Politica
Iges presta contas à CLDF sobre UPAs e hospitais do Sol e de Santa Maria
Foto: Rinaldo Morelli/ Agência CLDF
Em audiência pública nesta sexta-feira (22), a Comissão de Fiscalização, Gestão, Transparência e Controle da CLDF concluiu a prestação de contas do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) iniciada no último dia 7. Pela manhã, foi apresentado balanço sobre a gestão e o funcionamento do Hospital de Base nos dois primeiros quadrimestres de 2024.
À tarde, o foco recaiu sobre o Hospital Regional de Santa Maria, o Hospital do Sol e as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).A audiência deteve-se, também, nos contratos do Instituto. “Observamos um aumento de 300% dos recursos à empresa que está oferecendo alimentação e, reiteradamente, vocês não estão satisfeitos com o serviço. Como se explica?”, cobrou a deputada Paula Belmonte (Cidadania), que preside a Comissão de Fiscalização.
Neste ano, a imprensa divulgou, em larga escala, as condições insalubres nas cozinhas dos hospitais de Base e de Santa Maria, cobertos por esse dispositivo contratual. Além disso, o Ministério Público do DF e Territórios e a Polícia Civil distrital investigam o contrato por denúncia de corrupção.
Santa Maria
A superintendente Eliane Abreu apresentou os dados do Hospital de Santa Maria. Como serviço exemplar da unidade, elencou a linha de atendimento materno-infantil e destacou, ainda, o aumento de 31% das cirurgias realizadas. Uma série de indicadores foi cumprida com folga, com resultados que chegam a dobrar o objetivo estabelecido. Diante disso, a distrital Dayse Amarilio (PSB) recomendou a repactuação dessas metas para a próxima prestação de contas, já que os alvos podem estar subdimensionados.
Entre os números deficitários, constam os parâmetros da taxa de infecção de sítio cirúrgico em cirurgias limpas (42% de janeiro a agosto) e de consulta médica na atenção especializada em urologia (em torno de 80%). Outro ponto crítico veio à tona no depoimento de Denise Bastos, membra do Conselho de Saúde de Santa Maria. Ela relatou denúncias de usuários sobre falta de higienização no pronto-socorro, centro cirúrgico e centro obstétrico. Ato contínuo, Amarilio defendeu a revisão dos contratos de limpeza do hospital.
Hospital do Sol
Criado para atender pacientes de Covid-19 no contexto da pandemia, o hospital funciona a portas fechadas, isto é: o paciente precisa ser encaminhado para lá de outra unidade. Neste ano, foi um dos pilares da Secretaria de Saúde para receber casos de dengue.
Quanto à satisfação dos usuários, somou 86% de avaliações positivas no quadrimestre. Apesar do número expressivo, a taxa de ocupação de leitos limitou-se, em média, a 76% no período. “Se o hospital tem essa qualidade, por que não está com ocupação dos 60 leitos?”, questionou Amarilio, que recomendou a ampliação a fim de atender mais usuários.
UPAs
De janeiro a agosto de 2024, as Unidades de Pronto Atendimento contabilizaram aproximadamente 700 mil atendimentos. Desses, 55% concentram-se nas regiões administrativas de Ceilândia, São Sebastião, Recanto das Emas, Sobradinho e Samambaia.
De modo análogo ao que ocorreu em outras unidades, certos indicadores superaram as metas, como o atendimento de urgência. Outros, porém, ficaram aquém do que deveriam, a exemplo do tempo de espera na urgência e emergência com classificação verde das UPAs de Planaltina e Ceilândia II. Presidente do Instituto, Juracy Lacerda comentou que o Iges vem testando a telemedicina como via para desafogar as unidades. Caso o retorno seja positivo, pretendem implantar em todas as UPAs.
Outro gargalo consiste na baixa resolutividade da ouvidoria que, de acordo com o superintendente das UPAs, Francivaldo Soares, revela um problema procedimental. Em muitos casos, o usuário que procurou o serviço não avalia o atendimento que recebeu, o que derruba os números das metas pactuadas.
A audiência
A prestação de contas destrinchou os dados por quase 10h. Além de debruçar-se sobre unidades comandadas pelo Iges, também tratou de ações de pesquisa e inovação realizadas pelo Instituto. Os parlamentares presentes reconheceram avanços em comparação às últimas audiências dedicadas à matéria, mas também identificaram um rol de insuficiências. “Quando visito as unidades do Iges e me reúno com vocês, saio sempre com esperanças. Mas ao conversar com os profissionais, sinto que eles ainda não percebem o impacto de melhorias da nova gestão”, resumiu Belmonte.
Daniela Reis – Agência CLDF
Politica
Cientista política analisa uso da pauta feminina nas eleições pela direita
Das 16 mulheres que tomam posse em fevereiro de 2027, sete são do Partido Liberal (PL) de Zucco; esquerda terá somente quatro cadeiras femininas.
Pelo terceiro pleito eleitoral seguido, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS) bateu o recorde de ocupação feminina. Foram 16 as mulheres escolhidas pelo povo gaúcho para representá-las na casa do Poder Legislativo, superando as onze eleitas em 2022. Desta vez, no entanto, a representatividade feminina seguiu os rumos da eleição nacional e migrou ainda mais para a direita.
O Partido Liberal (PL) foi o mais beneficiado pelas urnas: reelegeu as suas duas deputadas, Kelly Moraes e Adriana Lara, e elegeu outras cinco candidatas: Adri Cherini, Comandante Nádia, Vanice de Matos, Daiane Mello e Ali Klemt.
Além disso, dentre as quatro candidatas mulheres mais votadas, três são do partido do governador eleito Luciano Zucco. Adri Cherini (PL) foi a deputada estadual mais votada não somente entre as mulheres, mas entre todos os 56 candidatos eleitos. Somente em outros três pleitos a corrida ao Palácio Farroupilha foi protagonizada por uma mulher: em 1966, com Teresinha Chaise (MDB); em 2010, com Silvana Covatti (PP); e em 2014 com Manuela d’Ávila (PCdoB). Já Comandante Nádia (PL) e Kelly Moraes (PL), conquistaram respectivamente os terceiro e quarto lugares entre as mulheres. Luciana Genro (PSOL), terceira colocada geral, foi a segunda mulher mais votada.
Apesar de ter acompanhado o crescimento da extrema direita a nível nacional, o resultado eleitoral no Rio Grande do Sul é ainda mais expressivo em relação às mulheres, aponta Teresa Sacchet, cientista política e professora da UFRGS. Enquanto somente 15,7% dos 121 deputados eleitos pelo PL à Câmara são mulheres, as deputadas estaduais do PL gaúcho somam 58% da bancada do partido. Dos doze concorrentes eleitos pelo partido à ALRS, sete são mulheres.
A dominância deste campo político também é favorecida pela retração do lado oposto. Se na atual legislatura são sete as deputadas estaduais de direita e cinco as de esquerda – Zilá Breitenbach (PSDB) assumiu como suplente após a perda do mandato do deputado Professor Bonatto (PSD), totalizando doze mulheres na ALRS em 2026 – a partir do ano que vem, serão doze de direita e somente quatro de esquerda.
Além de Luciana Genro (PSOL), representarão a esquerda as deputadas estaduais eleitas Natasha (PT), Karen Santos (PSOL) e Sofia Cavedon (PT). As cinco demais candidatas de direita são Delegada Nadine (PSD), Ronize Damassini (PP), Delegada Ana Tarouco (PSD), Nicole Weber Covatti (PP) e Bruna Molz (Podemos).
Sacchet observa que a eleição de deputadas mulheres à Assembleia Legislativa representa por si só um aspecto democratizante, já que o poder legislativo passa a ter uma composição mais próxima àquela verificada socialmente. “Algumas pesquisas demonstram que as políticas mulheres têm uma probabilidade maior de defender os interesses das suas iguais em comparação aos homens”, comenta a cientista política.
Por outro lado, esse fator nem sempre beneficia grupos minoritários da população, indica Sacchet. “A gente vê que tem mulheres que se opõem a algumas agendas que foram conquistadas às custas de muita luta do movimento feminista, de mulheres parlamentares. Quando isso acontece, a voz delas é mais facilmente ouvida, tem mais força. De alguma forma, acabam fazendo um desserviço para a causa”, diz.
Somadas, as candidatas de todos os partidos de esquerda reuniram quase 500 mil votos, o que corresponde a 1/3 de todos os votos em deputadas estaduais mulheres. Enquanto isso, somente as candidatas do PL concentraram praticamente a mesma quantidade, com uma desvantagem em menos de dois mil votos.
O maior contingente de votos em candidatas de direita revela uma cooptação do discurso político feminino para esse polo, indica Sacchet. “A pauta de aumento na representação de mulheres e de outros grupos sociais subalternizados é historicamente da esquerda, de movimento sociais” avalia a cientista política. “O fato de termos mais mulheres pelo PL me leva a pensar que os partidos de direita estão usando essa pauta estrategicamente para se elegerem”, completa.
Apesar do resultado histórico para as mulheres, a votação em candidatas do gênero feminino ainda é desproporcional no Rio Grande do Sul. Dos 6,1 milhões de votos válidos na eleição para deputado estadual pelo RS, cerca de 1,6 milhão foram em candidatas mulheres, o que corresponde a uma parcela de 26%. Considerando que as mulheres representavam 34% das candidaturas à Assembleia Legislativa – 179 das 528 totais –, é possível perceber uma preferência por candidatos homens por parte do eleitorado gaúcho.
FONTE:
sul21.com.br
Por Pedro Stahnke
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