Social
Campanha arrecada absorventes para mulheres em situação de vulnerabilidade
Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
A parceria entre o Park Shopping e o Instituto Re.tomar tem foco no combate à pobreza menstrual no Distrito Federal
Elisa Costa
redacao@grupojbr.com
A fim de amenizar as desigualdades e lutar por aquelas mulheres que vivem em situação de violência ou vulnerabilidade, o ParkShopping iniciou uma campanha em parceria com o Instituto Re.tomar, em comemoração ao mês da Mulher. A iniciativa chamada “Entre no Fluxo da Doação”, arrecada absorventes e itens de higiene para serem entregues às meninas e mulheres da capital da República, com o intuito principal de combater a pobreza menstrual. A arrecadação ocorre até o dia 31 de março, na urna que está instalada no 1º piso do shopping, no corredor da loja Riachuelo. Os itens podem ser entregues de segunda a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos e feriados, das 14h às 20h.
Como explica o projeto, a pobreza menstrual é caracterizada pela falta de acesso a recursos, infraestrutura e até conhecimento em torno dos cuidados que envolvem a menstruação. Na visão de Anna Aimée Codeço, gerente de marketing do Park Shopping, a pobreza menstrual pode violar a dignidade da mulher quando ela não passa por esse período de forma adequada e por isso, as doações são essenciais para quem vive essa privação. Segundo a gerente Anna, os itens serão destinados a instituições de ensino, presídios e a mulheres em situação de rua, de acordo com a necessidade mais urgente.
Os itens serão recolhidos no ParkShopping após o encerramento da campanha, no dia 31 de março e a entrega está prevista para acontecer entre os dias 3 e 6 de abril. Desde o dia 8 de março, quando começou a campanha, até o momento já foram arrecadados mais de 100 itens, entre absorventes descartáveis e itens de higiene pessoal. “Não foi estabelecida uma meta, mas ficaremos muito felizes em entregar uma quantia surpreendente de itens, que ajude muitas mulheres nessa situação de pobreza menstrual” declarou Anna Aimée ao Jornal de Brasília. A campanha também recebe sabonete, escova de dente, creme dental, desodorante, xampu e condicionador.
De acordo com a presidente do Instituto Re.tomar, Manon Garcia, a campanha também incentiva a conscientização da população com relação ao tema. “Em geral, nossos cidadãos não tem a dimensão da pobreza menstrual no Brasil. É preciso falar sobre e divulgar que mulheres são expostas a sérias complicações de saúde por não terem acesso a itens básicos de higiene. A dignidade menstrual é um direito fundamental”, declarou. O instituto atua em comunidades que vivem em vulnerabilidade social, fornecendo ainda serviço jurídico gratuito, suporte psicológico, socioassistencial e emocional para mulheres em situação de violência.
O Governo do Distrito Federal (GDF) também promove uma ação similar durante esse mês, chamada “Comunidade Solidária”, coordenada pela Secretaria de Atendimento à Comunidade do DF (Seac-DF). Para a líder da pasta, Clara Roriz, a única forma de agir de imediato é através da união: “É uma luta diária e a missão da secretaria é atender, ouvir e auxiliar a comunidade”, contou. Quem desejar doar absorventes ou itens de higiene para essa iniciativa deve comparecer ao anexo do Palácio do Buriti, e acessar o 9º andar, onde fica a sede da Seac. Os interessados podem procurar o local de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h.
O cenário atual
No DF, cerca de 50 mil meninas entre 12 e 17 anos estão no contexto da pobreza menstrual, de acordo com os dados mais recentes da Secretaria de Desenvolvimento Social do DF (Sedes-DF), e para prestar suporte à essas meninas, entrou em vigor no ano passado a medida que inclui os absorventes na cesta básica entregue às famílias carentes da capital federal. A questão também é tratada na Lei Distrital nº 6779, de 2021, que institui a Política de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM) e inclui o cuidado com a saúde menstrual e a garantia de acesso a insumos e absorventes, contudo, até hoje a lei não foi regulamentada.
A distribuição desses absorventes, feita pela Secretaria de Saúde do DF (SES-DF), também depende do Ministério da Saúde, que é responsável pela compra dos itens e pelas diretrizes para adquirir o consumo. Esse processo agora está sob os olhares também do Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual do governo federal, regulamentado no dia 8 de março de 2023, pelo Decreto nº 11.432, que tem como objetivo combater a precariedade menstrual no Brasil, garantir os cuidados básicos de saúde, desenvolver meios de inclusão das pessoas que menstruam e promover a dignidade menstrual.
A medida atende pessoas de baixa renda que estão matriculadas na rede pública de ensino, em situação de rua ou de vulnerabilidade social extrema, integrantes do sistema prisional e que cumprem medidas socioeducativas. Ademais, compete ao Ministério da Saúde, em articulação com os entes federativos, o fortalecimento, promoção, prevenção e cuidado com a saúde das pessoas que menstruam, a criação de medidas para o enfrentamento às vulnerabilidades que possam comprometer o desenvolvimento pleno das mulheres em todo o seu ciclo de vida, a formação de agentes públicos nessa área, ações de comunicação, além da viabilização da aquisição dos absorventes higiênicos.
O programa vai beneficiar cerca de 8 milhões de pessoas em todo o país e prevê um investimento de R$418 milhões por ano. Caberá ao Ministério da Justiça e Segurança Pública promover ações destinadas às pessoas que se encontram em situação de privação de liberdade e a formação dos agentes do sistema prisional. Segundo os dados do governo federal, no Brasil existem 17,2 mil mulheres que vivem em situação de rua ou vulnerabilidade, 3,5 milhões são estudantes de baixa renda e 291 mil adolescentes estão internadas em unidades de cumprimento de medida socioeducativa.
O que mostram os dados?
De acordo com um levantamento feito pela Johnson & Johnson Consumer Health, no Brasil, a pobreza menstrual atinge 28% das pessoas de baixa renda, na faixa etária de 14 a 45 anos, referente a mais de 11 milhões de brasileiras. Segundo um estudo da Unicef, de 2021, aproximadamente 713 mil adolescentes não possuem banheiro ou chuveiro em casa, o que dificulta os cuidados durante esse período. O mesmo cenário é visto com relação ao saneamento básico: cerca de 900 mil jovens não têm acesso à rede de água em suas casas e mais de 6 milhões não recebem tratamento de esgoto onde moram.
A Organização das Nações Unidas (ONU) define a pobreza menstrual como um problema da esfera pública e dos direitos humanos desde o ano de 2014. Essa situação é encontrada quando meninas e mulheres não possuem condições de acesso aos itens adequados para a higiene menstrual, ou quando falta assistência à elas durante esse período, bem como a falta de informações sobre a saúde menstrual. Para a ONU, a questão não é unicamente econômica, pois envolve ainda as esferas social, infraestrutural e educacional.
Fonte: Jornal de Brasilia
Social
Da tradição à produção audiovisual, Muvida mantém cultura viva na Vila Planalto
Reconhecido como Ponto de Cultura e Ponto de Memória, Muvida mantém atividades gratuitas que aproximam saberes tradicionais, capoeira, audiovisual e novas tecnologias
Ao longo de 2026, o Ponto de Cultura Muvida, na Vila Planalto, em Brasília, ampliou sua programação gratuita com atividades voltadas para os saberes tradicionais, cultura popular e empreendedorismo digital. Realizadas com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), as ações reuniram crianças, jovens, adultos e idosos em três frentes de formação: Benzimentos e Sabonete da Costa – Asé Dudu, Fotografia e Filmagens com Celular, e Capoeira Infantil. A iniciativa reforça a relevância do Ponto de Cultura que se mantém, permanentemente, em atividade, fazendo da cultura um instrumento de formação, convivência, preservação de saberes e criação de oportunidades no território.
Somadas, as três formações ofereceram 85 vagas gratuitas, sendo 20 para cada uma das oficinas e 45 para as aulas de capoeira. Inicialmente acessado, principalmente, pela comunidade da Vila Planalto, o Muvida, cada vez mais, tem sido acessado por cidadãos de todo o DF.
Embora os números ajudem a dimensionar as ações, uma das marcas do trabalho do Muvida está no encontro entre diferentes conhecimentos, gerações e públicos. Além de gratuitas, as formações priorizaram pessoas que historicamente enfrentam mais barreiras de acesso à cultura e à qualificação, como estudantes da rede pública, pessoas com deficiência, população negra, comunidade LGBTQIA+, pessoas em situação de vulnerabilidade social, jovens desempregados, pessoas com mais de 60 anos, imigrantes e pessoas em situação de rua. Com medidas de acessibilidade física, comunicacional e atitudinal, o Ponto de Cultura reforça seu papel como espaço de inclusão, preservação e compartilhamento de saberes e criação de novas possibilidades para a comunidade.
Saberes que passam de geração em geração
Na oficina Benzimentos e Sabonete da Costa – Asé Dudu, conduzida por Josefa Francisco Gomes Ataides e Mãe Maria do Cerrado, benzedeiras e erveiras compartilharam práticas transmitidas entre gerações, valorizando a oralidade e os saberes tradicionais. Os participantes conheceram práticas de benzimento, o uso de ervas e a produção do Asé Dudu, sabonete ligado às culturas de matriz africana. Foram produzidas 200 unidades, distribuídas aos participantes, que também puderam encontrar na prática uma possibilidade de geração de renda. A atividade reforça uma das vocações dos Pontos de Cultura: manter vivos e em circulação os conhecimentos preservados pelas próprias comunidades.
Formação que cabe na palma da mão
Aprender a transformar uma tecnologia cotidiana em ferramenta de criação, comunicação e trabalho foi a proposta da oficina Fotografia e Filmagens com Celular, ministrada por Vanessa Neres. A formação incluiu conteúdos de fotografia, filmagem, composição, iluminação, narrativa audiovisual e edição. Voltada especialmente a públicos com menor acesso a cursos e equipamentos profissionais, a atividade aproximou o aprendizado das possibilidades da economia criativa e da geração de renda.
Capoeira desde a infância
Para as crianças, a escolha foi por uma manifestação que reúne corpo, música, história e identidade: a capoeira. A atividade, além de ensinar os movimentos, trabalhou musicalidade, coordenação, disciplina, cooperação e a história da capoeira como expressão ligada à resistência afro-brasileira. A proposta incluiu ainda rodas abertas, permitindo que o aprendizado das crianças ultrapassasse a sala de aula e fosse compartilhado com famílias e comunidade.
Sobre o Ponto de Cultura Muvida
Mais do que espaços onde acontecem oficinas e eventos, os Pontos de Cultura são iniciativas de base comunitária que reconhecem e fortalecem a cultura produzida nos próprios territórios, articulando moradores, artistas, mestres e coletivos em ações continuadas. É nessa perspectiva que atua o tradicional ponto de encontro da Vila Planalto que nasceu, em 1999, a partir da casa de uma família de pioneiros e da atuação de seus filhos e netos. Certificado como Ponto de Cultura desde 2017, com reconhecimento da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal e do Ministério da Cultura, o Muvida é também reconhecido pelo Iphan como Ponto de Memória. As ações apoiadas pela PNAB encerram agora um ciclo, mas o espaço mantém-se em intensa atividade, com programação permanente voltado para formação, preservação de saberes e participação da comunidade.
Serviço:
Para conhecer e participar das atividades gratuitas:
Muvida Ponto de Cultura
Endereço: Rua Brasília, Lote 06, Acampamento Rabelo, Vila Planalto
Site: pontodeculturamuvida.com.br
Instagram: @ponto_de_cultura_muvida/
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