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Saúde

Pacientes com câncer aguardam cerca de 100 dias por primeiras consultas oncológicas

Publicado em

Davidyson Damasceno/IGES-DF

Demora no atendimento representa um risco, e tempo de espera estabelecido pela lei 12.732/12 determina início do tratamento em 60 dias

Carolina Freitas

Pacientes com câncer no Distrito Federal enfrentam dificuldades para serem atendidos no sistema público de saúde do DF e precisam aguardar cerca de 100 dias para passarem pelas primeiras consultas em oncologia. A demora no atendimento representa um risco, e ultrapassa o limite de espera estabelecido pela lei 12.732/12, que determina o início do tratamento de tumores malignos no prazo máximo de 60 dias.

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Além da demora de cerca de 100 dias para as primeiras consultas, os dados do Mapa Social da Saúde do DF, divulgados pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e pela Secretaria de Saúde (SES/DF), mostram ainda que 1.443 pessoas aguardam na lista de espera para passarem por consultas em oncologia em 2024. Dentre as especialidades na fila estão: 1.155 pacientes esperam por uma consulta em oncologia clínica, 117 a, 116 oncologia clínica – cuidados paliativos e 55 onco-hematologia pediatria.

De acordo com levantamento feito pelo Jornal de Brasília, no painel do Mapa Social da Saúde, a maioria dos que aguardam por uma consulta em oncologia este ano tem entre 65 e 70 anos, sendo 186. Em seguida, estão pessoas entre 60 e 65 (182), entre 55 e 60 anos (149) e entre 70 e 75 anos (149). Já as que menos aguardam são: entre 15 e 20 anos (cinco), 20 a 25 (11) e cinco a dez anos (12). Segundo especialistas, a longa demora no atendimento pode comprometer ainda mais o quadro de saúde de um paciente com câncer.

Para o oncologista, Eduardo Vissotto, o ideal é que o tratamento para quem foi diagnosticado com câncer comece o mais rápido possível, pelo risco de evolução da doença: “As células do câncer, por definição, possuem a propriedade de se multiplicar indefinidamente e invadir estruturas próximas, vasos linfáticos e vasos sanguíneos se disseminando pelo organismo. Portanto, o ideal é que, uma vez diagnosticado o câncer, o tratamento seja instituído o mais rápido possível. A morosidade para início do tratamento traz aos pacientes riscos de progressão da doença, seja localmente ou sistemicamente através do desenvolvimento de metástases”.

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O oncologista explicou ainda que existem casos mais graves que precisam de uma atenção mais rápida e outros mais leves que podem esperar um tempo a mais, mas o melhor é não ultrapassar 30 dias: “A rede pública possui critérios para priorização através do risco da apresentação da doença. Existem tumores que são mais agressivos e se apresentam com complicações exigindo assim avaliação imediata, muitas vezes em caráter de internação. Por outro lado, existem outros tumores indolentes, que permitem uma espera maior para o início de tratamento. De uma maneira geral, ideal seria uma avaliação em não mais que 30 dias do diagnóstico”.

Acordo

Em 2021, o MPDFT, por meio das Promotorias de Justiça de Defesa da Saúde (Prosus) e 15ª Procuradoria Cível, e a SES assinaram acordo para ampliar vagas e acelerar o atendimento oncológico no DF. O documento firmado estabelece diversas obrigações à Secretaria de Saúde, e por não estar sendo cumprido na íntegra, em 2023, o MPDFT voltou a cobrar ampliação de vagas e redução de filas de espera para tratamento oncológico. Ao JBr, o Ministério Público afirmou que segue cobrando da pasta soluções efetivas: “Para resolver a situação, a Prosus tem cobrado da Secretaria de Saúde o cumprimento do acordo assinado em 2021”.

Falta de medicamentos

Além do problema nos atendimento, os pacientes com câncer sofrem ainda com a falta de medicamentos na rede pública. Este mês, o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) determinou que o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (Iges/DF) adote providências urgentes para sanar o desabastecimento de 9,36% dos insumos destinados ao tratamento de câncer. O TCDF deu um prazo de 30 dias para que o Iges/DF resolva a questão da escassez de remédios quimioterápicos.

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Posição SES/DF

Em nota, a SES/DF informou que tem adotado medidas concretas para garantir o atendimento célere a todos os pacientes oncológicos: “Temos investido na contratação de procedimentos de radioterapia, o que irá permitir a abertura de mais 98 vagas na rede pública. Também estão em curso a ampliação do setor de oncologia do Hospital de Base, iniciada neste mês, e a capacitação de servidores da Atenção Primária à Saúde, porta de entrada para os serviços da pasta, de forma a promover encaminhamentos mais rápidos e qualificados dos pacientes oncológicos”.

“Vale ressaltar, ainda, que no fim de 2023 foi concluída a revitalização do setor de oncologia do Hospital Regional de Taguatinga, com ampliação do número de leitos e de consultórios, além de melhora significativa na internação. A rede pública também contará com o reforço da equipe de oncologistas do Hospital Universitário de Brasília (HUB), de administração federal, também integrante do Sistema Único de Saúde”, completou a nota.

Posição Iges-DF

Sobre a falta de medicamentos, o Iges-DF posicionou: “As informações sobre a Decisão 2396/2024, são referentes ao processo iniciado em 2020. Atualmente, os estoques de medicamentos de quimioterapia estão abastecidos, não havendo falta desses insumos essenciais. Além disso, o Iges-DF implementou um sistema automatizado de controle de distribuição, garantindo o abastecimento contínuo dos medicamentos por um período de 90 dias. Esse sistema de controle eletrônico aprimora a eficiência e a transparência na gestão de estoques, assegurando que todos os pacientes recebam seus tratamentos de forma regular e pontual”.

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Fonte: Jornal de Brasilia

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Saúde

HUB participa da rede de cuidado envolvida na doação e no transplante de órgãos

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O hospital realizará atividades que buscam conscientizar a população sobre a importância
da doação de órgãos
Brasília (DF) Um transplante começa muito antes da cirurgia e continua depois dela. Entre a identificação de um potencial doador e o acompanhamento da pessoa que recebe um órgão, diferentes profissionais e serviços participam de uma rede de cuidado que envolve avaliação, exames, acolhimento e acompanhamento. Durante o Setembro Verde, o Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB/HU Brasil) realizará atividades que buscam incentivar esse gesto.
“O Setembro Verde é uma grande campanha nacional de incentivo à doação de órgãos. Em todo o Brasil, são realizadas ações para conscientizar a população sobre o assunto”, comentou Gustavo Arimatea, médico nefrologista e chefe da Unidade de Transplantes do HUB.
Programação
No hospital, já aconteceram as seguintes atividades em alusão ao Setembro Verde:
  • 10/09 – Ação de incentivo ao transplante, na sala de espera de pacientes, no subsolo do prédio da Unidade da Criança e do Adolescente (UCA).
  • 18/09 – 6º Seminário de Transplante e Doação de Órgãos, Tecidos e Células, integrando a programação do 2º Conecta HUB, na UCA.
  • 20/09 – Participação especial na Corrida/Caminhada da UnB/HUB, na Universidade de Brasília.
Em 24/9, uma exposição de estande na Feira de Saúde do HUB, onde serão realizadas atividades lúdicas a respeito da importância da doação de órgãos, encerrará o cronograma.
Salvar vidas
Para Gustavo Arimatea, a conscientização sobre a doação de órgãos é importante para ampliar o conhecimento sobre o processo e estimular a manifestação da vontade de doar. No HUB, são realizadas três modalidades de transplante: rim, córnea e medula óssea autóloga.
“Para realizar um transplante no HUB o paciente precisa ser encaminhado através da Regulação da Secretaria de Saúde do Distrito Federal. Ou seja, o médico do paciente identifica a necessidade de um transplante e envia os relatórios de encaminhamento para o Complexo Regulador da SES/DF, que depois agenda uma consulta com a equipe de transplante”, explica Gustavo.
Em 2026, no HUB, já foram realizados 27 transplantes renais; 20 transplantes de córnea e 12 de medula óssea. O número suficiente de doadores ainda permanece sendo um desafio perante as demandas por doação no Brasil e no mundo.
“No Brasil, ainda temos um desafio adicional. Existe uma grande desigualdade de acesso ao transplante. Muitas pessoas vivem longe dos centros transplantadores, que estão concentrados nas maiores cidades e em algumas regiões do país. Precisamos garantir que todas as pessoas que possam se beneficiar de um transplante consigam chegar aos hospitais que realizam esse tratamento”, alerta o chefe da Unidade de Transplante.
Nesse sentido, no HUB, é feita uma “corrida contra o tempo” para que o transplante ocorra no prazo seguro. Esforço que envolve o processo de preparação de um paciente para que sua entrada na lista de transplante seja o mais breve possível.
“Como o órgão precisa ser colocado no corpo do receptor no menor intervalo possível, dizemos que isso é uma corrida contra o tempo. O Brasil é um país de grandes dimensões e muitas vezes os órgãos precisam viajar para outros estados. Nessa situação a organização logística é muito complexa, para que não existam entraves que inviabilizem o transplante”, informa Gustavo.
Etapas
Ainda de acordo com o nefrologista, no período pré-transplante, o objetivo é manter a saúde do paciente enquanto ele aguarda a disponibilidade de um órgão. Durante o transplante, os principais desafios estão relacionados à recuperação da cirurgia e à adaptação aos medicamentos utilizados para evitar a rejeição do órgão.
“No pós-transplante, quando o quadro de saúde do paciente já estabilizou, é necessário manter os cuidados pessoais, tomar os remédios do transplante com muito rigor e seguir o acompanhamento médico. Mas nessa fase os pacientes costumam se sentir muito bem e conseguem retomar muitos projetos de vida que tiveram que ser interrompidos em decorrência da doença”, completa.
Para quem aguarda por um transplante, a doação pode representar uma possibilidade de continuidade do cuidado. Por isso, falar sobre o tema e manifestar em vida a vontade de ser doador são atitudes que podem ajudar os parentes a conhecer essa decisão. No Brasil, a autorização para a doação de órgãos após a morte depende do consentimento da família.
Sobre a HU Brasil
O HUB-UnB faz parte da HU Brasil desde janeiro de 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.
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