Politica
Falta de quórum trava CPI e Paula Belmonte cobra comprometimento dos deputados
Presidente abre sessão e registra insatisfação com os parlamentares governistas que não justificaram as ausências
A segunda reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a poluição no Rio Melchior, marcada para a manhã desta quinta-feira (10), foi cancelada por falta de quórum, na Câmara Legislativa do DF. Apenas a presidente da comissão, deputada Paula Belmonte (Cidadania), e o deputado Gabriel Magno (PT) estiveram presentes. “Essa falta de comprometimento do GDF é algo antagônico ao que existe hoje no mundo”, disparou a deputada, que chegou a abrir a sessão, mas, logo em seguida, encerrou.
O relator da CPI, deputado Daniel Donizet (MDB), está de licença médica. Já os deputados Rogério Morro da Cruz (PRD) e Joaquim Roriz Neto (PL), que é vice-presidente da comissão, não compareceram e não apresentaram justificativas — sendo que Roriz Neto também já havia se ausentado da primeira sessão. Os suplentes também não apareceram na sessão.
Mesmo sem o número mínimo de parlamentares para deliberar, Paula Belmonte abriu a sessão, registrou a ausência dos colegas e manifestou insatisfação. “Quando falamos do Rio Melchior, não é só sobre contaminação do solo ou da água. Estamos falando de pessoas — crianças que já nascem com os dentes comprometidos, mulheres que vivem com dores de cabeça e queda de cabelo. É sobre saúde, dignidade, é uma pauta humana”, afirmou.
A reunião tinha como pauta a votação de requerimentos importantes, como a realização de visitas técnicas ao Rio Melchior, às Estações de Tratamento de Esgoto de Samambaia e Melchior, ao abatedouro da Seara Alimentos, além da convocação de representantes da Adasa, SLU, Caesb e especialistas da UnB. Sem o quórum necessário, nenhuma deliberação foi possível.
Antes de encerrar a breve sessão, Paula Belmonte fez um apelo direto aos parlamentares da Casa: “A CPI do Rio Melchior não é uma agenda ideológica, mas humanitária. E eu peço a todos os parlamentares que se colocaram à disposição da CPI que tenham a sensibilidade de estar presentes e dar uma satisfação não só para nós, mas para toda a população do Distrito Federal.”
Paula Belmonte ainda mandou o recado: “Caso (os deputados) não tenham afinidade com o tema discutido, abram espaço para outros deputados. Nenhum parlamentar é obrigado a participar.”
Descaso
O Rio Melchior, localizado entre Taguatinga, Samambaia, Ceilândia, Sol Nascente e Pôr do Sol, é classificado desde 2014 como “Classe 4” — o nível mais crítico, com uso restrito apenas à navegação e paisagem.
O curso d’água recebe diariamente efluentes do Aterro Sanitário de Brasília, da Caesb e de um abatedouro, agravando ainda mais a poluição. A construção prevista de uma usina termelétrica na região levanta novos alertas: risco de emissão de gases poluentes, perda hídrica e alterações térmicas que podem comprometer a fauna local.
Moradores de comunidades próximas, como a Cerâmica, ainda utilizam a água do rio para o banho e o preparo de alimentos, enfrentando uma dura realidade de abandono e ausência de saneamento básico.
Fonte: Ascom Paula Belmonte
Educação
Aluno é ameaçado de morte no DF por opção política
“Eu juro que amanhã se você for para a escola você não volta vivo”. Essa foi a mensagem de áudio que Felipe* (nome fictício), de 17 anos, recebeu em um grupo de WhatsApp de estudantes da turma dele em uma escola no Distrito Federal.
A ameaça ocorreu ainda durante a apuração dos votos da eleição presidencial, quando o candidato Luiz Inácio Lula da Silva passou à frente. Nos áudios, os quais a Agência Brasil teve acesso, antes da ameaça de morte, o agressor fala: “você votou foi no Lula, seu esquerdista desgraçado”.
O mesmo estudante também escreveu no grupo que se o candidato Flávio Bolsonaro perdesse ele iria espancar outros cinco colegas. E completa: “só na faca”. Outro adolescente curte as mensagens e manda figurinhas de risadas. Além das ameaças, o agressor também profere mensagens de intolerância religiosa contra os colegas.
Felipe é um adolescente transgênero e segundo a mãe, Aline* (nome fictício), ele nunca sofreu transfobia na escola. Por isso, eles se espantaram com as mensagens de ódio por questões políticas.
“A ideologia está afetando o discernimento dos jovens. Os adultos não conseguem lidar com as frustrações e ficam violentos e os jovens acabam absorvendo isso, transformam também a frustração em ódio”, disse.
Aline também contou que, por causa das agressões, Felipe passou a semana toda sem ir à escola. E ainda teme voltar na segunda-feira. E que, mesmo diantes de fatos tão graves, os dois ainda não fizeram boletim de ocorrência por medo de que o adolescente seja exposto ou sofra retaliações.
Segundo Aline, a diretora da escola informou que o aluno que mandou os áudios e mensagens foi transferido de escola e o que concordou com as mensagens, suspenso por quatro dias.
Violência nas escolas
Na última semana, uma série de casos de violência contra crianças e adolescentes relacionados à opções políticas dos jovens ou dos pais têm sido relatadas nas redes sociais.
As agressões vão desde ofensas verbais e chacota até agressões físicas e ameaças de morte.
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