Curiosidades
Mulheres defendem articulação em rede para ampliar participação
Na conferência internacional “Mulheres que movem a justiça”, realizada até sexta-feira (6) em Brasília, comunicadoras defenderam a articulação de redes de apoio entre mulheres como estratégia para combater o machismo e ampliar a participação feminina nos espaços de poder. O evento promove debates sobre uma justiça mais igualitária no Brasil.
Segundo as participantes, os profissionais que trabalham com produção de informação também devem atuar no combate a mensagens misóginas e à desinformação. A presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, contextualizou hoje (5), em mesa de debates, que a união feminina foi capaz de grandes feitos históricos, como as conquistas garantidas pelas parlamentares que participaram do que ficou conhecido como “lobby do batom”.
Foi uma aliança suprapartidária formada por deputadas federais e senadoras durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988. “Um grupo que se organizou para agir politicamente. O resultado do que elas fizeram foi absolutamente extraordinário porque boa parte dos direitos que nós temos até hoje foi garantido por essas poucas mulheres”, observou.
Sobrevivência
Antonia Pellegrino aproveitou para citar a informação que pelo menos 40% dos cargos vitalícios serão nomeados na próxima década, o que abriria uma possibilidade de serem ocupados por mulheres no Judiciário.
Nesse sentido, as profissionais da área, segundo acredita, devem se fortalecer. “Trabalhar em rede é algo que nós, mulheres, sabemos fazer há séculos. Atuar em rede, para quem é mulher, é estratégia de sobrevivência”, apontou.
Atuar em redes de apoio, por exemplo, são antídotos para conter a desinformação, que se apresenta no Brasil e no mundo em estratégias articuladas por grupos radicais. “A comunicação pública tem sido alvo frequente de governos extremistas”, ressaltou.
A princesa que se salva
Também no evento, a advogada e influenciadora Sara Gabriela, que mantém a página “Seja a princesa que salva a si mesma”, entende que é necessário reconhecer o machismo como elemento cultural a ser enfrentado.
Ela defende que o ordenamento jurídico brasileiro é avançado e fundamental, mas que se torna fundamental atuar com objetividade e com informações concretas para atacar a misoginia. “Eu entendo que a informação não deve ser suavizada”, pontua.
O projeto que ela coordena nasceu em 2019 a partir da experiência dela no atendimento de clientes vítimas de violência em comunidades no Estado de Goiás. “Eu precisava me comunicar e tinha plena consciência que essa mudança só pode vir através de uma mudança cultural”.
Direitos
A advogada e influenciadora Miriane Ferreira também participou do debate. Em sua página no Instagram, com mais de dois milhões de seguidores, ela faz vídeos para descomplicar temas jurídicos em um canal voltado para que mulheres reconheçam seus direitos.
Ela chama a atenção para o fato de que muitas mulheres deixam de reivindicar direitos sobre o patrimônio construído durante o casamento por não terem exercido atividade profissional fora de casa, embora tenham se dedicado ao trabalho doméstico e aos cuidados da família. Ela ensina questões, por exemplo, fundamentais de direitos para o caso de divórcio.
“Recomendo também saber o direito fundamental e saber também da sua força do seu trabalho. As mulheres precisam dessa solidariedade uma das outras para mostrar o poder que têm. Nós mulheres somos muito desacreditadas”
“Massacre do Judiciário”
Outra participante na mesa de discussão foi a advogada Mayra Cotta, que foi produtora e criadora da série “Afiadas”, exibida na TV Brasil. A produção conta a história de uma manicures em Brasília que registram em vídeo a rotina do local de trabalho. As conversas tratam sobre temas do cotidiano das mulheres, como política e cuidados dos filhos.
Mayra Cotta vê o momento importante para que as mulheres atuem em rede para ocupar espaços de poder. “As mulheres estão denunciando mais (as violações que são vítimas), mas estão sendo massacradas pelo Judiciário”.
Ela avalia que não basta também ter mais representantes mulheres se não houver conscientização de mais respeito com a forma que denúncias, por exemplo, são recebidas. “Tem juízes passando pano para assediadores e abusadores todos os dias”, lamenta.
Voto
A fundadora da plataforma “Elas trabalham”, a jornalista Thayse Xavier, ressaltou que a página busca estimular que as mulheres se envolvam para ocupar espaços de poder. Ela exemplificou que, no mês passado, atuou com mensagens permanentes para que as mulheres fossem votar. “Mulheres fora do espaço de poder devem apoiar mulheres que estão nesses lugares”.
Na mesa, a cineasta carioca Fernanda Amim acrescentou que considera primordial abrir espaços por intermédio de histórias. Ela foi diretora do documentário “Reconhecidos”, que aborda o racismo estrutural e institucional com as graves falhas do sistema de justiça criminal a partir do uso do reconhecimento fotográfico de suspeitos.
Cultura
Divulgado o resultado preliminar da avaliação de mérito cultural do FAC I/2026
Publicação reúne pontuações, valores dos projetos e situação das propostas inscritas nas modalidades regionalizadas e de ampla concorrência
Agência Brasília* | Edição: José Renato Garcia
A Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec-DF) divulgou, nesta sexta-feira (6), o resultado preliminar da etapa de mérito cultural dos projetos inscritos no Edital nº 06/2026 do Fundo de Apoio à Cultura (FAC I). A relação foi publicada no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) e apresenta as pontuações atribuídas às propostas, os valores dos projetos e a classificação de aptidão dos participantes.
O resultado contempla os três anexos do edital, que abrangem modalidades de concorrência regionalizada e ampla concorrência. A seleção envolve propostas de diferentes áreas culturais, entre elas música, teatro, dança, literatura, cultura popular, patrimônio, manifestações circenses e cultura hip-hop.
As fichas com as avaliações dos recursos da fase de mérito cultural podem ser consultadas no site da Subsecretaria de Fomento e Incentivo Cultural (Sufic).
A avaliação foi realizada por profissionais de notória especialização, credenciados por meio do Edital nº 17/2025, indicados pelo Conselho de Administração do FAC e designados pelo secretário de Cultura e Economia Criativa. Os pareceristas atribuíram notas com base nos critérios gerais e específicos estabelecidos no edital.
A publicação apresenta, para cada proposta, o número de inscrição, o nome do agente cultural, a modalidade de concorrência, a área cultural, a linha de apoio, a pontuação total, o valor final do projeto e o resultado de aptidão.
Entre as modalidades contempladas estão linhas voltadas à participação de agentes culturais de diferentes regiões administrativas, vagas destinadas a pessoas negras e pessoas com deficiência, além de oportunidades específicas para proponentes com 60 anos ou mais e para participantes da modalidade Meu Primeiro FAC.
O resultado divulgado tem caráter preliminar e apresenta a situação das propostas nesta etapa do processo seletivo. Os projetos classificados como inaptos são aqueles que incorrem em algum dos motivos previstos no item 8 do edital. A publicação também identifica propostas desclassificadas com fundamento no item 3.7.1.2.
*Com informações da Secec
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