Mulheres incriveis
Homenagem às doulas e defesa do parto humanizado marcam sessão solene na CLDF
Participantes debateram avanços na legislação, incluindo a recente regulamentação da profissão, além de sugestões para ampliar a humanização do parto

Sessão solene -Homenagem às Doulas e em apoio à construção do Marco Legal da Doulagem no DistritoFederal, em 03 de agosto de 2026.
Foto: David Calaça / Agência CLDF
Especialistas apontaram importância da doulagem para redução da taxa de mortes maternas até 2030, conforme compromisso assumido com a ONU
Nesta segunda-feira (3), a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) promoveu sessão solene em homenagem às doulas, profissionais que prestam apoio físico, emocional e informacional durante o ciclo de gestação, parto e puerpério. O evento ocorreu por iniciativa da deputada distrital Doutora Jane (Republicanos), em reconhecimento à contribuição das doulas para a promoção da saúde, da dignidade e dos direitos das mulheres.
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Segundo a parlamentar, é necessário “garantir o cumprimento das leis, valorizar essas profissionais, ampliar as oportunidades de formação e assegurar que nenhuma gestante tenha o direito à presença de uma doula impedido injustificadamente”.
Ao longo da sessão solene, participantes citaram avanços na legislação local e nacional, como o Estatuto do Parto Humanizado no DF (Lei Distrital 5.534/2015, considerada uma das pioneiras no tema) e a recente regulamentação da profissão de doula (Lei Federal 15.381/2026). Também foram apresentadas sugestões para valorizar o trabalho das doulas e ampliar a humanização do parto.

Sessão solene -Homenagem às Doulas e em apoio à construção do Marco Legal da Doulagem no Distrito Federal, em 03 de agosto de 2026.
Deputada Doutora Jane (Republicanos) entrega moção de louvor.
Foto: David Calaça / Agência CLDF
A presidente da Associação de Doulas da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (ASDOULASRIDE), Marilda Castro, sugeriu a criação da Semana Distrital da Doula — no fim de março, para coincidir com a Semana Mundial da Doula — e do Dia Distrital da Doula — em 18 de dezembro, mesma data de outras unidades da federação.
Entre muitos outros atendimentos, Marilda foi doula de Marília Lídia de Assis em duas gestações, da filha Jade e do filho Lohan. A mãe deu um breve depoimento sobre a importância de ser acompanhada pela profissional. “A doula é uma figura necessária porque nos auxilia a ter conhecimento do nosso corpo e a sermos respeitadas nas nossas decisões”, opinou Marília. Ela contou que a atuação da doula beneficiou toda a família e aumentou a participação do pai no processo de nascimento. “A doula vem como uma importante semente para fortalecer a família”, definiu.

Sessão solene -Homenagem às Doulas e em apoio à construção do Marco Legal da Doulagem no Distrito Federal, em 03 de agosto de 2026.
Na tribuna: Marília Lídia de Assis.
Foto: David Calaça / Agência CLDF
Do ponto de vista das profissionais, a doula Ludmila Suaid falou sobre a sua experiência: “Eu amo ser doula. É incrível ver um bebê nascendo de forma respeitosa. Eu também percebo que a equipe de saúde fica mais calma quando nós estamos acompanhando”.
Representando a Secretaria de Saúde do DF, a enfermeira obstetra Gabrielle Mendonça ressaltou que vários estudos demonstram a contribuição positiva da doula, em especial na redução da ansiedade materna e na adesão ao aleitamento materno. Ela avalia que a doula contribui para o sentimento de segurança da mulher, tornando-se uma pessoa de referência em todo o processo, principalmente quando a equipe do parto é diferente da equipe do pré-natal. “A doula vem justamente para ser o elo entre a atenção primária e o hospital”, disse a enfermeira.
Para a presidente da Rede pela Humanização do Parto e Nascimento (ReHuNa), Daphne Rattner, o Brasil precisa de uma reforma obstétrica, aumentando a participação de enfermeiras obstetras, doulas e psicólogos.“Queremos um modelo que seja centrado no bem-estar da mulher, do bebê, da família e da pessoa que gesta, não nas conveniências de profissionais e instituições. Precisamos mudar o modelo, reduzir intervenções desnecessárias e diminuir a mortalidade neonatal e materna”, defendeu Daphne.
Ela destacou que a mortalidade materna brasileira tem resistido a mudanças e permanecido estável, em patamares acima de 50 mortes por 100 mil nascidos vivos. A meta do Brasil é diminuir a taxa para 30 mortes maternas a cada 100 mil nascidos vivos até 2030, conforme compromisso assumido com a Organização das Nações Unidas (ONU).
A sessão solene completa está disponível no YouTube da TV Câmara Distrital.
Agência CLDF
Diversas
Procuradoria Especial da Mulher lança edital do Selo Empresa Amiga da Mulher
Programa da Câmara Legislativa do Distrito Federal reconhece empresas e organizações que adotam ações de valorização, inclusão, proteção e promoção dos direitos das mulheres
Inscrições seguem abertas até 30 de setembro; podem participar empresas e organizações com sede ou unidade operacional no DF, em atividade há, pelo menos, seis meses
A Procuradoria Especial da Mulher (PEM) da Câmara Legislativa lançou o Edital do Programa Selo Empresa Amiga da Mulher, iniciativa destinada a reconhecer empresas públicas, privadas e organizações sem fins lucrativos que desenvolvam ações e projetos voltados à valorização e à promoção dos direitos das mulheres no ambiente de trabalho. As inscrições estão abertas até 30 de setembro.
O programa tem caráter honorífico e é baseado na Lei Distrital nº 6.262, de 29 de janeiro de 2019, que instituiu o Selo Empresa Amiga da Mulher no DF. O edital também considera normas relacionadas à igualdade salarial, combate à discriminação nas relações de trabalho, proteção às mulheres e tratamento de dados pessoais.
A proposta é reconhecer publicamente organizações comprometidas com a construção de ambientes profissionais mais seguros, inclusivos e saudáveis, além de estimular iniciativas de capacitação, empreendedorismo feminino, saúde da mulher e conciliação entre trabalho e vida familiar.
Quem pode participar
Podem participar empresas públicas ou privadas e organizações sem fins lucrativos que tenham sede ou unidade operacional no DF, desde que estejam em atividade há pelo menos seis meses.
Entre as condições previstas estão a regularidade cadastral, o cumprimento das obrigações fiscais e das responsabilidades sociais, a concordância com as regras do edital e a existência de pelo menos uma mulher no quadro de colaboradores.
O edital também estabelece impedimentos. Não podem participar, por exemplo, empresas com condenação definitiva por crimes relacionados ao trabalho análogo à escravidão ou exploração sexual, empresas declaradas inidôneas pela Administração Pública e organizações enquadradas em outras situações previstas no regulamento, incluindo irregularidades fiscais e condenações relacionadas à violência ou crimes contra a dignidade sexual.
Sete requisitos para receber o Selo
Para conquistar a certificação, não basta a empresa apresentar apenas uma iniciativa. O edital determina que sejam comprovados todos os requisitos previstos na legislação, sem possibilidade de certificação parcial ou condicionada.
Entre as exigências estão:
- desenvolvimento de programas de incentivo, auxílio, apoio e capacitação profissional para mulheres;
- apresentação de carta de compromisso com planejamento de ações, projetos, programas, convênios e parcerias destinados à qualificação, inclusão, bem-estar e desenvolvimento das mulheres no mercado de trabalho;
- divulgação, dentro da empresa e em seu entorno, de políticas e campanhas nacionais e do Distrito Federal de defesa dos direitos das mulheres;
- realização de ações informativas e afirmativas sobre saúde da mulher, qualidade de vida, empreendedorismo e mercado de trabalho;
- manutenção de controle e incentivo à realização do pré-natal das funcionárias gestantes;
- disponibilização de local e condições adequadas para mulheres lactantes amamentarem ou realizarem a coleta de leite materno;
- realização de campanhas, projetos e programas de prevenção e promoção da saúde da mulher.
A comprovação deverá ser feita por meio de um portfólio próprio da empresa, reunindo documentos, registros e evidências das ações desenvolvidas.
Entre os materiais que podem integrar o portfólio estão relatórios, registros fotográficos, listas de presença, certificados de capacitações, materiais de campanhas, registros de eventos e documentação relacionada aos espaços destinados à amamentação. As informações referentes ao pré-natal devem ser apresentadas de forma anonimizada, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Inscrições abertas
Para a edição de 2026, as inscrições serão realizadas de 1º a 30 de setembro, até as 23h59, exclusivamente por meio do portal da Câmara Legislativa e da Procuradoria Especial da Mulher.
O processo é eletrônico e exige o preenchimento do formulário de inscrição, o envio do portfólio comprobatório e o encaminhamento da documentação obrigatória. Cada empresa poderá fazer apenas uma inscrição na edição.
Como será a avaliação
Depois do encerramento das inscrições, será realizada a análise de elegibilidade e, posteriormente, a avaliação dos portfólios. O edital prevê uma Comissão Julgadora formada por servidores públicos efetivos, com preferência por profissionais que tenham experiência ou atuação em políticas públicas para as mulheres, direitos humanos, gestão pública ou áreas relacionadas.
O processo também prevê uma Comissão Recursal, formada por servidores distintos dos integrantes da Comissão Julgadora, responsável por analisar eventuais recursos apresentados pelas participantes.
O cronograma estabelece até dez dias úteis após o encerramento das inscrições para a análise de elegibilidade e até 15 dias úteis depois da publicação da lista de empresas elegíveis para a análise dos portfólios. Após o resultado preliminar, haverá prazo de cinco dias úteis para recursos, seguido do julgamento pela Comissão Recursal.
A lista definitiva das empresas selecionadas será homologada pela Procuradoria Especial da Mulher e publicada no Diário da Câmara Legislativa e no portal da CLDF.
Validade de dois anos
O Selo Empresa Amiga da Mulher é uma certificação honorífica, sem ônus financeiro para a Câmara Legislativa ou para as empresas selecionadas. A certificação terá validade de dois anos, podendo ser renovada por igual período, desde que a organização volte a comprovar o cumprimento dos requisitos estabelecidos.
As empresas certificadas deverão utilizar o Selo em sua logomarca durante todo o período de certificação. A comprovação desse uso será necessária para uma futura renovação ou nova concessão.
A logomarca poderá ser utilizada também em produtos e materiais publicitários, respeitando o manual de identidade visual disponibilizado pela Procuradoria Especial da Mulher. A CLDF poderá ainda divulgar, em seu portal, a logomarca das empresas contempladas.
Cerimônia de certificação
Em razão do calendário eleitoral, o edital estabelece um cronograma excepcional para esta edição. A cerimônia de certificação deverá ocorrer em novembro ou dezembro de 2026, em data que será divulgada posteriormente pela Procuradoria Especial da Mulher.
A data oficial deverá ser publicada no Diário da Câmara Legislativa e nos canais institucionais da Casa com antecedência mínima de 15 dias.
Serviço
Programa Selo Empresa Amiga da Mulher – Edição 2026
Inscrições: de 1º a 30 de setembro de 2026, até as 23h59.
Quem pode participar: empresas públicas, empresas privadas e organizações sem fins lucrativos com atuação no Distrito Federal que atendam aos requisitos do edital.
Onde se inscrever: portal da Procuradoria Especial da Mulher da Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Certificação: honorífica, gratuita e válida por dois anos.
Cerimônia: prevista para novembro ou dezembro de 2026, em data a ser divulgada pela PEM.
O edital completo, os documentos e o formulário de inscrição estão disponíveis no portal da Procuradoria Especial da Mulher da CLDF: Selo Empresa Amiga da Mulher – CLDF.
Luís Cláudio Alves – Agência CLDF
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