Politica
Criação da carreira de Contador Público do DF ganha força e mostra vantagens
Implementação do quadro trará como impactos eficiência na gestão da máquina pública, economicidade, transparência e segurança na gestão de todos os recursos movimentados no âmbito dos cofres públicos do Distrito Federal
Mais eficiência na gestão da máquina pública, com economicidade, transparência e segurança na gestão de todos os recursos movimentados no âmbito dos cofres públicos do Distrito Federal. Esses são alguns dos efeitos provenientes da criação da carreira de Contador Público do DF, uma pauta que vem ganhando cada vez mais espaço em meio à sociedade. Além disso, a ideia também trará solidez dentro dos quadros do GDF, com possibilidade de isonomia e economia ao erário.
O movimento para a criação da carreira de Contador Público tem crescido e, hoje em dia, vem motivando reuniões, encontros, palestras e diversas análises a respeito do tema. Para os primeiros meses de 2025, a Associação dos Contabilistas Públicos do Distrito Federal (Ascont-DF) apresentará ao Conselho Regional de Contabilidade do Distrito Federal (CRC-DF) estudo que aponta a importância da criação da carreira.
O presidente da Ascont-DF, Wagner Araújo, destaca a viabilidade desse avanço. “Sim, é possível criar a nova carreira. Mas, mais que isso, é fundamental que isso ocorra. E é o que vamos mostrar, com todos os números, e explicitando ainda o salto na gestão que o DF vai viver”, antecipou.
Wagner Araújo, Darlan Barbosa e Eduardo Pedrosa
O presidente do CRC-DF, Darlan Barbosa, explica ainda a importância estratégica para a chegada da nova fileira. “Este avanço será fundamental para aprimorar os processos de gestão fiscal e orçamentária, contribuindo diretamente para a entrega de melhores resultados à população do Distrito Federal. A contabilidade pública desempenha um papel estratégico na gestão dos recursos públicos e na efetividade das políticas públicas, garantindo transparência, controle e eficiência na aplicação dos recursos da sociedade”, destacou.
Darlan também enumera os ganhos para toda a estrutura do GDF. “O fortalecimento da contabilidade governamental, em complementação e apoio à atual estrutura do GDF, trará mais solidez às contas públicas”, disse. “A criação da carreira de contadores públicos será um marco importante para o Distrito Federal, promovendo ainda a valorização profissional”, completou.
RESSALVAS NAS CONTAS
Neste ano, as contas do Governo do Distrito Federal de 2023 foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) com ressalvas. Ao todo, o Tribunal apontou 27 ressalvas, fez 25 determinações e quatro recomendações relacionadas às contas do primeiro ano da atual gestão.
Entre as principais ressalvas estão gastos sem cobertura contratual, obras públicas, Parcerias Público-Privadas (PPPs), saúde pública, educação, proteção animal, meio.
Para sanar a situação, a Corte fez determinações que focaram no aprimoramento do planejamento governamental com previsões, metas e indicadores mais próximos da realidade; no aumento da transparência na divulgação de informações de renúncias, benefícios fiscais e andamento das obras públicas e na diminuição dos gastos sem cobertura contratual.
O tribunal ainda determinou o aprimoramento das cobranças da dívida ativa, que corresponde ao montante que o governo tem a receber, como, por exemplo, os impostos não recolhidos dentro do prazo. E, ainda, apontou a necessidade de correções das divergências existentes no valor da dívida de precatórios, entre outras.
Darlan explica que a presença de Contadores Públicos efetivos, com formação na área, teria trazido muito mais consistência aos dados apresentados. “Esse é o clássico caso em que um quadro sólido, com formação exigida por edital, teria feito toda a diferença. E, no caso, estamos falando das contas de todo o Distrito Federal”, explicou.
DISCUSSÕES EM PAUTA
Na última semana, um evento marcou a movimentação pela criação da carreira de Contador Público do Distrito Federal. O encontro reuniu cerca de 120 representantes da categoria e tratou de assuntos pertinentes à contabilidade pública como um avanço para a gestão dos recursos do Distrito Federal.
O presidente do Conselho Regional de Contabilidade frisou a importância da aderência do Distrito Federal às novas normas de contabilidade aplicada ao setor público em concordância com as normas internacionais de contabilidade. Da unificação de atribuições, visto que as várias carreiras do Distrito Federal que contém cargos de contabilistas dispõem de atribuições diversas e às vezes divergentes relativas aos cargos de contador público e técnico contábil público, isso traz insegurança jurídica e dificulta o treinamento desses servidores.
APOIO POLÍTICO
A criação da carreira de Contador Público do Distrito Federal, com vistas à eficiência na gestão das contas do DF, já conta com forte adesão política. Nessa linha, uma carta de apoio à medida foi assinada por 14 deputados distritais.
O evento da última semana teve a presença do deputado Eduardo Pedrosa (União Brasil), que enfatizou a importância dos servidores concursados nos cargos de contadores e técnicos contábeis públicos na confecção de dados e informações técnicas na tomada de decisão dos gestores públicos. Ele também elogiou o movimento em prol da criação da carreira de Contabilidade Pública e se colocou a disposição para ajudar no que for possível.
Crédito: Divulgação
Fonte: Jornalista Marcelo
Policiais
Com alta da violência política no Brasil, mulheres são maiores vítimas
As ameaças de morte e de violência sexual denunciadas, nesta quinta (8), pela deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) ilustram o cenário de violência política pelo qual passa o Brasil durante a campanha eleitoral de 2026. 
Segundo levantamento divulgado pelas organizações de direitos humanos Terra de Direitos e Justiça Global, houve 134 casos de violência política durante a campanha até o primeiro turno das eleições, no último domingo (4), o que representou um caso a cada nove horas. Ao todo, 70 tiveram mulheres como vítimas (52,2%).
Dos 102 episódios dirigidos apenas a pessoas candidatas, 60 tiveram mulheres como vítimas (58,8%). Embora representem cerca de um terço das candidaturas, as mulheres foram alvos em mais da metade dos episódios de violência.
Segundo a coordenadora de Incidência Política da Terra de Direitos, Gisele Barbieri, a violência política de gênero desqualifica e intimida mulheres, e mostra como o cenário é muito preocupante para a democracia brasileira.
O ambiente digital tem sido, segundo ela, um terreno de agressões sistemáticas. Segundo a especialista, a falta de regulação das redes sociais é um elemento que dificulta o enfrentamento dessas violências. Apesar disso, a maior parte dos casos (71) ocorreu nas ruas.
“É necessário uma força-tarefa do Estado para dar respostas mais rápidas contra essas violências”, avaliou a pesquisadora em entrevista à Agência Brasil.
O número de 134 casos foi mapeado durante os 50 dias das campanhas eleitorais do 1º turno, iniciadas em 16 de agosto e encerradas no último domingo (4).
Subnotificação
Gisele Barbieri explica que a pesquisa mapeia principalmente registros que chegam ao conhecimento público, o que leva a uma estimativa que o número de 134 seja menor do que o real. Principalmente porque nem todos os casos de violências são denunciados.
Para ela, mulheres, por exemplo, podem se sentir ainda mais expostas se não há respostas ou providências das autoridades policiais. “Existe essa subnotificação. Os casos muitas vezes não chegam à opinião pública por causa do medo”.
Ela defende que existam providências e punições com agilidade para que tenham caráter pedagógico em função do impacto desse tipo de violência para a democracia.
Em crescimento
A pesquisadora mostra que o número representa um aumento dos casos em relação ao primeiro turno de 2022, quando foram registrados 121 casos. Esta 4ª edição da pesquisa levantou que a violência política foi cinco vezes mais frequente do que no período sem disputa eleitoral (que teve uma média de uma ocorrência a cada 44 horas).
A coordenadora da Terra de Direitos considera inadmissível a naturalização de episódios violentos, que funcionam para intimidar propostas dos representantes políticos.
“Esse cenário de hostilidade, além de intimidar, gera rupturas profundas no nosso sistema democrático exigindo do Estado uma resposta firme e proporcional à gravidade da situação”, destaca Gisele Barbieri.
Dos episódios registrados no período, 54 (40,3%) atingiram pessoas que disputavam ou exerciam cargos federais. Outros 48 casos (35,8%) tiveram como alvo pessoas que disputavam ou exerciam cargos estaduais.
A ameaça foi o tipo de violência política mais recorrente (64 casos). Na sequência, aparecem 33 episódios de ofensa e 19 de agressão física. Também foram registrados 11 atentados, cinco casos de criminalização e dois assassinatos. As duas mortes foram de agentes relacionados à esfera municipal, de um vereador e um de secretário municipal.
Misoginia
Entre os 70 episódios contra mulheres, foram apontados:
- Machismo ou misoginia em 45 casos
- Racismo em nove
- Transfobia em cinco.
Entre os 32 episódios de violência física (agressões, atentados e assassinatos) as mulheres foram vítimas em 21,9% dos casos. Já entre os 97 episódios de violência simbólica, que incluem ameaças e ofensas, as mulheres foram vítimas em 61,9% (60 casos).
Os dois assassinatos e dez dos 11 atentados tiveram homens como vítimas. Já as sete ameaças de violência sexual tiveram mulheres como vítimas exclusivamente.
Racismo
Pessoas negras representaram 44,8% (60) de todas as vítimas de violência política no primeiro turno. Entre as mulheres vítimas, 19 das 70 eram mulheres pretas, mais de uma em cada quatro.
“Enquanto os homens são atacados por sua atuação política, mulheres, pessoas negras e pessoas trans enfrentam também o racismo, o machismo e a transfobia que estruturam a sociedade brasileira”, disse a coordenadora da Justiça Global, Glaucia Marinho.
Outros dados da pesquisa referem-se aos responsáveis pelas violências: em 26 episódios (19,4% do total de 134), o autor identificado era um agente público. Pelo menos 14 eram parlamentares ou governantes e sete eram agentes de segurança.
Ainda segundo o levantamento, nenhum dos 134 episódios registrados teve punição até o encerramento da coleta de dados. Durante a campanha, em pelo menos oito casos houve medidas de urgência, como remoção de vídeos, suspensão de perfis e concessão de medidas protetivas.
Para a equipe pesquisadora, essas medidas chegam a interromper a violência, mas não representam a responsabilização dos autores.
As unidades federativas com maior número de ocorrência de casos são os estados de São Paulo (16), Rio Grande do Norte (13), Minas Gerais (12) e Rio Grande do Sul (10).
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