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Conselho de Ética instaura processo contra deputadas que insultaram colegas por marco temporal

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Deputada Erika Kokay (PT-DF). Foto: Reprodução/ Redes Sociais

As representações contra as deputadas foram apresentadas pelo PL do ex-presidente Jair Bolsonaro

O Conselho de Ética da Câmara instaurou processo, nesta quarta-feira, 14, contra seis deputadas de esquerda que insultaram parlamentares que votaram a favor de projeto estabelecendo um marco temporal para demarcação de reservas indígenas. As representações contra as deputadas foram apresentadas pelo PL do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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Dois dos processos correm o risco de serem relatados por apoiadores do ex-presidente: o caso de Talíria Petrone (PSOL-RJ) poderá ficar sob a responsabilidade do Delegado Fábio Costa (PP-AL) e o de Erika Kokay (PT-DF) com Ricardo Ayres (Republicanos-TO).

Além delas, foram alvos de representação Célia Xakriabá (PSOL-MG), Samia Bomfim (PSOL-SP), Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e Juliana Cardoso (PT-SP). Em publicações nas redes, as congressistas chamaram de “genocida” o projeto que autoriza demarcação de terras apenas nas áreas ocupadas por indígenas até a promulgação da Constituição em 1988.

Segundo texto formulado pelo PL, as deputadas de esquerda acusaram os colegas que votaram a favor do projeto como tendo patrocinado o “extermínio” das comunidades indígenas. O PL sustenta ainda que as declarações tiveram “intuito de desonrar e macular esta instituição”.

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Célia Xakriabá, por exemplo, foi alvo de representação após dizer que os parlamentares que votaram a favor do projeto eram assassinos. “Vocês são assassinos do nosso povo”, disse a parlamentar, no plenário da Câmara.

O documento, assinado pelo presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, diz que as ditas transgressões “ultrapassam a imunidade parlamentar e possuem viés criminoso” por criar “uma narrativa ardilosa” e corroborar “fake news”.

“As falas caluniosas da deputada não se restringem aos parlamentares da sessão, mas também são proferidas contra esta Casa, com intuito de desonrar e macular esta instituição”, justificou Valdemar. Célia é uma das três parlamentares indígenas a exercerem o mandato na Câmara, ao lado de Juliana Cardoso e Silvia Waiãpi (PL-AP).

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As deputadas acusam o PL de patrocinar uma perseguição machista. Durante os discursos na reunião do Conselho, parlamentares do PSOL ainda exibiram faixas de “marco temporal não”. “Essa comissão de ética precisa ser de fato uma proteção a todos os parlamentares, mas acima de tudo, não cassar a palavra das mulheres nesse método machista que existe na sociedade e não está diferente aqui nesta Casa”, disse Juliana.

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O deputado Gustavo Gayer, ao criticar a postura das parlamentares, disse que era preciso deixar o lado “histérico e militante” de lado. O incidente gerou discussões – que aconteceram mais de uma vez ao longo das 2h30 de sessão.

“Estamos no Conselho de Ética. Se não pudermos dar o exemplo na reunião do Conselho de Ética, vamos dar onde?”, questionou o presidente do Conselho, Leur Lomanto Júnior (União-BA), incomodado com as trocas de ataques entre deputados.

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Desde o começo do ano, o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), tem feito apelos para que os parlamentares não percam a compostura no plenário.

Leur tem o apoio de Lira, que queria colocar um deputado “linha dura” para acabar com o que considera excessos que acontece no plenário e nas comissões.

Estadão conteúdo

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Fonte: Jornal de Brasilia

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Mulheres são contenção à extrema direita, mas barreiras ainda afastam parcela de baixa renda

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Eleitoras enfrentam barreiras de engajamento e a polarização em meio a discursos que tentam desacreditar sua força

As mulheres são maioria do eleitorado brasileiro e podem ser decisivas no segundo turno das eleições presidenciais. O aumento da participação política de mulheres também fica evidente no poder Legislativo, com figuras de diferentes espectros políticos garantindo votações expressivas, como a deputada estadual Eduarda Campopiano (PL-SP) e a deputada federal Érika Hilton (Psol-SP).

Ainda assim, segundo pesquisa do Projeto Brief, milhões ainda estão distantes da política, principalmente entre as mulheres de menor renda, não por considerarem que são incapazes de votar, mas por acharem que seus posicionamentos e votos não farão diferença substancial.

A cientista política Carolina Altalher, diretora executiva do Update, explica que, nas justificativas dessas mulheres, estão a descrença na mudança, custos para participar da política e uma certa frustração com o cenário atual. “Antes da gente falar de um desinteresse, a gente precisa entender quais são as barreiras que elas enfrentam e por que elas não estão enxergando resultados nessa participação”, afirma em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

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Altalher avalia que campanhas que desencorajam o voto feminino e, mais que isso, questionam a capacidade das mulheres de fazer política, muito comuns nos círculos conservadores, acabam beneficiando a extrema direita. “A gente sabe que as mulheres são a contenção da extrema direita em todo o mundo e, por conta disso, acaba viralizando esse tipo de comportamento e de ideia, principalmente no Brasil, onde as mulheres são 52,8% da população. Em diferentes partes do mundo, [existe] esse tipo de estratégia para chamar atenção e para fazer algum tipo de cortina de fumaça em relação a esse voto, que é tão precioso para que a gente não tenha um avanço da extrema direita”, pondera.

Sobre alguns fenômenos nas urnas de candidaturas femininas que se elegeram com discursos violentos e até de retrocesso dos direitos das mulheres, a cientista política observa que a eleitora “não necessariamente concorda com tudo aquilo que diz a candidata”, mas faz sua escolha, muitas vezes, orientada por rejeição. “Há uma combinação entre identificação com valores, rejeição aos próprios adversários e também o reconhecimento dessa liderança, dessas falas que provocam rejeição em alguns públicos, mas para outros podem ser identificadas como algum tipo de firmeza”, avalia.

Para Carolina Altalher, só será possível compreender essas contradições se despindo de conceitos pré-estabelecidos. “Reconhecer a legitimidade da eleição também permite a gente criticar essas posições e cobrar responsabilidade por esse mandato”, pontua.

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FONTE:

brasildefato

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