Saúde
Farmácia Popular: pacientes da Secretaria de Saúde têm acesso a medicamentos de forma gratuita
No DF, são 450 farmácias e drogarias credenciadas no programa Farmácia Popular. Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde-DF
Nota Informativa da SES-DF orienta pacientes e profissionais de saúde sobre obtenção de medicamentos pelo programa do Governo Federal. Estão disponíveis remédios para diabetes, hipertensão e outras doenças
Criado há 20 anos, o programa Aqui tem Farmácia Popular, do Governo Federal, já é uma política consolidada, assegurando medicamentos básicos e essenciais à população e ampliando o acesso a tratamentos médicos. No Distrito Federal, a Secretaria de Saúde (SES-DF) elaborou Nota Informativa com orientações a pacientes e profissionais de saúde sobre a obtenção de medicamentos, fraldas geriátricas e absorventes de forma gratuita pelo programa.
Entre os itens disponíveis pelo Aqui Tem Farmácia Popular, há medicamentos totalmente gratuitos e outros em que o Ministério da Saúde custeia até 90%. O subsecretário de Logística da SES-DF, Maurício Fiorenza, explica que as farmácias participantes do programa estão espalhadas por todas as regiões administrativas, facilitando o deslocamento dos pacientes. “Hoje no Distrito Federal, são aproximadamente 450 farmácias e drogarias da rede privada credenciadas, o que amplia o acesso da população aos medicamentos”, disse.
Para obtenção de medicamentos ou fraldas geriátricas, o paciente deve comparecer a um estabelecimento credenciado do programa e apresentar um documento oficial com foto e número de CPF, além da receita médica dentro do prazo de validade.
Para pacientes que precisam de fraldas geriátricas, a pessoa com deficiência ou acima de 60 anos deverá apresentar prescrição, laudo ou atestado médico que indique a necessidade do uso do item de higiene. Pacientes idosos, acamados e incapazes civilmente têm a dispensa da obrigatoriedade de comparecimento ao estabelecimento farmacêutico, podendo ter representante legal ou procurador.
As prescrições médicas para retirada de remédios terão validade de 120 dias, a partir da emissão, exceto para contraceptivos, cuja validade é de 12 meses. Já para as fraldas geriátricas, as prescrições, laudos ou atestados médicos também terão validade de 120 dias, a contar da emissão, podendo a retirada ocorrer a cada 10 dias, ficando limitado a quatro unidades de fraldas por dia.
Consulte aqui mais informações sobre o Aqui Tem Farmácia Popular.
Programa Dignidade Menstrual
Desde o início de 2024, o programa Dignidade Menstrual oferta gratuitamente absorventes higiênicos por meio de farmácias participantes do Aqui Tem Farmácia Popular. Os absorventes estão disponíveis para pessoas em situação de vulnerabilidade social e estudantes de instituições públicas, com idade entre 10 e 49 anos.
Para ter acesso ao item, a pessoa deve apresentar documento oficial com foto, número de CPF e documento de autorização do programa Dignidade Menstrual, em formato digital ou impresso, que deve ser gerado exclusivamente via aplicativo ou site do Meu SUS Digital, com validade de 180 dias.
Clique aqui e saiba mais sobre o programa Dignidade Menstrual.
Nota Informativa da SES-DF orienta pacientes e profissionais de saúde sobre a obtenção de forma gratuita de medicamentos, fraldas geriátricas e absorventes. Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde-DF
Para mais informações, contate-nos pelo e-mail: entrevista.saudedf@saude.df.gov.br
Secretaria de Saúde do Distrito Federal | Assessoria de Comunicação
Saúde
Diagnóstico tardio de doenças ginecológicas afeta qualidade de vida e pode comprometer saúde das mulheres
Endometriose atinge cerca de 190 milhões de mulheres no mundo; sintomas normalizados de cólicas menstruais dificultam a identificação precoce da doença
A dor intensa durante a menstruação, o desconforto nas relações sexuais e as alterações abdominais estão entre os sintomas que podem indicar doenças ginecológicas. Apesar dos impactos na rotina, manifestações como essas nem sempre recebem a devida atenção, o que pode dificultar a investigação de condições como endometriose e o câncer de ovário em mulheres. O diagnóstico tardio pode prolongar o sofrimento das pacientes, comprometer a qualidade de vida e, no caso de doenças malignas, reduzir as possibilidades de tratamento em estágios iniciais.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 190 milhões de mulheres em idade reprodutiva convivem com a endometriose em todo o mundo, o equivalente a cerca de 10% dessa população. A doença crônica pode provocar dores intensas, alterações menstruais e dificuldades para engravidar.

A professora associada do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e diretora do Laboratório de Reprodução Assistida, Paula Andrea Navarro, explica sobre o que é endometriose e como ela se manifesta no corpo feminino.
“A endometriose é uma doença caracterizada pela presença de endométrio, que é o revestimento interno da cavidade do útero, fora da cavidade uterina, sendo uma doença crônica. Ela é considerada não só uma doença ginecológica, mas uma doença sistêmica. Os mecanismos pelos quais a endometriose acontece não são completamente esclarecidos, parte dos pacientes, acredita-se que é por refluência de sangue durante a menstruação pelas trompas uterinas.”
Paula exemplifica, ainda, que a endometriose pode ocorrer de forma diversa em cada paciente, sendo importante atentar aos sintomas. “A endometriose é uma doença enigmática com manifestações particulares em cada paciente. Não necessariamente a quantidade de focos se relaciona com a intensidade dos sintomas. Os principais sintomas são a dor da menstruação (dismenorreia), existe a possibilidade de dor durante a relação sexual e sintomas intestinais durante o período menstrual”, relata.
Histórico familiar e diagnóstico
A doença também pode estar associada a questões genéticas, ou seja, uma mulher que possui família com histórico da patologia deve manter a atenção aos sintomas para obter seu diagnóstico de forma precoce. “Pacientes mulheres que têm familiares com a doença têm mais chances de ter endometriose do que quem não tem histórico familiar”, afirma a professora.

Julio Cesar Rosa e Silva, professor associado do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e secretário da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE), explica os exames que devem ser realizados em pacientes com suspeita da patologia. “Muitas vezes o exame ginecológico nos faz suspeitar da doença mas, hoje, o diagnóstico é feito com exames de imagem, ultrassonografia transvaginal ou ressonância magnética da pélvis.”
A identificação tardia pode prolongar os períodos de dor e dificultar o controle dos sintomas. Dependendo da localização e da extensão das lesões, a doença pode afetar a rotina de trabalho e de estudos, o sono, as relações afetivas e a saúde emocional. “A endometriose é uma doença que realmente tem um atraso diagnóstico bastante significativo. Em média, o diagnóstico pode demorar de cinco a dez anos desde o início dos sintomas. Um dos fatores é pela sociedade acreditar que ter cólica menstrual é um sintoma normal”, diz o professor.
Fertilidade e conscientização
A patologia está relacionada com dificuldade de fertilidade em parte das pacientes, embora nem todas as mulheres com a doença apresentem esse problema. “Com o passar dos anos e a presença do processo inflamatório constante, isso vai gerando processos aderenciais e acabam com que o diagnóstico tardio comprometa a fertilidade da mulher, pois acabam distorcendo toda a anatomia pélvica e comprometendo a qualidade do óvulo e a capacidade do embrião se implantar dentro do útero”, afirma o professor.
Por ser uma condição crônica, a endometriose não possui cura definitiva estabelecida. Entretanto, existem tratamentos para controlar a dor e outros sintomas, incluindo medicamentos hormonais, analgésicos e, em situações específicas, procedimentos cirúrgicos. A conscientização dos profissionais de saúde pode contribuir com a qualidade de vida das mulheres. “Nós precisamos também conscientizar as equipes de saúde, muitas vezes a própria equipe de saúde não está atenta e aberta a sentir e ouvir os sintomas da paciente, isso acaba postergando o diagnóstico, comprometendo significativamente sua qualidade de vida.” finaliza Rosa e Silva.
Estagiária sob supervisão de Gabriel Soares
Fonte matéria: Jornal da USP
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