Saúde
Pesquisadores confirmam eficácia da Inteligência Artificial na seleção de óvulos para Fertilização in Vitro
Tecnologia traz avanços para a medicina reprodutiva, ajudando a otimizar resultados e a personalizar tratamentos
Estudo brasileiro publicado em revista científica internacional mostra como a Inteligência Artificial (IA) traz mais objetividade e rapidez para a medicina reprodutiva, com uma jornada menos desgastante e ainda mais promissora para quem deseja ter filhos. A partir de um avançado arsenal de dados, algoritmos treinados analisaram milhares de óvulos e selecionaram com sucesso aqueles com maiores chances de se transformarem em embriões saudáveis durante ciclos de fertilização in Vitro (FIV).
Especialistas brasileiros usaram um sistema de IA para a avaliação de 14.602 imagens de óvulos em 2.156 ciclos de FIVs realizados entre 2020 e 2024. Os pesquisadores constataram que os óvulos que receberam as notas mais altas da IA apresentaram maior probabilidade de fertilização e desenvolvimento de embriões que chegariam ao estágio ideal para transferência ao útero. A pesquisa foi divulgada em novembro de 2025 pelo periódico F&S Science, ligado à Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, uma das instituições mais respeitadas do mundo na área da fertilidade.
Experimentos como este mostram que a IA torna os processos da reprodução assistida mais previsíveis, eficientes e menos desgastantes para a paciente e seus familiares. “A tecnologia reduz a subjetividade humana; oferece suporte quantitativo, pois processa grandes volumes rapidamente; e faz uma avaliação matemática de padrões invisíveis ao olho humano. Para a ciência, tudo isso se traduz em métricas padronizadas, reprodutibilidade do experimento e comparabilidade estatística mais robusta entre grupos estudados”, afirma Dr. Edson Borges, diretor científico do Fertgroup, maior grupo de reprodução assistida do Brasil, que lidera a pesquisa. O especialista destaca que a IA não substitui o médico. “Ela se torna uma poderosa ferramenta de apoio à decisão clínica, facilitando condutas ainda mais personalizadas e que otimizam o tratamento.”
Em outro estudo recente, a equipe de pesquisadores empregou a IA para comparar protocolos hormonais com o objetivo de definir abordagens terapêuticas de acordo com o perfil da paciente. “Isso permitiu, em casos específicos, a redução de injeções, substituídas por comprimidos, o que tornou o tratamento mais simples, barato e trouxe menos desconforto à mulher, com resultados semelhantes aos obtidos pelos métodos tradicionais”, explica Dr. Borges.
Em relação às mulheres que pretendem congelar óvulos, a IA pode ajudar muito no cálculo da quantidade que precisa ser congelada para que haja maior probabilidade de gestação no futuro. Antes da IA, tal estimativa era realizada de forma observacional, a partir da avaliação da idade da paciente e seus dados clínicos. A depender da qualidade dos óvulos mostrada pela inteligência artificial, pode ser sugerida a realização de outro ciclo de coleta.
Ao aumentar a precisão na triagem das células reprodutivas femininas, a IA pode, também, diminuir o número de ciclos que precisam ser realizados. Isso reduz não só os custos financeiros para a paciente, mas também o tempo dedicado ao processo, o que contribui para o seu bem-estar emocional, aliviando sentimentos de ansiedade e frustração.
CRÉDITOS:
Imagem gerada por IA / ChatGPT (OpenAI)
Saúde
A organização que está mudando a história da saúde pediátrica no Brasil
Após investir mais de R$ 440 milhões e impactar milhões de famílias, o Instituto Ronald McDonald completa 27 anos e se prepara para um novo ciclo de atuação no país
Quando uma criança recebe o diagnóstico de uma doença, como o câncer, a vida de toda a família muda junto. Não é apenas o início de um tratamento médico, mas de uma jornada marcada por deslocamentos, incertezas, afastamento do trabalho, da escola, da casa e da rotina. Foi olhando para essa realidade que nasceu, há 27 anos, o Instituto Ronald McDonald, organização que se tornou uma das principais referências no apoio à saúde de crianças e adolescentes e no acolhimento de suas famílias ao longo da jornada de tratamento.
O que começou como uma iniciativa de apoio e acolhimento às famílias de crianças em tratamento se transformou, ao longo dos anos, em uma atuação nacional que envolve diagnóstico precoce, treinamento de profissionais de saúde, apoio a hospitais e acolhimento de famílias durante o tratamento.
Hoje, após quase três décadas de atuação, a instituição soma mais de R$ 440 milhões investidos em projetos na área da saúde infantojuvenil no Brasil e mais de 3,3 milhões de crianças e adolescentes beneficiados diretamente por suas iniciativas em todo o país.
Muito além do tratamento
Ao longo dos anos, o trabalho do Instituto ajudou a reforçar uma visão que hoje ganha cada vez mais força na área da saúde: o tratamento não envolve apenas o paciente, mas toda a família. Distância do hospital, custos com alimentação e transporte, falta de informação e a necessidade de interromper a rotina são fatores que impactam diretamente as chances de sucesso do tratamento.
Mais do que falar sobre câncer, a organização passou a falar sobre cuidado, apoio e sobre famílias que possuem crianças e adolescentes que precisam de assistência médica e enfrentam, além da doença, desafios sociais, emocionais e financeiros ao longo dessa jornada. Mais do que falar sobre a doença, a organização passou a falar sobre cuidado, apoio e sobre famílias que possuem crianças que precisam de assistência médica e enfrentam, além da doença, desafios sociais, emocionais e financeiros ao longo do tratamento.
“Quando uma criança adoece, a família inteira adoece junto, emocionalmente, financeiramente e socialmente. Por isso, sempre acreditamos que cuidar da família também é parte do tratamento. Esse olhar para a família é o que orienta o nosso trabalho desde o início. Muitas famílias precisam sair de suas cidades, abandonar temporariamente suas rotinas e enfrentar uma jornada longa e difícil. Se essa família não tiver apoio, o tratamento fica ainda mais difícil. Cuidar da família também é parte do tratamento”, afirma Bianca Provedel, CEO do Instituto Ronald McDonald.
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Quatro frentes que sustentam a atuação no país
Para conseguir atuar em uma jornada tão complexa como o câncer infantojuvenil, o Instituto estruturou sua atuação em quatro grandes programas, que hoje sustentam o trabalho da organização em todo o Brasil.
O primeiro deles é o Programa Diagnóstico Precoce, que atua na capacitação de profissionais e estudantes da área da saúde para identificar sinais e sintomas do câncer infantojuvenil o mais cedo possível. O diagnóstico precoce é considerado um dos fatores mais importantes para aumentar as chances de cura.
Outra frente é o Programa Atenção Integral, que apoia hospitais e instituições de saúde com projetos que contribuem para a melhoria do atendimento, infraestrutura hospitalar, aquisição de equipamentos e qualificação do cuidado oferecido a crianças e adolescentes em tratamento oncológico.
Durante o tratamento, muitas famílias precisam se deslocar de suas cidades para buscar atendimento em centros de referência. É nesse momento que entra o Programa Casa Ronald McDonald, que oferece hospedagem, alimentação e apoio para famílias que precisam permanecer por longos períodos longe de casa para acompanhar o tratamento dos filhos.
Complementando esse cuidado, os Espaços da Família Ronald McDonald funcionam dentro de hospitais e oferecem um local de acolhimento, descanso, alimentação e apoio emocional para familiares durante o período de internação ou tratamento das crianças.
Juntos, esses programas permitem que o Instituto atue em toda a jornada da doença, desde o diagnóstico até o período de tratamento e recuperação, olhando não apenas para o paciente, mas para toda a família.
Impacto que se mede em números e em histórias
Ao longo de 27 anos, a atuação do Instituto Ronald McDonald também pode ser medida em números. Mais de 50 mil profissionais e estudantes da área da saúde já foram treinados para identificar sinais e sintomas do câncer infantojuvenil precocemente.
Mais de 2 mil projetos, em 111 instituições de norte a sul do Brasil, já receberam apoio ao longo dessa trajetória. Apenas em 2025, mais de 9 mil pessoas passaram pelos Espaços da Família Ronald McDonald, mais de 7 mil profissionais de saúde foram treinados e 1.201 famílias foram hospedadas pelo Programa Casa Ronald McDonald durante o tratamento de seus filhos.
Mas, segundo Bianca, o impacto vai muito além dos números.
“Os números mostram o tamanho do trabalho, mas o que realmente importa são as histórias. Cada criança atendida, cada família acolhida, cada profissional treinado representa uma chance a mais de diagnóstico precoce, de tratamento adequado e de cura. Nosso trabalho sempre foi sobre dar mais chances para essas crianças”, diz.
Um novo ciclo depois de 27 anos
Se os últimos anos foram de consolidação e expansão da atuação, os próximos devem marcar um novo ciclo para o Instituto Ronald McDonald. O momento é de fortalecimento institucional, ampliação do impacto social e evolução da forma como a organização se posiciona e se comunica, cada vez mais com as famílias no centro do cuidado.
“Chegar aos 27 anos não é apenas olhar para o que fizemos até aqui, mas principalmente para o que ainda precisamos fazer. O Brasil ainda é um país com muitas desigualdades no acesso ao diagnóstico e ao tratamento, e nosso papel é justamente ajudar a reduzir essas diferenças. Estamos nos preparando para um novo momento do Instituto, com expansão da nossa atuação e do nosso impacto no país”, afirma Bianca.
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Mais do que uma história, um futuro pela frente
Ao completar 27 anos, o Instituto Ronald McDonald não fala apenas de sua trajetória, mas principalmente do futuro. O desafio agora é ampliar o impacto, fortalecer programas e expandir o apoio às famílias, garantindo que o lugar onde a criança nasce não determine suas chances de acesso ao cuidado e ao tratamento.
Entre os próximos passos da instituição está a ampliação de sua estrutura de acolhimento no país, com projetos que reforçam o compromisso com inovação, sustentabilidade e cuidado integral. Nesse contexto, a futura unidade de Goiânia surge como um dos marcos desse novo momento, reunindo conceitos avançados de estrutura, acolhimento e suporte às famílias em tratamento.
Com capacidade ampliada e integração entre hospedagem, apoio e convivência, a iniciativa reforça o papel do Programa Casa Ronald McDonald e dos Espaços da Família como pilares fundamentais na jornada de crianças e adolescentes em tratamento, contribuindo para um ambiente mais seguro, estruturado e humanizado.
Os próximos anos serão guiados por uma visão de longo prazo, com foco na ampliação do acesso, na qualificação do cuidado e no fortalecimento do apoio às famílias em todo o país.
Porque, ao longo desses 27 anos, uma certeza se consolidou: quando a família é acolhida, o tratamento se torna mais possível. E é esse olhar que seguirá orientando a atuação do Instituto nos próximos ciclos.
CRÉDITOS:
FOTO: Divulgação
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