Social
Influência da mulher no mundo é tema de debate na 37ª Feira do Livro de Brasília
A Secretaria da Mulher do Distrito Federal (SMDF) marca presença na 37ª Feira do Livro de Brasília, que neste ano tem o tema “Mulheres a toda prosa”. O evento ocorre de 24 de novembro a 3 de dezembro no Museu da República. A SMDF montou um estande no local com frases icônicas de autoras renomadas e promove rodas de conversa, lançamentos de livros, contação de história, saraus, além de apresentações de dança e com bonecos.
Para a secretária da Mulher, Giselle Ferreira, a edição de 2023 é muito especial para trazer ao público o destaque da mulher na literatura brasileira. “Iniciativas como essas colaboram para que a igualdade de gênero de intensifique e para que possamos levar aos novos leitores – crianças e jovens – a paixão pela leitura e a admiração pelas nossas autoras”, completa.
No próximo sábado (2) haverá o lançamento do livro Storytelling Vidas Reais da coautora Nena Fonseca, às 18h e uma roda de conversa com a jornalista e escritora, Cléa Paixão, às 19h. Ela é autora do livro A influência da mulher no mundo: família, religião e sociedade, que com suas 288 páginas e ilustrações coloridas, tem gerado reflexões sobre as questões referentes às relações entre homens e mulheres. Trata de assuntos conflituosos como submissão, violência, religião e poder. Mesmo com a abordagem de temas relacionados à mulher é um livro para ser lido por mulheres e homens. Segundo Maria da Penha, mulher que deu nome à lei e fez a apresentação da obra, “esse é, com certeza, um livro para se ler e reler”
Cléa Paixão é alagoana, mas reside em Brasília há 28 anos. Sua obra literária apresenta uma arrojada pesquisa sobre a trajetória feminina, história, dados estatísticos que revelam a opressão, violência, evolução, libertação e conquistas das mulheres no Brasil e no mundo. Foi lançada, em 2013/2014, em Alagoas, Brasília, Mato Grosso e São Paulo. Tem sido usada como referência em monografias de conclusão de graduação e pós-graduação em universidades brasileiras, a exemplo da Universidade de Brasília e Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira da Bahia. Também está entre os livros indicados pelo Questão de Coaching com grande experiência em desenvolvimento de pessoas e coaching.
“O espaço aberto pela Secretaria da Mulher do DF é fundamental para dar visibilidade à temas que fortalecem as mulheres em tempos de elevação nos índices de feminicídio” afirma Cléa, e acrescenta: “As palestras de mulheres escritoras, poetas e artistas na feira têm mostrado que quando uma mulher avança, nenhum homem retrocede. Não há nada de perdas de sua diversidade, de sua riqueza, de sua intensidade, pelo contrário”. O prefácio do livro “A influência da mulher no mundo: família, religião e sociedade é de um homem, Fausto Rodrigues de Lima, promotor de Justiça do Distrito Federal.

Serviço:
37ª Feira do Livro de Brasília
De 1º a 03/12:
Sexta-feira (1º):
10h – Apresentação com bonecos
11h – Contação de histórias
15h – Apresentação com boneca
19h – Roda de Conversa – Com Beatriz Figueiredo
Sábado (2):
10h – Contação de histórias
11h – Exposição de livros com Andressa Mikaelly
15h às 16h – Palestra Empoderamento Feminino com Fabiana Graziele, Claudia Rodrigues e Leila Guimarães
17h às 18h – Oficina de dança
18h às 19h – Lançamento do livro Storytelling Vidas Reais com a co-autora Nena Fonseca
19h – Roda de Conversa “A influência da mulher no mundo” e momento de autógrafo, com a escritora e jornalista Cléa Paixão.
Domingo (3):
10h – Lançamento de livro
11h – Exposição de livros com Andressa Mikaelly
14h- Artista plástica Eva Leita
15h – Sessão de autógrafos com Noélia Ribeiro
16h – Recital de poesia com Rebeca de Asis
Assessoria de Comunicação
(61) 3330-3117
Policiais
Entidades estimulam domésticas a denunciar assédio eleitoral
A empregada doméstica Leandra Lacerda, 52 anos, recorda que precisou conviver com pressões de patrões durante períodos eleitorais. As mensagens chegaram em diferentes fases de sua trajetória profissional de formas, inclusive, escancaradas.
“Eu trabalhava numa residência. E a empregadora gritava comigo (para votar em um candidato)”, afirma.
Não foram raras as vezes em que isso ocorreu. Ela, que começou a trabalhar ainda criança, aos 11 anos de idade, já completa quatro décadas de serviços na casa de outras pessoas.
“Uma vez, uma pessoa lamentou que eu era uma pena, tipo uma sindicalista (por defender direitos da categoria)”.
Leandra se acostumou a ouvir imposições e a não se conformar com essas e outras violações. “Chegou para mim muito assédio eleitoral por parte dos patrões nesses últimos três períodos de votação”, garante.
Atualmente, ela é secretária de comunicação da Federação Nacional de Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad). Resolveu se tornar dirigente da entidade para estimular outras profissionais a denunciarem violações de toda ordem.
“Não passaremos pano”
Na última semana, a federação iniciou a campanha “Não passaremos pano”, em parceria com a Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos, para levar visibilidade às diferentes formas de violência contra trabalhadoras domésticas brasileiras, inclusive o assédio eleitoral
“A ideia é falar que não devemos aceitar desrespeito com a gente”, disse Leandra. Ela considera que o trabalho doméstico ocorre em um espaço de solidão e de invisibilidade.
“Sofremos todos os tipos de violações de direitos dentro de uma residência. Assédio sexual, moral, patrimonial e eleitoral”, diz a dirigente, que vive na cidade de Chapecó (SC).
Como reconhecer o assédio
Segundo o coordenador nacional de promoção da igualdade de oportunidades e eliminação da discriminação no trabalho (Coordigualdade), o procurador Igor Sousa Gonçalves, o assédio eleitoral ocorre quando o empregador se vale da autoridade para constranger, intimidar e influenciar as escolhas políticas. Inclusive, ameaçar de demissão ou até oferecer alguma vantagem.
“O empregador exige até o título de eleitor e informações sobre a zona eleitoral onde essa pessoa vai votar”, exemplificou o procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) em entrevista à Agência Brasil.
Igor Gonçalves lembra que denúncias podem ser feitas diretamente ao Ministério Público do Trabalho pela internet ou nas procuradorias do trabalho presencialmente em todo o país.
“É importante que essas trabalhadoras domésticas guardem mensagens, áudios e outros registros. Podem solicitar também o sigilo da identidade”. Nesse sentido, podem optar por trazer informações genéricas caso não queiram ser identificadas.
Vulnerabilidade
A organização não governamental (ONG) que realiza a campanha “Não passaremos pano”, a Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos, parte do princípio de que não existe democracia plena quando uma trabalhadora doméstica precisa escolher entre sua liberdade política e a manutenção do emprego.
“No trabalho doméstico remunerado, o assédio eleitoral é especialmente grave porque ocorre dentro dos lares, com maior dificuldade de fiscalização e em relações marcadas por profundas desigualdades de classe, gênero e raça”, pontua a diretora da entidade, Jéssica Miranda.
Ela destaca que o poder de contratar uma trabalhadora não dá a ninguém o direito de controlar suas escolhas políticas. “O voto é livre e secreto. A democracia também precisa ser respeitada dentro das casas onde essas mulheres trabalham”, ressalta.
“Eu não me dei conta”
Jéssica se baseia em histórias como a da doméstica maranhense Maria das Graças dos Santos, de 64 anos. Antes do trabalho doméstico, viveu na roça e quebrava coco babaçu desde os 10 anos de idade.
Ela, que teve cinco filhos, diz que recebeu pressões diversas para votar em candidatos próximos a famílias para as quais trabalhou. “Na época, não me dei por conta [da gravidade da situação]”.
Hoje, a diretora faz questão de falar para trabalhadoras mais jovens que o voto deve ser feito de forma livre. “Cada um de nós tem que exercer a democracia. Esse é um grande problema atual. Tem trabalhadora que vota por se sentir pressionada. Tem o medo de perder o emprego”.
Ambiente de risco
O procurador Igor Sousa Gonçalves garante que o MPT tem ferramentas de investigação e pode adotar medidas para proteger essa trabalhadora e buscar a responsabilização dos envolvidos. “As trabalhadoras domésticas, de modo geral, estão particularmente vulneráveis porque trabalham dentro da residência do empregador em um ambiente de isolamento, proximidade pessoal e dependência econômica”.
Segundo ele, a Lei 9.029, de 1995, resguarda trabalhadores das diferentes formas de discriminação. Até a noite dessa quinta-feira (22), havia cerca de 1,7 mil denúncias de assédio eleitoral. Para Gonçalves, as denúncias desse tipo de violação tendem a aumentar até domingo (25), dia da eleição.
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