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Saúde

Falta de tratamento adequado para doença ultrarrara do fígado pode levar mais da metade das crianças ao transplante até os 10 anos de idade

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Colestase intra-hepática familiar progressiva (PFIC) causa coceira incapacitante e progressão silenciosa; ausência de protocolo de cuidado sobrecarrega famílias e o sistema de saúde.

 

São Paulo, julho de 2026 – A infância de crianças diagnosticadas com colestase intra-hepática familiar progressiva (PFIC) é marcada por uma grave corrida contra o tempo, na qual mais da metade dos pacientes necessitam de transplante hepático até os 10 anos de idade, caso não tenham acesso aos cuidados adequados. De origem genética, a doença é causada por mutações em genes que codificam proteínas transportadoras essenciais para a formação e o fluxo normal da bile no fígado. Quando essas proteínas são defeituosas, ocorre um acúmulo tóxico de ácidos biliares nos hepatócitos, desencadeando um processo inflamatório contínuo, fibrose progressiva, cirrose e, eventualmente, a insuficiência hepática.1

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Segundo Maria Tereza Galvão Guiotti, coordenadora e médica assistente da Equipe de Hepatologia Pediátrica do Instituto da Criança e do Adolescente do Hospital das Clínicas da USP, a PFIC compromete o organismo de forma sistêmica desde os primeiros anos de vida. Além da disfunção hepática, o sintoma mais devastador e incapacitante é o prurido colestático, uma coceira constante e resistente que impede o sono e provoca escoriações extensas na pele. “Essa realidade impõe uma carga multidimensional que afeta profundamente a dinâmica familiar, esgotando os pais e gerando taxas elevadas de burnout e ansiedade, enquanto as crianças sofrem com comprometimento nutricional, retardo no crescimento, dificuldades de socialização e faltas escolares frequentes ”, explica.

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Para conter a evolução da doença, o diagnóstico precoce é crucial, mas sua confirmação exige a realização de exames complexos, como a dosagem de ácidos biliares, avaliação da enzima GGT e testes genéticos, que hoje estão concentrados majoritariamente em centros de referência nas regiões Sul e Sudeste. Além disso, devido ao baixo grau de familiaridade dos profissionais da atenção primária com doenças hepáticas raras pediátricas, muitos pacientes recebem diagnósticos equivocados de hepatite viral ou outras colestases comuns, atrasando o encaminhamento por meses ou anos enquanto a fibrose avança silenciosamente.

 

Outro grande desafio é a lacuna assistencial gerada pela falta de um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) específico para a PFIC no SUS. Sem esse guia de cuidado, o acesso a medicamentos fica limitado, e as famílias ficam desamparadas. “A elaboração de um PCDT permitiria uniformizar o fluxo diagnóstico nacional e definir centros habilitados, sendo o caminho mais eficiente para garantir que todas as crianças recebam o cuidado de que precisam”, ressalta a especialista.

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Apesar das dificuldades de acesso, uma virada importante na jornada dos pacientes pode ocorrer com a incorporação ao SUS dos inibidores do transportador ileal de sais biliares (IBAT), primeira classe de medicamentos desenvolvida especificamente para o tratamento da PFIC, que atualmente está sob avaliação do Ministério da Saúde. Segundo a hepatologista, o tratamento demonstrou redução significativa do prurido e dos ácidos biliares, permitindo que as crianças recuperem a rotina escolar e o desenvolvimento saudável. “Além de todo o benefício humanitário, a incorporação é economicamente racional para o SUS, pois postergar ou evitar transplantes hepáticos poupa recursos de altíssima complexidade e livra o paciente de uma dependência permanente de imunossupressão”, conclui a Dra. Maria Tereza.

 

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Referência


1 JACQUEMIN, Emmanuel et al. PFIC: clinical practice guidelines. Journal of Hepatology, Amsterdam, v. 80, n. 4, p. 743-768, abr.2024. DOI: 10.1016/j.jhep.2023.11.007

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Politica

Exposição fotográfica “Cicatrizes” alerta sobre o câncer de mama

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Organizada pela Recomeçar – Associação de Mulheres Mastectomizadas de Brasília, será aberta nesta quarta-feira (7) e permanecerá até o final do mês na CLDF

Resultantes do processo de reparação tecidual, cicatrizes são marcas na pele que, além de um mecanismo fisiológico, carregam histórias. Após a mastectomia – cirurgia para a remoção total ou parcial de uma ou de ambas as mamas –, por exemplo, mulheres e homens passam a conviver com esses sinais. E é justamente para tratar desse tema, que a exposição fotográfica “Cicatrizes”, organizada pela Recomeçar – Associação de Mulheres Mastectomizadas de Brasília será aberta nesta quarta-feira (7), às 15h, na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Desde 2013, durante o Outubro Rosa, a entidade promove mostras com o objetivo de chamar a atenção para a importância do diagnóstico precoce e da prevenção, a partir de recomendações do Ministério da Saúde. Os temas variam: no ano passado, a exposição foi nomeada “A Jornada”, com imagens e depoimentos que lembraram os eventos anteriores.

Em 2026, “Cicatrizes” reúne fotos de 11 mulheres e um homem que enfrentaram a doença e quer enfatizar as marcas visíveis e, também, aquelas “invisíveis” que acompanham a trajetória dos retratados. São pessoas de várias idades e que contam diferentes histórias. Entre os homens, a incidência do câncer de mama é rara, embora exija conscientização.

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Reconstrução mamária

Vítima de um câncer de mama muito agressivo em 2007, que foi tratado, Joana Jeker passou dois anos a espera de uma cirurgia de reconstrução mamária. Esta experiência a fez atuar como articuladora em favor das mulheres mastectomizadas. O movimento resultou na Lei Distrital nº 4.761/2012, tornando obrigatória a cirurgia plástica reparadora da mama em casos de mutilação decorrente do tratamento de câncer.

Em agosto de 2011, ela fundou a Recomeçar – Associação de Mulheres Mastectomizadas de Brasília, que busca “ajudar as mulheres a reconstruírem não apenas suas mamas, mas também suas vidas, por meio de um atendimento rápido, gratuito e digno”. Além das exposições, a entidade realiza diversas atividades. Este mês, haverá ainda uma mostra no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, um estande de conscientização será montado na Rodoviária do Plano Piloto (do dia 7 a 16) e ocorrerão ações educativas na Ceilândia.

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Marco Túlio Alencar – Agência CLDF

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