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Saúde

Ensaio clínico mostra combinação promissora no combate ao câncer de mama

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Estudo publicado na revista JAMA Oncology destaca a eficácia da associação do atezolizumabe, espécie de imunoterapia e a carboplatina, um tipo de quimioterapia

Isabella Almeida 

Os resultados de um ensaio clínico liderado por pesquisadores do Centro Médico da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, publicado, recentemente, na revista JAMA Oncology, destacam a eficácia da associação do atezolizumabe, uma imunoterapia, com a carboplatina, uma quimioterapia. A combinação de tratamentos  é apontada como uma promissora opção para pacientes com câncer de mama metastático.

O atezolizumabe foi, inicialmente, aprovado para câncer de mama em 2019, mas sua indicação foi voluntariamente retirada pelo fabricante dois anos depois de dados adicionais não confirmarem sua eficácia. No entanto, o novo estudo demonstra que, quando combinado com carboplatina, o medicamento resultou em um benefício clinicamente significativo.

A pesquisa envolveu 106 pacientes de diversos grupos étnicos e revelou boa eficácia. Os resultados mostraram que a combinação atezolizumabe-carboplatina aumentou a sobrevida livre de progressão de 2,2 meses para 4,1 meses, enquanto a sobrevida global subiu de 8,6 meses para 12,6 meses, em comparação com o grupo que recebeu apenas carboplatina.

Os pesquisadores observaram que o atezolizumabe mostrou eficácia mesmo em tumores mais específicos. Além disso, identificaram que pacientes com índices de massa corporal mais elevados e glicose não controlada tiveram benefícios adicionais, indicando possíveis correlações entre obesidade, diabetes e resposta à imunoterapia.

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Observação

A pesquisa multidisciplinar também refinou os subtipos de câncer de mama triplo-negativos, salientando a importância dos linfócitos —um tipo de glóbulo branco que constitui uma parte essencial do sistema imunológico— na predição de uma melhor sobrevivência livre de recidiva. Os resultados promissores sugerem que a combinação atezolizumabe-carboplatina é uma abordagem terapêutica eficaz. No entanto, são necessárias mais pesquisas para validar essas descobertas e compreender completamente os efeitos da glicose e da obesidade na resposta à imunoterapia.

Segundo Brian Lehmann, professor associado de pesquisa em medicina e principal relator do estudo, o trabalho mostra, que, assim como ensaios clínicos anteriores sobre melanoma e cânceres renais e pulmonares, tumores com elevada carga de mutação e presença de células imunitárias têm maior benefício da imunoterapia. “Isso faz sentido porque cada mutação tem o potencial de ser reconhecida como não-própria pelo sistema imunitário, aumentando a probabilidade de as células já posicionadas em torno do tumor reconhecerem e atacarem o câncer”, detalhou a equipe, em comunicado.

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João Nunes, oncologista da Oncoclínicas Brasília, detalha que a célula tumoral pode desenvolver a capacidade de se esquivar do sistema imunológico usando algumas estratégias moleculares. “O atezolizumabe bloqueia a interação de uma proteína que se chama PD-L1, utilizada pelo câncer para se ocultar do nosso sistema imune. Com isso, a célula passar a ser identificada e destruída pelo nosso corpo. Essa tática é muito interessante, pois usa o próprio sistema de defesa contra o tumor.”

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Para o especialista, se comprovada, a nova abordagem será de grande ajuda na prática clínica. “15% dos tumores de mama são geralmente do tipo triplo negativo, que é mais agressivo e que foi a população alvo do estudo. Esse câncer passou muitos anos sendo tratado apenas com quimioterapia convencional. O desenvolvimento de imunoterapia nesse contexto tem a possibilidade de começar a mudar o jogo em favor das pacientes, com uma abordagem menos tóxica e mais eficiente, utilizando conceitos novos alinhados com o tratamento anterior.”

Trabalho em grupo

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Os pesquisadores ainda agradeceram a participação dos pacientes que se voluntariaram para a pesquisa. “É importante destacar que essas descobertas não teriam sido possíveis sem as contribuições dos pacientes com câncer de mama e a sua vontade de contribuir com o seu tempo e numerosos bioespécimes para esse estudo.”

“Esses pacientes abrangeram uma rede de centros colaborativos de câncer dentro do Translational Breast Cancer Research Consortium e fizeram parceria com oncologistas, patologistas, radiologistas, cientistas básicos e translacionais e bioestatísticos para concluir este estudo. Estamos muito gratos a eles e às suas famílias”, disse Jennifer Pietenpol, vice-presidente executiva de pesquisa do Vanderbilt University Medical Center, autora correspondente do estudo.

Aumilto Augusto da Silva Junior, oncologista clínico e subcoordenador do Centro de Estudos e Pesquisa Clínica do Hospital Santa Catarina – Paulista, sublinha que nos últimos anos houve o surgimento de medicamentos mais ativos, de maneira isolada ou combinados. “As taxas de cura da doença localizada aumentam e a de controle da doença metastática vem melhorando cada vez mais. Além disso, a pesquisa de biomarcadores vem ajudando a entender qual melhor tipo de tratamento para cada paciente, tornando o planejamento terapêutico cada vez mais personalizado.”

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Gilberto Amorim, da Oncologia D’or, em Brasília, reforça que o ideal é que esse tipo de tratamento não seja feito isolado porque a imunoterapia não tem muita atividade, mas reforça a quimioterapia. “Você acaba tendo um segundo mecanismo de combate, otimiza o sistema imunológico, liberando os linfócitos para atuar contra as células tumorais, e claro, com isso turbinar a quimioterapia. Em geral, traz resultados melhores, mais pacientes respondem e a reação dura por mais tempo. Evidentemente essa é uma abordagem que é vantajosa.”

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Rumo à personalização

“O cenário do tratamento do câncer de mama caminha agora para uma situação onde a célula está sendo mais fatiada. Os cientistas estão buscando entender cada vez mais a heterogeneidade do tumor para que possam ser desenvolvidas combinações de tratamentos. O que vimos aqui ainda não está aprovado para o câncer de mama, mas é uma ilustração para a gente poder entender para onde o tratamento está indo. Vou pegar uma célula tumoral e estudar ela especificamente. Hoje existem exames que estudam o DNA do tumor. Com isso o tratamento vai ser individualizado para aquela célula.”
Luís Onofre Rezende de Carvalho, oncologista do Instituto de Neurologia de Goiânia

A metástase

Pesquisadores do Moffitt Centro de Câncer, nos Estados Unidos, afirmam que o tumor de mama é a segunda principal causa de metástase cerebral e afeta de 10% a 30% dos pacientes com a condição mamária, resultando em opções de tratamento limitadas e baixa sobrevida.

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Estudo, detalhado por esses cientistas e publicado, na revista Cell Reports, foca na compreensão dos mecanismos moleculares que impulsionam a metástase cerebral, visando melhorar diagnósticos e tratamentos.

O trabalho concentrou-se nos fibroblastos — células no ambiente tumoral conhecidas por apoiar o desenvolvimento e a progressão do câncer — e na fucosilação, um processo de modificação proteica. Descobertas laboratoriais revelaram que fibroblastos associados aos tumores na mama, com níveis elevados de fucosilação, estão correlacionados com a metástase, indicando seu papel na progressão da patologia.

As estruturas analisadas secretam a proteína PVR, estimulando a migração de células metastáticas de câncer de mama no cérebro.

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No trabalho, a equipe informa ter descoberto que a secreção de PVR é desencadeada pela fucosilação, mediada por uma proteína chamada FUT11. Esses resultados, confirmados em amostras de pacientes, sugerem que a fucosilação de PVR e sua secreção por fibroblastos associados ao câncer são reguladores importantes da metástase e invasão do câncer de mama no cérebro.

“Nosso estudo fornece importantes percepções mecanísticas sobre a patogênese da metástase cerebral do câncer de mama, destacando, pela primeira vez, PVR e FUT11 secretados e fucosilados por fibroblastos associados ao câncer de metástase cerebral como potenciais novos alvos terapêuticos e biomarcadores para metástase cerebral de câncer de mama”, disse, em comunicado, Emma Adhikari, autora principal do estudo e pós-doutora pelo centro.

Fonte: Correio Brasiliense

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Saúde

Mulheres que constroem: maternidade, desafios e superação na construção civil

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Mesmo diante de um setor historicamente masculino, mulheres seguem conquistando espaço na construção civil e transformando realidades dentro e fora dos canteiros de obras. Entre elas, mães que conciliam jornadas intensas de trabalho com os cuidados da família, enfrentando diariamente desafios que vão além da profissão.

A presença feminina na construção civil tem crescido de forma consistente nos últimos anos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que, entre 2007 e 2018, houve um aumento de 120% da participação das mulheres no setor. Hoje, elas ocupam funções que vão desde atividades operacionais até cargos técnicos e estratégicos, mostrando competência, resiliência e capacidade de adaptação.

Mas, por trás dos capacetes, projetos e rotinas aceleradas, existem histórias marcadas por dedicação, cuidado e superação. Para muitas trabalhadoras, ser mãe e atuar na construção civil significa viver uma rotina de equilíbrio constante. Entre prazos, responsabilidades profissionais e a criação dos filhos, essas mulheres aprendem diariamente a administrar o tempo, lidar com a culpa da ausência e encontrar forças para continuar.

Mãe de dois filhos, Denise Duarte, engenheira de Segurança do Trabalho da Soltec Engenharia, afirma que a maternidade transformou completamente sua vida e sua forma de trabalhar. “A maternidade faz a vida da mulher dar uma volta de 360º e, independentemente da área de atuação, a rotina e a carreira profissional são afetadas. Mas, para mim, não tive impacto negativo”, relata.

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Ela lembra que trabalhou até a última semana de gestação e que, na época, costumavam brincar que os filhos “iriam nascer no canteiro de obras”. Segundo Denise, os desafios da maternidade trouxeram aprendizados importantes para sua carreira. “Aprendi a delegar melhor e a confiar mais na minha equipe, garantindo que os processos continuassem funcionando com excelência, mesmo quando eu precisava me ausentar por questões familiares. A maternidade me fez uma profissional mais focada no essencial”, destaca.

A rotina intensa também faz parte da vida de Veronica Barbosa de Souza, mãe de três filhos e servente/rejuntadeira na Base Incorporações há quatro anos. Provedora do lar, ela define sua trajetória como uma história diária de superação. “Minha rotina exige madrugadas, planejamento rigoroso, rede de apoio para cuidar das crianças e muita resiliência para conciliar o desgaste físico da obra com a atenção e os cuidados que meus filhos precisam”, conta.

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Mesmo diante das dificuldades, Veronica afirma encontrar motivação na própria família. “Minha maior força vem primeiramente de Deus e depois dos meus filhos. Tento dar o meu melhor. Tudo o que faço é por eles”, afirma.

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Ela conta que sente orgulho ao perceber que seu trabalho ajuda a transformar sonhos em realidade. “É gratificante saber que meu trabalho ajuda a realizar sonhos. Existe uma grande satisfação em entregar um empreendimento com qualidade e ver que, no final, deu tudo certo e que você contribuiu para aquela realização”, diz. “Tenho muito orgulho de saber que fiz parte e ajudei na conclusão de uma obra”, completa.

Mesmo após anos de experiência, Veronica segue sonhando mais alto. Entre os objetivos profissionais está a vontade de aprender novas funções e conquistar novos espaços dentro da construção civil. Já no campo pessoal, o maior desejo é conquistar a casa própria. “Meu maior sonho é ter minha casa, porque hoje moro de aluguel”, revela.

Além de Veronica, outras mulheres também carregam histórias de dedicação e resistência dentro dos canteiros de obras. Rita Vicente, rejuntadeira da Construtora Vega, de 56 anos, atua na construção civil há cerca de 30 anos e encontrou no setor uma oportunidade de valorização profissional. “Eu escolhi a construção por ser um setor que valoriza o nosso trabalho. A gente que trabalha direitinho podia até ganhar uma gratificação para fidelizar”, comenta.

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Mãe de nove filhos, Rita relembra os desafios de conciliar a maternidade com a rotina intensa de trabalho. “Cuidar dos filhos foi corrido. Sem uma rede de apoio, eu pagava para cuidarem dos meus filhos, mas não cuidavam direito, então tive que recorrer à creche”, conta. Mesmo diante das dificuldades, ela se orgulha da trajetória construída ao longo dos anos na construção civil. “Eu formei meus filhos com meu trabalho dentro da construção”, afirma.

Já a copeira de obras Telma Pereira Silva, de 45 anos, conta que pensou em desistir no início da experiência na construção civil. “Era um ambiente com muitos homens e eu nunca tinha trabalhado em obra antes. Mas não desisti e foi, sem dúvida, a minha melhor escolha. Lugar de mulher é onde ela quiser. Sou muito respeitada nas obras”, afirma.

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Além da maternidade e da rotina intensa, os desafios enfrentados por essas mulheres incluem a necessidade constante de provar sua capacidade profissional em um ambiente predominantemente masculino. Ainda assim, histórias de acolhimento, respeito e crescimento vêm fortalecendo a presença feminina no setor.

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Apoio e acolhimento fortalecem a trajetória das trabalhadoras

Por trás da força dessas trabalhadoras, existe também uma rede de apoio fundamental. Família, colegas de trabalho, lideranças compreensivas e profissionais de apoio fazem diferença na rotina de mães que precisam conciliar múltiplas responsabilidades. Um ambiente de trabalho mais humano, acolhedor e atento às necessidades femininas impacta diretamente a qualidade de vida, o bem-estar emocional e a permanência dessas mulheres no setor.

Nesse contexto, o Serviço Social da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Seconci-DF) desempenha um papel importante no acolhimento e cuidado das trabalhadoras da construção civil. A instituição oferece suporte voltado à saúde física, emocional e social das mulheres, especialmente das mães que enfrentam rotinas intensas.

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Por meio de parcerias com empresas do setor, as trabalhadoras têm acesso gratuito a atendimentos médicos, odontológicos e acompanhamento psicossocial, fortalecendo o cuidado integral e incentivando o autocuidado.

Segundo Roseane dos Santos, assistente social do Seconci-DF, o acolhimento vai além da assistência básica. “O acolhimento emocional e social é especialmente relevante para mulheres que acumulam múltiplas responsabilidades, contribuindo para um melhor equilíbrio entre vida profissional e familiar”, explica.

Rita também destaca a importância do atendimento oferecido pelo Seconci-DF em sua vida e na de sua família. “Eu acho muito bom, pois, às vezes, a gente não pode pagar por exames. Já utilizei vários serviços, como dentista e outros atendimentos médicos”.

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Para Verônica, esse suporte faz diferença na vida dos profissionais da área. “Eu acredito que o Seconci faz a diferença para os trabalhadores da construção civil”, afirma.

As ações desenvolvidas pelo Seconci-DF reforçam a importância de construir ambientes mais inclusivos, saudáveis e respeitosos para as mulheres que ajudam, diariamente, a erguer não apenas prédios e estruturas, mas também suas próprias histórias de superação.

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