Cultura
As mulheres que fizeram Brasília viram cena em “Candangas Palavras”
Espetáculo transforma depoimentos do Arquivo Público do DF em quatro performances sobre lavadeiras, feirantes, estudantes e donas de casa que também construíram a capital. Temporada em escolas do Gama vai de 29 de setembro a 9 de outubro.
A história de Brasília costuma ser contada por nomes masculinos: arquitetos, engenheiros, políticos e operários. O projeto “Candangas Palavras – Mulheres e Memórias Capitais” conta outra parte dessa história. Entre 29 de setembro e 9 de outubro de 2026, o projeto apresenta a estudantes do Gama quatro performances sobre mulheres que chegaram, trabalharam, resistiram e ajudaram a construir o Distrito Federal.
As apresentações e ações do projeto começam no Centro Educacional 01 do Gama, nos dias 29 e 30 de setembro e 1º de outubro, sempre à tarde. De 7 a 9 de outubro, a temporada segue no Centro de Ensino Fundamental 10 do Gama, com sessões pela manhã e à tarde. No dia 8 também haverá sessão à noite.
Teatro, Educação e Patrimônio Imaterial
O projeto, com coordenação pedagógica de Sulian Vieira e direção teatral de Jemima Tavares, propõe atividades interdisciplinares com escolas públicas para reconhecer o protagonismo histórico das mulheres candangas, com ênfase em práticas teatrais.
A primeira etapa do projeto permite que os professores da escola parceira convidem os estudantes a conhecerem as histórias de mulheres de suas famílias ou vizinhança, com foco em suas experiências de vida e trabalho ao chegarem ao DF. Na segunda, são apresentadas as performances nas quais fragmentos da história da capital são contados a partir de vivências subjetivas das mulheres, destacando o protagonismo feminino. Nesse contexto, são conduzidos jogos e exercícios teatrais com alunos e professores para transformar as histórias e narrativas trazidas pelos estudantes em trocas criativas.
O projeto prevê o acesso dos professores ao acervo da pesquisa histórica produzida para o projeto e às propostas de atividades pedagógicas – como jogos teatrais e roteiros para entrevistas. Os professores interessados podem desenvolver outros projetos sobre protagonismo feminino na história do DF, a partir deste acervo.
Histórias reais como matéria-prima
A dramaturgia das performances nasceu de entrevistas do Programa de História Oral do Arquivo Público do Distrito Federal e integra o projeto de doutoramento de Jemima Tavares junto ao Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da UnB. Ainda foram usados outros materiais arquivísticos como fotografias, manchetes de jornal, mapas e dados sobre as mulheres no DF e do próprio Gama, cidade que recebe as ações nas quais as quatro performances desempenham papel de formação e de estímulo à invenção.
Segundo a diretora, a seleção dos depoimentos mostrou essa diversidade. “Cada história escolhida tem sua especificidade, porque mostra a diversidade das mulheres que sempre ocuparam essa cidade. Tem histórias muito mirabolantes, que a gente se pergunta se aquilo aconteceu mesmo. Tem outras em que a gente consegue visualizar a cena completa cabeça somente pela descrição dos fatos. E outras ainda lembram nossas famílias, mães, avós”, conta.
Para levar esse material à cena, ela também trouxe as próprias memórias. “Pensei primeiro na dramaturgia, lembrando de toda a minha infância no Gama: expressões dos meus avós, figuras da cidade, monumentos e histórias que ouvi da família, para compor junto com as entrevistas do Arquivo Público”, explica.
O resultado são quatro performances narrativas solo, de cerca de 20 minutos cada. Elas contam trajetórias de mulheres com trabalhos e modos de vida diversos: empreendedora, lavadeira, estudante, dona de casa, feirante, andarilha, entre outras.
As cenas falam de injustiças sociais na ocupação do território para a construção da capital e nas diversas conquistas de direitos pelas mulheres e tocam em temas que continuam atuais, como violência contra a mulher, dupla e tripla jornada, trabalho doméstico e abandono parental.
O projeto é realizado pelo Grupo de Pesquisa Vocalidade & Cena (UnB), com recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal.
SERVIÇO
Candangas Palavras – Memórias e Mulheres Capitais
Centro Educacional 01 do Gama
29 e 30 de setembro e 1º de outubro de 2026 (terça a quinta)
Sessões à tarde: 13h30 às 15h e 16h às 17h30
Centro de Ensino Fundamental 10 do Gama
7, 8 e 9 de outubro de 2026 (quarta a sexta)
Manhã: 8h às 9h30 e 10h30 às 12h. Tarde: 13h30 às 15h e 16h às 17h30. Noite (somente dia 8/10): 19h30 às 21h.
Ficha Técnica
Sulian Vieira – Coordenação e Direção Vocal
Jemima Tavares – Direção e Dramaturgia
Ingrid Soares, Isumy Kudo, Luíza Veloso e Maria Tuti Luisão – Elenco
César Lignelli – Desenho de Som
Marley Oliveira – Cenografia
Ana Clara Neves – Figurino
Studio Jana Ferreira – Designer Gráfico
Jéssica Laranja – Fotografia
Gabriel Vilela – Iluminador
Luiz Medeiros – Maquiagem e Cenotécnica
Thiago Sabino – Projeção Mapeada
Karoline Pacheco Santos – Assessoria em História e Patrimônio
Sonia Tavares – Assessoria Pedagógica
C1 arte e entretenimento – Gestão Administrativa e Produção
Paula Jacobson e Gleidson Lopes – Produtores Assistentes
Tia Nilza – Monitoria de Estudantes/Camarim
Camila Maxi – Assessoria de Imprensa
Lunares Ayla – Social Media
Assessoria de imprensa
Baú Comunicação Integrada
Camila Maxi – (61) 98334-4279
Michel Toronaga – (61) 98185-8595
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Cultura
Cantor de axé Netinho morre em Salvador aos 60 anos
O cantor de axé Netinho morreu, aos 60 anos, nesta terça-feira (13), no Hospital Aliança Star, em Salvador, Bahia. A notícia foi confirmada pela assessoria do artista.
Um dos maiores destaques do axé music, com sucessos como Milla, Fim de Semana, Menina e Beijo na Boca, estava internado após a volta de um linfoma não Hodgkin, câncer no sistema linfático, diagnosticado em 2025.
“É com uma tristeza que corta a alma que comunicamos o falecimento do cantor Netinho, ocorrido na manhã de hoje.”
De acordo com a assessoria, o quadro clínico evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos, o que provocou a morte.
“Nos últimos meses, Netinho enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, que evoluiu para quadro de falência renal e disfunção múltipla de órgãos.”
O horário e o local do velório e da cremação do corpo do artista não foram divulgados, mas deve ocorrer de forma reservada.
“Por desejo expresso do próprio Netinho, o velório e a cremação serão realizados de forma reservada, em uma cerimônia restrita a familiares e amigos próximos.”
Perfil
Ernesto de Souza Andrade Júnior, conhecido como Netinho, nasceu na cidade de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, no dia 12 de julho de 1966. Foi como vocalista da Banda Beijo quando iniciou a carreira em 1988, aos 22 anos, com estreia no circuito do Carnaval.
Na época gravou o primeiro disco com a banda e o sucesso se espalhou pelo Brasil com a canção Beijo na Boca, o que deu projeção nacional à banda baiana.
“Artista extraordinário, talentoso, sensível e inovador, Netinho construiu trajetória marcada pela alegria, pela música e por um carisma inconfundível. Sua voz, sua energia e sua forma tão particular de se conectar com o público deixam um legado que permanecerá para sempre”, postou a assessoria.
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