Politica
Janja contesta PL que iguala aborto a homicídio e cobra agilidade no SUS
Primeira-dama Janja. (Foto: Ricardo Stuckert)
No vácuo de Lula, primeira-dama se posiciona contra punição por aborto após 22 semanas de gestação
A primeira-dama Janja Lula da Silva atuou no vácuo de posicionamento do presidente Lula (PT) sobre o projeto de lei (PL) 1904/24 e contestou, nesta sexta (14), a matéria que avança com urgência na Câmara dos Deputados para igualar o aborto após 22 semanas de gestação ao crime de homicídio. Além de cobrar debate de parlamentares sobre a iniciativa que considera um ataque à dignidade feminina, Janja sugeriu que o Congresso Nacional poderia e deveria trabalhar para garantir condições e agilidade para mulheres terem acesso ao aborto legal e seguro pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
A esposa do presidente petista critica que o avanço do PL 1904/24 na Câmara vai mudar o Código Penal brasileiro e punir, por exemplo, uma mulher estuprada a uma pena de seis a 20 anos de prisão, superior à de 10 anos que pode ser aplicada ao seu estuprador, caso o projeto seja aprovado e a eventual vítima do crime aborte após 22 semanas de gestação. Janja defende que as mulheres, crianças e adolescentes sigam protegidas pela legislação brasileira, quando abortarem uma gestação fruto de estupro ou que represente risco à vida da gestante.
“É preocupante para nós, como sociedade, a tramitação desse projeto sem a devida discussão nas comissões temáticas da Câmara. Os propositores do PL parecem desconhecer as batalhas que mulheres, meninas e suas famílias enfrentam para exercer seu direito ao aborto legal e seguro no Brasil. Isso ataca a dignidade das mulheres e meninas, garantida pela Constituição Cidadã. É um absurdo e retrocede em nossos direitos”, reagiu Janja, em publicação em suas redes sociais.
A primeira-dama cita que, a cada 8 minutos, uma mulher é estuprada no Brasil, para cobrar do parlamento brasileiro trabalho para mulheres terem acesso a procedimento de aborto legal e seguro pelo SUS.
“Não podemos revitimizar e criminalizar essas mulheres e meninas, amparadas pela lei. Precisamos protegê-las e acolhê-las. Seguimos juntas, lutando por nossos direitos”, concluiu Janja.
Educação
Aluno é ameaçado de morte no DF por opção política
“Eu juro que amanhã se você for para a escola você não volta vivo”. Essa foi a mensagem de áudio que Felipe* (nome fictício), de 17 anos, recebeu em um grupo de WhatsApp de estudantes da turma dele em uma escola no Distrito Federal.
A ameaça ocorreu ainda durante a apuração dos votos da eleição presidencial, quando o candidato Luiz Inácio Lula da Silva passou à frente. Nos áudios, os quais a Agência Brasil teve acesso, antes da ameaça de morte, o agressor fala: “você votou foi no Lula, seu esquerdista desgraçado”.
O mesmo estudante também escreveu no grupo que se o candidato Flávio Bolsonaro perdesse ele iria espancar outros cinco colegas. E completa: “só na faca”. Outro adolescente curte as mensagens e manda figurinhas de risadas. Além das ameaças, o agressor também profere mensagens de intolerância religiosa contra os colegas.
Felipe é um adolescente transgênero e segundo a mãe, Aline* (nome fictício), ele nunca sofreu transfobia na escola. Por isso, eles se espantaram com as mensagens de ódio por questões políticas.
“A ideologia está afetando o discernimento dos jovens. Os adultos não conseguem lidar com as frustrações e ficam violentos e os jovens acabam absorvendo isso, transformam também a frustração em ódio”, disse.
Aline também contou que, por causa das agressões, Felipe passou a semana toda sem ir à escola. E ainda teme voltar na segunda-feira. E que, mesmo diantes de fatos tão graves, os dois ainda não fizeram boletim de ocorrência por medo de que o adolescente seja exposto ou sofra retaliações.
Segundo Aline, a diretora da escola informou que o aluno que mandou os áudios e mensagens foi transferido de escola e o que concordou com as mensagens, suspenso por quatro dias.
Violência nas escolas
Na última semana, uma série de casos de violência contra crianças e adolescentes relacionados à opções políticas dos jovens ou dos pais têm sido relatadas nas redes sociais.
As agressões vão desde ofensas verbais e chacota até agressões físicas e ameaças de morte.
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