Educação
Bilinguismo na infância: por que a criança deve começar desde cedo?
Estudos mostram que contato precoce com outro idioma favorece desenvolvimento cognitivo, atenção e flexibilidade mental
O início da aprendizagem de uma segunda língua na infância tem sido associado não apenas à fluência linguística, mas também a benefícios cognitivos e socioemocionais importantes ao longo da vida. Pesquisas em neurociência indicam que crianças expostas precocemente a idiomas adicionais apresentam maior plasticidade cerebral, melhor controle de atenção, memória de trabalho e capacidade de alternar entre tarefas; habilidades diretamente relacionadas ao desempenho escolar e ao aprendizado contínuo.
Segundo especialistas, quanto mais cedo a criança entra em contato com uma segunda língua, mais natural e eficaz tende a ser o processo de aquisição. “A infância é um período de alta adaptabilidade do cérebro, e o bilinguismo nessa fase favorece funções cognitivas como foco, raciocínio e flexibilidade mental, que são úteis em diversas áreas do conhecimento”, afirma Raquel Nazário, diretora regional da Maple Bear Brasília.
O ensino bilíngue na primeira infância amplia muito mais do que a simples habilidade de comunicar-se em outra língua. “O bilinguismo estimula a criança a alternar entre sistemas linguísticos, o que fortalece conexões neurais ligadas à atenção, tomada de decisões e adaptação a novas situações. Isso impacta positivamente não apenas na língua aprendida, mas também em aspectos como memória, resolução de problemas e criatividade”, afirma a especialista.
Pesquisas científicas apontam que crianças bilíngues desenvolvem maior consciência linguística e habilidades cognitivas que se estendem para além do aprendizado da língua em si, incluindo pensamento crítico e capacidade de adaptação em ambientes variados.
No contexto pedagógico da Maple Bear Brasília, a educação bilíngue é integrada ao currículo desde cedo, com metodologias que combinam interação, imersão e uso real da língua, favorecendo o desenvolvimento natural e significativo do inglês. Essa abordagem é pensada para estimular a curiosidade, o repertório cultural e a capacidade de expressão dos estudantes em diferentes contextos.
Para Raquel, iniciar o bilinguismo ainda na infância é uma forma de ampliar horizontes cognitivos e preparar crianças para um mundo cada vez mais globalizado. “Expor a criança a duas línguas desde cedo não apenas facilita a aquisição do idioma, mas também contribui para que ela desenvolva habilidades amplas de pensamento, comunicação e compreensão intercultural”, conclui.
CRÉDITOS:
FOTO: Freepik
Curiosidades
Estudantes de escolas públicas querem ensino e aprendizagem melhores
Melhorias relacionadas ao ensino e à aprendizagem são a principal expectativa de pelo menos um quarto dos estudantes brasileiros do ensino médio em relação aos governos que se iniciam em 2027. A qualidade do ensino, para esse grupo, está diretamente relacionada à atuação do professor.
O levantamento ouviu 5.296 alunos do ensino médio e do ensino fundamental 2 (6° ao 9° ano), nas cinco regiões do país. Segundo eles, tais mudanças devem contemplar:
- aulas diferentes;
- dinâmicas em salas de aula;
- capacitação de professores;
- menos falta dos professores.
A pesquisa O que os estudantes pensam sobre a Educação? foi encomendada ao Instituto DataFolha pelas fundações Itaú, Lemann, Telefônica Vivo e pelos institutos Natura, Sonho Grande, Unibanco e Todos Pela Educação.
Entre os temas abordados nas perguntas, então o processo de aprendizagem, a atuação dos professores, educação profissional, uso de tecnologia, educação em tempo integral.
Desempenho dos professores
Dados do estudo indicam que a percepção dos estudantes entre 12 e 21 anos sobre a forma como os professores explicam os conteúdos está associada à avaliação que fazem da escola.
Entre os que dizem que os professores explicam bem os conteúdos, 75% avaliam a escola como boa ou ótima. Entre aqueles que afirmam que os professores não explicam bem, esse percentual cai para 48%.
O diretor de Políticas Públicas do Todos Pela Educação, Gabriel Corrêa, afirma que os estudantes colocam as oportunidades de aprendizagem no topo de suas expectativas sobre o que é uma boa escola.
“É um dado que ajuda a reforçar onde deve estar a prioridade absoluta da política pública nos próximos anos: na aprendizagem.”
Segundo ele, o momento de eleições e o início de novos mandatos trazem oportunidade de revisão de estratégias e de repactuação de compromissos.
“[Nesse contexto], o país precisa acelerar muito o ritmo de crescimento dos indicadores de qualidade educacional.”
Ainda em relação aos professores, no fundamental 2, 78% avaliam que os professores estão motivados para dar aulas, enquanto no ensino médio esse número cai para 69%.
A ausência de professores parece ser um problema mais comum também no ensino médio, onde 66% concordam totalmente ou em parte que “há disciplinas que ficam um tempo sem ter professor”. No fundamental 2, 61% afirmam o mesmo.
Ensino técnico
Mais de 90% consideram importante ter a oportunidade de fazer um curso técnico ou profissionalizante durante essa etapa da educação.
O dado contrasta com o alcance atual da Educação Profissional e Tecnológica: de acordo com o Censo Escolar 2025, cerca de 20% dos estudantes do Ensino Médio estão matriculados na educação profissional.
Tecnologia
A tecnologia é percebida como presente na rotina escolar: 70% dos estudantes afirmam que os professores usam tecnologia nas aulas pelo menos uma vez por semana.
A inteligência artificial aparece entre as ferramentas: 71% dizem usar IA com frequência ou às vezes para estudar. Ao mesmo tempo, quase um em cada três estudantes discorda de que seus professores estejam bem preparados para usar tecnologia em sala de aula.
Tempo integral
Entre os estudantes que estudam em tempo integral, 74% avaliam a escola como boa ou ótima, ante 68% dos estudantes do ensino regular. A diferença aparece nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.
Entre os benefícios estão mais tempo para aprender, participação em atividades esportivas, artísticas e culturais, preparação para o futuro e mais tempo de estudo para vestibular e para o Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem.
Entre os estudantes do ensino médio que afirmam que não estão no tempo integral, 20% dizem trabalhar ou exercer atividade para garantir remuneração.
Para Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social, a pesquisa revela que os estudantes têm consciência sobre o que é importante para a escola.
Quando a aprendizagem aparece como prioridade e a formação técnica, a tecnologia, o tempo integral e a possibilidade de escolha ganham relevância, há um recado claro para as políticas públicas, de acordo com a especialista.
“Ouvir os jovens é fundamental para construir respostas mais conectadas à realidade das escolas e garantir condições para que cada estudante e futuro profissional avance em sua trajetória com qualidade, equidade e perspectivas concretas para o futuro.”
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