Deputada do PSOL teve 1,59 milhão de votos, segunda maior votação do país, no mesmo dia em que recebeu ameaça de morte
Erika Hilton (Psol) foi reeleita deputada federal por São Paulo neste domingo (4) com 1.596.383 votos e se tornou a mulher mais votada da história para a Câmara dos Deputados. Com 99,99% das urnas apuradas, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ela teve a segunda maior votação do país, ficando atrás apenas de Lucas Pavanato (PL), também de São Paulo, que somou 3.038.271 votos.
A marca supera a de Joice Hasselmann, eleita em 2018 com 1.078.666 votos. Hilton também multiplicou por mais de seis o resultado que teve em 2022, quando recebeu 256.903 votos.
Entre as mulheres, a nível nacional, aparecem em seguida Sâmia Bomfim (Psol-SP), com 583.048 votos, e Julia Zanatta (PL-SC), com 560.223.
Em discurso a apoiadores após o resultado, publicado em seu perfil no Instagram, a deputada afirmou que a eleição representa a ruptura de barreiras impostas a pessoas trans e travestis. “O Brasil, de maneira muito triste, ainda segue sendo o primeiro país do mundo que mais mata mulheres como nós”, disse. “Essa vitória não é minha, é coletiva.”
Hilton foi eleita vereadora de São Paulo em 2020, como a mulher mais votada do país naquela disputa municipal. Dois anos depois, tornou-se uma das duas primeiras mulheres trans eleitas para a Câmara dos Deputados, ao lado de Duda Salabert (PDT-MG).
Ameaça de morte no dia da votação
A deputada registrou boletim de ocorrência neste domingo após receber, por e-mail, uma ameaça de morte acompanhada de ofensas transfóbicas. A mensagem chegou às 10h26, quando ela se preparava para sair de casa para votar. Nela, o autor dizia conhecer os dados pessoais e o endereço da parlamentar.
Segundo o boletim, Hilton adiou a ida à seção eleitoral até que sua segurança pessoal fosse reforçada. O e-mail foi enviado pelo Onion Mail, serviço que dificulta o rastreamento de mensagens. A deputada pediu às autoridades a abertura de investigação para identificar e responsabilizar o autor.
No discurso, ela minimizou o episódio diante do histórico de ataques que sofre. “Perto das ameaças recorrentes que eu e minha família recebemos, essa é só mais uma bobeira no meio do caminho de algum idiota desocupado que não suporta ver o nosso brilho”, afirmou.
‘Madrinha política’
Hilton também comemorou a eleição de Sofia Favero (407.749) para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), candidatura que apresentou e apoiou durante a campanha. A parlamentar destacou que construiu sua trajetória sem apoio de lideranças tradicionais.
“Nós não tivemos padrinhos, mas eu tenho muito orgulho de ter me tornado uma madrinha política”, afirmou. Favero foi a terceira deputada estadual paulista mais votada, atrás de Eduarda Campopiano (PL) e Eduardo Suplicy (PT).
Segundo turno
Hilton afirmou que a campanha continua até o segundo turno da disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Ela citou o envolvimento de Flávio com o Banco Master entre as críticas ao adversário.
“A nossa vitória só será completa com a reeleição do presidente Lula”, disse. “A gente vai ter que continuar em campanha. Eu queria dar essa notícia triste para vocês: a campanha não acabou.”
FONTE:
iclnoticias.com.br
Por Brasil de Fato
FOTO: Câmara dos Deputados
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