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Saúde

Exercícios físicos fortalecem os ossos e ajudam a preservar a autonomia ao longo da vida

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Especialistas do Hospital de Base explicam como a prática de atividades contribui para a saúde óssea, reduz o risco de fraturas e deve ser adaptada em todas as fases da vida
Por Ivan Trindade
Os ossos sustentam o corpo, protegem órgãos vitais e permitem que cada movimento aconteça com segurança. Apesar dessa importância, muitas pessoas só passam a olhar com mais atenção para a saúde óssea quando surgem dores, limitações ou fraturas. A prevenção, contudo, pode e deve começar antes. A prática regular de atividades físicas, especialmente os exercícios de força, está entre as estratégias mais eficazes para preservar a densidade óssea, manter a autonomia e garantir qualidade de vida em todas as idades.
Quando o corpo permanece em movimento, os músculos exercem força sobre os ossos durante cada contração. Esse estímulo sinaliza ao organismo a necessidade de manter o tecido ósseo fortalecido, favorecendo sua renovação e reduzindo a perda de densidade mineral.
Por isso, a prática regular de exercícios é considerada uma das principais formas de prevenir a osteopenia, caracterizada pela redução da massa óssea, e a osteoporose, doença que torna os ossos mais frágeis e suscetíveis a fraturas. Além disso, contribui para preservar a autonomia e a qualidade de vida durante o envelhecimento.
Segundo o chefe do Serviço de Ortopedia do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), Laercio Scalco, embora os objetivos da atividade física mudem com o passar dos anos, seus benefícios permanecem presentes durante toda a vida.
“Até cerca dos 30 anos, a prática favorece a formação da massa óssea. Depois desse período, o objetivo passa a ser preservar esse patrimônio. Sem o estímulo da musculatura puxando o osso, o organismo entende que não precisa manter aquela estrutura tão resistente. O exercício ajuda a conservar a densidade óssea e reduz o risco de fraturas relacionadas ao envelhecimento”, explica.
Entre as atividades que mais estimulam a formação e a preservação da massa óssea estão aquelas que fazem o esqueleto suportar carga. Diferentemente dos exercícios realizados apenas na água ou em aparelhos que eliminam parte do peso corporal, essas modalidades exigem que os ossos respondam aos impactos e à força produzida pela musculatura. A intensidade, no entanto, deve sempre respeitar a condição clínica e o condicionamento físico de cada pessoa.
O fisioterapeuta especialista em Traumato-Ortopedia e Desportiva do HBDF, André Luiz Maia, destaca que a musculação é uma das estratégias mais eficazes nesse processo, mas lembra que ela está longe de ser a única alternativa.
“Agachamentos, exercícios com elásticos, subida de degraus e atividades com o próprio peso corporal são excelentes opções. Quando há indicação, exercícios com impacto, como dança, corrida e saltos, também contribuem para estimular os ossos. O importante é que tudo seja feito de forma progressiva e individualizada”, orienta.
Cuidado integral com o corpo
Embora o exercício desempenhe papel central na manutenção da saúde óssea, ele representa apenas um dos fatores envolvidos nesse processo. A qualidade do tecido ósseo também depende de uma alimentação equilibrada, da ingestão adequada de cálcio, da presença suficiente de vitamina D e do funcionamento adequado do sistema hormonal. Alterações nessas condições podem acelerar a perda de massa óssea, principalmente durante o envelhecimento.
A chefe do Serviço de Endocrinologia do HBDF, Alessandra Christine Vieira, explica que as mudanças hormonais observadas principalmente após a menopausa merecem atenção especial, mas não são as únicas responsáveis pela fragilidade dos ossos.
“A vitamina D atua promovendo melhor absorção de cálcio no intestino e sua deposição no osso, favorecendo a formação óssea, por isso é essencial para a saúde óssea. Já a alimentação é a melhor fonte de cálcio, essencial para a formação óssea. Como endocrinologista, sempre priorizo oferecer aos pacientes as quantidades diárias de cálcio via alimentação, pois essa forma de absorção não gera pico sanguíneo, reduzindo o risco de calcificação arterial”, ressalta.
Embora muitas pessoas associem a musculação a um risco para idosos ou pacientes com osteoporose, o fisioterapeuta afirma que a realidade é justamente o oposto.
“O problema não está no exercício, mas na forma como ele é realizado. Quando bem prescrito e acompanhado, o treinamento de força melhora a musculatura, protege os ossos, reduz quedas e preserva a independência. Assim como um medicamento, o exercício precisa da dose certa para cada pessoa”, pontua.
Particularidades que merecem atenção
Nos casos de osteopenia, osteoporose ou histórico de fraturas, a prática de atividades físicas continua sendo recomendada, desde que respeite as limitações individuais. De acordo com o ortopedista, exercícios como musculação, pilates, caminhada e dança apresentam bons resultados porque estimulam a sustentação do peso corporal.
“O sedentarismo é um dos principais fatores modificáveis para a perda de massa óssea. A diferença está em adaptar os movimentos, evitar sobrecargas desnecessárias e garantir acompanhamento profissional para que o exercício seja seguro”, explica.
O início da prática também deve considerar a condição funcional de cada pessoa, e não apenas a idade. Crianças e adolescentes costumam se beneficiar de esportes, brincadeiras e atividades que envolvem corrida e saltos. Já adultos devem combinar fortalecimento muscular com exercícios de sustentação do peso corporal. Para idosos e pessoas sedentárias, o caminho é começar de forma gradual.
“Exercícios simples, como sentar e levantar da cadeira, subir degraus e treinar o equilíbrio, já promovem ganhos importantes. Tenho pacientes com mais de 80 anos que continuam dançando e mostram diariamente que movimento também é sinônimo de autonomia”, destaca o fisioterapeuta.
Cuidar dos ossos é um investimento para toda a vida. Manter uma rotina de atividades físicas, adotar uma alimentação equilibrada, garantir níveis adequados de vitamina D e cálcio e realizar acompanhamento médico quando necessário são atitudes que ajudam a preservar a mobilidade, prevenir fraturas e promover um envelhecimento mais saudável. Mais do que fortalecer o esqueleto, esses cuidados permitem que as pessoas continuem realizando suas atividades com segurança, independência e qualidade de vida.
Além da prática de exercícios, reconhecer quem apresenta maior risco para perda óssea permite agir antes do aparecimento das fraturas. Segundo Laercio, o envelhecimento aumenta naturalmente essa vulnerabilidade, sobretudo após os 60 anos.
“Mulheres a partir dos 65 anos e homens acima dos 70 devem realizar a densitometria óssea, mas esse exame pode ser indicado mais cedo para pessoas com fatores de risco, como menopausa precoce, baixo peso, fraturas anteriores ou uso prolongado de determinados medicamentos”, orienta.
Pessoas com histórico familiar de osteoporose, menopausa precoce, fraturas, dores persistentes ou outros fatores de risco podem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima para uma avaliação inicial. Nas unidades, a equipe médica pode investigar os sintomas, solicitar exames e, quando necessário, encaminhar o paciente para acompanhamento especializado.
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Saúde

Acidente Vascular Cerebral (AVC) – outubro marca período de conscientização sobre uma das doenças mais letais do país

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Adotar um estilo de vida com hábitos mais saudáveis e o monitorar regularmente a saúde são fundamentais para prevenção do acidente vascular cerebral

O dia 29 de outubro marca o Dia Mundial do AVC e o Dia Nacional de Prevenção ao AVC, um marco com foco na conscientização sobre uma das maiores causas de morte e incapacidade física do Brasil, conforme dados do Ministério da Saúde e de sociedades médicas da área. Comumente conhecido como “derrame”, o acidente vascular cerebral acontece quando o fluxo de sangue para o cérebro é interrompido (AVC isquêmico) ou quando um vaso sanguíneo se rompe no cérebro (AVC hemorrágico). Felipe Moreira, neurologista do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT), vinculado à Rede HU Brasil, explica quais são os fatores de risco e como prevenir melhor essa doença.
Segundo o especialista, os hábitos de vida são fundamentais para a prevenção desses eventos. Atitudes cotidianas, como adotar bons hábitos de alimentação e praticar atividades físicas diariamente, podem diminuir o risco de AVC em até 90%. Sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool são algumas dessas ameaças, como explica Felipe Moreira. “Uma alimentação rica em sal e gorduras, com o tempo, provoca o enrijecimento e a obstrução dos vasos sanguíneos, além de levar ao surgimento de hipertensão, diabetes e colesterol alto, que são as comorbidades mais relacionadas ao AVC”.

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De acordo com dados do Portal da Transparência do Centro de Registro Civil (CRC) do Brasil, com base nos atestados de óbito, a mortalidade por AVC atingiu o quantitativo de 85.959 óbitos em 2024. Já em 2025, os casos aumentaram, chegando à marca de 89.490 óbitos. Os dados do primeiro trimestre de 2026 somam 20.461 mortes por essa doença.

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Neste contexto, a prevenção é a palavra-chave, e é imprescindível dar um olhar especial ao estilo de vida e ao monitoramento regular da saúde. “É necessário manter o controle rigoroso da pressão arterial, praticar atividades físicas regularmente, adotar uma alimentação saudável e equilibrada, reduzindo o sódio; manter o peso corporal e os níveis de açúcar e gordura no sangue sob controle; e tratar e controlar condições cardíacas”, elenca o especialista.

O acidente vascular cerebral nem sempre dá sinais claros e, por não chamar atenção, algumas vezes passa despercebido. O neurologista explica que alguns dos sintomas são: dor de cabeça súbita e intensa; fraqueza nos membros, que pode ser acompanhada de formigamentos na face, no braço ou na perna; alteração da fala; confusão mental; dificuldade de compreensão; tontura e desequilíbrio; e falta de coordenação motora. Diante desses sinais, cada minuto é crucial, e o atendimento de urgência diminui o risco de morte e de sequelas mais graves. “É importante acionar imediatamente o serviço de urgência, como o SAMU 192. Isso possibilita a aplicação de tratamentos de emergência, como medicações para desobstruir a artéria e procedimentos para remover o coágulo, salvando o tecido cerebral antes que ocorra a morte definitiva dos neurônios e reduzindo drasticamente as sequelas e incapacidades físicas ou cognitivas”, explica Felipe.

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O Ministério da Saúde (MS) disponibiliza, por meio de boletins epidemiológicos, da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e de demais recursos, uma série de publicações informativas e educativas sobre AVC. Uma delas é o Manual de rotinas para atenção ao AVC, que contém uma seção desenvolvida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), com um passo a passo para identificar os sinais de que uma pessoa apresenta os sintomas e necessita de atendimento imediato.

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Sobre a HU Brasil

O HDT-UFNT integra a Rede HU Brasil desde 2015. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.

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