Policiais
Massoterapeuta que esfregou pênis em mulher durante atendimento é preso
Unsplash/Reprodução
Abuso sexual do massoterapeuta aconteceu durante atendimento na clínica na qual trabalhava, em fevereiro deste ano
A Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam I) cumpriu, nesta sexta-feira (14/7), um mandando de prisão preventiva contra um massoterapeuta de 41 anos, denunciado por esfregar o pênis em uma cliente durante o atendimento, em uma clínica no shopping Liberty Mall, Asa Norte.
De acordo com a Deam, o homem é investigado em seis inquéritos por violação sexual mediante fraude e importunação sexual.
Relembre
Em fevereiro, o massoterapeuta chegou a ser preso em flagrante. À época, a vítima gritou por socorro após o abuso e uma equipe da Polícia Militar do DF (PMDF), que passava pelo local, prendeu o suspeito.
De acordo com as investigações, o suspeito atendeu a vítima que procurou a clínica realizar uma sessão de liberação miofascial nos ombros. Durante o procedimento, o massoterapeuta insistiu que a vítima também recebesse a uma massagem nas pernas e na barriga. A cliente concordou com o procedimento e o profissional deixou a sala por breve momento.
A vítima permaneceu de olhos fechados durante todo o atendimento. Em determinado momento, o abusador iniciou a massagem nas pernas e na barriga da vítima. Se aproveitando da vulnerabilidade da mulher, o massoterapeuta subiu na maca, colocou o pênis para fora e encostou na mulher. Quando abriu os olhos, a cliente percebeu que o massoterapeuta estava apenas de roupão, sem o uniforme que utilizava no início do atendimento.
Mais vítimas
Em pânico, a mulher saiu correndo da clínica gritando por socorro. Um homem que passava pela porta do local a acudiu. O autor foi preso e autuado em flagrante pelo crime de importunação sexual. Além dos abusos ocorridos nesta quarta, a Deam já apurava outra ocorrência envolvendo o mesmo massoterapeuta. Ele teria abusado sexualmente de uma segunda mulher na mesma clínica, em janeiro deste ano.
Na ocasião, o massoterapeuta também teria cometido o crime durante um atendimento, desta vez, porém, de shiatsu. O homem também encostou o órgão genital na cliente. Naquela oportunidade, o pênis do abusador estava para fora da calça e chegou a ser colocado na boca da vítima, que também estava de olhos fechados no momento dos fatos. A mulher procurou ajuda junto ao condomínio do shopping.
Shopping se pronuncia
A clínica onde ocorreu o crime é situada no shopping Liberty Mall. A administração do centro de compras se posicionou sobre o caso envolvendo a importunação sexual. Leia nota abaixa na íntegra:
O Liberty Mall vem a público se pronunciar acerca do crime de importunação sexual cometido por um massoterapeuta na última quarta (22), na Asa Norte. O shopping lamenta profundamente o incidente ocorrido nas dependências das torres comerciais do complexo e repudia veemente todo abuso contra a mulher. O Shopping Liberty Mall esclarece ainda que as torres comerciais não integram o shopping, possuindo inclusive, administrações distintas e acessos independentes.
Devido à proximidade dos empreendimentos, o Liberty Mall se coloca à disposição das autoridades policiais para quaisquer investigações que necessitem de sua colaboração, salientando a sua independência quanto às torres, proprietários ou locatários de salas comerciais.
feminicidio
Aumentam agressões políticas em mês de luta contra violência à mulher
Tanto organizações sociais quanto fontes governamentais registraram aumento no número de casos de agressões políticas de gênero neste mês em que é lembrado o Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que esses ataques aumentaram 11 vezes entre 2022 e 2026, de 15 para 177 processos.
A data, comemorada neste sábado (10), foi instituída para marcar o ato histórico, em 1980, quando mulheres se reuniram nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo para contestar o aumento dos crimes de gênero em todo o país.
Em meio ao atual contexto eleitoral brasileiro, levantamento divulgado pelas organizações de direitos humanos Terra de Direitos e Justiça Global mostra que houve 134 casos de violência política durante a campanha até o primeiro turno das eleições, no último domingo (4), o que representou um caso a cada nove horas. Ao todo, 70 tiveram mulheres como vítimas (52,2%).
Dos 102 episódios dirigidos apenas a pessoas candidatas, 60 tiveram mulheres como vítimas (58,8%). Embora representem cerca de um terço das candidaturas, as mulheres foram alvos em mais da metade dos episódios de violência.
Dados da Central de Atendimento à Mulher, o Disque 180, mostram que o número de denúncias de violência política registradas contra elas alcançou a marca de 1.564 denúncias, entre janeiro e agosto de 2026.
Mulheres pretas e pardas são as principais vítimas. Das 1.564 denúncias registradas, mais de 53% (842) são de violência política sofridas por elas, seguidas por 590 (37,72%) denúncias de violências sofridas por mulheres brancas. As demais 132 (8,44%) foram denúncias com impacto em mulheres de outras raças.
No final de setembro, organizações da sociedade civil entregaram ao TSE documento com diversas denúncias de agressões contra mulheres candidatas nas eleições de 2026. Os casos incluem violência física e verbal, além de ataques e ameaças de morte e estupro.
Caso concreto
As ameaças de morte e de violência sexual denunciadas, esta semana, pela deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) ilustram o cenário de violência política pelo qual passa o Brasil durante o pleito de 2026. Ela denunciou à Polícia Civil ameaças de morte e violência sexual que recebeu no período da campanha.
Segundo a parlamentar, as mensagens incluem ataques machistas, racistas e ameaças de estupro. Além disso, ela conta que dados pessoais como o endereço residencial, número de telefone e documentos foram expostos. Por esse motivo, o partido contratou segurança armada para protegê-la.
Ana Elisa recebeu 524.219 votos nas eleições para deputada federal em 2026, o que lhe garantiu o posto de 2ª mais votada em Minas Gerais para o cargo, atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL).
Ela se tornou também a mulher mais votada na história de Minas Gerais para a Câmara dos Deputados e a deputada federal mais jovem já eleita no Brasil.
Ministério da Mulher
A secretária Nacional de Articulação Intersetorial e Interfederativa e Participação Política do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy, conecta a violência política contra as mulheres a um fenômeno mais amplo, caracterizado pela exacerbação da misoginia (ódio contra as mulheres e meninas), da violência doméstica e do feminicídio na sociedade patriarcal.
“É assustador porque as violências políticas são, no fundo, questões estruturais, sejam elas no limite da ameaça à vida, sejam essas violências cotidianas e veladas que tentam desestimular a participação da mulher na política.”
Outros casos
A Agência Brasil relembra casos em que a ameaça às mulheres ultrapassou o desestímulo à carreira política e chegou ao risco real e iminente à vida e aos corpos das mulheres que ocupam espaços de poder.
- O assassinato a tiros da vereadora Marielle Franco (Psol-SP) mulher negra e LGBTQIA+, em março de 2018, em via pública do Rio de Janeiro.
- A deputada estadual de São Paulo Isa Penna (Psol-SP), apalpada na região do seio pelo também deputado Fernando Cury, durante sessão na Assembleia Legislativa paulista (Alesp), em dezembro de 2020. O ex-deputado foi condenado por importunação sexual.
- A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), em 2014, ouviu do então deputado federal Jair Bolsonaro, no Salão Verde da Câmara dos Deputados, que a parlamentar não mereceria ser estuprada por ser “muito feia” e que não fazia seu “tipo”.
- A retirada da escolta armada da deputada federal Talíria Petrone (PSol-RJ), em julho deste ano, mesmo sob ameaça de milicianos.
- As interrupções sistemáticas das falas denunciadas pelas senadoras Simone Tebet (PSB-MS) e Soraya Thronicke (PSB-MS) e rótulo de “nervosas” dado durante as sessões da Comissão Parlamentar de Inquérito] da covid-19, em 2021, no Senado Federal.
Orientações e denúncias
Mulheres em situação de violência política e qualquer outra pessoa que tenha conhecimento da ocorrência deste crime contra uma mulher pode comunicar o fato em diferentes canais institucionais do poder Executivo, Ministério Público Eleitoral, Justiça Eleitoral, autoridade policial. Entre eles estão:
- Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180: atendimento gratuito, humanizado e sigiloso, 24 horas por dia, todos os dias da semana. As denúncias podem ser feitas pelo telefone 180, pelo WhatsApp (61) 9610-0180, pelo e-mail central180@mulheres.gov.br e por videochamada em Libras;
- Ouvidoria das Mulheres do Conselho Nacional do Ministério Público;
- Procuradoria-Geral Eleitoral, por meio da Sala de Atendimento ao Cidadão do Ministério Público Federal;
- Ouvidoria Nacional da Mulher do Conselho Nacional de Justiça (CNJ);
- Polícia Federal, por meio do canal Comunica PF e nas delegacias de Polícia nos estados;
- Grupo de Trabalho Mulheres da Defensoria Pública da União (DPU), para assistência e orientação jurídica.
- Em casos de emergência, deve ser acionada a Polícia Militar, por meio do telefone 190.
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