Entre as ações discutidas para prevenir a disseminação da doença estão o reforço da vigilância nas regiões produtoras de citros, a fiscalização do trânsito de material vegetal e a orientação aos produtores para a compra de mudas de origem regular e a identificação precoce de possíveis sintomas. A atenção à procedência das mudas é fundamental para evitar a entrada da doença em novas áreas e proteger pomares que exigem anos de trabalho e investimento até alcançar a plena produção.
Saúde
Reunião define estratégias para reforçar vigilância contra doenças que ameaçam a produção agrícola no DF e em Goiás
Encontro alinhou metas diante do avanço do ‘greening’ em Goiás e das ocorrências de cancro cítrico e cancro bacteriano da videira no DF
Agência Brasília | Edição: Paulo Soares
Reunião realizada nessa quinta-feira (9), em Goiânia (GO), alinhou estratégias para ampliar a cooperação entre o DF e Goiás no enfrentamento de doenças que ameaçam a produção agrícola das duas regiões.
Durante o encontro, os técnicos compartilharam informações sobre a situação fitossanitária e definiram medidas conjuntas de fiscalização, monitoramento, prevenção e controle, com foco no fortalecimento da atuação regional, especialmente nas áreas de divisa e nos municípios do Entorno. A iniciativa prevê, ainda, a troca imediata de informações, o planejamento integrado das ações e o apoio das forças policiais para ampliar a capacidade de prevenção, detecção e resposta às ameaças fitossanitárias.
Entre as doenças discutidas durante a reunião, o greening (HLB) é a que gera maior preocupação para a citricultura, por ser considerada a doença mais grave e destrutiva dos citros no mundo. Recentemente, em Goiás, foram identificados dois focos da doença em propriedades rurais: um em Cidade Ocidental, município localizado no Entorno do Distrito Federal, e outro em Campo Limpo de Goiás.
A integração ganha ainda mais importância diante da proximidade geográfica entre o DF e Goiás e da intensa circulação de mudas, materiais vegetais, máquinas, equipamentos e pessoas entre as regiões produtoras. A atuação coordenada busca ampliar a capacidade de resposta dos órgãos de defesa e impedir que doenças se espalhem para novas áreas.
A transmissão da doença ocorre por meio do psilídeo, um pequeno inseto que, ao se alimentar de uma planta contaminada, pode adquirir a bactéria e transmiti-la para plantas sadias. Por isso, as ações de enfrentamento envolvem a identificação e a eliminação das plantas infectadas, além do controle do inseto vetor.
A reunião também tratou das ações relacionadas ao cancro cítrico. Embora o DF não registre, até o momento, casos confirmados da doença, as equipes permanecem sob vigilância. Entre as estratégias discutidas estão o compartilhamento de informações sobre ocorrências e suspeitas, a realização de ações coordenadas de monitoramento e o reforço das orientações aos produtores, especialmente nas regiões com maior circulação de material vegetal. De origem bacteriana, o cancro cítrico afeta diferentes espécies de citros, incluindo laranjas doces, limões, limas ácidas e tangerinas, provocando lesões em folhas, ramos e frutos, causando prejuízos à produtividade e à qualidade comercial da produção.
Vigilância
No DF, dois casos de cancro da videira foram identificados em propriedades localizadas no Programa de Assentamento Dirigido do Distrito Federal (PAD-DF) e em Brazlândia.
Após a confirmação dos casos, foi intensificado o monitoramento nas regiões próximas aos focos. As equipes técnicas realizaram vistorias nas propriedades localizadas em um raio de até 10 km, com coleta de material para análise laboratorial nos locais onde houve suspeita da doença. O acompanhamento dessas áreas continua sendo realizado pela Secretaria.
Causado pela bactéria Xanthomonas citri pv. viticola, o cancro bacteriano da videira pode afetar folhas, ramos e frutos, comprometendo o desenvolvimento das plantas e causando perdas significativas na produção. A doença se dissemina principalmente por meio de mudas e estacas contaminadas, além de ferramentas, máquinas e equipamentos utilizados no manejo dos vinhedos sem a correta higienização e desinfecção.
Mulheres incriveis
Outubro Rosa: tratamento termina, mas medo do câncer pode permanecer
As campanhas do Outubro Rosa são tradicionalmente marcadas por informações sobre prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer de mama. Mas existe outra dimensão menos falada: quando o tratamento termina, o medo de a doenças voltar assombra muitas mulheres.
“Enquanto familiares e amigos celebram a remissão e esperam que a vida volte ao normal, a mulher pode continuar convivendo com medos, inseguranças e transformações que não desaparecem com o fim do tratamento”, escreve, em artigo, a psicóloga clínica Laís Mutuberria Vieira.
A especialista explica que, durante meses, a mulher enfrenta nova rotina com hospital, médicos, exames. “Consultas e pessoas sempre por perto, acompanhando sua saúde. Quando a quimioterapia e a radioterapia terminam, esse contato diminui e começa nova etapa. Uma etapa cheia de incertezas, de medo de a doença voltar e de transformação na própria vida”, afirma Laís à Agência Brasil.
De acordo com ela, assim como o acompanhamento médico continua importante, o suporte emocional também pode precisar permanecer, respeitando o ritmo de cada mulher e ajudando-a a reconstruir a confiança na própria vida, mesmo sem a possibilidade de eliminar todas as incertezas.
“A última sessão de quimioterapia ou radioterapia pode marcar o fim de um tratamento, mas não o cuidado com essa mulher, que ainda precisa continuar”.
Segundo a psicóloga, muitos familiares e amigos se afastam para voltar à rotina normal e a mulher, temendo a recidiva da doença, fica marcada pelo medo da solidão.
“Os exames de acompanhamento podem despertar medo, qualquer alteração ou dor pode ser interpretada como reincidência da doença. Essa mulher ainda precisa de apoio”, diz Laís.
Ela lembra que muitas pacientes continuam usando medicação por até cinco anos e sentem fadiga, além de outros efeitos desse tratamento de acompanhamento. “O corpo dessa mulher mudou. Ela tem cicatriz, às vezes perdeu uma mama, ganhou uma nova mama que ela ainda não se identifica. A sexualidade pode mudar, assim como a intimidade com o parceiro e a própria disposição diminui par atividades diárias e para a vida sexual”, afirma.
“Essas mudanças podem afetar a autoestima, o desejo, a sensação de atratividade e a forma como essa mulher se reconhece no espelho, repercutindo também em dimensões mais amplas da sexualidade, como o toque, a espontaneidade, a confiança e a disponibilidade para o vínculo íntimo”, acrescenta.
Renata Reis Pinto, médica mastologista e radiologista, com atuação no Instituto Nacional de Câncer (Inca), lembra que o câncer de mama ainda é uma doença com muitos estigmas. Até hoje, na prática clínica, ela diz que a doença ainda é vista como uma sentença de morte, que traz muitas dúvidas e medo de como será a evolução e do que a paciente terá que enfrentar diante do diagnóstico.
Para a médica, providenciar todo um aparato para a paciente falar sobre suas questões é importante até para a evolução do tratamento. “É importante oferecer para a paciente um tratamento multidisciplinar, com uma assistente social que pode ajudar em questões como onde vai ficar o filho enquanto ela está em tratamento, questões sociais relacionadas ao trabalho. A psico-oncologia é de fundamental importância para perceber até que ponto esse medo está sendo tão intenso que a paciente possa necessitar de alguma medicação”, afirma Renata à Agência Brasil.
Josiane Fernandes, 48 anos, de Volta Redonda, no sul fluminense, descobriu o câncer de mama no início de 2025 ao perceber um nódulo na mama esquerda. Em março do ano passado ela confirmou o diagnóstico e começou o tratamento.
“Eu não contei para ninguém. Eu sofri sozinha. Só contei para meu marido depois de fazer a biópsia. Meu tratamento com cirurgia, quimioterapia e imunoterapia
Para a médica, providenciar todo um aparato para a paciente falar sobre suas questões é importante até para a evolução do tratamento. “É importante oferecer para a paciente um tratamento multidisciplinar, com uma assistente social que pode ajudar em questões como onde vai ficar o filho enquanto ela está em tratamento, questões sociais relacionadas ao trabalho. A psico-oncologia é de fundamental importância para perceber até que ponto esse medo está sendo tão intenso que a paciente possa necessitar de alguma medicação”, afirma Renata à Agência Brasil.
Josiane Fernandes, 48 anos, de Volta Redonda, no sul fluminense, descobriu o câncer de mama no início de 2025 ao perceber um nódulo na mama esquerda. Em março do ano passado ela confirmou o diagnóstico e começou o tratamento.
“Eu não contei para ninguém. Eu sofri sozinha. Só contei para meu marido depois de fazer a biópsia. Meu tratamento com cirurgia, quimioterapia e imunoterapia
Após o fim do tratamento do câncer, Josiane continua o acompanhamento médico. “O tratamento pode terminar, mas o medo nem sempre termina junto. Até hoje, numa consulta de rotina, num exame, eu entro em pânico. Parece que volta tudo o que eu vivi. As pessoas que passam por um câncer deveriam ter um cuidado no pós-tratamento. Existe vida depois do câncer, mas essa vida precisa ser reconstruída”, completa Josiane.
Segundo a estimativa do Inca para este ano, o tumor mais incidente entre as mulheres é o de mama, com 30% dos casos. O número estimado de casos novos da doença no Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 78.610 casos, com risco estimado de 71,57 casos novos a cada 100 mil mulheres.
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