Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Saúde

Nem mais, nem menos: saiba a quantidade ideal de fibra para colher os benefícios

Publicado em

A fibra alimentar é uma substância muito importante para a saúde, embora não seja absorvida pelo nosso organismo. Quando ingerido, serve de alimento para as bactérias do trato gastrointestinal, importantes para o nosso organismo. A Anvisa reconhece as propriedades funcionais decorrentes do consumo de fibras alimentares e seus benefícios quando consumidas em doses adequadas.

Estudos científicos mostram que o consumo de fibras em quantidades recomendadas contribui para o controle da glicemia (nível de açúcar no sangue), reduzindo o risco de diabetes, do colesterol, para a modulação da microbiota intestinal, para a saciedade, para o bom funcionamento do intestino, prevenção de câncer, o controle metabólico, e etc.

Diferenças entre fibra solúvel e insolúvel

As duas categorias principais de fibra incluem fibra solúvel e fibra insolúvel, cada uma desempenhando funções diferentes no corpo. Dependendo das necessidades do seu corpo, você pode precisar de um equilíbrio específico entre os dois, especialmente se estiver gerenciando uma condição de saúde específica.

Muitos alimentos vegetais contêm ambos os tipos de fibra —solúvel e insolúvel —, mas em quantidades diferentes. Confira abaixo as diferenças entre os tipos de fibra e como encontrá-las nos alimentos.

Advertisement

Fibra solúvel

A fibra solúvel é importante para a digestão, por absorver água e criar uma substância semelhante a um “gel” no intestino à medida que se dissolve. Também retarda o processo de digestão e a absorção, fazendo com que se sinta saciado por mais tempo. Como a fibra solúvel retarda a digestão, principalmente dos carboidratos, ela pode ajudar a prevenir picos de açúcar no sangue e promover o controle do açúcar no sangue.

A fibra solúvel também se liga ao colesterol dos alimentos e o transporta para fora do corpo através das fezes e, como resultado, pode ajudar a reduzir o colesterol no sangue. Dentre os alimentos ricos em fibras solúveis estão: a aveia, maçã, frutas cítricas, sementes e leguminosas.

Fibra Insolúvel

A fibra insolúvel não absorve água e é o tipo que você recorre para obter melhor regularidade intestinal, ajudando os alimentos a passarem mais rapidamente pelo sistema digestório e adicionando volume às fezes. Como a fibra insolúvel torna as fezes mais macias e facilita a evacuação, as partículas de alimentos não permanecem no cólon por muito tempo, ajudando a diminuir o risco de câncer colorretal.

Advertisement

Semelhante à fibra solúvel, a fibra insolúvel também reduz a resistência à insulina e, quando combinada com a fibra solúvel, pode ajudar a diminuir o risco de diabetes tipo 2 e melhorar o controle do açúcar no sangue (glicemia). Dentre os alimentos ricos em fibras insolúveis estão: farinha de trigo, farelo de trigo, couve-flor, nozes, feijões e batatas.

Alimentos que são fontes de fibras

Os alimentos com maior teor de fibras incluem as frutas, verduras, legumes, grãos e sementes. Veja em nossa tabela os alimentos com maior teor de acordo com porções convencionais de consumo.

tabela 1 alimentos fontes de fibra Nem mais, nem menos: saiba a quantidade ideal de fibra para colher os benefícios

E os suplementos de fibras?

Se você deseja aumentar seu consumo de fibras, lembre-se de começar devagar e tentar uma abordagem que priorize a alimentação, em vez de mergulhar de cabeça em um suplemento. Dependendo de como consumir (e principalmente sem orientação) pode causar problemas digestivos e piorar a constipação se não estiver devidamente hidratado.

Advertisement
Leia Também:  MídiaCOP promove educação midiática e ambiental em cooperação Brasil-França

Se necessário um reforço extra de fibras, os suplementos podem ser úteis —entretanto devem ser sempre recomendados por um profissional da área da saúde.

  • A casca de psyllium é uma forma eficaz de fibra solúvel que pode ajudar a reduzir o colesterol, equilibrar o açúcar no sangue e promover movimentos intestinais suaves e regulares.
  • A inulina é outro suplemento de fibra comum da raiz de chicória, um prebiótico que fornece alimento para as bactérias saudáveis ​​do intestino. Se quiser saber mais sobre prebióticos, confira a matéria do meu colega, também colunista, Guilherme Takassi “Alimentos fermentados, prebióticos e probióticos: como eles podem transformar a sua saúde”.
  • A dextrina do trigo é uma fibra solúvel que ajuda a regular a digestão e estabilizar o açúcar no sangue.

Uma opção é incorporar à alimentação a farinha de linhaça, pois tem uma parte insolúvel e parte solúvel.

Como escolher? 

Sintomas gastrointestinais como diarreia, prisão de ventre e inchaço podem exigir uma dose direcionada de fibra —é importante escolher a quantidade e tipo de fibra correta para obter resultados. Por exemplo, a diarreia necessita de um consumo de fibras solúveis; já a prisão de ventre,  fibras insolúveis.

A fibra solúvel pode ajudar a controlar a saúde intestinal e reduzir o colesterol. Enquanto a combinação de alimentos com fibras solúveis e insolúveis equilibram a glicemia e ajudam você a se sentir saciado por mais tempo.

Advertisement

A ingestão das fibras, bem como a quantidade, deve ter um olhar individualizado por um nutricionista que orientará o tipo e a quantidade ideal para você.

Benefícios das fibras

Listando alguns dos benefícios das fibras, já bem estabelecidos por estudos científico, quando o consumo de fibras é feito em quantidades recomendadas, podemos citar:

  • Controle da glicemia.
  • Controle do colesterol.
  • Modulação da microbiota intestinal.
  • Saciedade.
  • Funcionamento do intestino.
  • Prevenção de câncer.
  • Controle metabólico.

Como adquirir os benefícios?

Para adquirir os benefícios mencionados por meio de uma alimentação atenta às recomendações diárias de fibras, é necessário saber a quantidade de acordo com sua faixa etária e gênero, além de manter um estilo de vida saudável associado. As recomendações de fibras de acordo com faixa etária e gênero podem ser observadas no quadro abaixo:

tabela 2 quantidade ideal de fibras Nem mais, nem menos: saiba a quantidade ideal de fibra para colher os benefícios

A recomendação diária de fibras para um adulto saudável varia entre cerca de 25 g a 30 g por dia. Com o aumento do consumo de produtos processados, muitas pessoas acabam recorrendo ao uso de suplementos ricos em fibra. Aí, pode ser fácil exagerar, o que tende a causar alguns efeitos colaterais desagradáveis. Aumentar drasticamente e rapidamente a ingestão de fibras pode gerar problemas gastrointestinais —o que é mais provável de acontecer com suplementos do que com fibras de fontes naturais. Então, dê preferência à ingestão de fibras pela alimentação no lugar da suplementação.

Advertisement

Mas lembre-se, é necessário manter um estilo de vida saudável para que os benefícios sejam observados.

Como alcançar as recomendações de fibras em meu dia?

  • Consuma uma quantidade generosa de salada no almoço e no jantar.
  • Inclua sementes nos lanches intermediários ou até mesmo em seu almoço e jantar.
  • Consuma de 3 a 5 porções de frutas ao longo do seu dia.
  • Associe farelos e sementes às frutas e iogurtes.
  • Consuma frutas com casca, frutas secas e oleaginosas nos lanches intermediários.
  • Aproveite integralmente os alimentos, utilizando bagaços, talos e cascas em receitas culinárias.
  • Opte por alimentos integrais aos refinados, como arroz integral, farinha integral, pão integral etc.

Sinais de que você está exagerando nas fibras

  • Excesso de gases, inchaço ou cólicas. Isso pode ocorrer quando você começa a tomar suplementos de fibra. A fibra é semelhante a uma esponja e atrai água, causando inchaço. Também pode retardar a digestão até o ponto em que as cólicas ocorram. Esses problemas podem diminuir à medida que seu trato gastrointestinal se ajusta a doses mais altas de fibras, mas, se persistirem, pode significar que você está ingerindo uma quantidade maior do que de fato precisa.
  • Sentir-se “cheio” ou saciado demais. O grande volume de fibras ocupa seu sistema gastrointestinal e deixa menos espaço para outras substâncias. Assim, os alimentos ricos em fibras tendem a ser mais saciantes e naturalmente diminuem o apetite após uma refeição –de acordo com uma pesquisa da Appetite, o mesmo foi demonstrado para os suplementos de fibra.
  • Diarreia. A fibra atrai a água para o intestino e torna as fezes mais volumosas, mais suaves e mais fáceis de transitar. Entretanto, o excesso da substância (seja de suplementos, seja de alimentos) pode desencadear a diarreia.
  • Constipação intestinal. A fibra é essencial para auxiliar nos movimentos intestinais saudáveis. Contudo, se a pessoa ingerir fibras em excesso e não beber água, pode ocorrer uma constipação e o aumento na produção de gases, já que as bactérias se alimentam das fibras. Caso o consumo de água esteja inadequado, as fibras irão ressecar o bolo fecal e dificultar a evacuação.
  • Sentimento de desidratação. Suas necessidades de água aumentam quando você consome mais fibras. Por isso, adicionar suplementos à sua dieta sem a ingestão adequada de líquidos poderá fazer com sinta mais sede do que o normal. Preste atenção também se tiver diarreia, pois ela também pode aumentar o risco de desidratação.
  • Enjoo ou vômito. A ingestão excessiva de alguns suplementos de fibra, como o psyllium, pode causar náuseas ou até mesmo fazer você vomitar. Sempre busque orientação do seu médico e nutricionista.
  • Você se sente fraco, trêmulo ou com pouca energia. A fibra dietética pode ajudar a reduzir os picos de açúcar no sangue, especialmente em pessoas com diabetes ou pré-diabetes. Como o corpo é incapaz de absorver e quebrar a fibra, ela evita o aumento nos níveis de açúcar no sangue ao consumirmos carboidratos. Mas esse efeito pode se tornar problemático com altas doses de fibras de suplementos, que podem fazer com que a sua glicemia fique baixa, resultando em fraqueza ou tremores.
  • Redução de efeito de alguns medicamentos. Os suplementos de fibra podem dificultar a absorção de medicamentos como aspirina, ibuprofeno e antibióticos. As fibras também podem ter efeito sobre medicamentos outros usados, impedindo que eles sejam totalmente absorvidos.

*O conteúdo desta matéria tem caráter informativo e não substitui a avaliação de Profissionais da Saúde.

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do IstoÉ.

Veja Também

  • Ganho de peso durante a TPM: como reduzir o inchaço pré-menstrual
  • Entenda como suas emoções afetam as suas escolhas e a sua saúde
  • Refrigerante “normal” por zero: vale a pena trocar?
  • A irresponsabilidade por trás do discurso “faça o que quiser” em relação à saúde
  • Descubra quais alimentos ajudam ou pioram o inchaço abdominal
Fonte: IstoÉ
COMENTE ABAIXO:

Saúde

Diagnóstico tardio de doenças ginecológicas afeta qualidade de vida e pode comprometer saúde das mulheres

Published

on

Endometriose atinge cerca de 190 milhões de mulheres no mundo; sintomas normalizados de cólicas menstruais dificultam a identificação precoce da doença

 

A dor intensa durante a menstruação, o desconforto nas relações sexuais e as alterações abdominais estão entre os sintomas que podem indicar doenças ginecológicas. Apesar dos impactos na rotina, manifestações como essas nem sempre recebem a devida atenção, o que pode dificultar a investigação de condições como endometriose e o câncer de ovário em mulheres. O diagnóstico tardio pode prolongar o sofrimento das pacientes, comprometer a qualidade de vida e, no caso de doenças malignas, reduzir as possibilidades de tratamento em estágios iniciais.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 190 milhões de mulheres em idade reprodutiva convivem com a endometriose em todo o mundo, o equivalente a cerca de 10% dessa população. A doença crônica pode provocar dores intensas, alterações menstruais e dificuldades para engravidar.

A imagem mostra uma mulher adulta de pele clara, cabelo levemente avermelhado e blusa amarela. Ela está posicionada no centro e olha diretamente para a câmera com um sorriso aberto, mostrando os dentes.
Paula Andrea Navarro – Foto: Arquivo Pessoal

A professora associada do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e diretora do Laboratório de Reprodução Assistida, Paula Andrea Navarro, explica sobre o que é endometriose e como ela se manifesta no corpo feminino.

“A endometriose é uma doença caracterizada pela presença de endométrio, que é o revestimento interno da cavidade do útero, fora da cavidade uterina, sendo uma doença crônica. Ela é considerada não só uma doença ginecológica, mas uma doença sistêmica. Os mecanismos pelos quais a endometriose acontece não são completamente esclarecidos, parte dos pacientes, acredita-se que é por refluência de sangue durante a menstruação pelas trompas uterinas.”

Advertisement
Leia Também:  Educação Infantil não é “brincadeira”: primeiros anos na escola definem bases cognitivas, sociais e emocionais das crianças

Paula exemplifica, ainda, que a endometriose pode ocorrer de forma diversa em cada paciente, sendo importante atentar aos sintomas. “A endometriose é uma doença enigmática com manifestações particulares em cada paciente. Não necessariamente a quantidade de focos se relaciona com a intensidade dos sintomas. Os principais sintomas são a dor da menstruação (dismenorreia), existe a possibilidade de dor durante a relação sexual e sintomas intestinais durante o período menstrual”, relata.

Histórico familiar e diagnóstico 

A doença também pode estar associada a questões genéticas, ou seja, uma mulher que possui família com histórico da patologia deve manter a atenção aos sintomas para obter seu diagnóstico de forma precoce. “Pacientes mulheres que têm familiares com a doença têm mais chances de ter endometriose do que quem não tem histórico familiar”, afirma a professora.

Advertisement
A imagem mostra um homem adulto de pele clara, roupa formal na tonalidade rosa e possui cabelos levemente grisalhos. Ele está posicionado no centro e sorri amplamente em direção à câmera, mostrando os dentes.
Julio Cesar Rosa e Silva – Foto: Arquivo Pessoal

Julio Cesar Rosa e Silva, professor associado do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e secretário da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE), explica os exames que devem ser realizados em pacientes com suspeita da patologia.  “Muitas vezes o exame ginecológico nos faz suspeitar da doença mas, hoje, o diagnóstico é feito com exames de imagem, ultrassonografia transvaginal ou ressonância magnética da pélvis.”

A identificação tardia pode prolongar os períodos de dor e dificultar o controle dos sintomas. Dependendo da localização e da extensão das lesões, a doença pode afetar a rotina de trabalho e de estudos, o sono, as relações afetivas e a saúde emocional. “A endometriose é uma doença que realmente tem um atraso diagnóstico bastante significativo. Em média, o diagnóstico pode demorar de cinco a dez anos desde o início dos sintomas. Um dos fatores é pela sociedade acreditar que ter cólica menstrual é um sintoma normal”, diz o professor.

Leia Também:  O que explica o sucesso dos primeiros colocados nos Jogos Olímpicos de Paris

Fertilidade e conscientização 

A patologia está relacionada com dificuldade de fertilidade em parte das pacientes, embora nem todas as mulheres com a doença apresentem esse problema. “Com o passar dos anos e a presença do processo inflamatório constante, isso vai gerando processos aderenciais e acabam com que o diagnóstico tardio comprometa a fertilidade da mulher, pois acabam distorcendo toda a anatomia pélvica e comprometendo a qualidade do óvulo e a capacidade do embrião se implantar dentro do útero”, afirma o professor.

Advertisement

Por ser uma condição crônica, a endometriose não possui cura definitiva estabelecida. Entretanto, existem tratamentos para controlar a dor e outros sintomas, incluindo medicamentos hormonais, analgésicos e, em situações específicas, procedimentos cirúrgicos. A conscientização dos profissionais de saúde pode contribuir com a qualidade de vida das mulheres. “Nós precisamos também conscientizar as equipes de saúde, muitas vezes a própria equipe de saúde não está atenta e aberta a sentir e ouvir os sintomas da paciente, isso acaba postergando o diagnóstico, comprometendo significativamente sua qualidade de vida.” finaliza Rosa e Silva.

Estagiária sob supervisão de Gabriel Soares

Fonte matéria: Jornal da USP

Advertisement
COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

MULHER NO ESPORTE

MULHER NA POLÍTICA

MULHER NA SAÚDE

MULHER SOCIAL

MULHER CELEBRIDADE

MAIS LIDAS DA SEMANA