Politica
Movimento Conservador DF reúne lideranças em Planaltina para formar cidadãos com base em valores sólidos
Na manhã do último sábado (29), o Movimento Conservador DF reuniu diversas lideranças durante o segundo encontro do grupo, realizado no Delta Centro Educacional, em Planaltina. A iniciativa é encabeçada pela primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), pela vice-governadora Celina Leão (PP-DF), pela deputada federal Bia Kicis (PL-DF), pelo deputado distrital Thiago Manzoni (PL-DF) e por Eduardo Torres (PL-DF).
O objetivo do movimento é formar lideranças e cidadãos conservadores com argumentos sólidos para a defesa de seus valores. Segundo o deputado Thiago Manzoni, os encontros gratuitos de formação ocorrerão em todas as Regiões Administrativas do Distrito Federal. O próximo está agendado para o dia 12 de abril.
Em discurso direto e voltado aos conservadores do DF, a senadora Damares Alves afirmou que a pauta comunista da esquerda fracassou no Brasil e alertou que “não se deve ir para a guerra sem armas” . Segundo ela, a esquerda possui uma arma poderosa: a narrativa. “Eles têm um discurso sedutor. Por isso, precisamos trazer mais pessoas para a pauta conservadora” , declarou.
O deputado Thiago Manzoni apresentou Eduardo Torres ao público, ressaltando sua admiração pela trajetória do colega e destacando que ele é alguém que contribui para o crescimento das pessoas ao seu redor. Em sua fala, Torres afirmou que o propósito do movimento é formar grupos comprometidos com a defesa de princípios conservadores. Segundo ele, é possível fazer uma política diferente no país.
Manzoni também abordou os pilares do conservadorismo e destacou como o ex-presidente Jair Bolsonaro deu voz a valores até então esquecidos. Para o deputado, o eleitorado já se inclinou à direita, mas é preciso vencer, antes, no debate público. “Para isso, precisamos nos fortalecer nos fundamentos daquilo em que acreditamos” , afirmou.
A deputada federal Bia Kicis também participou do evento e enfatizou que só vale a pena viver por uma causa pela qual se estaria disposto a entregar a própria vida. “Todos nós daríamos a nossa vida pelos filhos” , declarou. Kicis destacou a importância da defesa da família — uma de suas principais bandeiras, e relembrou a tentativa do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) de permitir o aborto até os nove meses de gestação. “Temos que levantar conservadores em todos os lugares” , completou.
A primeira-dama Michelle Bolsonaro também esteve presente no encontro, subindo ao palco ao lado da pequena Manu, uma criança de Planaltina que expressou o desejo de formar uma família no futuro. Michelle destacou que, por muito tempo, os cristãos deixaram uma lacuna na política e permaneceram inertes, o que abriu espaço para o avanço de pautas contrárias aos valores conservadores. “Exemplo disso são as universidades hoje infestadas e os projetos contra a família que passam no Congresso” , afirmou. “Hoje estou aqui como presidente do PL Mulher, com a missão de resgatar os nossos valores e reeducar a sociedade em relação à política.”
Fonte:
Politica
Cientista política analisa uso da pauta feminina nas eleições pela direita
Das 16 mulheres que tomam posse em fevereiro de 2027, sete são do Partido Liberal (PL) de Zucco; esquerda terá somente quatro cadeiras femininas.
Pelo terceiro pleito eleitoral seguido, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS) bateu o recorde de ocupação feminina. Foram 16 as mulheres escolhidas pelo povo gaúcho para representá-las na casa do Poder Legislativo, superando as onze eleitas em 2022. Desta vez, no entanto, a representatividade feminina seguiu os rumos da eleição nacional e migrou ainda mais para a direita.
O Partido Liberal (PL) foi o mais beneficiado pelas urnas: reelegeu as suas duas deputadas, Kelly Moraes e Adriana Lara, e elegeu outras cinco candidatas: Adri Cherini, Comandante Nádia, Vanice de Matos, Daiane Mello e Ali Klemt.
Além disso, dentre as quatro candidatas mulheres mais votadas, três são do partido do governador eleito Luciano Zucco. Adri Cherini (PL) foi a deputada estadual mais votada não somente entre as mulheres, mas entre todos os 56 candidatos eleitos. Somente em outros três pleitos a corrida ao Palácio Farroupilha foi protagonizada por uma mulher: em 1966, com Teresinha Chaise (MDB); em 2010, com Silvana Covatti (PP); e em 2014 com Manuela d’Ávila (PCdoB). Já Comandante Nádia (PL) e Kelly Moraes (PL), conquistaram respectivamente os terceiro e quarto lugares entre as mulheres. Luciana Genro (PSOL), terceira colocada geral, foi a segunda mulher mais votada.
Apesar de ter acompanhado o crescimento da extrema direita a nível nacional, o resultado eleitoral no Rio Grande do Sul é ainda mais expressivo em relação às mulheres, aponta Teresa Sacchet, cientista política e professora da UFRGS. Enquanto somente 15,7% dos 121 deputados eleitos pelo PL à Câmara são mulheres, as deputadas estaduais do PL gaúcho somam 58% da bancada do partido. Dos doze concorrentes eleitos pelo partido à ALRS, sete são mulheres.
A dominância deste campo político também é favorecida pela retração do lado oposto. Se na atual legislatura são sete as deputadas estaduais de direita e cinco as de esquerda – Zilá Breitenbach (PSDB) assumiu como suplente após a perda do mandato do deputado Professor Bonatto (PSD), totalizando doze mulheres na ALRS em 2026 – a partir do ano que vem, serão doze de direita e somente quatro de esquerda.
Além de Luciana Genro (PSOL), representarão a esquerda as deputadas estaduais eleitas Natasha (PT), Karen Santos (PSOL) e Sofia Cavedon (PT). As cinco demais candidatas de direita são Delegada Nadine (PSD), Ronize Damassini (PP), Delegada Ana Tarouco (PSD), Nicole Weber Covatti (PP) e Bruna Molz (Podemos).
Sacchet observa que a eleição de deputadas mulheres à Assembleia Legislativa representa por si só um aspecto democratizante, já que o poder legislativo passa a ter uma composição mais próxima àquela verificada socialmente. “Algumas pesquisas demonstram que as políticas mulheres têm uma probabilidade maior de defender os interesses das suas iguais em comparação aos homens”, comenta a cientista política.
Por outro lado, esse fator nem sempre beneficia grupos minoritários da população, indica Sacchet. “A gente vê que tem mulheres que se opõem a algumas agendas que foram conquistadas às custas de muita luta do movimento feminista, de mulheres parlamentares. Quando isso acontece, a voz delas é mais facilmente ouvida, tem mais força. De alguma forma, acabam fazendo um desserviço para a causa”, diz.
Somadas, as candidatas de todos os partidos de esquerda reuniram quase 500 mil votos, o que corresponde a 1/3 de todos os votos em deputadas estaduais mulheres. Enquanto isso, somente as candidatas do PL concentraram praticamente a mesma quantidade, com uma desvantagem em menos de dois mil votos.
O maior contingente de votos em candidatas de direita revela uma cooptação do discurso político feminino para esse polo, indica Sacchet. “A pauta de aumento na representação de mulheres e de outros grupos sociais subalternizados é historicamente da esquerda, de movimento sociais” avalia a cientista política. “O fato de termos mais mulheres pelo PL me leva a pensar que os partidos de direita estão usando essa pauta estrategicamente para se elegerem”, completa.
Apesar do resultado histórico para as mulheres, a votação em candidatas do gênero feminino ainda é desproporcional no Rio Grande do Sul. Dos 6,1 milhões de votos válidos na eleição para deputado estadual pelo RS, cerca de 1,6 milhão foram em candidatas mulheres, o que corresponde a uma parcela de 26%. Considerando que as mulheres representavam 34% das candidaturas à Assembleia Legislativa – 179 das 528 totais –, é possível perceber uma preferência por candidatos homens por parte do eleitorado gaúcho.
FONTE:
sul21.com.br
Por Pedro Stahnke
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