Social
Atingidos por Barragens mobilizam Brasília para Marcha da Classe Trabalhadora e Seminário de Regulamentação da PNAB
BRASÍLIA – A capital federal recebe, entre os dias 15 e 17 de abril de 2026, uma expressiva mobilização popular que une as pautas trabalhistas nacionais à luta histórica das populações atingidas por barragens. O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) marca presença com uma delegação de 5 ônibus e 250 pessoas, que se somam aos milhares de manifestantes na Marcha da Classe Trabalhadora no dia 15, e a outros atingidos de todo o Brasil para o seminário que ocorre nos dias seguintes no Palácio do Planalto.
A Marcha: direitos trabalhistas e combate à exploração
No dia 15 de abril, a militância do MAB integra a agenda unificada organizada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e demais centrais sindicais. As principais bandeiras incluem a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, o fim da escala 6×1, o combate ao feminicídio e a regulamentação do trabalho por aplicativos.
Para Sérgio Nobre, presidente nacional da CUT, a mobilização é decisiva para pressionar o Congresso Nacional: “Vamos mostrar que o movimento sindical segue forte e unido por direitos, pela democracia e pelo trabalho digno”.
O Seminário: Regulamentação da PNAB (Lei 14.755/2023)
Após a marcha, o foco se volta para a efetivação de uma conquista histórica. Nos dias 16 e 17 de abril, o Palácio do Planalto será sede do “Seminário de Regulamentação da Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens (PNAB)”.
A delegação inicial do MAB ganhará o reforço de lideranças de todas as regiões do país, totalizando cerca de 300 atingidos participando das discussões técnicas e políticas. O evento é uma iniciativa conjunta da Secretaria-Geral da Presidência da República (SG/PR), do Ministério de Minas e Energia (MME) e do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), em parceria direta com o MAB.
Participação social e construção coletiva
Embora sancionada em 2023, a PNAB ainda depende de regulamentação para que seus mecanismos de proteção e os órgãos responsáveis pela sua fiscalização operem plenamente. O seminário busca promover um debate participativo unindo representantes das populações atingidas, lideranças da sociedade civil e movimentos sociais, especialistas do setor jurídico e de infraestrutura e gestores de diversos ministérios envolvidos na temática.
SERVIÇO
Marcha da Classe Trabalhadora
* Data: 15 de abril de 2026
* Local: Esplanada dos Ministérios, Brasília – DF
Seminário de Regulamentação da PNAB
* Data: 16 e 17 de abril de 2026
* Local: Palácio do Planalto, Brasília – DF
* Público do MAB: 300 participantes (incluindo caravana de 5 ônibus)
Cultura
Morre Mãe Senhora de Ewá, liderança do candomblé, aos 104 anos
Elza Bahia de Araújo, conhecida como Mãe Senhora de Ewá, morreu em Salvador no último sábado (17). Uma das mais antigas lideranças do candomblé no Brasil, a ialorixá (mãe de santo) do Ilê Axé Omi Ewá tinha 104 anos de idade, completados no último dia 11 de setembro.
Em nota, o Ministério da Igualdade Racial destacou que a ialorixá dedicou mais de sete décadas de vida à preservação dos saberes do candomblé e de suas tradições, sendo reconhecida também por acolher pessoas em sua comunidade.
“Seu legado está vivo na generosidade de seus ensinamentos, na comunidade que ajudou a fortalecer e na continuidade das tradições do candomblé.”
Representantes do Ilê Axe Omi Ewá reverenciaram a memória de Mãe Senhora de Ewá, ao afirmar que ela cumpriu seu matriarcado como ialorixá do terreiro, “deixando sua marca na história, na fé e na ancestralidade do nosso povo”.
Memória
Iniciada por Mãe Menininha e criada no tradicional Terreiro do Gantois, Mãe Senhora de Ewá deixa cinco filhos, netos, bisnetos, tataranetos e “muitos filhos espirituais”, de acordo com comunidades como o Ilê Axé Raíxes Obá Kossô Omi.
“Ultrapassar a marca do centenário mantendo viva a chama da tradição, a voz firme no barracão e a dedicação incansável ao seu axé é testemunho de uma vida inteiramente entregue ao sagrado e à preservação da cultura dos orixás.”
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