Cultura
CONAQ entra na contagem regressiva para o III Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas
Um evento de celebração, memória, fortalecimento político e continuidade entre gerações.
A Coordenação das Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, vêm se mobilizando coletivamente na organização do que já é conhecido e divulgado como o maior encontro de mulheres quilombolas do país. Em comemoração aos 30 anos de luta e resistência da organização que coordena e articula + de 8000 comunidades quilombolas (IBGE 2022) no Brasil, o evento acontece entre os dias 10 e 14 de junho de 2026, em Brasília-DF.
Em sua terceira edição, o encontro carrega o tema “Mulheres Quilombolas na defesa por justiça climática, reparação e democracia: somos começo, meio e começo”, e espera receber na capital federal, 500 mulheres de 24 estados e companheiras internacionais da América Latina e Caribe, num espaço de formação política e fortalecimento de narrativas.
Aquilombamento que fortalece trajetórias
“Tem sido uma construção desafiadora, pensar que receberemos companheiras de outras edições, mas também pessoas que estarão participando pela primeira vez, nos leva a ter um jogo de cintura para atender expectativas, tanto de um público, quanto do outro. O terceiro encontro é um marco para nós, um marco que celebra os 30 anos da CONAQ, então é essencial levarmos aos territórios, a mensagem de que a gente continua em marcha, na luta pela defesa dos nossos direitos, dos direitos territoriais, ancestrais e sobretudo, os direitos da mulher. Entender como essa mulher lida com o território, diante de uma dupla, tripla ou mais, jornada, porque acaba que essa mulher é também mantenedora desse território. As maiores lutas travadas, são de mulheres, e aí ela é mãe, ela é avó, ela é tia, é filha, é esposa e ainda carrega o papel de liderança e a responsabilidade de manter a comunidade viva”, relatou Sandra Braga, coordenadora executiva da CONAQ.
Confluência de saberes para os próximos ciclos
Rosalina dos Santos, coordenadora nacional pelo estado do Piauí, complementou, falando sobre o que espera para esse espaço de diálogo: “Primeiro espero celebrar esse grande passo que a CONAQ tem dado que foi de consolidar o coletivo de mulheres quilombolas, para fazer a tratativa das políticas de gênero, das politicas voltadas para as mulheres, a política do fortalecimento institucional, da organicidade, da participação efetiva, do compartilhamento de saberes, das vivências, da auto-estima, do protagonismo, então a gente tem muito o que celebrar nesses 30 anos, como mulheres quilombolas que somos.
Eu não tenho dúvidas que esse encontro será também um grande intercâmbio, uma grande confluência entre as mulheres quilombolas do Brasil e as companheiras de outros países que se juntarão conosco. Vai ser um momento de compartilhamentos de todos os tipos de experiências de lidas e labutas.
Teremos mulheres de todos os biomas, cada uma vai ter a oportunidade de compartilharem entre elas suas realidades. A gente vai ter a oportunidade de partilhar energias positivas, sonhos, desejos, lamentos, alegrias… Eu quero acreditar que o III Encontro de Mulheres Quilombolas da CONAQ, será, não um ponto de partida, mas a continuidade dessa luta, passando de geração em geração”.
Na tentativa ainda de mensurar a proporção desse encontro, ouvimos uma das frentes organizadoras do evento, Selma Dealdina Mbaye, articuladora política e coordenadora do Coletivo de Mulheres da CONAQ.
“Estamos na expectativa de ter o maior público quilombola do Brasil inteiro, durante esses cinco dias de encontro, até o momento nós temos 7 países confirmados, o encontro vai tratar de clima, reparação e democracia, num momento muito importante pra organicidade das políticas para mulheres no Brasil, enfrentamento ao feminicídio, mas ao mesmo tempo, mostrando toda a produção que a gente tem nos quilombos, toda diversidade das mulheres que compõem esses territórios. Então a expectativa é que seja um encontro terno, um encontro com muita saudade de pessoas que, infelizmente, não estão mais vivas, mas estarão em presença espiritual conosco, e esperamos que ele seja lindo, que seja leve e que dê resultados importante para nós, e que ele produza uma carta final trazendo todas as demandas e pautas das mulheres quilombolas do Brasil”.
Venha Aquilombar conosco na construção de caminhos por justiça climática, reparação, democracia e defesa dos territórios quilombolas.
CRÉDITOS:
Foto: Divulgação
Cultura
Projeto promove vivências formativas em Planaltina-DF e Novo Gama-GO, com evento de encerramento na Fundação Cultural Palmares, em Brasília
Presentes hoje em restaurantes, festivais e diferentes espaços da gastronomia brasileira, muitos dos saberes da cozinha afro-brasileira nasceram e foram preservados nos quintais, nas cozinhas comunitárias e nos terreiros, ambientes nos quais alimento, espiritualidade, memória e vida coletiva sempre caminharam juntos. É desse caldo de histórias, práticas e conhecimentos ancestrais que surge Sabores e Saberes – O Tabuleiro da Baiana, projeto da Fundação Cultural Palmares, realizado pelos institutos Lente Cultural e Kitanda Cultura de Terreiro.
Em sua segunda edição, o projeto realiza, entre agosto e setembro de 2026, dois ciclos formativos em territórios tradicionais de matriz africana e um encontro público de encerramento. A programação passará pelo Ponto de Cultura Terreiro da Vovó Maria Conga, em Planaltina, no Distrito Federal, nos dias 22 e 23 de agosto; pela Casa de Oyá, em Novo Gama, Goiás, em 5 e 6 de setembro; e será concluída em 8 de setembro, na sede da Fundação Cultural Palmares, em Brasília, com a participação da chef e Makota Solange Borges. Ao longo desse percurso, lideranças religiosas, pesquisadoras, cozinheiras, produtoras culturais e representantes das comunidades se reunirão em oficinas, vivências práticas, rodas de conversa e refeições coletivas. As inscrições podem ser feitas, gratuitamente, através de preenchimento de formulário link.
Mais do que realizar encontros pontuais, Sabores e Saberes – O Tabuleiro da Baiana busca fomentar a preservação, a difusão e o reconhecimento da culinária afro-brasileira como patrimônio cultural. Entre os seus objetivos está o de fortalecer a identidade, a autonomia, o empreendedorismo criativo e a soberania alimentar e nutricional das comunidades tradicionais de matriz africana.
Para a produtora cultural e presidente do Instituto Lente Cultural, Carol Peres, “A salvaguarda dos saberes tradicionais não é apenas uma revisão do nosso passado, mas uma ferramenta indispensável para pensarmos o futuro da cultura no Brasil. Quando reconhecemos e fortalecemos a culinária de matriz africana, estamos valorizando tecnologias ancestrais que unem sustentabilidade, memória e economia criativa. O papel das instituições culturais é justamente criar as pontes e garantir as condições para que esses territórios de resistência continuem sendo os verdadeiros protagonistas da difusão e preservação do nosso patrimônio imaterial”.
A iniciativa parte do entendimento de que a culinária de terreiro não se resume ao preparo de alimentos. Ela carrega conhecimentos transmitidos entre gerações, modos próprios de cultivo, conservação e aproveitamento dos ingredientes, relações com a natureza, práticas de cuidado e formas de organização comunitária.
Ao aproximar patrimônio cultural, segurança alimentar, sustentabilidade e economia criativa, o projeto transforma a herança ancestral em instrumento de fortalecimento dos territórios e de resposta a desafios contemporâneos. A iniciativa também dialoga com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente aqueles relacionados à fome zero e à agricultura sustentável, à igualdade de gênero, ao trabalho decente e à geração de renda, à redução das desigualdades, à preservação das comunidades e ao consumo e à produção responsáveis.
“O Tabuleiro da Baiana transcende o ato de nutrir; trata-se de uma sofisticada tecnologia ancestral e a materialização do legado das mulheres negras. Como liderança de uma comunidade tradicional Angola Kongo, vejo que essa prática é um pilar para o desenvolvimento sustentável das nossas comunidades. O Tabuleiro é um instrumento vivo de manutenção dos saberes tradicionais, estruturando a nossa proteção social e atuando como um vetor essencial na promoção da segurança alimentar e nutricional. Fruto da inteligência das zungueiras, quitandeiras e ganhaderias, que no Brasil colonial serviu de manobra contra-colonial para subsistência das pessoas negras, legado que perdura na contemporaneidade”, ressalta Tata Luazi Luango, coordenador artístico do projeto.
Primeira vivência acontece no Terreiro da Vovó Maria Conga – Polo I
A primeira etapa será realizada nos dias 22 e 23 de agosto, das 9h às 17h, no Ponto de Cultura Terreiro da Vovó Maria Conga, em Planaltina. Durante os dois dias, os participantes poderão conhecer os espaços do terreiro, visitar a horta comunitária, acompanhar o preparo de receitas tradicionais e compartilhar os pratos produzidos nas atividades.
A programação começa com a vivência Terreiro Cerratense, conduzida por Mãe Maria do Cerrado, gestora do Terreiro da Vovó Maria Conga. A atividade apresenta a culinária tradicional de terreiro a partir dos ingredientes, das práticas e dos conhecimentos ligados ao Cerrado. Além da visita ao espaço, os participantes acompanharão o preparo de um prato típico da culinária cerratense, finalizando o encontro com um almoço coletivo.
Mãe Maria do Cerrado também estará à frente da vivência Senzala Gastronômica, dedicada aos saberes transmitidos pelas Pretas e pelos Pretos Velhos. A proposta é abordar a presença da memória, da espiritualidade e da ancestralidade na alimentação, passando pela visita à horta do terreiro, pelo preparo de um prato tradicional da culinária quilombola e pelo compartilhamento da refeição.
A educadora Ekejie Cleide Morais, da Favela Gastronômica, conduzirá a oficina Cozinhas Comunitárias. A atividade será voltada às práticas de segurança alimentar e nutricional, com orientações sobre aproveitamento integral dos alimentos, armazenamento, distribuição e organização das cozinhas populares e comunitárias. Cleide compartilhará experiências construídas em iniciativas que utilizam a alimentação como instrumento de acolhimento, autonomia e fortalecimento coletivo.
Já a afro produtora Ekejie Jackeline Silva apresentará a oficina Afro Paladar, nome do livro e do documentário desenvolvidos por ela. A partir dessas experiências, a facilitadora abordará técnicas de registro e documentação do patrimônio gastronômico afro-brasileiro, além de orientar os participantes na construção de um livro de receitas tradicionais.
Todas as atividades culminam em momentos de convivência à mesa. Os participantes poderão degustar os pratos preparados durante as oficinas, reforçando a ideia de que cozinhar, compartilhar e comer também são formas de preservar memórias, transmitir conhecimentos e fortalecer vínculos comunitários.
Mais do que ensinar receitas, o projeto pretende mostrar como a culinária tradicional constitui um importante instrumento de preservação da identidade afro-brasileira, de fortalecimento comunitário e de geração de oportunidades econômicas para mulheres negras e comunidades tradicionais.
Para facilitar o acesso dos participantes, haverá transporte gratuito com saída da Rodoviária do Plano Piloto, mediante inscrição prévia
Projeto segue para Novo Gama – Polo II
A segunda vivência acontecerá nos dias 5 e 6 de setembro, na Casa de Oyá, em Novo Gama. A etapa seguirá a metodologia adotada em Planaltina, incorporando conteúdos relacionados à agroecologia, à sustentabilidade, à preservação ambiental e à geração de renda nos territórios tradicionais.
A programação contará com atividades conduzidas pela Yalorixá Jussara Morais, pela agroecologista Muzenza Imoxicongo Raíssa Felipe, por Ekejie Cleide Morais e por Ekejie Jackeline Silva. Os detalhes dessa segunda vivência serão divulgados posteriormente.
O encerramento será realizado em 8 de setembro, na Fundação Cultural Palmares, em Brasília, com apresentação dos resultados do projeto e aula-show da chef e Makota Solange Borges, idealizadora do projeto Culinária de Terreiro e do Festival do Dendê. A programação também contará com lançamento de livro, mesa de debate, apresentações culturais e degustação de pratos preparados especialmente para a ocasião.
SERVIÇO
Sabores e Saberes – O Tabuleiro da Baiana
Participação: gratuita
Inscrições: link
Vivência Formativa – Polo I
Datas: 22 e 23 de agosto de 2026, sábado e domingo
Horário geral: das 9h às 17h
Local: Ponto de Cultura Terreiro da Vovó Maria Conga – Planaltina (DF) Mapa
Transporte: ônibus gratuito e exclusivo saindo do estacionamento do SESI Lab
Terreiro Cerratense
Facilitadora: Mãe Maria do Cerrado
Carga horária: 4 horas
Cozinhas Comunitárias
Facilitadora: Ekejie Cleide Morais – Favela Gastronômica
Carga horária: 4 horas
Senzala Gastronômica
Facilitadora: Mãe Maria do Cerrado
Carga horária: 4 horas
Afro Paladar
Facilitadora: Ekejie Jackeline Silva
Carga horária: 4 horas
Vivência Formativa – Polo II
Datas: 5 e 6 de setembro de 2026, sábado e domingo
Horário geral: Das 9h às 17h
Local: Casa de Oyá – Novo Gama (GO) Mapa
Transporte: ônibus gratuito e exclusivo saindo do estacionamento do SESI Lab (Plano Piloto-DF)
Tabuleiro da Baiana
Facilitadora: Yalorixá Jussara Morais
Carga horária: 4 horas
Cozinhas Comunitárias
Facilitadora: Ekejie Cleide Morais – Favela Gastronômica
Carga horária: 4 horas
Terreiro Sustentável
Facilitadora: Muzenza Imoxicongo – Agroecologista Raíssa Felipe
Carga horária: 4 horas
Afro Paladar
Facilitadora: Ekejie Jackeline Silva
Carga horária: 4 horas
Encerramento
Data: 8 de setembro de 2026, terça-feira
Horário: A partir das 14h
Local: Fundação Cultural Palmares – Brasília (DF)
Para mais informações, acessar o instragram: https://www.instagram.com/saboresesaberesdeterreiro/
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