadeante, muitas vezes aguardamos a estabilização do peso ou, quando clinicamente possível, parte da recuperação ponderal. Também orientamos boa hidratação e o uso de soluções fisiológicas nasais para melhorar as condições dos tecidos da região. Nos casos mais graves e resistentes ao tratamento clínico, existem procedimentos endoscópicos minimamente invasivos e outras alternativas que podem ser consideradas pelo especialista”, conclui a Dra. Kátia Virginia.
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