Social
Educação Infantil não é “brincadeira”: primeiros anos na escola definem bases cognitivas, sociais e emocionais das crianças
Cuidadores e ambientes domésticos nem sempre proporcionam os estímulos corretos para o pleno desenvolvimento durante a primeira infância
Por lei, no Brasil, todas as crianças com quatro anos completos até 31 de março devem obrigatoriamente serem matriculadas pelos pais e responsáveis na pré-escola, etapa inicial da educação básica. Com a matrícula durante os primeiros anos sendo facultativa, muitas famílias adiam o início da vida escolar dos filhos, motivados pela ideia de que crianças tão pequenas vão à escola “apenas para brincar”, em uma rotina que preenche o tempo, mas é esvaziada de sentido.
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Essa visão, entretanto, desconsidera conceitos fundamentais do desenvolvimento infantil e a intencionalidade da rotina escolar. A Educação Infantil não é apenas um espaço de cuidados ou brincadeiras que ocupam o dia. De acordo com especialistas da área, é um período decisivo para a construção das habilidades cognitivas, socioemocionais e físicas que acompanharão a criança por toda a vida. Em um ambiente pedagógico, brincadeiras e atividades lúdicas são desenhadas com propósito, para estimular a coordenação motora, a comunicação, a autonomia e o convívio social, por exemplo.
A diretora do colégio Progresso Bilíngue de Vinhedo (SP), Luciane Moura, destaca a importância de enxergar a etapa com a seriedade que ela merece. “Na primeira infância, tudo o que a criança vivencia, cada brincadeira e experiência, têm um impacto profundo no desenvolvimento do cérebro. A escola organiza esses estímulos de forma intencional, garantindo que brincar também seja aprender. Essa intencionalidade dá à infância um papel central na formação de bases sólidas para toda a trajetória escolar e para a vida do futuro adulto”, afirma.
A primeira infância, quando o cérebro infantil apresenta maior plasticidade, também se destaca como o período mais favorável para a aquisição de um segundo idioma, permitindo que as crianças absorvam sons, estruturas linguísticas e vocabulário de forma natural, sem as barreiras típicas do aprendizado na idade adulta. “Escolas bilíngues inserem no contexto das aulas músicas, histórias, interações cotidianas e brincadeiras mediadas em outra língua, o que ajuda, no futuro, a ter uma fluência mais próxima do que um nativo teria”, acrescenta Luciane.
Quando levar a criança para a escola ou creche?
A idade de ingresso da criança em uma creche ou escola de educação infantil também costuma gerar dúvidas, e muitas famílias esbarram na ideia de que “a criança ainda é muito pequena para ir à escola”. Não há uma regra única para todas as famílias, mas há um consenso entre especialistas que quanto mais cedo a criança for exposta a ambientes seguros, estimulantes e socialmente ricos, mais benefícios tende a apresentar.
“A socialização diária com outras crianças, aliado a uma rotina pedagógica estruturada, amplia o repertório infantil de maneira significativa. Outro benefício é a construção de vínculos saudáveis com outros adultos, favorecendo a capacidade de adaptação e contribuindo para a segurança emocional. Cada mês na primeira infância é uma oportunidade de aprendizagem que não se repete da mesma forma depois”, comenta Larissa Berdu, diretora pedagógica do colégio Progresso Bilíngue de Indaiatuba (SP).
Babás, avós e cuidadores desempenham papel importante no cotidiano das famílias, enquanto a escola oferece experiências pedagógicas e sociais que exigem formação profissional específica. Em ambientes educacionais, as atividades de linguagem, motricidade, investigação, música e interação são planejadas com intencionalidade e foco no desenvolvimento global da criança e na construção do pertencimento ao coletivo, algo que não é possível reproduzir no ambiente doméstico.
Dicas para os pais escolherem a escola ideal
Para as famílias que estão no processo de decisão pela escola, a recomendação é observar alguns aspectos práticos que ajudam a identificar se a escola oferece um ambiente adequado para a primeira infância. “É importante que os pais visitem a instituição, observem a interação entre professores e crianças, perguntem sobre a proposta pedagógica, conheçam as atividades que fazem parte do cotidiano e os espaços físicos que serão frequentados pelos pequenos. Ambientes seguros e estimulantes, rotina clara e diversificada, comunicação transparente com as famílias e profissionais qualificados são indicadores relevantes”, diz Larissa.
Além disso, vale acompanhar como a escola lida com temas como acolhimento na adaptação, construção de autonomia, socialização e, quando for o caso, a abordagem bilíngue. “A combinação entre ambiente acolhedor, planejamento pedagógico consistente e práticas que respeitam o ritmo da criança costuma ser um bom sinal de que ela terá uma experiência positiva nos primeiros anos escolares”, completa Luciane.
As especialistas
Larissa Berdu atua há mais de 30 anos na área da Educação. É formada em Pedagogia pela Unicamp e possui Pós-graduação em Educação Infantil, pela Universidade Castelo Branco. Com ampla experiência em docência e gestão pedagógica, trabalhou em diferentes segmentos da Educação Básica. Desde 2020, é diretora pedagógica do Colégio Progresso Bilíngue Indaiatuba, SP.
Luciane Moura possui graduação em Pedagogia e Psicopedagogia e MBA em Gestão Escolar. Acumula mais de 20 anos de experiência na educação, atuando como professora, coordenadora e, há mais de 11 anos, como diretora do Colégio Progresso Bilíngue Vinhedo/SP.
Sobre a ISP – International Schools Partnership
A International Schools Partnership (ISP) é um grupo internacional presente em 25 países, com 109 escolas privadas e mais de 92.500 estudantes em todo o mundo. A ISP apoia e capacita as instituições de ensino, desenvolvendo novos padrões de excelência em educação, para transformar as escolas em referência em suas comunidades locais e no setor educacional global. O aluno da ISP está no centro da jornada de aprendizagem e é preparado para o futuro, tendo acesso a educadores apaixonados e experientes, e ferramentas para que adquira confiança, conhecimento e habilidades; e aprimore seu aprendizado acadêmico, pessoal, social e emocional em um ambiente seguro, acolhedor e inclusivo. Para mais informações, acesse o site.
Social
Da tradição à produção audiovisual, Muvida mantém cultura viva na Vila Planalto
Reconhecido como Ponto de Cultura e Ponto de Memória, Muvida mantém atividades gratuitas que aproximam saberes tradicionais, capoeira, audiovisual e novas tecnologias
Ao longo de 2026, o Ponto de Cultura Muvida, na Vila Planalto, em Brasília, ampliou sua programação gratuita com atividades voltadas para os saberes tradicionais, cultura popular e empreendedorismo digital. Realizadas com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), as ações reuniram crianças, jovens, adultos e idosos em três frentes de formação: Benzimentos e Sabonete da Costa – Asé Dudu, Fotografia e Filmagens com Celular, e Capoeira Infantil. A iniciativa reforça a relevância do Ponto de Cultura que se mantém, permanentemente, em atividade, fazendo da cultura um instrumento de formação, convivência, preservação de saberes e criação de oportunidades no território.
Somadas, as três formações ofereceram 85 vagas gratuitas, sendo 20 para cada uma das oficinas e 45 para as aulas de capoeira. Inicialmente acessado, principalmente, pela comunidade da Vila Planalto, o Muvida, cada vez mais, tem sido acessado por cidadãos de todo o DF.
Embora os números ajudem a dimensionar as ações, uma das marcas do trabalho do Muvida está no encontro entre diferentes conhecimentos, gerações e públicos. Além de gratuitas, as formações priorizaram pessoas que historicamente enfrentam mais barreiras de acesso à cultura e à qualificação, como estudantes da rede pública, pessoas com deficiência, população negra, comunidade LGBTQIA+, pessoas em situação de vulnerabilidade social, jovens desempregados, pessoas com mais de 60 anos, imigrantes e pessoas em situação de rua. Com medidas de acessibilidade física, comunicacional e atitudinal, o Ponto de Cultura reforça seu papel como espaço de inclusão, preservação e compartilhamento de saberes e criação de novas possibilidades para a comunidade.
Saberes que passam de geração em geração
Na oficina Benzimentos e Sabonete da Costa – Asé Dudu, conduzida por Josefa Francisco Gomes Ataides e Mãe Maria do Cerrado, benzedeiras e erveiras compartilharam práticas transmitidas entre gerações, valorizando a oralidade e os saberes tradicionais. Os participantes conheceram práticas de benzimento, o uso de ervas e a produção do Asé Dudu, sabonete ligado às culturas de matriz africana. Foram produzidas 200 unidades, distribuídas aos participantes, que também puderam encontrar na prática uma possibilidade de geração de renda. A atividade reforça uma das vocações dos Pontos de Cultura: manter vivos e em circulação os conhecimentos preservados pelas próprias comunidades.
Formação que cabe na palma da mão
Aprender a transformar uma tecnologia cotidiana em ferramenta de criação, comunicação e trabalho foi a proposta da oficina Fotografia e Filmagens com Celular, ministrada por Vanessa Neres. A formação incluiu conteúdos de fotografia, filmagem, composição, iluminação, narrativa audiovisual e edição. Voltada especialmente a públicos com menor acesso a cursos e equipamentos profissionais, a atividade aproximou o aprendizado das possibilidades da economia criativa e da geração de renda.
Capoeira desde a infância
Para as crianças, a escolha foi por uma manifestação que reúne corpo, música, história e identidade: a capoeira. A atividade, além de ensinar os movimentos, trabalhou musicalidade, coordenação, disciplina, cooperação e a história da capoeira como expressão ligada à resistência afro-brasileira. A proposta incluiu ainda rodas abertas, permitindo que o aprendizado das crianças ultrapassasse a sala de aula e fosse compartilhado com famílias e comunidade.
Sobre o Ponto de Cultura Muvida
Mais do que espaços onde acontecem oficinas e eventos, os Pontos de Cultura são iniciativas de base comunitária que reconhecem e fortalecem a cultura produzida nos próprios territórios, articulando moradores, artistas, mestres e coletivos em ações continuadas. É nessa perspectiva que atua o tradicional ponto de encontro da Vila Planalto que nasceu, em 1999, a partir da casa de uma família de pioneiros e da atuação de seus filhos e netos. Certificado como Ponto de Cultura desde 2017, com reconhecimento da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal e do Ministério da Cultura, o Muvida é também reconhecido pelo Iphan como Ponto de Memória. As ações apoiadas pela PNAB encerram agora um ciclo, mas o espaço mantém-se em intensa atividade, com programação permanente voltado para formação, preservação de saberes e participação da comunidade.
Serviço:
Para conhecer e participar das atividades gratuitas:
Muvida Ponto de Cultura
Endereço: Rua Brasília, Lote 06, Acampamento Rabelo, Vila Planalto
Site: pontodeculturamuvida.com.br
Instagram: @ponto_de_cultura_muvida/
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