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Hormônios para estética: o que as mulheres precisam saber sobre os riscos dos “chips da beleza”
Endocrinologista alerta para os riscos do uso de hormônios e anabolizantes com finalidade estética e esclarece o papel da terapia hormonal na menopausa

Crédito: Magnific
Belo Horizonte, 19 de junho de 2026 – A busca por ganho de massa muscular, emagrecimento e melhora da aparência física tem levado muitas mulheres a usarem hormônios e anabolizantes divulgados como soluções para melhorar o corpo e retardar o envelhecimento. Entre as substâncias mais frequentemente associadas a esse cenário estão a oxandrolona e a gestrinona, especialmente na forma de implantes hormonais, popularmente conhecidos como “chips da beleza”.
Segundo a endocrinologista do Hospital Orizonti, Kamilla Brandão, esses tratamentos costumam ser oferecidos para finalidades estéticas, apesar da ausência de evidências robustas de segurança e eficácia para esse tipo de uso, e explica a diferença entre os medicamentos:
- Oxandrolona: esteroide anabolizante derivado da testosterona. Apesar de sua popularização nas redes sociais e em ambientes ligados à estética e à performance física, não possui indicação aprovada para emagrecimento, rejuvenescimento ou ganho de massa muscular em mulheres saudáveis.
- Gestrinona: hormônio sintético utilizado no passado para o tratamento de condições ginecológicas, como a endometriose. Não possui aprovação para finalidades como emagrecimento, ganho de massa muscular ou antienvelhecimento.
“O principal problema é que essas substâncias passaram a ser utilizadas com fins estéticos, sem evidências científicas robustas de segurança para esse tipo de uso. Quando falamos de hormônios, não basta avaliar apenas os resultados na balança ou na composição corporal, é preciso considerar os efeitos sobre o coração, o fígado, o metabolismo e a saúde da mulher ao longo dos anos”, explica a especialista.
A médica destaca os principais efeitos adversos associados ao uso inadequado de hormônios androgênicos e anabolizantes em mulheres:
- Problemas cardiovasculares
Alterações do colesterol, aumento da pressão arterial e possível elevação do risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). - Toxicidade hepática
Maior risco de lesão hepática, especialmente com alguns anabolizantes administrados por via oral. - Virilização
Engrossamento da voz, aumento do clitóris, crescimento excessivo de pelos e queda de cabelo podem persistir mesmo após a suspensão do tratamento. - Alterações emocionais e psiquiátricas
Ansiedade, irritabilidade, oscilações de humor e sintomas depressivos podem ocorrer em algumas pacientes. - Problemas dermatológicos
Acne, aumento da oleosidade da pele, queda de cabelos e piora de quadros dermatológicos pré-existentes. - Alterações menstruais e infertilidade
Supressão da ovulação, irregularidade menstrual e dificuldade para engravidar. - Alterações metabólicas
Piora da resistência à insulina, aumento da gordura visceral e maior risco cardiometabólico em determinadas situações.
Uso na menopausa
Segundo a médica, a oxandrolona, quando corretamente indicada, possui benefícios comprovados para o tratamento dos sintomas da menopausa e para a melhora da qualidade de vida de muitas mulheres. Já a gestrinona atualmente não faz parte do tratamento.
“A terapia hormonal da menopausa tem como objetivo aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida da mulher. A queda dos níveis hormonais pode causar sintomas como ondas de calor, alterações do sono, ressecamento vaginal, alterações de humor e perda acelerada de massa óssea. Nesses casos, a terapia hormonal da menopausa pode trazer benefícios importantes quando indicada após avaliação individualizada, na ausência de contraindicações. Não se trata de um tratamento para ganho de massa muscular, emagrecimento ou transformação estética”, conclui a endocrinologista Kamilla Brandão, do Hospital Orizonti.
Sobre o Hospital Orizonti
O Hospital Orizonti faz parte do Grupo Orizonti, fundado pelos médicos Amândio Soares Fernandes Júnior e Roberto Porto Fonseca – tendo como sócios os doutores Ernane Bronzatti e Marcelo Guimarães, conta com mais de 250 leitos, centro cirúrgico completo, além de centro de medicina nuclear e de diagnóstico por imagem, centro de transplante de medula óssea (TMO) e radioterapia. São mais de 55 especialidades disponíveis, entre elas neurologia, oncologia, ortopedia e cardiologia. O edifício bioclimático possui jardins internos e um dos maiores telhados verdes da América Latina – mais de 7 mil metros quadrados. Cercado pelas montanhas da Serra do Curral, integrado ao meio ambiente, tem vista panorâmica para Belo Horizonte (MG).
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