O Distrito Federal enfrenta um período de estiagem e está há 54 dias consecutivos sem precipitações. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a última chuva na capital federal ocorreu em 25 de junho, decorrente de uma massa de ar seco que atua sobre a região Centro-Oeste e inibe a formação de nuvens. Diante do cenário, típico desta época do ano, frentes de trabalho atuam para mitigar os riscos de incêndios florestais por meio de prevenção, monitoramento e combate.
Social
Brasília debate felicidade, reúne público expressivo e já projeta nova edição para 2027
Com presença de autoridades e programação diversa, congresso destacou dados inéditos e reforçou a importância do bem-estar como política pública
Brasília recebeu, nesta sexta-feira (20), a segunda edição do Congresso da Felicidade, que movimentou o Museu Nacional da República ao longo de todo o dia e reuniu cerca de duas mil pessoas em torno de um tema cada vez mais presente no debate contemporâneo: o bem-estar como eixo de desenvolvimento social.
Com o tema “Educação para a Felicidade”, o encontro integrou as celebrações do Dia Internacional da Felicidade e conectou ciência, políticas públicas, espiritualidade e experiências individuais. Realizado pelo IPCB, com apoio do Ministério da Cultura e da Secretaria de Articulação Federativa e Comitês de Cultura, o evento reforçou o avanço do tema como pauta estratégica na gestão pública.
“A programação foi desenhada para proporcionar uma verdadeira imersão no conceito de felicidade como política de desenvolvimento, com momentos simbólicos, palestras de alto nível e experiências interativas ao longo de todo o dia”, explica Cosete Ramos, idealizadora do movimento Brasília Capital da Felicidade e consultora do Congresso.
A abertura contou com a presença de autoridades, marcando o caráter institucional do evento. O início também foi pontuado por uma ambientação imersiva e pelo simbólico “Abraço pela Felicidade”, conduzido por Cosete.
A programação da manhã teve um viés mais técnico, com foco em dados e políticas públicas. Um dos destaques foi a apresentação da primeira pesquisa oficial sobre felicidade no Distrito Federal, conduzida pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do DF (IPEDF). O estudo partiu de uma pergunta central: “o que faz você feliz?” e analisou diferentes dimensões da vida cotidiana, identificando fatores diretamente ligados à percepção de bem-estar e oferecendo subsídios para a formulação de políticas públicas mais alinhadas à realidade da população.
Especialistas nacionais e internacionais também participaram do debate. Entre eles, o diretor do Centro de Felicidade Interna Bruta do Butão, Dr. Lhatu, que compartilhou experiências do país referência mundial no tema.
Quando a felicidade ganha dimensão prática
Na parte da tarde, o congresso assumiu um caráter mais interativo e sensorial, voltado à aplicação prática do conceito de felicidade em diferentes contextos, como escolas, empresas e relações pessoais. Dinâmicas com o público e reflexões sobre emoções contribuíram para aproximar o tema do cotidiano.
A psicóloga Cristiane Baldum, que participou do evento, destacou esse momento como um dos mais relevantes da programação. “Um ponto muito importante foi mostrar como levar a felicidade para diversos lugares, como escolas, hospitais e empresas. Como ser feliz no trabalho, algo simples, mas tão importante”, afirmou. Ela também ressaltou a dimensão espiritual abordada no encontro. “O Bispo JB trouxe essa reflexão usando a palavra de Deus, mostrando que esse também é um elemento importante para encontrar a felicidade”, completou.
O encerramento reforçou o caráter contínuo da iniciativa, com o anúncio da terceira edição do Congresso da Felicidade, prevista para 2027, que terá como tema central “Saúde Mental e Felicidade”.
“Mais do que um evento, estamos construindo um movimento que coloca a felicidade no centro das decisões, tanto individuais quanto coletivas. A próxima edição já nasce com esse compromisso de avançar ainda mais nesse debate”, destacou Jorge Luiz, gestor do IPCB.
Créditos:
Eduardo Ruy Ramos, Jorge Luiz e Cosete Ramos –
Por Paulo Cavera
Divulgação Segunda edição – Congresso da Felicidade
Saúde
Sem chuva há mais de 50 dias, DF acende alerta para incêndios florestais
Com a persistência das condições e sem previsão de precipitações para as próximas semanas, equipes de prevenção e combate se mobilizam para proteger unidades de conservação
Ana Isabel Mansur, da Agência Brasília | Edição: Chico Neto
As condições climáticas atuais, marcadas por baixa umidade relativa do ar, temperaturas elevadas nas tardes e ventos de fracos a moderados, reduzem a umidade disponível no solo e na vegetação do Cerrado. Essa combinação aumenta o risco de ignição e acelera a propagação do fogo, o que demanda atenção redobrada.
Temperatura tende a ser amena de manhã, com calor intenso à tarde
Segundo o Inmet, nos próximos dias, a previsão aponta para a persistência das condições dos baixos índices de umidade relativa do ar, com possibilidade de atingir níveis críticos no período da tarde, o que pode motivar a emissão de avisos meteorológicos. Em relação às temperaturas, as tendências apontam para uma estabilidade, com manhãs amenas e tardes de calor intenso, o que mantém elevada a amplitude térmica.
No Plano Piloto, as mínimas oscilam entre 14°C e 16°C, enquanto as máximas variam de 30°C a 31°C. Nas demais regiões do DF, especialmente no Paranoá, as temperaturas mínimas devem ficar, em média, 1°C abaixo das previstas para Brasília, e as máximas tendem a ser, também em média, 1°C acima, com destaque para a região do Gama. Os ventos, de modo geral, sopram com intensidade fraca a moderada em todo o território, com possibilidade de rajadas pontuais.
Ações de prevenção
Para conter o avanço do fogo nas áreas protegidas, ações contínuas buscam a redução de material combustível. Somente em 2026, equipes técnicas executaram cerca de 300 hectares de queima prescrita e estabeleceram 50 quilômetros de aceiros que funcionam como barreiras de proteção dentro das unidades de conservação (UCs).
A estruturação do planejamento envolve 150 brigadistas com contratos de dois anos para a manutenção dos trabalhos preventivos ao longo de todo o ano, permitindo que as equipes ajam com antecedência ao período crítico de seca para mitigar o risco de incêndios.
Para manter atualizados os registros das áreas das UCs afetadas pelas chamas, o monitoramento utiliza o Programa de Monitoramento de Áreas Queimadas (Promaq), que gera mapas e relatórios periódicos. Entre 2020 e 2024, as áreas que apresentaram maior recorrência de queimadas foram os parques distritais Boca da Mata e Recanto das Emas, a Arie Granja do Ipê, a Floresta Distrital dos Pinheiros e os parques ecológicos Ezechias Heringer, Tororó e Riacho Fundo, além de unidades federais como o Parque Nacional de Brasília, a Floresta Nacional de Brasília e a Reserva Biológica da Contagem.
Operação Verde Vivo
3.786
A operação Verde Vivo 2026, iniciada em abril com previsão de término em novembro, é estruturada de forma gradual conforme o avanço da estiagem. O foco principal é o monitoramento, a prevenção e o combate aos incêndios. Na fase mais crítica, o planejamento prevê o emprego diário de até 169 combatentes e 35 viaturas, além de equipamentos especializados, aeronaves e drones.
Em situações de grandes proporções que demandem reforço de pessoal, estima-se a mobilização de um contingente adicional de até mil profissionais dedicados ao combate de incêndios florestais. No monitoramento de áreas vulneráveis, empregam-se recursos tecnológicos como câmeras, imagens de satélite, aeronaves tripuladas e drones.
Até o dia 16 deste mês, o DF contabilizou 3.738 ocorrências de incêndio em vegetação. Desse total, 3.270 chamados ocorreram durante o período da operação Verde Vivo, com picos em julho (1.096 ocorrências) e agosto (1.012 ocorrências até o dia 16). Os números atuais mostram-se inferiores aos do mesmo período de 2025, quando o DF registrou 4.346 ocorrências até 16 de agosto, sendo 3.512 no decorrer da operação daquele ano.
Impacto ambiental e legislação
Os incêndios descontrolados provocam danos ambientais. O fogo causa a perda de biomassa e a degradação do solo pela queima de matéria orgânica superficial — o que estimula a erosão e o assoreamento de cursos d’água, além de alterar a estrutura da vegetação lenhosa e reduzir a fauna nativa.
Multa por provocar queimadas irregulares pode passar de R$ 50 mil
A fumaça gerada também compromete a qualidade do ar, provocando desconforto respiratório para a população urbana. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) durante o incêndio no Parque Nacional de Brasília em 2024 registrou alteração na qualidade do ar e na rotina dos moradores da capital.
A legislação estabelece sanções para quem provocar queimadas irregulares. O uso do fogo para fins agropastoris sem autorização legal sujeita o responsável a multas de R$ 1.000 por hectare ou fração, conforme o Decreto Federal nº 6.514/2008. Caso o fogo atinja áreas sob proteção legal, como unidades de conservação e áreas de preservação permanente (APPs), a conduta é classificada como infração grave, com penalidades que superam R$ 50 mil, além de embargo da área e a obrigação de recuperação ambiental.
Orientações
A colaboração dos cidadãos é fundamental para conter incidentes. Veja abaixo as principais orientações de utilidade pública.
► Evitar o uso do fogo
Não utilizar chamas para limpeza de terrenos rurais e não queimar lixo, restos de poda ou folhas secas.
► Descarte seguro
Não atirar bitucas de cigarro em áreas de vegetação ou margens de rodovias.
► Cuidados com faíscas
Evitar fogueiras e fogos de artifício próximos a áreas verdes.
► Cuidados de saúde
Beber água para manter a hidratação, umidificar ambientes internos, evitar desperdícios no uso da água e reduzir a exposição direta ao sol nos períodos mais quentes do dia, entre as 10h e as 16h.
► Ao avistar um foco de incêndio ativo, a orientação é manter distância da área de risco e acionar o telefone de emergência 193, informando o endereço exato ou pontos de referência. Denúncias sobre infrações ambientais e queimadas irregulares podem ser feitas pelos canais telefônicos como o 162.
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