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FEBRACE 2026 premia os melhores projetos do país e define sua delegação para maior feira internacional de ciências

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Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Paraná, São Paulo e Sergipe concentram os projetos vencedores em primeiro lugar nas categorias científicas e os selecionados para a ISEF 2026.
A Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE) anunciou os projetos vencedores do 1º lugar nas categorias científicas e os estudantes selecionados para representar o Brasil na Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF) 2026, a maior competição internacional de ciências pré-universitária do mundo. A premiação foi realizada no dia 20 de março, na Universidade de São Paulo (USP), encerrando a 24ª edição da feira, que reuniu 297 projetos finalistas de todo o país.
Os trabalhos premiados refletem tendências claras da nova geração de jovens cientistas brasileiros — como o uso de inteligência artificial, soluções sustentáveis baseadas em resíduos, alternativas naturais a insumos industriais, tecnologias para saúde e análises de dados aplicadas a problemas sociais.

Para a coordenadora geral da FEBRACE, professora Roseli de Deus Lopes, os resultados refletem não apenas a qualidade dos projetos, mas também a maturidade dos estudantes diante de desafios contemporâneos. “A FEBRACE revela uma geração de jovens que não apenas compreende os problemas do mundo atual, mas propõe soluções consistentes, com base científica e impacto real. É um retrato do potencial transformador da educação quando aliada à investigação e à criatividade.”
 

Os projetos vencedores passaram por avaliação de especialistas, com base em critérios como rigor científico, originalidade e potencial de impacto. Os estudantes que conquistaram o 1º lugar nas categorias gerais receberam medalhas, certificados digitais, um troféu e o convite para publicar seus trabalhos no Scientia Prima, periódico da ABRIC.
Já os nove projetos selecionados para a ISEF 2026 representarão o Brasil em Phoenix (EUA), entre os dias 9 e 15 de maio. Considerada a principal vitrine global da ciência pré-universitária, a feira reúne projetos com grande rigor científico e abre portas para oportunidades acadêmicas e profissionais.
Além dos destaques, 237 premiações foram concedidas ao todo em diferentes categorias científicas e institucionais ao longo da feira. A lista completa dos premiados pode ser acessada neste link.
Projetos vencedores em primeiro lugar e selecionados para a ISEF por estado:
Amazonas (AM)
MeMO – estímulos sonoros no estudo do Alzheimer
Prêmio: ISEF
Estudante: Ada Jamile Gomes de Oliveira
Orientação: Roberto Alexandre Alves Barbosa Filho
Colégio Militar de Manaus, Manaus (AM)

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A pesquisa avaliou, em modelo in vitro, os efeitos de batidas binaurais de 12 Hz — estímulos sonoros capazes de induzir padrões específicos de atividade cerebral — sobre genes associados ao Alzheimer. Os resultados indicaram redução na expressão de marcadores ligados à neurodegeneração. Os achados sugerem que a estimulação sonora pode interferir em mecanismos biológicos relevantes, apontando para o desenvolvimento de abordagens terapêuticas complementares, de baixo custo e não invasivas.
Bahia (BA)
AnisGuard – controle de fungos em café com extrato natural
Prêmios: 1º lugar em Ciências Agrárias e ISEF
Estudante: Kenisson Morais Brito
Orientação: Winne Katharine Souza Rocha | Coorientação: Gislaine Amorim Santos
Escola SESI Anísio Teixeira, Vitória da Conquista (BA)

A contaminação de grãos de café por fungos do gênero Penicillium é um problema recorrente que pode gerar perdas econômicas e a presença de toxinas como a ocratoxina A. Para enfrentar esse desafio, a pesquisa identificou compostos bioativos da erva-doce com ação antifúngica e demonstrou, em bioensaios, redução de 83,8% da carga fúngica, superando fungicidas sintéticos. A solução ainda apresenta custo até 4,3 vezes menor e permite o reaproveitamento de resíduos como biofertilizantes.
Amendoclean – remoção de corantes com biocarvão de casca de amendoim
Prêmios: 1º lugar em Ciências Exatas e da Terra | ISEF
Estudante: Gabriel Mocitaiba Pinheiro
Orientação: Luciene Santos Carvalho
IFBA – Campus Camaçari, Camaçari (BA)

A contaminação de águas por corantes industriais é um desafio ambiental relevante, especialmente em regiões com atividade têxtil. Como alternativa, foi desenvolvido um biocarvão ativado a partir de casca de amendoim — um resíduo agroindustrial abundante — capaz de remover esses poluentes da água. O material apresentou estrutura altamente porosa e alta capacidade de adsorção, eliminando completamente o corante em soluções diluídas, com desempenho comparável ao de materiais comerciais e menor custo.
Ceará (CE)
Sustainpoly – biocompósitos a partir de resíduos do maracujá
Prêmio: ISEF
Estudantes: Davi Oliveira Silva, João Pedro Monteiro Silva, Jordana da Silva Mendonça
Orientação: Francisco Augusto Oliveira Santos | Coorientação: Mônica Barbosa Canuto
E.E.M.T.I. Marconi Coelho Reis, Cascavel (CE)

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O projeto utiliza resíduos do maracujá para produzir biocompósitos com aplicações agrícolas, a partir de um bioprocesso que transforma o mesocarpo do fruto em materiais multifuncionais. Os produtos foram testados em diferentes condições e demonstraram retenção de umidade do solo por até 21 dias, além de redução de até 87% na infestação de ervas daninhas. A solução, der baixo custo, também teve ação repelente contra pragas.
Demografia do feminicídio com inteligência artificial
Prêmios: 1º lugar em Ciências Sociais Aplicadas e ISEF
Estudante: Yanna Francisca Nogueira Queiroz
Orientação: Helyson Lucas Bezerra Braz | Coorientação: Sebastiana Vicente Bezerra
E.E.F.M. Deputado Joaquim de Figueiredo Correia / UFC, Ceará (CE)

A pesquisa desenvolveu uma ferramenta baseada em processamento de linguagem natural, treinada com mais de 5 mil reportagens, capaz de extrair e analisar dados sobre casos de feminicídio no Ceará. A partir dessa base, foi possível identificar padrões demográficos e territoriais, evidenciando a relação entre os crimes e fatores sociais, geográficos e contextuais. Os resultados oferecem subsídios para a formulação de políticas públicas mais direcionadas, contribuindo para estratégias de prevenção e enfrentamento da violência de gênero.
Distrito Federal (DF)
Bacteriófagos contra biofilmes bacterianos
Prêmios: 1º lugar em Ciências da Saúde e ISEF
Estudantes: Anna Luísa Lopes Pereira, Aloísio José Pedrosa Portela, Manuela Cristina Segura Bossonaro
Orientação: Lorena da Silveira Derengowski
Colégio Militar de Brasília, Brasília (DF)

O estudo demonstrou que vírus que infectam bactérias, chamados bacteriófagos, podem impedir a formação e destruir biofilmes de Klebsiella pneumoniae — uma bactéria comum em hospitais e altamente resistente a antibióticos. Esses biofilmes funcionam como uma barreira protetora, dificultando o tratamento das infecções. Os experimentos indicaram que alguns fagos atuam tanto na prevenção quanto na ruptura dessas estruturas, e a análise genética desses vírus aponta para a presença de enzimas capazes de degradar o biofilme. Os resultados ampliam o potencial de aplicação no desenvolvimento de novas estratégias para o combate a infecções resistentes.
Paraná (PR)
Acelerador de crescimento de orquídeas
Prêmios: 1º lugar em Ciências Biológicas e ISEF
Estudante: Beatriz Maria Ferreira dos Santos
Orientação: Dionéia Schauren | Coorientação: Leandro Marcelo Miglioretto
Colégio Estadual Jardim Porto Alegre – Unidade II, Toledo (PR)

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O projeto demonstrou que extratos vegetais podem acelerar o desenvolvimento de orquídeas em cultivo in vitro, com melhorias no crescimento, no desenvolvimento das raízes e na formação de brotos (keikis). Além disso, esse meio de cultivo alternativo de baixo custo favoreceu a germinação das sementes e aumentou a eficiência do processo. A proposta pode reduzir significativamente o tempo de produção — de até 10 anos — e tornar o cultivo mais acessível.
São Paulo (SP)
SafeSkies – detecção de balões com inteligência artificial
Prêmios: 1º lugar em Ciências Exatas e da Terra e ISEF
Estudantes: Leonardo Paschoal Bartoccini, Lara Megda Schusterschitz
Orientação: Rodrigo Assirati Dias | Coorientação: Wayner de Souza Klën
Colégio Dante Alighieri, São Paulo (SP)

Sistema baseado em inteligência artificial é capaz de detectar, rastrear e prever a trajetória de balões em áreas de risco, como aeroportos e parques ambientais. A solução utiliza câmeras e um modelo de visão computacional treinado com milhares de imagens, que identificou balões com 94% de precisão. Duas câmeras operando por triangulação permitem calcular a posição e acompanhar o deslocamento, possibilitando prever a área de queda e emitir alertas antes que um incêndio comece.
Percepção de aranhas na periferia urbana
Prêmios: 1º lugar em Ciências Humanas e ISEF
Estudante: Maria Eduarda Vitorino Alves
Orientação: Ednilson Aparecido Quarenta
Escola Alef Peretz – Unidade Paraisópolis, São Paulo (SP)

A pesquisa, estruturada a partir de revisão bibliográfica e aplicação de questionários e entrevistas com estudantes da periferia de São Paulo, investigou a percepção sobre aranhas no cotidiano. Os resultados apontaram forte associação entre medo, desinformação e afastamento da natureza, com esses animais frequentemente relacionados a risco e sujeira. A partir desse diagnóstico, foi desenvolvido um jogo educativo que melhorou a compreensão sobre biodiversidade e contribuiu para transformar percepções negativas e aproximar os estudantes da fauna urbana.
BlueClarity – monitoramento de turbidez em fazendas marinhas
Prêmio: 1º lugar em Engenharia
Estudantes: Miguel Costa Borges de Lima, Maria Julia dos Santos Prates, Samuel Lellis de Godoy Gonçalves
Orientação: Edson Anício Duarte | Coorientação: Eduardo Galembeck
IFSP – Campus Campinas / UNICAMP, Campinas (SP)

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Sistema automatizado de monitoramento da qualidade da água com sensores de turbidez e transmissão remota de dados, permitindo acompanhamento contínuo em ambientes marinhos. A turbidez — que indica a presença de partículas e possíveis contaminantes na água — é um parâmetro essencial para detectar poluição e preservar a vida aquática. A inovação inclui um mecanismo de autolimpeza que reduz a incrustação biológica, um dos principais desafios nesse tipo de medição, garantindo maior precisão e confiabilidade ao longo do tempo.
ReciclAr – reciclagem de pás eólicas
Prêmio: 1º lugar em Engenharia
Estudante: Júlia Ramos Genzini
Orientação: Juliana de Carvalho Izidoro | Coorientação: Cristiane Rodrigues Caetano Tavolaro
Colégio Dante Alighieri, São Paulo (SP)

O projeto propõe uma solução para o reaproveitamento de fibras de vidro de turbinas eólicas, um resíduo de difícil reciclagem que tende a se acumular em aterros e impactar o meio ambiente. Por meio de tratamento térmico controlado, foi possível remover a resina que envolve o material e preservar a estrutura das fibras, mantendo suas propriedades básicas. Com isso, abre-se a possibilidade de reutilização em novas aplicações, reduzindo o volume de descarte e os impactos ambientais associados ao fim da vida útil dessas estruturas.
Sergipe (SE)
Capta – diagnóstico precoce do autismo
Prêmio: 1º lugar em Ciências Humanas
Estudantes: Taislaine Alves de Gois, Ana Karla Gois da Silva, Luana de Oliveira Santos
Orientação: Lark Soany Santos | Coorientação: Edson de Jesus Oliveira
Centro de Excelência 28 de Janeiro, Monte Alegre de Sergipe (SE)

O projeto desenvolveu um kit educativo voltado à triagem precoce do autismo em contextos de vulnerabilidade social, a partir da investigação de fatores de risco em crianças e das dificuldades de acesso ao diagnóstico. A solução reúne materiais como cartilhas, cards de sinais de alerta e instrumentos de apoio para famílias, educadores e agentes de saúde. Incorporado ao plano municipal de saúde, o kit amplia o acesso à identificação precoce e fortalece ações de conscientização e encaminhamento para acompanhamento adequado.
 

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Sobre a FEBRACE

A Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE) é promovida pela Escola Politécnica da USP e realizada pelo Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico (LSI-TEC). Ao longo de sua trajetória, já reuniu mais de 16.700 estudantes e cerca de 7.200 projetos finalistas, além de conceder aproximadamente 4.500 premiações entre reconhecimentos científicos, técnicos e institucionais. A iniciativa também seleciona e prepara delegações brasileiras para a Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF), com 210 projetos enviados e 82 prêmios conquistados na principal competição internacional de ciência pré-universitária.

A mostra conta com o patrocínio e apoio de diversas instituições. Em 2026, teve patrocínio da Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil, Petrobras, Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e SEBRAE. O Governo Federal apoia a iniciativa por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), no âmbito do Programa Pop Ciência, do Ministério da Educação (MEC), pelo Programa Escolas em Tempo Integral, e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). O evento conta ainda com apoio do Conselho Regional de Técnicos do Estado de São Paulo (CRT-SP), Ajinomoto, Ashland, Fundação Siemens Brasil e Instituto 3M.

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(Crédito: FEBRACE)

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“Os Sapatos que Atravessam a Rua” encerra circulação por escolas de Sobradinho nesta quinta-feira (20)

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Espetáculo aborda violência doméstica e feminicídio por meio de uma narrativa poética e promove rodas de conversa com estudantes da rede pública

Depois de iniciar sua circulação por Sobradinho no começo de agosto, o espetáculo “Os Sapatos que Atravessam a Rua” realiza, nesta quinta-feira, 20 de agosto, as três últimas apresentações do projeto, no Centro Interescolar de Línguas (CIL) de Sobradinho. A montagem, que aborda violência doméstica e feminicídio a partir de uma linguagem poética e sensível, já passou pelo Centro de Ensino Médio 02 de Sobradinho (CEM 02), onde realizou outras três sessões em  6 de agosto. Ao todo, serão seis apresentações voltadas a estudantes da rede pública. O projeto é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF).

Um par de sapatos esquecido em uma prateleira é o ponto de partida da história. Escrito e dirigido por Áurea Liz, o espetáculo tem como protagonista Miós, uma sapateira de 65 anos interpretada por Gelly Saigg. Ela herdou do pai o ofício e uma pequena banca de consertos diante de uma pista movimentada. Enquanto observa as pessoas atravessarem a rua para deixar seus calçados, Miós percebe que cada par carrega uma história. Um deles, porém, permanece esquecido. Sua dona nunca voltou para buscá-lo.

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É a partir dessa ausência que a dramaturgia revela, pouco a pouco, a história de uma mulher vítima de feminicídio. Sem recorrer ao sensacionalismo, a montagem transforma objetos cotidianos, silêncios e memórias em elementos capazes de provocar identificação e reflexão sobre uma violência que, muitas vezes, permanece escondida dentro das relações familiares e afetivas.

A circulação pelas escolas amplia esse diálogo ao aproximar a obra diretamente dos jovens. Após cada apresentação, os estudantes participam de uma roda de conversa sobre violência doméstica, redes de apoio, abandono e envelhecimento, criando uma ponte entre aquilo que é apresentado no palco e situações que podem estar presentes na realidade das comunidades.

Para Gelly Saigg, atriz e proponente do projeto, levar o espetáculo ao ambiente escolar também significa utilizar a arte como instrumento de informação e conscientização. Ao colocar o tema em cena e abrir espaço para a conversa, a iniciativa busca contribuir para que os estudantes reconheçam diferentes formas de violência, compreendam a importância do acolhimento e conheçam caminhos possíveis para romper ciclos de silêncio.

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A apresentação desta quinta-feira encerra a circulação de “Os Sapatos que Atravessam a Rua” pelas duas escolas de Sobradinho, concluindo um percurso que reuniu teatro, diálogo e conscientização em torno do enfrentamento à violência contra a mulher.

Arte como espaço de escuta

Na montagem, a banca de Miós deixa de ser apenas um lugar de conserto de sapatos. Ela se transforma em território de cuidado, resistência e preservação de histórias. Atravessar a rua, nesse contexto, representa também a disposição de olhar para o outro e ouvir aquilo que, muitas vezes, permanece escondido.

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A iniciativa parte do entendimento de que a cultura pode desempenhar um papel importante na prevenção da violência. Ao tratar o feminicídio por meio de uma narrativa simbólica e sensível, o espetáculo cria condições para que um assunto difícil seja discutido sem perder sua gravidade.

Em edição anterior do projeto, o espetáculo percorreu escolas da rede pública de ensino de Samambaia, Sobradinho e Ceilândia, sempre acompanhado por rodas de conversa com os estudantes e equipes pedagógicas. As apresentações despertaram reflexões profundas e estimularam a participação do público, que frequentemente permanecia após o encerramento para compartilhar experiências, dúvidas e percepções sobre os temas abordados.

Como esperado, a peça abriu portas para o diálogo. Muitos jovens encontraram naquele momento um espaço seguro para falar, ouvir e refletir sobre situações que, muitas vezes, permanecem em silêncio. Isso reforça o papel da arte como instrumento de educação, escuta e transformação“, afirma Moara Barbosa, produtora executiva do projeto. A repercussão positiva e o envolvimento das comunidades escolares reforçaram a importância de ampliar a circulação do espetáculo e de fortalecer ações que promovam o diálogo e a formação cidadã no ambiente escolar.

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A realização destinada à comunidade escolar também reforça o compromisso do projeto com a descentralização cultural, ao levar uma obra de relevância artística e social a estudantes de Sobradinho.

Reconhecimento

Além do impacto junto às comunidades escolares, “Os Sapatos que Atravessam a Rua” também coleciona reconhecimento no cenário cultural do Distrito Federal. A montagem esteve entre as vencedoras da 3ª edição do FestCaras, competição de esquetes realizada no Gama com o objetivo de fortalecer as artes cênicas do DF. Em 2025, o festival reuniu 14 companhias de teatro, que concorreram em 14 categorias, destacando produções pela qualidade artística e relevância de suas propostas.

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A trajetória de suas criadoras também tem recebido reconhecimento público. A dramaturga e diretora Áurea Liz foi homenageada com uma Moção de Louvor pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), durante sessão solene promovida pelo Programa Nacional dos Comitês de Cultura no Distrito Federal, em parceria com a CLDF e o Sindicato dos Professores do Distrito Federal, em reconhecimento à sua contribuição para a integração entre arte, cultura e educação. Na mesma solenidade, a atriz Gelly Saigg, que interpreta a personagem Mió, também recebeu a homenagem por sua atuação no fortalecimento da cultura e da educação por meio das artes.

 

Acessibilidade integrada à experiência

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“Os Sapatos que Atravessam a Rua” incorpora recursos destinados a ampliar o acesso de pessoas com deficiência. O projeto prevê, na primeira sessão, interpretação em Libras e audiodescrição simultânea, programas em Braille, vídeos com legendas, Libras e audiodescrição, além da possibilidade de reconhecimento tátil do cenário e dos figurinos antes das apresentações.

A acessibilidade não aparece apenas como um recurso complementar, mas como parte da concepção do projeto, permitindo que diferentes públicos tenham contato com a obra de maneira autônoma e com qualidade estética.

Formada majoritariamente por mulheres e com a presença de profissionais com deficiência, a equipe reúne artistas e técnicos de diferentes áreas. Além de Gelly Saigg e Áurea Liz, integram a ficha técnica profissionais de produção, comunicação, música, iluminação, caracterização, Libras, audiodescrição e consultoria de acessibilidade.

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As apresentações são direcionadas a estudantes e à comunidade escolar previamente mobilizada pelas instituições participantes.

 

Ficha técnica

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Gelly Saigg – Atriz

Áurea Liz – Dramaturgia e Direção

Moara Barbosa – Produção Executiva

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O Carcará – Coordenação Administrativa

Ale Capone – Consultoria de Acessibilidade

Patrícia Albuquerque – Interpretação em Libras

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Jane Menezes Cinema Cego – Audiodescrição

Cruziá Comunicação – Design, Gestão de Redes Sociais,

Fotografia, Captação e Edição de vídeo

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Miccael Grandis – Assistência de comunicação

Ana Luiza Aguiar – Produção de Conteúdo

Alexandra Vinagre – Caracterização e maquiagem

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Tauana Barros – Iluminação

Vitor Barbosa – Operação de som e Trilha sonora original

Pedro Barbosa – Coordenação Técnica e Trilha sonora original

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Monyelle Faria – Assistência de Produção

Fabiana Paula – Contrarregragem e assistência de produção

Charlotte Vilela – Assessoria de imprensa

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